segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Preparação Para os Médiuns Iniciantes

Mais um texto que recebi de minha Mãe de Santo (Mara Calegari).

Espero ser de alguma valia aos amigos trabalhadores dos Terreiros de Umbanda:

"Preparação e dicas para médiuns iniciantes

Chegar no Terreiro para um dia de trabalho, isso depois da preparação que deve ter sido feita antes, com banhos e etc., evite aquelas conversas sobre assuntos do dia a dia, seus problemas, suas amarguras, ou mesmo as amarguras dos outros. Busque desde a sua chegada entrar em contato com as energias que ali existem e que foram criadas por todos que ali frequentam.

Para tal, prefira o silêncio aos papos desnecessários, a introspecção, observação de seus próprios processos mentais, ao invés de ficar observando o comportamento alheio, mesmo que de irmãos de corrente seus. Cabe ao Dirigente verificar se estão ou não em acordo com o que pretende o Terreiro e seus Mentores Espirituais. Nesse estado de introspecção, de preferência de olhos fechados, o que ajuda bastante, tente ir sentindo, não o que ocorre a seu lado fisicamente, mas “no ar”; a seu lado; espiritualmente.

Relaxe o mais que puder e tente com isso, abrir ou expandir sua Aura em volta de todo o seu corpo, para que a sensibilidade para outros planos seja facilitada. Você pode, durante esse processo, já ir tentando contato com suas entidades protetoras e guias, ainda que sem incorporações, através de orações por exemplo, apenas para que elas se acheguem a você e estejam tão próximas quanto possível durante todo o tempo de Gira.
Faça isso e, talvez não consiga na primeira ou segunda vez, mas chegará a um ponto em que sentirá a presença deles quase que fisicamente, se bem que alguns prefiram se fazer notar transmitindo-lhe mentalmente, ou seu Ponto Cantado ou alguma coisa mais que os identifiquem. Só você é quem vai, na medida em que isso for sendo “treinado”, sentindo mais e mais. E veja bem: isso deve ser praticado antes mesmo de se iniciar a gira.

Saber usar a egrégora, energia padrão do Terreiro, com a finalidade de melhorar seus dons é coisa que poucos fazem, acontece que essa egrégora, sendo forte, facilita esse intercâmbio entre você e o Mundo Astral que circunda seu Terreiro através dos vínculos que essa egrégora tem com todas as entidades que ali trabalham.

Não podemos aqui expressar em quanto tempo cada um vai sentir e/ou ver melhor o que ocorre “do outro lado” ou mesmo “dar melhores incorporações” porque isso vai depender de cada um e de seu próprio esforço nesse sentido, mas que essa simples mudança de comportamento antes das seções pode melhorar acentuadamente todos os seus processos mediúnicos, disso você pode ter certeza!

Começando a Seção, mantenha-se o mais possível, em estado de relaxamento mental, tentando mentalizar o que cada Ponto Cantado diz. Os Pontos Cantados têm, como objetivo primeiro o de desviar a atenção dos médiuns dos problemas que o envolvem no dia a dia e concentrar suas mentes nos rituais que vão se proceder. As letras dos Pontos Cantados, de uma forma geral, nos induzem a imagens de seres,situações e locais que fortalecem nossas crenças e nos dão a certeza de estarmos bem assistidos por nossos amigos e mensageiros, mas isso em se tratando de Pontos Cantados mesmo, com fundamentos.
Agora vamos expor as vantagens desse trabalho mental voltando sempre sua mente para o que está ou deveria estar acontecendo no Astral, dentro do Terreiro:

1º- Sua mente estará sempre ocupada com pensamentos e mentalizações positivas, evitando se deixar levar pelo cotidiano ou mesmo por pensamentos e fixações negativas;

2º- Sua mente estará criando condições que propiciem a criação de energias de teor positivo que fatalmente agirão sobre ela, seu corpo físico e seu estado psíquico;

3º- Pelo efeito das duas vantagens anteriores, sua Aura estará sendo relaxada, mais expandida, o que o fará mais propenso, pela sensibilidade nesse caso, tanto a incorporações menos traumáticas, menos “sacolejadas”, como mais seguras, ocorrendo o mesmo no caso de vidência e clariaudiência;

4º- Como sua mente vai estar voltada para criações de imagens de teor positivo, mesmo com o relaxamento de sua Aura as entidades de menor evolução terão dificuldade ou mesmo ficarão impossibilitadas de nela penetrarem, o que por si só, já será um filtro contra o Baixo Astral;

5º- Sua mente estará sendo trabalhada em cada sessão, por você mesmo, ainda que não perceba de imediato, para focalizar planos e energias de cada vez mais alto teor vibratório, o que equivale a dizer que estará ampliando seu Padrão Vibratório e, nesse caso, sintonizando-o pouco a pouco com Energias e Entidades pertencentes a níveis superiores de Evolução.

É claro que essa sintonia com os níveis superiores não se dará “da noite para o dia” , como se costuma dizer, levará mais tempo ou menos tempo, de acordo com seu próprio esforço. Mas nunca é tarde para se começar até porque, às vezes, mesmo sem o sabermos, já estamos na metade do caminho, ou mais.

A mediunidade de incorporação, talvez seja a forma mais passiva de contato com entidades e energias do Plano Astral porque, nessa técnica, para que a incorporação seja a melhor possível, o médium deve basicamente focalizar sua mente na falange ou entidade que pretende que incorpore e relaxe o máximo possível. Todo o restante é feito pela entidade que chega e vai tomando os pontos a serem comandados: respiração, pernas, braços, mente, voz e outros. Por ser uma forma de contato passiva, o médium tem que confiar em si mesmo e na entidade que se aproxima lhe entregando de corpo e mente.

Com o passar do tempo e o melhoramento da sensibilidade mediúnica, não só o desenvolvedor mas todas as entidades que com você vierem a trabalhar, ao se achegarem emitirão sinais particulares para que você os possa identificar. Por exemplo: algumas entidades chegam cantando seus Pontos ao seu ouvido. Já outras além do Ponto Cantado ou mesmo sem ele, se utilizam de sensações específicas no corpo material do médium e, dessa forma, alguns lhes assobiam no ouvido ou nos ouvidos, outros lhes dobram um certo dedo da mão, outros lhe dão uma pontada em uma outra região do corpo, enfim, se utilizam de sinais que para eles e o médium se tornam característicos de suas presenças. O médium reconhecendo esses sinais característicos, e neles confiando, passa a criar em si condições que propiciem à entidade uma boa incorporação, relaxando e voltando sua atenção totalmente para aquela que se achega.

Você deve saber que médiuns, principalmente os de mediunidade kármica, costumam ter à sua volta um grupamento de espíritos e/ou elementais com os quais já se comprometeu a trabalhar, antes mesmo do reencarne. Acontece que nesses casos, quando o médium, ou está atrasado no cumprimento de seu Karma ou mesmo por ansiedade dessas próprias entidades, ao chegar no Terreiro, é quase que “invadido” por uma ou mais de uma entidade que “quer logo garantir seu lugar”.

Pode parecer brincadeira mas não é! Pode acontecer uma situação dessas, e há vezes em que mais de uma entidade tenta “entrar” na faixa vibratória disponível desse médium ao mesmo tempo. Como nem ele nem essas entidades têm ainda treinamento para fazê-lo, acabam por provocarem esse choque de vibrações com violentos choques na matéria, sacolejos e mesmo os tombos que acontecem, mesmo que você não acredite, de ambos os lados (médium e entidades).

Nesse caso, as entidades praticamente se “trombam” na ânsia de assumirem um lugar ou se definirem como presentes. Pela inexperiência dessas entidades em flexibilizarem seus padrões vibratórios ou a densidade de seus Corpos Astrais, acabam as duas, criando o choque de Auras que além de afetar o médium acaba por afetá-las da mesma forma.

Em casos como esse, cabe ao Dirigente do Terreiro ou ao Chefe Espiritual, a doutrinação dessas entidades no intuito de ensiná-las que não pode ser dessa forma. Claro que médiuns que sofrem esse problema têm que ser melhor assistidos pelo seu Dirigente até que a “demanda” do outro lado se resolva e todos possam chegar em paz.

O problema maior, na maioria dos terreiros, às vezes, está na forma do desenvolvimento das faculdades mediúnicas, pois constantemente vemos vários dirigentes de terreiros induzirem pessoas portadoras de determinados desequilíbrios a desenvolverem sua mediunidade. Esse conselho é muito utilizado por aqueles que não têm um conhecimento estruturado sobre o assunto.

Nesses casos, a prudência aconselha que se faça um tratamento espiritual, com afirmação em valores morais sólidos, afim de o companheiro em questão, possa se fortalecer espiritualmente, pois sua mediunidade guarda a característica de ser atormentada, se encontrando muitas das vezes, obsedado por espíritos que, em alguns casos, querem se vingar de um passado onde tiveram experiências em comum. Sendo assim, não se deve desenvolver algo que esteja enfermo, é preciso reequilibrar suas energias, para depois assumir o compromisso na área mediúnica, se é que este realmente exista.

Outro problema é o costume de alguns dirigentes de terreiro, fazerem uma espécie de preparação com seus “filhos”, raspando-lhes a cabeça ou firmando seu Santo ou seu Orixá regente. Esse costume se reporta mais aos cultos africanos e não propriamente dito a Umbanda. Mas mesmo sabendo disso alguns companheiros, que guardam em seus trabalhos raízes nesses cultos, continuam, algumas vezes, com alguns costumes.

Nós umbandistas devemos reconhecer que a verdadeira preparação para um bom desenvolvimento mediúnico, é a elevação da nossa vida moral, esse sim é um dos valores indispensáveis em qualquer caminho que um filho de Deus se encontre, e que sempre baseados nas Leis da Caridade e do Amor, possamos seguir firmes nos objetivos elevados propostos pelos mentores espirituais da Umbanda.

A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, da aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, sempre respeitando os guias e Orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.

Existe médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral e profissional dignos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acabará atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados e que estejam na mesma faixa vibracional que eles.

Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião seguido por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial. As pessoas que são médiuns e tem o trabalho mediúnico como missão, devem levar sempre isso muito a sério, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

Mediunidade é coisa séria e participar de uma corrente mediúnica, mais ainda, é preciso que entendam seus deveres e obrigações e faça cada um a sua parte, e que sejamos conscientes de que nem todos somos médiuns de incorporação, e não é porque não estamos trabalhando incorporados que não devemos ser atentos aos deveres que nos competem.

O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos seus Orixás e Guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida, problema espiritual ou material.

Bem, acreditamos que você agora já tenha uma ideia mais clara do que é e como funciona a mediunidade, e passa também ver como é importante que você faça a sua parte, buscando a cada dia, a cada seção, a cada aprendizado melhorar sua ligação vibracional com o mundo astral."

sábado, 17 de novembro de 2018

Umbandista em Extinção

Recebi o texto abaixo da minha Mãe de Santo (Mara Calegari) e achei muito bonito:

Mãe Mara Calegari
UMBANDISTA EM EXTINÇÃO

"Se você, ao entrar em um terreiro, pede licença e saúda os assentamentos e firmezas da casa;

*Se você, ao ficar diante de um Preto Velho se ajoelha e pede sua benção;

*Se você, ao se afastar de um guia ou do altar, sai de costas e permanece de frente para o altar;

*Se Você, ao conversar com uma entidade, se curva e abaixa o olhar em sinal de respeito;

*Se você, ao tomar um passe, agradece de coração a entidade que o atendeu;

*Se você, ao ganhar de um guia um gole de sua bebida, pega sempre o copo com as duas mãos;

*Se você, ao ser convocado para um trabalho difícil, não se envaidece e se prepara com amor;

*Se você, ao ser corrigido por seu Pai/Mãe de santo não se enfurece, mas entende que é para sua evolução;

*Se você, ao encontrar seu Pai/Mãe de santo, toma sua benção, seja onde for;

*Se você, ao cantar determinados pontos de umbanda ainda se emociona como no início;

*Se você, ao perceber um erro de alguém, não critica, mas procura orientar da forma adequada;

*Se você, ao não entender um ensinamento ou doutrina, questiona,pergunta,ao invés de fingir que entendeu;

*Se você, ao ouvir comentários desnecessários dentro do terreiro os ignora e não se envolve;

*Se você, ao faltar a gira ou em algum trabalho, pede desculpas aos seus guias por sua falta;

*Se você, ao fim de um culto ou trabalho fica feliz e ansioso pelos próximos; 

*Se você, ao se sentir fraco, busca a ajuda de sua casa ao invés de se afastar dela;

*Se você, ao presenciar algum problema em sua casa, não se omite e toma as devidas providências,mostrando-se atuante;

*Se você, preocupa-se tanto com o seu próprio desenvolvimento quanto com o dos outros;

*Se você, tem respeito e amor verdadeiro por sua casa e entende o quão é difícil em vários momentos mantê-la...

PARABÉNS POR SUA POSTURA, MAS CUIDADO, VOCÊ É UM UMBANDISTA EM EXTINÇÃO


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Estudo Sobre Preto Velho - Parte 7


CASOS DE CURA NOS TERREIROS

Algumas linhas de trabalho da Umbanda possuem um foco maior em determinado campo de atuação. Os Caboclos atuam na abertura de caminhos, enquanto os Marinheiros abrem novos ciclos e os Exus realizam desobsessão. Todas as linhas, no entanto, trabalham com cura, seja com trabalhos mais “pesados”, com entregas arriadas em pontos de força, ou um simples, mas efetivo, passe (alinhamento energético).

Os Pretos Velhos trazem na ancestralidade de seus falangeiros o dom da cura e, ao desencarnarem, aprendem inúmeras técnicas ocultas a nós de manipulação de energia para cura de enfermidades, desde as mais simples até complexas doenças. Temos que entender que nos solos sagrados da Umbanda a manifestação de verdadeiros milagres é bastante comum, porém temos em nosso inconsciente coletivo que os milagres devem ser atribuídos apenas aos santos, e a Santidade é algo inerente apenas à Igreja Católica, que seleciona a dedo quem será canonizado. É muito difícil fazer com que a Sociedade entenda que milagre existe aos montes e nada mais é do que a capacidade de materialização da Fé de alguém, encarnado ou não, para a realização de algo.

Resolvi citar casos que vivenciei e outros que recorri a conhecidos dos anos de caminhada religiosa. São eventos reais e, nos casos específicos, atribuídos apenas aos Guias de Luz atuantes na Linha dos Pretos Velhos:

Fogo Selvagem

Em sua tese de mestrado, a teóloga Lucilia Laura Pinheiro Lopes entrevistou várias detentas em diversos presídios da capital paulista para identificar as opções religiosas. Uma das entrevistadas, identificada como P.S, relatou que frequentava o Centro de Umbanda Caboclo Sete Flechas, em Atibaia (interior de São Paulo). Quando ela tinha 16 anos levou uma amiga e sua filha, que sofria de pênfigo foliáceo (doença comumente conhecida como Fogo Selvagem) para conhecer o terreiro. A menina havia se consultado em vários médicos especialistas em São Paulo e não conseguia ser curada. Chegando no terreiro, foi atendida por uma Preta Velha que a benzeu e passou um banho simples de Erva de Bicho. Dias depois a criança sarou e nunca mais teve a doença.

A própria detenta diz que teve hepatite, mas após frequentar o terreiro a doença nunca mais se manifestou.


Cura e Abertura de Terreiro

Nivaldo Nicoliche foi levado por seu pai a um terreiro de Umbanda em Jacareí (interior de São Paulo, por coincidência cidade no qual atualmente exerço meus trabalhos na Umbanda) para que fizesse uma operação espiritual em sua garganta. O pai de Nivaldo já havia feito uma cirurgia espiritual no coração anos antes e usou aquilo como referência.

Nivaldo relutou mas fez a operação, a qual foi muito bem sucedida e os males que tinha na garganta simplesmente desapareceram. Se ele e seu pai precisavam de alguma prova do trabalho da Espiritualidade, essa prova foi tão forte que fundaram um Terreiro de Umbanda, o qual existe há mais de 25 anos.


Banhos da Preta Velha – e um AVISO IMPORTANTE

José (prefere não se identificar) presenciou o tratamento de uma doença na pele de uma amiga. Ela tinha manchas que coçavam muito ao ponto de ficar em carne viva. Buscou vários dermatologistas e tomava comprimidos, passava óleos, cremes e tudo mais. Quando estava desistindo de obter a cura, visitou um terreiro e foi atendida por uma Preta Velha, a qual fez um tratamento completo de cura e passou vários banhos diferentes. Em menos de um mês a mulher estava completamente curada.

Ela disse que não foram os remédios pois depois de sua consulta com a Preta Velha, ela jogou fora seus remédios. Este é o aviso importante: nunca, sob qualquer hipótese, abra mão dos tratamentos convencionais que estão sendo feitos com médicos. Deus deu a possibilidade do conhecimento a esses profissionais, portanto é de uma irresponsabilidade muito grande abrir mão do tratamento convencional. O tratamento espiritual deve ser um complemento sempre.


Endireita Essa Coluna

Uma trabalhadora que conheço dos terreiros de Umbanda que frequentei nasceu com um desvio na coluna muito acentuado. Era comum ela não poder participar das giras devido as dores que via de regra surgiam devido a sua condição. Os médicos diziam que a única solução seria uma operação, porém como era em local bastante sensível qualquer problema na condução da cirurgia poderia acarretar em paraplegia. Pelo risco inerente decidiu não operar e conviver com a dor.

Sendo uma pessoa de fé imaculada na Espiritualidade, pediu auxílio aos Pretos Velhos do terreiro que trabalhava. Em apenas uma seção de cura, os Guias da casa realinharam toda a energia da moça e, de forma milagrosa, simplesmente eliminaram o desvio em sua coluna. Logicamente voltou ao médico para conferir se realmente estava curada e, quando teve a confirmação, a equipe médica não conseguiu entender o que tinha ocorrido, pedindo nova bateria de exames, os quais comprovaram a cura.

Atualmente é trabalhadora e dá passividade aos Guias de Luz, pela Caridade e para Deus.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Estudo Sobre preto Velho - Parte 6


OS NOMES DOS PRETO(A)S VELHO(A)S

Como é de conhecimento comum, todas as linhas de trabalho na Umbanda adotam um nome que representa a forma de atuação do falangeiro. Os nomes não necessariamente são iguais àqueles que os Guias tinham quando encarnados, e isso é bastante comum em se tratando de Caboclos e Exus, por exemplo (ninguém acredita que o índio chamava Cobra Coral ou o Exu chamava Capa Preta quando encarnado). Com os Pretos Velhos, no entanto, os nomes parecem bastante reais e possuem uma grande variedade (diferente dos “Zés” que encontramos em várias outras linhas de trabalho. Benedito, Jacó, Tomé, Cambinda, entre muitos outros, parecem nomes reais, mas nem todos foram. Vejamos a estrutura de significado dos nomes dessas entidades.

Todo Preto Velho ou Preta Velha começam com a denominação “Pai”, “Mãe”, “Vó” ou “Vô”. Quando o nome do guia inicia com Pai ou Mãe (Pai Joaquim, por exemplo) quer dizer que aquele guia tem como característica de sua missão o ensinamento às pessoas, e muitas vezes contam suas histórias para ensinar algo prático. Quando o nome do guia inicia como Vô ou Vó (Vó Benedita, por exemplo) quer dizer que aquele guia cumpre sua missão de uma forma mais doce, conversando com os assistidos ou médiuns como se fosse um avô ou avó mesmo, como todo carinho inerente.

É bastante comum encontrar a palavra “Aruanda” no nome dos guias. Quando isso acontece (Pai Joaquim de Aruanda, por exemplo) quer dizer que aquele guia atua sob a regência direta de Oxalá, e como não poderia ser diferente, sua missão tem como base o equilíbrio da pessoa na Fé.

Quando há, porém, o nome de um país africano (Guiné, Angola, Congo, etc) indica qual o campo de atuação daquele guia e, em alguns casos, o local de nascimento do falangeiro. Vejamos o significado de cada uma:

  •         Angola: a linha da Angola é conhecida por ter alguns dos maiores feiticeiros na linha de Preto Velho trabalhando na Umbanda. São guias com conhecimento de práticas do Candomblé, portanto conseguem ajudar na manipulação de energia para quebra de feitiçaria negativa (como os guias do Candomblé), especialmente vindas de conhecimento iorubana.

  •     Guiné: como vimos anteriormente, Guiné é um dos países africanos com maior quantidade de mandingas. Desta forma, não diferente, é a atuação dos Guias que utilizam em seu nome o termo “Guiné”, pois possuem grande capacidade de manipulação de energia de cura e proteção.

  •         Congo: representam a força mais bruta, menos refinada. Via de regra trabalham com proteção contra kiumbas e desobsessão. Em alguns terreiros mais antigos, existe um toque feito exclusivamente para a “Linha do Congo” onde os médiuns dão passividade para espíritos que não se comunicam e dançam de forma única e muito “pesada” (passos fortes e constantes) como se fossem antigos africanos em seus rituais ancestrais. Os Guias que atuam nesta linha possuem a regência de Iansã.

  •        Costa: bastante parecido com os guias da linha da Guiné, porém trabalham mais no Plano Espiritual do que acompanhando médiuns. Sua presença é bastante rara hoje em dia.

  •       Mina: é uma linha relativamente comum de ser encontrada hoje, e representa uma mistura ente o povo da Guiné e da Angola. Muitos foram mandingas quando encarnados.


O primeiro nome do Guia também pode ter relação direta com o significado comum daquele nome, e não necessariamente indica como se chamava em vida o falangeiro. Exemplos:

Benedito (abençoado ou bento), Joaquim (estabelecido por Deus ou enviado de Deus), Antônio ou Tonico (aquele com valor inestimável, como a Fé), Jacob (aquele que sempre vence), José (multiplicador de Deus), João (agraciado por Deus), Ana (cheia de graça), Benedita (benta), Maria (pureza).


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Estudo Sobre Preto Velho - Parte 5

No texto anterior comentei algo por cima sobre Preto Velho e Exu serem grandes parceiros de trabalho no Plano Espiritual. Eu encontrei na internet um texto maravilhoso que simula uma conversa entre um Preto Velho e um Exu. O texto não é verídico, porém foi baseado em inúmeras informações vindas diretamente desses maravilhosos Guias de Luz. Essas informações foram compiladas pelo médium Carlos de Ogum. 

Vejamos como funciona esta antiga parceria:

"Em um certo dia na beleza das terras espirituais de Aruanda, cidade de luz onde encontramos nossas amadas Entidades, um Exú que acabara de retornar de um trabalho espiritual de incorporação em um médium trabalhador de uma casa umbandista, vai até um Preto Velho, que se encontrava sentado em seu toco de madeira, pitando calmamente seu cachimbo, soltando a fumaça no ar e observando toda a bela natureza da cidade espiritual. O Exú chega olhando firme para o velho negro, e assim se inicia o diálogo:

Exú: Sua benção meu velho.

Preto Velho: Que Pai Oxalá te abençoe meu fio.

Exú: Será que posso ficar um pouco com o senhor meu velho?

Preto Velho: Claro meu fio. Mas porque esse semblante tão
entristecido?

Exú: Acabei de chegar de uma Gira em um Terreiro de Umbanda, no qual
trabalhei com um médium muito honesto, que me deixa a vontade em me
expressar, sem que ele tente interferir ou mistificar.

Preto Velho: Mas isso não é para nos deixar feliz fio? Tantos médiuns
que são tomados pela vaidade, arrogância, falta de humildade. Esse fio
que vosmicê trabaia, sendo um exemplo na religião, e vosmicê chega
tristonho?

Exú: Sim meu velho, eu tenho muito carinho e respeito por esse médium
caridoso, trabalhador da honestidade. Mas, essa tristeza que está
apertando em meu peito meu pai, não é pelo meu amado aparelho. São
pelas pessoas que foram ao terreiro, pessoas que se consultaram
comigo, com meus irmãos e minhas irmãs.

Preto Velho: Sim meu fio, estou começando a entender essa sua
tristeza. Mas vamos tirar ela de seu peito, encoste sua cabeça no
ombro desse veio, deixe seu coração falar, deixe sua luz se acender,
desabafe tudo aquilo que você trouxe la da terra, dos sentimentos dos
homens sem sentimentos.

O Exú encostando a cabeça no ombro do Preto Velho, como se
pedisse um afago, fez uns segundos de silencio, e logo após se pôs a
falar, num tom baixo, um tanto desanimado, cabisbaixo, parecendo
tentar esconder algumas lágrimas que teimavam em cair de seus olhos.

Exú: Sabe meu pai, nessa gira de hoje tive muitos atendimentos. Homens
que desejavam que seu semelhante perdesse a vida, para que assim
pudesse se apropriar de cargo superior em local de trabalho de ambos.
Mulheres que traziam ódio no coração por um suposto amor, que só ela
entendia que existia, entre ela e um homem, que por seu livre
arbítrio, achou por bem que deveria tomar outro caminho. Tantas
maldades pedidas, tantos desamores, tantas angústias, tanto ódio
espalhados em palavras, tantas cobranças, tantas aberturas dadas a
obsessores, que invadiam os corações e mentes dessas pessoas, fazendo
delas fantoches do espírito do mal.

Preto Velho: Sim meu fio. Entendo o que deseja dizer. Já vi muita
dessas pessoas nas casas de Umbanda, e isso sempre nos traz essa
tristeza que você tem em seu peito.

Exú: Meu velho, tive que lutar muito no dia de hoje, ´para tentar
salvar as almas dessas pessoas. A cada pedido para que seja feito o
mal, novos obsessores chegavam. Meus irmãos que tomavam conta da
tronqueira, lutavam firmemente e arduamente para que nossa gira
não fosse dominada por Kiumbas e Zombeteiros. Minhas irmãs, Pombo
Giras, tentavam se fazer entender, falando as pessoas de coração
sombrio e cheio de ódio, que o amor não se amarra, se conquista. Eu
via por todos os cantos da casa grandes obsessores tragos pelos
filhos que ali estavam simplesmente para pedir o mal, e trazendo nas
mãos marafo, charutos, materiais orgânicos, tentando comprar magias
não existentes. E achando tudo isso a coisa mais natural do mundo.

Preto Velho: E alguns de vosmicês aceitaram essas trocas meu fio?

Exú: Não meu Pai. Estamos acima dessas vontades materiais e orgânicas.
Mas infelizmente temos alguns médiuns mistificadores que usam nossos
nomes para tal recebimento. Dizendo fazerem amarrações, trancamentos,
maldades, fechamentos de caminhos, e muitas outras coisas sujas.

Preto Velho: E vosmicês alertaram o Babalorixá da casa, do acontecido?

Exú: Mas meu velho, era o próprio Babalorixá que se prestava a essas
cobranças, usando o nome de um de nossos irmãos.

Preto Velho: Cada vez mais entendo sua tristeza meu fio. Mas diria a
ti para não se deixar ser levado por esses medíocres da religião, pois
meu fio, a Umbanda está muito acima disso, está muito além dessa falta
de compreensão, muito acima dessa ganância, muito acima desses
obsessores encarnados e desencarnados.

Exú: Sim meu pai. Eu creio nisso também.

Preto Velho: Creia sempre meu fio. Pois Deus espera de nós, Entidades,
essa grandeza de fazer o bem, lutar contra o mal, ensinar os
incompreensíveis a compreender, mostrar o caminhos de luz a quem
teima em buscar escuridão.

Exú: Sabe meu pai, no meu caminho de volta para Aruanda, para não
chegar aqui com tantas cargas negativas, tantos obsessores trancados,
tantos sentimentos humanos ruins, fui até aos irmãos da Calunga
Pequena, para que me auxiliassem a me livrar de tantos pesos deixados
pelos consulentes e seus pedidos incoerentes. Vi muitas moradas de
corpos inertes, corpos esses que as almas estavam presas nas
profundezas clamando por ajuda. Um desses corpos me chamou a atenção
meu velho. Era de um antigo consulente que hora ou outra vinha até mim
pedir para que seus caminhos abrissem, e para isso ele deveria então
passar por cima de um semelhante.
    Esse homem, certa vez me disse que ali onde nos encontrávamos não
teria o "trabalho forte" que ele tanto buscava. Que ali só se falava
em Deus, que ali não abria caminhos que ele desejava abrir, do modo
que ele pretendia. Escutei calmamente aquelas palavras, olhei em seus
olhos e disse, que o caminho dele era ele mesmo que fazia, seu livre
arbítrio era respeitado, assim como ele deveria respeitar o livre
arbítrio de todos.

Preto Velho: Fez muito bem meu fio.

Exú: Lhe disse também, que ele poderia partir, que levasse Deus no
coração, e refletisse sobre aqueles pedidos. E certamente um dia nos
veríamos de novo, e dependendo de seu modo de agir e pensar dentro da
religião, nosso encontro seria ou em um caminho de luz, ou em um
caminho da escuridão, onde eu certamente teria que resgatá-lo.

Preto Velho: Belas palavras meu fio. Vosmicê sabe muito bem como é o
caminho dessa escuridão, esteve lá milhares de vezes resgatando almas
perdidas, buscando seres sem humildade, sem amor, entregues ao ódio,
que muito se arrependeram após conhecer a verdadeira desgraça da
maldade criada em seus próprios corações.

Exú: Isso mesmo meu pai. Um lugar dominado pelo mal, por obsessores,
kiumbas, eguns e Zombeteiros, tomados pela enorme vontade de sugar
todas as energias, todas as formas orgânicas, todos os sentimentos de
ódio que os seres humanos possam espalhar uns para os outros, fazendo
assim que esses espíritos do mal possam ser fortalecidos dia após dia.

Preto Velho: Sim meu fio. Muito triste que os encarnados não
compreendam isso. Esse fortalecimento do mal. Fortalecimento esse
feito pela ganância, por esses pedidos de prejudicação a semelhantes,
entregas de materiais orgânicos, como carne, sangue, e ainda dizendo
que são para os Exús. Muito triste isso meu fio.

Exú: Sim meu velho, muito triste mesmo.

Preto Velho: Mas fio amado, continue me falando desse consulente.
O que aconteceu? Você o encontrou novamente?

Exú: Sim meu velho. Ao ver aquele corpo inerte na Calunga Pequena, e
ao reconhecê-lo, fiquei imaginando onde estaria o seu espírito. E foi
ai que decidi ir até abaixo da linha da luz divina para tentar
encontrá-lo.

Preto Velho: E o encontrou meu fio?

Exú: Sim meu velho. Ele estava nas profundezas, quase sem energia
nenhuma, tomado por obsessores de todos os lados, segurando em uma das
mãos uma imagem de gesso, que ele acreditava ser minha. Uma imagem de
um homem de pés de bode, chifres e cauda do demônio. Em outra das mãos
ele segurava firmemente um grande pedaço de carne sangrenta, meio
apodrecida já, juntamente com uma garrafa de bebida alcoólica e alguns
charutos. Dizia que era sua oferenda para Exú, e que assim que
conseguisse fazer essa entrega, todos seus desejos mais obscuros iriam
se realizar.

Preto Velho: Pobre alma. Não entendeu ainda que só estava energizando
os obsessores, e assim deixando seu espírito sem chance nenhuma de
sair dali.

Exú: Isso mesmo meu pai. Foi ai que eu cheguei perto dele, chamei-lhe
a sua atenção para mim, ergui minha mão em sua direção e lhe disse,
"Venha comigo meu filho. Deixe essas coisas nesse chão imundo. Você e
nem eu precisamos disso."
Ele me olhou firmemente, abraçando junto ao peito todas aquelas
coisas, e disse: "Quem é você? O que quer de mim?"

    Eu respondi tentando ser o mais sereno e convincente possível:
"Sou o Exú que você um dia foi procurar. O Exú que você não aceitou
como protetor. O Exú que lhe disse que um dia íamos nos encontrar
novamente. O Exú no qual você deu as costas e partiu. O Exú que você
afirma que precisa dessas coisas materiais e orgânicas como oferendas.
O Exú que está aqui para tentar lhe mostrar que seu livre arbítrio
ainda tem um poder para te salvar da escuridão eterna e dos obsessores
que tomam toda sua energia para que não tenhas forças para vencer. O
Exú que está lhe dando a mão para sua evolução verdadeira. Deseja vir
comigo?

Preto Velho: E ele aceitou meu fio?

Exú: Infelizmente não meu velho. Ele me olhou de modo desconfiado, de
cima a baixo, e disse: "Você não é um Exú. Onde está seus pés de bode,
seus chifres e cauda. Onde está seus olhos flamejantes, seu odor de
enxofre? Você deseja me enganar para levar minhas oferendas, e assim
eu nunca vou conseguir fazer com que meus inimigos caiam para que eu
consiga o lugar deles, eu nunca vou conseguir fazer os males da doença
seja espalhada a quem um dia me ignorou, eu nunca vou conseguir aquele
amor que deveria ser meu. Preciso amarrar aquela mulher. E você
desejando tudo que tenho para comprar a magia dos Exús de verdade."
Saia daqui, afaste-se de mim."

Preto Velho: Sim meu fio, ele ainda não tinha aprendido a usar o livre
arbítrio para fazer o bem.

Exú: Não meu velho. Ele só via o próprio ódio que estava em seu
coração. Infelizmente não pude fazer nada, além de insistir mais um
pouco, tentar mostrar que eu era um Exú, e que somos Entidades de
Luz, Entidades enviadas por Deus, e não apenas escravos das
oferendas, que para nós é totalmente sem importância. Tentei mostrar
que minha imagem humanizada, que minha voz serena, que minha face
tranquila era exatamente a de um Exú, uma Entidade evoluída que tenta
auxiliar todos os filhos que ainda se prendem aos erros impostos por
alguns médiuns mistificadores ou interesseiros. E deixei bem claro que
só poderia resgatá-lo pela menção de sua vontade, pois respeitaria
seu livre arbítrio eternamente.

Preto Velho: E isso deixou vosmicê bastante tristonho não é meu fio?

Exú: Sim meu Pai. Não conseguir resgatar uma alma da obsessão, dos
espíritos caídos, das trevas eternas, é de maltratar muito os
sentimentos de protetores que nós, Exús e Pombo Giras temos. Mas ainda
ficamos mais tristes quando são colocados nossos nomes como autores
das crueldades, das más intenções, das amarrações, e de tantas coisas
ruins, criadas pelos encarnados, feitos pelos Eguns, pelos
Zombeteiros, pelos Kiumbas e depois cobrados a quem fez esses pedidos
por dezenas e dezenas de obsessores, que vão sugar todas as energias
desses encarnados até eles entregarem seus espíritos as trevas
eternas. E depois nós, Exús e Pombo Giras, temos ainda a missão de
tentar resgatar essas almas, dentro do livre arbítrio delas, as vezes
não conseguimos, e muitas vezes conseguimos. E temos que ouvir alguns
líderes de algumas religiões nos taxando de demônios, senhores das
trevas, vagabundos, prostitutas e amaldiçoados.
Ah meu velho, como é difícil esse trabalho.

Preto Velho: Sim meu fio. Mas vosmicê acredita se fosse fácil seria
uma missão divina?

    Será fio meu, que se ocês, Exús e Pombo Giras, não tivessem essa
missão tão árdua, vosmicês estariam nesse grau tão maravilhoso de
evolução?

    Será que ter essa luta diária contra o mal, sem se deixar ser
levado por oferendas sangrentas, por marafo entregue na encruza, por
pito que faz uma fumaceira que esconde as más intenções, por ebós
banhados por dendê, não faz dos amados Exús e Pombo Giras Entidades
supremas, acima do grau de evolução de muitos seres?

    Será meu fio que quando um encarnado vem com a arrogância pedindo
que faças uma amarração amorosa ou espiritual a um semelhante, e ocês
com toda a humildade, mostram que o amor não pode ser amarrado, que o espírito é livre até
que ele seja entregue aos obsessores através das maldades feitas pelo
próprio encarnado. Mesmo que esse encarnado menosprezem seus
trabalhos, chamando de "trabalho fraco", "trabalho sem força". Mesmo
assim, ocês continuam tentando demonstrar que o bem não pode ser
trocado pelo mal, que a luz não pode ser trocado pela escuridão, que o
amor não pode ser trocado pela amarração. E se mesmo assim esse
encarnado lhe der as costas, ocês o acompanham e o protege, mesmo
sendo vistos ou como Exús fracos, ou como seres do demônio, mas sempre
ali levando a luz.

Exú: Sim meu velho, é assim nosso trabalho. É assim que agimos.
É assim que somos.

Preto Velho: Sabe meu fio, eu enquanto encarnado, nas fazendas de
café, no cativeiro das senzalas sujas e frias, acorrentado nas
correntes da ignorância do homem branco, sendo açoitado nos troncos da
morte, já tive a mesma tristeza que ocês, exús e Pombo Giras trazem
no coração. Então eu elevava minha fé a Zambi, rezava uma oração,
pedia a nosso Deus poderoso para perdoar aqueles feitores que nos
castigavam cruelmente, aqueles coronéis sedentos da ganância que nos
vendiam como animais, aqueles homens e mulheres de peles branca como a
nuvem que nos açoitavam, nos humilhavam, nos matavam friamente, apenas
para demonstrar poder, apenas porque éramos negros na pele, esquecendo
que tínhamos um coração que batia e chorava igualmente a todos, que
tínhamos o sangue vermelho correndo nas veias como todos os seres de
Deus, que amávamos, sentíamos dor, fome, sede, e tudo mais como os
brancos. Mas mesmo assim éramos vistos como fracos, diferentes,
escória, feiticeiros, endemoninhados.
Então meu fio, talvez seja melhor fazermos uma prece para essas almas
perdidas, para esses mistificadores que tentam se passar por ocês,
para esses falsos líderes religiosos que necessitam de criar um
inimigo que venha das trevas para induzir aos pobres fiéis sem
conhecimento, e assim tirar todo seu ouro e prata, para todos que por
ignorância imagina que a linha "docês" traz o mal, faz feitiçarias,
amarra almas e sentimentos, tudo isso trocado pelo sangue, carne,
velas, marafo, ebó, padê, como escravos das trevas.
A prece acalma, traz luz a esses seres, afasta obsessores, encaminha
almas, traz alegria. Vamos fazer essa prece meu fio?

Exú: Meu velho, o senhor tem uma sabedoria grandiosa. suas palavras já
acalmaram meu coração. Vamos meu velho, vamos fazer nossa prece.

Preto Velho: Antes meu fio, dá cá um abraço nesse veio, que já está
com lágrimas no zoio.

Preto Velho/Exú: Deus nosso Pai, que sois todo poder e bondade..."

110 anos da Umbanda

Dizem que 15 de novembro é o Dia da Umbanda. 

Respeitosamente discordo.

Discordo porque outro dia, 25 de maio, vi Preto Velho trazer a Fé de Oxalá a um assistido beirando a depressão. 

Discordo porque outro dia, 18 de agosto, o Caboclo Pena Verde abraçou um desempregado que precisava ter seus caminhos abertos. E teve...

Discordo porque outro dia, 04 de outubro, Exu protegeu o adolescente entregue ao vício das drogas.

Discordo porque a cada dia, a cada gira, a cada trabalho que presencio na Tenda de Umbanda Ogum Beira Mar, vejo vidas sendo mudadas. Alguém que entra de um jeito e sai de outro, melhor e mais próximo da Fé em Oxalá, é a prova que tenho que todo dia é o Dia da Umbanda.

Deus abençoe os Caboclos e Caboclas
Deus abençoe os Pretos Velhos e Pretas Velhas
Deus abençoe os Erês
Deus abençoe os Baianos e Baianas
Deus abençoe os Boiadeiros
Deus abençoe os Marinheiros
Deus abençoe os Malandros e Malandras
Deus abençoe Zé Pilintra
Deus abençoe os Exus
Deus abençoe as Pombogiras
Deus abençoe os Exu Mirins

Saravá para as Sete Linhas da Umbanda, que nos coloca a cada dia um pouco mais perto da Luz Divina.

Deus abençoe nossa amada Umbanda



Sergio Musetti Jr

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Estudo Sobre Preto Velho - Parte 4

MANDINGAS DE PRETO VELHO

Muitas pessoas, mesmo quem nunca tendo ido a um terreiro, já ouviram falar das mandingas dos Pretos Velhos. Geralmente quando alguém fala que vai “fazer uma mandinga” tem uma denotação pejorativa e indica que será realizado algum ato contra alguém, ou uma amarração. Isso nada mais é que puro preconceito, o qual foi alimentado pela ignorância de quem não conhece a verdadeira forma de trabalhar dos amados e amadas vôs e vós. Antes de tudo, precisamos entender o porquê esse nome.

Mandinga é um grupo étnico da África Ocidental, atualmente com mais de 11 milhões de pessoas e que, na época da escravidão, que é quando conseguimos conhece-los melhor, era bem maior. Alguns dos países que mais enviaram escravos para o Brasil eram justamente desta região, como Togo, Nigéria, Congo, etc. A maior parte dos mandingas, no entanto, vieram da Guiné, e eles tinham uma característica bastante curiosa: carregavam consigo pequenos pedaços de couro contendo em seu interior frases do Alcorão, além de objetos distintos, como plantas, ossos humanos, balas de chumbo, moedas de prata, entre outras coisas. Esses pedaços de couro eram fechados costurando uma borda na outra e via de regra eram carregados nos pescoços dos africanos, como se fossem colares.

Esses objetos eram denominados patuás (que significa amuleto no dialeto mandinga), e serviam para ativarem energias de cura para que fossem usadas exclusivamente com os escravos, diante a precariedade da assistência médica a eles naquele período. Inúmeros relatos dão conta que os rituais para consagração desses patuás envolviam desde a defumação com ervas até mesmo enterrar na encruzilhada ao ponto máximo da noite, para receber toda a energia oculta representada pela escuridão.

Muitos dos povos negros que chegavam ao Brasil eram de pessoas com pouco estudo e eram bastante fechados, com pouco contato com outras etnias e, principalmente, com o homem branco. Os mandingas, no entanto, eram conhecidos como tendo uma melhor instrução e, não raro, conheciam a linguagem escrita. Essa condição os aproximavam de uma forma natural dos colonos, os quais tinham interesse em saber mais sobre sua história e seus costumes. O interesse inicial do homem branco era entender para controlar (quem domina o conhecimento sobre o fato sempre tem uma vantagem sob a outra parte), mas com o passar do tempo algumas pessoas passaram a desenvolver interesse pelos rituais de cura que aconteciam e que, muitas vezes, tinham resultado até mesmo superior a medicina convencional. Os mandingas, especialmente os que conseguiam manipular as energias de cura para consagração aos patuás, começaram a ser privados de seu contato até mesmo com os outros escravos, para serem usados como curandeiros particulares dos colonizadores.

Foi nesta época que, visando evitar que novas situações de enclausuramento ocorressem, que os escravos detentores do conhecimento para consagração dos patuás iniciaram em terras tupiniquins um dos seus rituais mais fortes existente, o fechamento de corpo. Este ritual bastante conhecido até hoje, na época tinha como único objetivo manipular a energia da pessoa para evitar que ela pudesse ser alvo dos colonos. Em tese, o ritual visava proteger o escravo ao ponto de “cegar” quem quer que fosse que pudesse fazer algum mal a ele. Diferente do que a maioria das pessoas pensam, “fechar o corpo” não é impedir que a pessoa sofra algum acidente, doença ou algo parecido, mas impedir que outras pessoas (encarnadas ou não) tenham acesso a ela.  Termo correto seria “fechar a visão”.

Um dos escravos mandingas mais conhecido pela arte da manipulação dessas energias veio justamente da Guiné e em determinado momento, por conhecer toda a magia envolvida para consagração dos patuás e fechamento de corpo, se tornou verdadeiro líder entre os escravos. Ao desencarnar, teve a possibilidade de ser o primeiro mandinga a trabalhar na Umbanda para doutrinar outros desencarnados a aprender e a manipular as energias que ele tão bem conhecia em vida. Seu nome de encarnado não tem importância nesse estudo, basta saber que por ser considerado um homem “bento” (benedito, em latim) e ter vindo da Guiné, a ele foi dado a incumbência de reger uma das mais antigas e importantes falanges da Umbanda, a de Pai Benedito da Guiné.

Os Pretos Velhos quando trabalham na Umbanda trazem todo conhecimento ancestral dos africanos mandingas e, diferente do que acontecia quando estavam encarnados, usam esse conhecimento de tudo que é oculto em benefício a todos, sem distinção de credo ou cor. Essa humildade vinculada a uma grande capacidade de manipulação das energias naturais (magia) e um forte vínculo com a Fé, faz com que os Pretos Velhos sejam grandes trabalhadores da Umbanda, servindo de suporte para inúmeros terreiros e, como não poderia ser diferente, pela sua capacidade de atuação, são os grandes companheiros no Plano Espiritual dos Exus.

Trazendo para os dias atuais, a utilização dos patuás acontece de forma distinta, podendo ser utilizados como colares, pulseiras, tornozeleiras e até mesmo levados no bolso ou algo parecido. Qualquer pessoa que tenha o conhecimento necessário e, principalmente, a fé para manipular a energia, pode consagrar um patuá, mas se a consagração for feita por alguma entidade o resultado esperado deverá ser bem maior. Vou colocar abaixo alguns exemplos de patuás e suas utilizações, mas quero deixar bem claro que todo ritual para consagração deve ser feito apenas por pessoas experientes e, se possível, sob a supervisão de algum Guia de Luz:

Patuá para Saúde


1 pedaço de roupa usada pela pessoa
1 Fava
1 Cruz pequena de madeira
1 Moeda antiga
1 Pedra bruta (sem ser lapidada)
7 folhas de guiné
7 folhas de cravo (ou o cravo)
7 folhas de boldo
7 folhas de manjericão
Algodão
Fazer um saquinho com a roupa usada e colocar todos os objetos dentro desse saquinho. As ervas podem estar secas para facilitar a manipulação. Costurar o patuá com uma agulha virgem fazendo alguma oração consagrada a cura (pode ser o que a pessoa conheça, ou um Pai Nosso bem feito).
Enterre o patuá num Cruzeiro das Almas e deixe lá por sete dias, firmando uma vela todos os dias. Após esse prazo, a pessoa deverá portar sempre que possível.


Patuá para Proteção de Criança




1 saquinho branco
Semente de guaraná
Semente de girassol
Semente de 1 maçã
Semente de abóbora
Semente de goiaba
Semente de melão
1 caroço de noz moscada
1 dente de leite da criança ou mecha de cabelo
Balas diversas

Ofereça as balas para várias crianças e guarde as embalagens. Junte as embalagens das balas e todos os objetos dentro do saquinho e costure com agulha virgem. Reze para Cosme e Damião e peça proteção para a criança. Deixe o patuá no travesseiro da criança.