terça-feira, 12 de março de 2019

Incorporação Fora do Terreiro

Olá povo do Axé. Novamente um assunto que, apesar de polêmico, deve ser entendido por todos os médiuns, especialmente os mais novos, aqueles que estão há pouco tempo na religião e ainda aprendendo a entender sua mediunidade. Falaremos um pouco sobre incorporação fora do terreiro.

É relativamente comum chegar até o meu conhecimento o fato de algum médium ter sido visto recebendo um determinado guia em casa, numa balada, numa reunião na casa de algum amigo, etc. Sempre que alguém me traz essa informação, a primeira coisa que eu pergunto é quem era o médium. E eu não pergunto pra fofocar ou algo parecido, mas porque da mesma forma que existem mediunidades distintas, também existem médiuns distintos entre si. Não há como dizer que uma pessoa que começou ontem na religião esteja tão desenvolvido ou tão firme com sua mediunidade do que quem está há mais tempo trabalhando na Umbanda e conhecendo como sua mediunidade funciona. 

Quando começamos o desenvolvimento mediúnico, fazemos dentro de um terreiro não por conveniência, mas principalmente por segurança. O terreiro é um local Sagrado, consagrado e PROTEGIDO. Só passa pelas defesas de um terreiro aquilo que os Guardiões da casa permitem, então quando um médium iniciante passa a ser desenvolvido, vai incorporar apenas guias de luz e, caso incorpore algum sofredor, por exemplo, serão casos pontuais que tem relação com seu karma, não com seu desenvolvimento mediúnico em si. Aos poucos, recebendo os Guias que o acompanham, o médium consegue identificar a energia do Preto Velho, do Exu, do Caboclo, do Boiadeiro e assim por diante, então tem o discernimento para identificar se ali está manifestado um Guia de Luz ou um zombeteiro qualquer. E isso é algo que conseguimos com o tempo e muito, muito treinamento (por isso a importância do desenvolvimento mediúnico dos terreiros).

Quando saímos do terreiro, temos condições, sim, de nos proteger, mas é algo muito pessoal e tem mais relação ao nosso comportamento enquanto médium (lembramos que somos umbandistas o tempo todo, não apenas nas giras). Quando usamos nosso Livre Arbítrio para dar passagem a algum espírito, temos que ter a plena consciência que estaremos muito menos protegidos do que se estivéssemos no terreiro, então existe uma grande possibilidade de recebermos um kiumba que, inteligente como muitos deles são, se passam por nossos Guias e nos enganam. Quando isso acontece é extremamente perigoso por inúmeros motivos, mas o principal é que o médium dá passagem para que seja manifestado um kiumba (que nada mais é do que um espírito de baixa vibração que sabe o que está fazendo e age errado de propósito), e esse obsessor faz o que??? Conversa com as pessoas e, muitas vezes, dão até consulta.

Percebam o tamanho do problema que existe em um ato de irresponsabilidade. O médium, mesmo que com as melhores das intenções, dá passagem para um obsessor que atende alguém que está com algum problema, e pode dar conselhos que vão piorar ainda mais a situação da pessoa. Pode ocorrer uma série de problemas um atrás do outro e todo aquele trabalho de firmeza que o Pai ou Mãe de Santo fez para ajudar o médium, seja jogado no ralo por conta disso.

Agora vejamos mais uma "coincidência". Acredito que perto de 90% dos casos de médiuns que incorporam fora do terreiro, especialmente na rua ou em baladas, estão sob efeito de drogas ou álcool (que nada mais é do que uma droga legalizada). Se no Terreiro, que é um local onde existe toda uma proteção baseada em fundamentos rígidos, não é permitido beber e incorporar, porque alguém em sã consciência acharia que é permitido fazer isso na rua ou em uma balada? Como diz o título de um excelente grupo de discussão que participo no Facebook, Umbanda TEM FUNDAMENTO, então abrace o fundamento de nossa religião e não incorpore fora do terreiro. Essa é uma situação ruim para todo mundo envolvida, não só para o médium que toma essa precária decisão.

Mas existem médiuns que conseguem incorporar fora do terreiro de uma forma consciente e segura? É caro que sim... mas mesmo com toda experiência do médium (e apenas os mais experientes conseguem), é sempre bom lembrar que os preceitos necessários para se dar passagem a um Guia de Luz são comuns a todos, independente de sua caminhada ou do cargo que exerça na religião, portanto incorporar em casa sob efeito de álcool é errado para qualquer pessoa. Não há distinção entre sacerdote ou um médium iniciante. 

Quando há a incorporação em casa, além de ter que existir todo o preceito já estabelecido (não comer carne, não beber, não manter relação sexual, etc), também é necessário firmar a casa do médium com as forças que fazem a segurança de qualquer local; ou seja, tem que existir uma tronqueira muito bem cuidada para evitar surpresas.

Resumindo, não aconselho ninguém a dar passividade aos Guias de Luz que os acompanham fora do ambiente mais seguro e propício para tal atividade, que é o terreiro onde o médium trabalha. Se surgir uma situação onde você acredite que o Guia pode te ajudar, então firme o pensamento para ele e peça toda a ajuda necessária para ajudar quem precisa. Lembremos que somos médiuns o tempo todo e podemos (e DEVEMOS) estar sempre em comunhão com nossos guias, não precisando necessariamente incorporá-los.

Se for beber, não incorpore.

Axé

Obs: existem exceções, povo lindo.... EXCEÇÕES!


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