domingo, 25 de novembro de 2018

Mensagem do Cigano Iago

Ontem tivemos uma linda festa em homenagem ao Povo Cigano, importante linha que atua de forma caridosa em nossa amada Umbanda. Eu já falei sobre os ciganos na seção Linhas de Trabalho, e quero fazer uma análise mais minuciosa posteriormente, porém o meu objetivo desta postagem agora é passar uma mensagem que recebi do Cigano Iago, o qual tenho privilégio de servir como um de seus instrumentos de trabalho.

Não vou me recordar exatamente das palavras, mas contexto é algo sobre o verdadeiro "ouro" dos ciganos. É bastante comum escutarmos os ciganos falarem sobre ouro, então o que naturalmente associamos é o minério que fabricamos joias e possui grande valor comercial. Fato é que, sim, o povo cigano sempre foi conhecido como sendo um dos grandes acumuladores de objetos de ouro (a história dá conta que eles acumulavam objetos de ouro, inclusive em seus dentes, pois o ouro possui algum valor em qualquer lugar, então sendo um povo errante, sempre tinham poder de barganha); os maravilhosos vestidos das ciganas sempre tinham ornamentos dourados, então acabamos remetendo o dourado aos ciganos.

O "verdadeiro ouro", porém, a verdadeira riqueza, segundo o Cigano Iago, não está no dourado, mas no amor que devemos ter no coração, e na Fé, que nos faz aproximar cada vez mais do Criador. De que adianta termos "ouro" (ou dinheiro, posses, enfim) se deixarmos de lado aquilo que realmente importa. Um belo anel dourado cravado com o mais lindo diamante esculpido pelo homem pode trazer sorriso momentâneo, mas a felicidade está em no ato caridoso de desejar o bem ao próximo, ou seja, em amar seu irmão em Deus. E quem tem amor, tem Fé. 

A Fé nos faz aproximar do Divino, não pelo simples ato de dizermos que temos fé, afinal de contas a boca fala tudo o que a cabeça quer, e em se tratando de fé, temos que deixar o mental de lado e nos entregarmos de corpo e alma para o Espiritual, que é o intangível que nos conecta a Deus em Sua plenitude. Quem tem Amor e Fé tem todo o ouro que precisa na vida. É rico em bênçãos.


Outro recado foi sobre a dificuldade que algumas pessoas têm em enxergar os caminhos que estão ali bem na sua frente, se preocupando mais em parar diante das pedras desse caminho do que contornar essas pedras (ou essas situações adversas, de forma análoga) e seguir em frente. Ou, caso batam com o dedo nessas pedras, não ficarem apenas reclamando do tropicão, mas aprendam a caminhar com mais cuidado. Com cuidado, mas sempre em frente.Não ignorando as pedras do caminho, mas aprendendo a caminhar entre elas até chegar no abjetivo final.

E se topar com uma pedra que lhe dê muitas dores, então agradeça, pois, segundo o Cigano Iago, a doença nos faz valorizar ainda mais a cura.


Optchá Cigano Iago e a todo Povo Cigano
Salve Santa Sara Cali
















quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Estudo Sobre os Caboclos - Parte 3


CABOCLO E OS ORIXÁS

A presença do Caboclo na Umbanda é tão importante que, não só pelo anúncio de nossa religião ter sido feito pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, muitas vezes o guia de frente de um médium umbandista é justamente um Caboclo (normalmente irradiado pelo Orixá de coroa da pessoa). Me lembro que há alguns anos era praticamente padrão os terreiros de Umbanda levarem o nome do Guia de frente do Pai ou Mãe de Santo, então era Tenda Caboclo Pena Branca, Caboclo Tupinambá, Caboclo Cobra Coral... era uma verdadeira aldeia entre os brancos.

Eu disse que o Caboclo é irradiado pelo Orixá, mas o que isso quer dizer? É simples. Cada Caboclo falangeiro (ou seja, aquele indivíduo que teve a missão de criar uma falange, portanto são os mais velhos Guias Espirituais dentro da linha dos Caboclos) teve uma vida encarnada e trouxe para o Plano Espiritual não apenas sua vivência, mas as afinidades energéticas que essa vivência proporcionou. Como estamos falando de pessoas que, via de regra, eram índios, então a afinidade natural deles estava nas matas. Quando tiveram a possibilidade de dar continuidade em seu trabalho, agora na Umbanda, tinham que se alinhar energeticamente com algum Orixá, porém todos eles tinham esse vínculo com as matas. Foi aí que, pela providência Divina, todos os Caboclos e Caboclas foram apadrinhados por Oxóssi. É certo afirmarmos, então, que Oxóssi é quem rege toda a linha dos Caboclos na Umbanda.

O que existe, porém, é um alinhamento do Guia com suas atividades enquanto encarnado, ou com a missão que aceitou cumprir após desencarnado, no Plano Espiritual. Baseado nesse alinhamento energético, nesta afinidade, por assim dizer, cada falangeiro passou a ser irradiado por um Orixá específico, atuando em suas missões espirituais para a Caridade e irradiando aquilo que o Orixá representa. Esse vínculo é tão grande, que quando em um terreiro de Umbanda há a manifestação dos Orixás, na verdade são os Caboclos falangeiros que aparecem para dar o Axé daquele Orixá (diferente do Candomblé, onde há pela ritualística a manifestação do Orixá, na Umbanda não existe essa possibilidade).

Cada Caboclo, portanto, traz consigo a vibração de um ou mais Orixá, e cada um deles possuem características típicas desde a forma de atuação até na missão que a Espiritualidade os incumbiu. Vejamos as características de cada Linha de Caboclo por Orixá:

Caboclos de Oxalá: são guias que tem como missão principal a condução dos trabalhos nos Terreiros, sendo que, diferente de outros, pouco andam ou conversam. Dão bastante passes de energização no consulente e, muitas vezes, os fazem à distância, sem precisar prestar algum tipo de consulta.

Representação artística do Caboclo Tupinambá
Caboclos de Oxóssi: diferente dos Caboclos de Oxalá, essa linha costuma andar bastante quando incorpora no médium e dançam bastante (claro, sempre baseado na parceria existente entre Guia e médium). Sempre dão consulta e possuem grande conhecimento nas palavras. Uma das principais características é apresentar soluções da natureza aos consulentes, como banhos e defumações.
Sendo irradiados por Oxóssi, promovem verdadeiros diálogos, com o intuito de gerar a busca pelo conhecimento do assistido. Dificilmente haverá alguma pergunta feita a um Caboclo de Oxóssi que fica sem resposta. O conhecimento desta linha é tanto que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, responsável por anunciar a Umbanda, atua na irradiação de Oxóssi.

Caboclas de Iemanjá: são Guias que atuam com a missão de promover a limpeza dos assistidos para que novos ciclos (sejam eles quais forem) possam ser abertos e abençoados pela Mãe das Águas. Além de aplicarem passes, promovem limpeza espiritual. A incorporação dessas Caboclas geralmente é bastante contida, com uma dança leve e simulando o movimento das ondas do mar com seus braços.

Caboclos de Ogum: possuem no cerne de sua missão principal, trazer ao consulente a possibilidade de abertura de seus caminhos, especialmente no que tange a algo que seja determinante para a vida da pessoa, como emprego, por exemplo. As consultas com esses Caboclos geralmente são bastante diretas, sem muitas explicações sobre o que está sendo feito (claro que, se questionado, eles explicarão).

Quando incorporam, geralmente se ajoelham (em reverência à força de Ogum) e ocorre de forma bastante rápida, sem danças. É bastante comum um assistido se sentir com mais vigor após se consultar com um Caboclo de Ogum, isso se dá pela troca de energia promovida pelo Guia, que doa sua força para quem precisa.

Caboclas de Iansã: são entidades muito parecidas com os Caboclos de Ogum, atuando basicamente na mesma missão. A maior diferença, no entanto, é que as Caboclas de Iansã além de ser diretas no que falam, muitas vezes expõem situações que o assistido está passando e não quer revelar, mas que precisa ser trabalhada para que aconteça a abertura de seus caminhos.
A troca de energia também acontece, porém quando atendem alguém que está em verdadeiro desequilíbrio com a Lei de Deus, fazem com que a pessoa fique incomodada com aquilo e passe a rever as situações que o levaram a este desequilíbrio, até perceberem que erraram ou que tomaram determinada atitude errada. As Caboclas de Iansã são verdadeiras agentes da Lei.

Caboclos de Xangô: são entidades também bastante diretas em suas mensagens e têm a missão principal promover a justiça de Xangô, por isso exigem bastante que seus médiuns sejam justos. Atuam manipulando as energias contidas em determinado assunto que envolva a Justiça de alguma forma (causas judiciais, injustiça no ambiente do trabalho ou em relacionamentos, etc) para que haja o equilíbrio, porém sempre deixam claro que atuam apenas naquilo que não interfira no Livre Arbítrio junto ao Karma da pessoa.
Incorporam de uma forma bastante pesada, geralmente levando os médiuns ao chão tamanha a força que carregam.

Caboclas de Oxum: a grande missão das maravilhosas Caboclas de Oxum é atuar no equilíbrio emocional das pessoas, lidando em casos de depressão e desequilíbrios emocionais. As consultas com as Caboclas de Oxum são maravilhosas por trazerem palavras que remetem ao Amor de Mamãe Oxum, a qual irradiam de forma única sua força.

Caboclos de Obaluaiê: é uma linha muito rara de ver incorporada nas giras, sendo que sua missão principal é trazer a magia oculta dos antigos pajés para a Umbanda. Quando trabalham, a maioria das vezes é para ajudar na dissolução de energias de baixa vibração de um lugar (casa, negócio, terreiro, etc) e não para alguma pessoa especificamente.
Quando incorporam, porém, parecem muito com os Pretos Velhos, vindo arcados e muitas vezes pedindo uma bengala ou cajado para trabalharem.

Caboclas de Nanã: tão raras quanto os Caboclos de Obaluaiê, essas Caboclas possuem a missão de atuar com pessoas, encarnadas ou não, que estão em desequilíbrio com a Evolução Espiritual. Por isso mesmo são responsáveis pelo encaminhamento à Espiritualidade Amiga os espíritos sofredores que eventualmente acompanhem alguém.
Apesar de serem bastante raras nos Terreiros, quando incorporam aconselham bastante sobre os passos que o médium ou o assistido está dando que possa vir de encontro à sua evolução.

CRUZAMENTO DAS LINHAS DE CABOCLO

Como acabamos de ver, cada caboclo possui uma característica específica que remete ao Orixá que o rege. Existe, porém, de forma bastante comum, caboclos que trabalham na linha de dois orixás. Geralmente acontece com o Orixá Oxóssi e algum outro. Quando isso ocorre, a principal característica mantém a do Orixá regente, mas com qualidades do outro Orixá. Para identificar se existe este cruzamento das linhas, ou perguntamos à entidade ou verificamos seu nome de trabalho, e facilmente identificamos o cruzamento. Sempre que existir o início do nome como “Pena”, indica que quem rege é Oxóssi. Alguns exemplos:

Pena Roxa: Oxóssi com Obaluaiê;
Pena Branca: Oxóssi com Oxalá;
Pena Verde: Oxóssi com Oxóssi (as qualidades do Orixá ficam ainda mais evidentes, sendo um caboclo que atua basicamente para prosperidade, de forma muito pontual);



terça-feira, 20 de novembro de 2018

Estudo Sobre os Caboclos - Parte 2


OS RITUAIS E OBJETOS MAGÍSTICOS DOS CABOCLOS

É de conhecimento notório que os índios sempre foram grandes conhecedores das propriedades existentes nas ervas, plantas e frutos existente nas matas. Como moravam nas ocas encrustadas em mata fechada, a única solução para praticar a cura em assuntos mais simples do dia-a-dia era entendendo como manipular cada um daqueles elementos naturais. Se tomarmos como exemplo a tribo dos Kaiowás (uma das maiores ainda em existência no Brasil), vemos que desde os mais remotos tempos eles sabem não apenas cultivar produtos diferentes, como feijão, o milho, a mandioca, batata doce, entre outros, como conhecem com refinado conhecimento toas as propriedades ali existentes.

Quando os assuntos apresentados eram um pouco mais críticos e envolviam desde a cura para doenças graves e até mesmo rituais de passagens (algo bastante utilizado até hoje nas tribos), existiam rituais que misturavam danças, queima de ervas (defumação), manipulação de elementos da natureza e muita reza. Quando esses rituais precisavam ser realizados, via de regra o religioso (pajé, ñanderus, etc) ingeria alguma bebida que transportava sua mente para um Plano Superior, onde recebia orientações e muitas vezes davam a palavra para os espíritos ancestrais. Isso nada mais era do que uma forma mais antiga de incorporação.

Quando desencarnavam, especialmente os índios que já tinham conhecimento das práticas de manipulação das forças da natureza, recebiam a possibilidade de aprender ainda mais e, através desse aprendizado, trabalhar nas mais diversas religiões dando todo amparo necessário para a condução, no Plano Espiritual, dos trabalhos realizados pelos encarnados. Entre essas religiões estava a Umbanda, que seria anunciada daqui muitos anos.

No Plano Espiritual os índios desencarnados que aceitaram trabalhar na Umbanda passaram a residir em uma cidade espiritual (como tantas outras existentes) chamada Humaitá (ou Juremá), que nada mais é do que uma grande floresta habitada por seres de uma luz tremenda, os quais dividem seus conhecimentos de manipulação da energia da natureza, mais especificamente das matas. Esta cidade espiritual é comandada pela irradiação do Orixá Oxóssi, que é simbolizado na Umbanda pelo Caboclo em si (um índio negro de arco e flecha) e tem como principal característica o Conhecimento, a Sabedoria. Justamente pela irradiação de Oxóssi aos caboclos foi dada a incumbência de anunciar a religião de Umbanda, pois tudo o que poderia ser questionado sobre a religião seria explicado por aquelas entidades.

A quantidade de tribos indígenas sempre foi muito grande, o que denotam vários rituais distintos, por isso não conseguimos dizer que um ritual de Caboclo na Umbanda tem que ser feito desta ou daquela forma, senão está errado. O falangeiro era um índio quando encarnado e ele levou para o Plano Espiritual suas práticas ritualísticas, então aprendeu novos e mais assertivos métodos, porém a essência se mantinha a mesma. O que temos que ter em mente, porém, são algumas práticas utilizadas nos rituais e o significado de cada uma delas:

Dança: minha Mãe de Santo, Mara Calegari, sempre diz que Umbanda é movimento, então nada melhor para movimentar as energias do que dança. Os índios sempre realizavam suas danças com três propósitos básicos: celebração de alguma coisa; para louvar à Ancestralidade e para, junto ao louvor, pedir auxílio aos seus ancestrais.
Quando existe uma dança consagrada para isso na Umbanda (ou seja, com este objetivo de pedir auxílio ao Plano Espiritual), é aberto um portal em Humaitá e os Caboclos que estão preparados para trabalhar na Umbanda se manifestam naquela dança (incorporados ou não) e prestam o auxílio a que forem designados.

Muitas vezes um Caboclo faz uma dança mais contida em torno de uma pessoa. Quando isso acontece, o Caboclo está manipulando as energias contidas naquela pessoa e também estão abrindo naquele momento um portal para que seus companheiros do Plano Espiritual possam trabalhar com aquela pessoa. Esses parceiros dos Caboclos podem ser desde guias sendo treinados para atuarem na linha dos Caboclos, até outros Guias de Luz que nem ao menos são Caboclos, podendo até mesmo serem Seres Elementais.
Os Caboclos são umas das poucas entidades na Umbanda com a capacidade de limpar as sujeiras energéticas contidas em um terreiro da mesma forma que uma defumação, por exemplo. Um Caboclo sozinho consegue através de sua dança manipular toda as energias de um lugar, deixando limpo e pronto para um trabalho espiritual, por exemplo.

Bebidas na Cuia: os Caboclos, como já vimos, possuem grande conhecimento no que tange à utilização de ervas e afins para as mais diversas finalidades. Apesar de hoje ser um pouco mais raro, há algum tempo era bastante comum os Guias prepararem bebidas feitas com ervas maceradas e frutas (logicamente, todas sem nenhuma propriedade alucinógena ou venenosas) e tomavam na cuia, que é uma espécie de tigela feita da cuieira (árvore de origem amazônica).

É comum quando um Caboclo prepara sua bebida, assoprar fumaça do fumo que utiliza (charuto, cachimbo, etc). Isso remete à prática que os antigos índios utilizavam para consagrar a cuia em seus mais diversos rituais.
Mais para a frente veremos algumas das principais ervas utilizadas pelos Caboclos, então cada bebida possui um significado específico e deve ser feita com muita responsabilidade.

Muiraquitã: são objetos utilizados pelas Caboclas de Oxum e nada mais é do que um amuleto de proteção contra manipulação de magia de baixa vibração, feito com pedra retirada em noite de lua cheia do fundo de algum rio. A pedra é entalhada em forma de sapo e geralmente é cruzada pela Cabocla para uso exclusivo da médium que trabalha com ela.

Pau-De-Chuva: é um instrumento de percussão feito por um pedaço oco de árvore com sementes em seu inteiro. Quando o objeto é manipulado se faz presente um som semelhante ao de chuva. É bastante utilizado em rituais de cura e utilizado via de regra pelos Caboclos cruzados com Oxalá ou Obaluaiê (Pena Verde, Pena Roxa, etc).

Apitos: os apitos sempre foram utilizados pelos indígenas em rituais para chamar as entidades espirituais ou, imitando o som dos pássaros, para invocar os Espíritos da Natureza. Na Umbanda, muitos Caboclos utilizam esse método para dissipação de energia negativa, porém várias vezes assoviam, dispensando os apitos.

Maracá: o uso das maracás é comum a quase todas as tribos, portanto é um dos objetos magísticos mais utilizados pelos Caboclos das mais distintas linhagens. Para os indígenas seu uso servia para fechamento de corpo, porém para os Caboclos da Umbanda são utilizados em rituais de proteção do assistido ou para dissipação de energias de baixa vibração. Em rituais específicos das Caboclas de Iemanjá, são utilizados para atrair boas vibrações na abertura de algum novo ciclo que se apesenta.

 Uruá: é uma flauta bastante comprida, que tem como objetivo a condução dos espíritos sofredores que eventualmente estão obsediando um assistido para o Plano Espiritual. É bastante raro sua utilização, mas quando acontece é pelas Caboclas de Iansã.

Colares: diferente das guias de contas, que possuem importante uso não apenas na liturgia umbandista como também servem como captadores de energias, os Caboclos utilizam colares feitos com sementes, penas e dentes que servem para diversos fins, entre eles a identificação da linha de trabalho daquele Guia (Caboclo Pena Verde pode ter penas verdes em seu colar, por exemplo); servem também como elemento de ligação do Caboclo com o médium e a Natureza, especialmente quando utilizadas sementes.

Alguns colares são feitos com dentes de animais. Para os índios, o fundamento era justamente mostrar o grau de evolução do caçador (o índio que matava uma onça para alimentar seu povo, tinha o direito de fazer um colar com as presas do bicho). Na Umbanda, os Caboclos utilizam esse colar para identificação que são Caboclos Feiticeiros, via de regra atuando na linha de Oxóssi ou Ogum.

Cocar: são adornos utilizados pelos índios na cabeça desde sempre, tendo uma importância muito grande para quem o uso, e sendo terminantemente proibido seu uso para quem não mereça. O merecimento está justamente nos atos que o índio faz que o tornam digno de seu uso, indicando a evolução daquela pessoa. Na Umbanda, os Caboclos que utilizam na maioria das vezes são de Oxóssi e têm neste objeto a representação da pena como símbolo do Orixá do Conhecimento. Infelizmente alguns médiuns compram os cocares sem ter a menor ideia da importância que tem aquele objeto para o Guia, que muitas vezes sequer pede para usar.

Os cocares são importantes objetos magísticos e devem ser bastante respeitados, e não serem utilizados como mero enfeite do ego do médium.

Arco e Flecha: o mais conhecido símbolo dos Caboclos também é o símbolo maior de Oxóssi, e representa a abertura de caminhos através do conhecimento. Por praticidade, a maioria dos Caboclos que trabalham na Umbanda não utilizam o objeto em si, mas plasmam o arco e a flecha fazendo um movimento típico como se estivessem realmente mirando em algo e arremessando suas flechas. Esse ritual faz com que a força que acompanha aquele Caboclo seja colocada no local de trabalho.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Estudo Sobre os Caboclos - Parte 1


INÍCIO - QUEM É O CABOCLO E QUEM ERAM OS ÍNDIOS

A Umbanda é uma religião que, de forma simbólica, utiliza grupos de indivíduos bastante questionados pela sociedade e os torna foco dentro das práticas religiosas. Se com os Pretos Velhos, que representavam os escravos, foi assim, não seria diferente com aquela linha responsável pelo anúncio da Umbanda: os caboclos.

É de conhecimento público e notório que Brasil, muito antes de ser colonizado pelos portugueses, era povoado única e exclusivamente pelos índios, que se espalhavam em milhares de tribos por todo território. Com a chegada dos colonos, os índios foram chacinados por vários motivos possíveis e imagináveis: eles não estavam acostumados a qualquer tipo de escravização, portanto simplesmente se negavam a serem escravos. Eles cultuavam forças da natureza e espíritos da mata, e isso era algo inimaginável pelos portugueses que, de forma arbitrária, tentavam impor a religião católica para os índios. As índias, adultas e crianças, eram estupradas e mortas todos os dias. Essa situação toda causou o desaparecimento de vários povos indígenas, chegando ao ponto do último CENSO do IBGE apontar que menos de 0,3% de toda população brasileira atualmente é indígena.

A Umbanda foi anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas justamente para mostrar que é uma religião brasileira que vem para colocar todos no mesmo balaio, sem distinção de raça, condição social, religião, etc, porém também é uma religião que promove a justiça. Enaltecer os negros mortos pela escravidão tendo os Pretos Velhos como um dos pilares foi uma forma de justiça, mas deixar ao cargo de um índio anunciar a Umbanda, foi o principal ato de justiça que poderia existir, pois é o reconhecimento da Espiritualidade que algo precisava ser resgatado e reparado. Entendo que foi uma forma para o homem branco, ligados direta ou indiretamente aos colonizadores, entender que o Brasil, pátria da Umbanda, é um país de indígenas.

A definição de caboclo é uma pessoa nascida de pai índio e mãe branca, ou vice versa. Os caboclos falangeiros na verdade são índios, mas a denominação “caboclo” se dá justamente para deixar bastante claro que a Umbanda veio para unir o índio nativo com o branco colonizador, sem precisar um se sobrepor ao outro, mas trabalharem em harmonia em prol da Caridade. Quando você estiver num terreiro, portanto, saiba que aquele caboclo representa a força de um índio, com toda sabedoria e conhecimento que sua ancestralidade traz.


A LINGUAGEM DO CABOCLO

Uma situação que ocorre bastante nos terreiros de Umbanda, é o fato de alguns dos Caboclos se negam a conversar em português e recorrem ao Tupi Guarani para se comunicarem. Eu já presenciei várias vezes caboclos que tinham que fazer gestos para serem entendidos e, não raro, ficavam inquietos por não se fazerem entender. Eu me questionava como poderia aquilo ocorrer já que todos os Guias são doutrinados pela Espiritualidade antes de terem a autorização para trabalharem incorporados e, como fariam a Caridade através de uma consulta, se não pudessem ser entendidos? Aquilo realmente me incomodava, então resolvi pesquisar a respeito várias questões que são inerentes a este caso. A primeira coisa que fui pesquisar são os fatos, os quais não podem ser contestados, já que são baseados em estudos e compilados pela FUNAI: quais eram as línguas mais faladas pelos índios?

Realmente a língua Tupi era a mais falada pelos índios, porém existe uma infinidade de dialetos dentro do Tupi, então quando escutamos que determinado Guia fala Tupi, precisamos questionar qual o dialeto do Tupi que ele fala. Eu fiz isso recentemente e não obtive uma resposta, o que me levou a verificar se ali existia algum tipo de mistificação por parte do médium, ou algum ensinamento que a Espiritualidade estava passando através daquele Guia. No final deste capítulo pontuarei o que consegui determinar.

Índios Kaingang
Em outra situação, conversei com um Caboclo que falava uma mistura de português com um dialeto Tupi, e ele se apresentou como da tribo caingangue. Fui pesquisar essa tribo e descobri que se trata dos Kaingang, uma das maiores do país e também uma das mais espalhada em todo Território Nacional, ainda com representantes em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os primeiros portugueses que chegaram ao Brasil encontraram os Kaingang e existem registros históricos que apontam verdadeiras brigas entre esses índios e os colonos, por isso ainda estão espalhados pelo Brasil. Essa tribo falava (e ainda falam) a língua definida como caingangue, a qual pertence ao tronco linguístico “macro-jê”, completamente distinto do Tupi Guarani.

Em cima desses dois fatos, remeti ao que meu antigo mestre, Pai Joaquim (não o preto Velho, mas o Pai de Santo de São Paulo, o qual me ensinou muita coisa da Umbanda e, durante 12 anos, foi meu sogro) que me dizia que o caboclo que trabalhava com ele, o, para mim saudoso, Cacique Tibiriçá, em determinada época incorporava em seu cavalo (médium) falando algum dialeto Tupi, porém com o tempo foi se adaptando e falava naturalmente o Português (mesmo que com aquele sotaque característico dos caboclos). Isso começou a ocorrer quando, em uma determinada gira, um Ogã cantou um ponto que era mais ou menos assim:
“Caboclo veio falar com gente branca
Caboclo fala a língua de gente branca”

Seria o Guia Espiritual doutrinado em Tupi-Guarani e, dependendo do grau de evolução do médium, ele falaria em sua língua nativa? A Mãe Nazareth, sacerdotisa de Umbanda na Tenda de Umbanda Iansã e Cacique Tupinambá, localizada em São Paulo, ao ser questionada sobre o porquê de os caboclos falarem Tupi-Guarani quando incorporados, respondeu:

Mãe Nazaret - T.U Iansã e Cacique Tupinambá
“Os Caboclos, incorporados nos médiuns de Umbanda, transmitem aos consulentes suas mensagens na língua do médium. Se o médium é descendente de índios e traz em sua memória os dialetos usados pelos seus ancestrais ou, ainda, se estudou tupi-guarani, seus conhecimentos irão ajudar o Caboclo, caso este precise se comunicar com outros índios encarnados, o compromisso dele é comunicar-se na língua do povo onde ele se encontra.
Os médiuns da Umbanda, obrigatoriamente, não trabalham somente com índios brasileiros, mas também com espíritos indígenas que viveram em muitas partes do mundo.

Os Caboclos, assim como os Ciganos, podem ou não falar em sua língua ancestral. Naturalmente, os espíritos têm na memória espiritual as línguas faladas nos países onde eles estiveram encarnados, mas a ordem espiritual é: falar na língua de Zambi (Deus) é falar na língua do povo do país onde ele foi designado para trabalhar.

Há criaturas ignorantes que tentam exigir dos Guias coisas impossíveis, assim como: se o senhor é Cigano, fale em sua língua! Entendam, que se ele "incorporar" em um médium cigano, conhecedor da língua e se estiver se dirigindo ao Povo Cigano, com toda certeza, ele utilizará a língua cigana para se comunicar, mas se o médium é brasileiro a língua que o Espírito utilizará será sempre o português, mesmo porque o consulente, que desconhece o romani, não entenderá nada, assim como o médium, que desconhece a língua, não terá condições de transmitir a mensagem recebida. Sabem por quê? Simplesmente porque o médium é uma antena, que capta apenas o que pode transmitir e assim, não podemos exigir do Guia aquilo que o seu médium não pode lhe oferecer. A Entidade Espiritual vem com tanta humildade servir nos Templos e a ignorância de alguns nos envergonha diante deles
”.

Caboclo Jaguará - reprodução artística
O Caboclo Jaguara, o qual conheço com certa intimidade pela grande afinidade espiritual e energética, me disse, ao ser questionado o porquê alguns Caboclos incorporam falando Tupi, que durante muito tempo o homem branco com toda sua arrogância determinava o que os índios fariam, como deveriam se vestir, se comportar, em que deveriam acreditar e até mesmo como deveriam falar, tentando colocar a língua portuguesa entre as tribos. Hoje quando um homem branco pede ajuda a um Caboclo, receberá essa ajuda conforme seu merecimento, mas também deverá aprender a se comunicar com o Guia, e não o contrário. É claro que, segundo o Caboclo Jaguara, ao verificar que o consulente não está entendendo, o Guia passa a falar em português, pois não tem lógica ensinar a quem não entende o primeiro canal de comunicação entre as partes, que é a fala.

Quando existe, no entanto, uma aparente irritação do Guia ao insistir em falar uma língua que o assistido não entende e mesmo assim ele (Caboclo) não faz nada a respeito, então é provável que o ego do médium está impedindo que isso aconteça. Infelizmente, ainda conforme o Caboclo Jaguara, é cada vez mais comum os médiuns, mesmo que de forma involuntária, fazerem coisas para serem notados perante os demais e acabam não entrando em sintonia como se deve com os Guias que os acompanham, acarretando nesse tipo de situação constrangedora.  

A forma como boa parte dos Caboclos falam, com o sotaque indígena, porém, é justificável, por serem Guias que foram doutrinados para atuarem na Umbanda por um Falangeiro que, este sim, era um índio quando encarnado, portanto ensinava o que precisava em Tupi. O que devemos sempre lembrar e deixar bastante claro para que não haja mal-entendidos, é que os Guias que atuam incorporados nos médiuns prestando o atendimento nos Terreiros, não são falangeiros, portanto pode ser que aquele Caboclo que conversamos numa Gira, nem ao menos era um índio quando encarnado. Por afinidade energética decidiu trabalhar na Umbanda como Caboclo, apenas isso.

Analisando tudo o que verifiquei e estudei, consigo ter a certeza que a força dos Caboclos é uma das principais em nossa religião, porém deve ser tratada com muito respeito e serenidade por parte dos médiuns, que não devem de qualquer forma confundir a possibilidade que têm de trabalhar na Umbanda com um local para autopromoção ou uma justificativa para validação de seus egos. Como costumo dizer, tudo dentro de nossa religião tem um significado, portanto deixar que o Caboclo fale algo em sua língua ancestral é válido, porém isso não pode de qualquer maneira impedir sua comunicação com os assistidos que, via de regra, precisam justamente de uma palavra de carinho, sabedoria e consolo, mas sem o entendimento da linguagem não há como isso acontecer.

Devemos também entender que a Umbanda é uma religião de Caboclo, então não há mal algum em estudarmos a língua de nossos ancestrais para entrarmos em comunhão com o Guia, não só uma comunhão linguística, mas uma comunhão de respeito entre as duas partes. Aprender a língua dos índios é aprender a ter respeito pela história de quem lavou de sangue as terras do nosso país e, mesmo assim, aceitou levantar a bandeira de nossa amada religião.

Oreru orembo'e katu ne'amba roupitiy'i aguâ.
Nosso Pai ensina como chegar a sua morada

Preparação Para os Médiuns Iniciantes

Mais um texto que recebi de minha Mãe de Santo (Mara Calegari).

Espero ser de alguma valia aos amigos trabalhadores dos Terreiros de Umbanda:

"Preparação e dicas para médiuns iniciantes

Chegar no Terreiro para um dia de trabalho, isso depois da preparação que deve ter sido feita antes, com banhos e etc., evite aquelas conversas sobre assuntos do dia a dia, seus problemas, suas amarguras, ou mesmo as amarguras dos outros. Busque desde a sua chegada entrar em contato com as energias que ali existem e que foram criadas por todos que ali frequentam.

Para tal, prefira o silêncio aos papos desnecessários, a introspecção, observação de seus próprios processos mentais, ao invés de ficar observando o comportamento alheio, mesmo que de irmãos de corrente seus. Cabe ao Dirigente verificar se estão ou não em acordo com o que pretende o Terreiro e seus Mentores Espirituais. Nesse estado de introspecção, de preferência de olhos fechados, o que ajuda bastante, tente ir sentindo, não o que ocorre a seu lado fisicamente, mas “no ar”; a seu lado; espiritualmente.

Relaxe o mais que puder e tente com isso, abrir ou expandir sua Aura em volta de todo o seu corpo, para que a sensibilidade para outros planos seja facilitada. Você pode, durante esse processo, já ir tentando contato com suas entidades protetoras e guias, ainda que sem incorporações, através de orações por exemplo, apenas para que elas se acheguem a você e estejam tão próximas quanto possível durante todo o tempo de Gira.
Faça isso e, talvez não consiga na primeira ou segunda vez, mas chegará a um ponto em que sentirá a presença deles quase que fisicamente, se bem que alguns prefiram se fazer notar transmitindo-lhe mentalmente, ou seu Ponto Cantado ou alguma coisa mais que os identifiquem. Só você é quem vai, na medida em que isso for sendo “treinado”, sentindo mais e mais. E veja bem: isso deve ser praticado antes mesmo de se iniciar a gira.

Saber usar a egrégora, energia padrão do Terreiro, com a finalidade de melhorar seus dons é coisa que poucos fazem, acontece que essa egrégora, sendo forte, facilita esse intercâmbio entre você e o Mundo Astral que circunda seu Terreiro através dos vínculos que essa egrégora tem com todas as entidades que ali trabalham.

Não podemos aqui expressar em quanto tempo cada um vai sentir e/ou ver melhor o que ocorre “do outro lado” ou mesmo “dar melhores incorporações” porque isso vai depender de cada um e de seu próprio esforço nesse sentido, mas que essa simples mudança de comportamento antes das seções pode melhorar acentuadamente todos os seus processos mediúnicos, disso você pode ter certeza!

Começando a Seção, mantenha-se o mais possível, em estado de relaxamento mental, tentando mentalizar o que cada Ponto Cantado diz. Os Pontos Cantados têm, como objetivo primeiro o de desviar a atenção dos médiuns dos problemas que o envolvem no dia a dia e concentrar suas mentes nos rituais que vão se proceder. As letras dos Pontos Cantados, de uma forma geral, nos induzem a imagens de seres,situações e locais que fortalecem nossas crenças e nos dão a certeza de estarmos bem assistidos por nossos amigos e mensageiros, mas isso em se tratando de Pontos Cantados mesmo, com fundamentos.
Agora vamos expor as vantagens desse trabalho mental voltando sempre sua mente para o que está ou deveria estar acontecendo no Astral, dentro do Terreiro:

1º- Sua mente estará sempre ocupada com pensamentos e mentalizações positivas, evitando se deixar levar pelo cotidiano ou mesmo por pensamentos e fixações negativas;

2º- Sua mente estará criando condições que propiciem a criação de energias de teor positivo que fatalmente agirão sobre ela, seu corpo físico e seu estado psíquico;

3º- Pelo efeito das duas vantagens anteriores, sua Aura estará sendo relaxada, mais expandida, o que o fará mais propenso, pela sensibilidade nesse caso, tanto a incorporações menos traumáticas, menos “sacolejadas”, como mais seguras, ocorrendo o mesmo no caso de vidência e clariaudiência;

4º- Como sua mente vai estar voltada para criações de imagens de teor positivo, mesmo com o relaxamento de sua Aura as entidades de menor evolução terão dificuldade ou mesmo ficarão impossibilitadas de nela penetrarem, o que por si só, já será um filtro contra o Baixo Astral;

5º- Sua mente estará sendo trabalhada em cada sessão, por você mesmo, ainda que não perceba de imediato, para focalizar planos e energias de cada vez mais alto teor vibratório, o que equivale a dizer que estará ampliando seu Padrão Vibratório e, nesse caso, sintonizando-o pouco a pouco com Energias e Entidades pertencentes a níveis superiores de Evolução.

É claro que essa sintonia com os níveis superiores não se dará “da noite para o dia” , como se costuma dizer, levará mais tempo ou menos tempo, de acordo com seu próprio esforço. Mas nunca é tarde para se começar até porque, às vezes, mesmo sem o sabermos, já estamos na metade do caminho, ou mais.

A mediunidade de incorporação, talvez seja a forma mais passiva de contato com entidades e energias do Plano Astral porque, nessa técnica, para que a incorporação seja a melhor possível, o médium deve basicamente focalizar sua mente na falange ou entidade que pretende que incorpore e relaxe o máximo possível. Todo o restante é feito pela entidade que chega e vai tomando os pontos a serem comandados: respiração, pernas, braços, mente, voz e outros. Por ser uma forma de contato passiva, o médium tem que confiar em si mesmo e na entidade que se aproxima lhe entregando de corpo e mente.

Com o passar do tempo e o melhoramento da sensibilidade mediúnica, não só o desenvolvedor mas todas as entidades que com você vierem a trabalhar, ao se achegarem emitirão sinais particulares para que você os possa identificar. Por exemplo: algumas entidades chegam cantando seus Pontos ao seu ouvido. Já outras além do Ponto Cantado ou mesmo sem ele, se utilizam de sensações específicas no corpo material do médium e, dessa forma, alguns lhes assobiam no ouvido ou nos ouvidos, outros lhes dobram um certo dedo da mão, outros lhe dão uma pontada em uma outra região do corpo, enfim, se utilizam de sinais que para eles e o médium se tornam característicos de suas presenças. O médium reconhecendo esses sinais característicos, e neles confiando, passa a criar em si condições que propiciem à entidade uma boa incorporação, relaxando e voltando sua atenção totalmente para aquela que se achega.

Você deve saber que médiuns, principalmente os de mediunidade kármica, costumam ter à sua volta um grupamento de espíritos e/ou elementais com os quais já se comprometeu a trabalhar, antes mesmo do reencarne. Acontece que nesses casos, quando o médium, ou está atrasado no cumprimento de seu Karma ou mesmo por ansiedade dessas próprias entidades, ao chegar no Terreiro, é quase que “invadido” por uma ou mais de uma entidade que “quer logo garantir seu lugar”.

Pode parecer brincadeira mas não é! Pode acontecer uma situação dessas, e há vezes em que mais de uma entidade tenta “entrar” na faixa vibratória disponível desse médium ao mesmo tempo. Como nem ele nem essas entidades têm ainda treinamento para fazê-lo, acabam por provocarem esse choque de vibrações com violentos choques na matéria, sacolejos e mesmo os tombos que acontecem, mesmo que você não acredite, de ambos os lados (médium e entidades).

Nesse caso, as entidades praticamente se “trombam” na ânsia de assumirem um lugar ou se definirem como presentes. Pela inexperiência dessas entidades em flexibilizarem seus padrões vibratórios ou a densidade de seus Corpos Astrais, acabam as duas, criando o choque de Auras que além de afetar o médium acaba por afetá-las da mesma forma.

Em casos como esse, cabe ao Dirigente do Terreiro ou ao Chefe Espiritual, a doutrinação dessas entidades no intuito de ensiná-las que não pode ser dessa forma. Claro que médiuns que sofrem esse problema têm que ser melhor assistidos pelo seu Dirigente até que a “demanda” do outro lado se resolva e todos possam chegar em paz.

O problema maior, na maioria dos terreiros, às vezes, está na forma do desenvolvimento das faculdades mediúnicas, pois constantemente vemos vários dirigentes de terreiros induzirem pessoas portadoras de determinados desequilíbrios a desenvolverem sua mediunidade. Esse conselho é muito utilizado por aqueles que não têm um conhecimento estruturado sobre o assunto.

Nesses casos, a prudência aconselha que se faça um tratamento espiritual, com afirmação em valores morais sólidos, afim de o companheiro em questão, possa se fortalecer espiritualmente, pois sua mediunidade guarda a característica de ser atormentada, se encontrando muitas das vezes, obsedado por espíritos que, em alguns casos, querem se vingar de um passado onde tiveram experiências em comum. Sendo assim, não se deve desenvolver algo que esteja enfermo, é preciso reequilibrar suas energias, para depois assumir o compromisso na área mediúnica, se é que este realmente exista.

Outro problema é o costume de alguns dirigentes de terreiro, fazerem uma espécie de preparação com seus “filhos”, raspando-lhes a cabeça ou firmando seu Santo ou seu Orixá regente. Esse costume se reporta mais aos cultos africanos e não propriamente dito a Umbanda. Mas mesmo sabendo disso alguns companheiros, que guardam em seus trabalhos raízes nesses cultos, continuam, algumas vezes, com alguns costumes.

Nós umbandistas devemos reconhecer que a verdadeira preparação para um bom desenvolvimento mediúnico, é a elevação da nossa vida moral, esse sim é um dos valores indispensáveis em qualquer caminho que um filho de Deus se encontre, e que sempre baseados nas Leis da Caridade e do Amor, possamos seguir firmes nos objetivos elevados propostos pelos mentores espirituais da Umbanda.

A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, da aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, sempre respeitando os guias e Orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.

Existe médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral e profissional dignos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acabará atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados e que estejam na mesma faixa vibracional que eles.

Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião seguido por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial. As pessoas que são médiuns e tem o trabalho mediúnico como missão, devem levar sempre isso muito a sério, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

Mediunidade é coisa séria e participar de uma corrente mediúnica, mais ainda, é preciso que entendam seus deveres e obrigações e faça cada um a sua parte, e que sejamos conscientes de que nem todos somos médiuns de incorporação, e não é porque não estamos trabalhando incorporados que não devemos ser atentos aos deveres que nos competem.

O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos seus Orixás e Guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida, problema espiritual ou material.

Bem, acreditamos que você agora já tenha uma ideia mais clara do que é e como funciona a mediunidade, e passa também ver como é importante que você faça a sua parte, buscando a cada dia, a cada seção, a cada aprendizado melhorar sua ligação vibracional com o mundo astral."

sábado, 17 de novembro de 2018

Umbandista em Extinção

Recebi o texto abaixo da minha Mãe de Santo (Mara Calegari) e achei muito bonito:

Mãe Mara Calegari
UMBANDISTA EM EXTINÇÃO

"Se você, ao entrar em um terreiro, pede licença e saúda os assentamentos e firmezas da casa;

*Se você, ao ficar diante de um Preto Velho se ajoelha e pede sua benção;

*Se você, ao se afastar de um guia ou do altar, sai de costas e permanece de frente para o altar;

*Se Você, ao conversar com uma entidade, se curva e abaixa o olhar em sinal de respeito;

*Se você, ao tomar um passe, agradece de coração a entidade que o atendeu;

*Se você, ao ganhar de um guia um gole de sua bebida, pega sempre o copo com as duas mãos;

*Se você, ao ser convocado para um trabalho difícil, não se envaidece e se prepara com amor;

*Se você, ao ser corrigido por seu Pai/Mãe de santo não se enfurece, mas entende que é para sua evolução;

*Se você, ao encontrar seu Pai/Mãe de santo, toma sua benção, seja onde for;

*Se você, ao cantar determinados pontos de umbanda ainda se emociona como no início;

*Se você, ao perceber um erro de alguém, não critica, mas procura orientar da forma adequada;

*Se você, ao não entender um ensinamento ou doutrina, questiona,pergunta,ao invés de fingir que entendeu;

*Se você, ao ouvir comentários desnecessários dentro do terreiro os ignora e não se envolve;

*Se você, ao faltar a gira ou em algum trabalho, pede desculpas aos seus guias por sua falta;

*Se você, ao fim de um culto ou trabalho fica feliz e ansioso pelos próximos; 

*Se você, ao se sentir fraco, busca a ajuda de sua casa ao invés de se afastar dela;

*Se você, ao presenciar algum problema em sua casa, não se omite e toma as devidas providências,mostrando-se atuante;

*Se você, preocupa-se tanto com o seu próprio desenvolvimento quanto com o dos outros;

*Se você, tem respeito e amor verdadeiro por sua casa e entende o quão é difícil em vários momentos mantê-la...

PARABÉNS POR SUA POSTURA, MAS CUIDADO, VOCÊ É UM UMBANDISTA EM EXTINÇÃO


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Estudo Sobre Preto Velho - Parte 7


CASOS DE CURA NOS TERREIROS

Algumas linhas de trabalho da Umbanda possuem um foco maior em determinado campo de atuação. Os Caboclos atuam na abertura de caminhos, enquanto os Marinheiros abrem novos ciclos e os Exus realizam desobsessão. Todas as linhas, no entanto, trabalham com cura, seja com trabalhos mais “pesados”, com entregas arriadas em pontos de força, ou um simples, mas efetivo, passe (alinhamento energético).

Os Pretos Velhos trazem na ancestralidade de seus falangeiros o dom da cura e, ao desencarnarem, aprendem inúmeras técnicas ocultas a nós de manipulação de energia para cura de enfermidades, desde as mais simples até complexas doenças. Temos que entender que nos solos sagrados da Umbanda a manifestação de verdadeiros milagres é bastante comum, porém temos em nosso inconsciente coletivo que os milagres devem ser atribuídos apenas aos santos, e a Santidade é algo inerente apenas à Igreja Católica, que seleciona a dedo quem será canonizado. É muito difícil fazer com que a Sociedade entenda que milagre existe aos montes e nada mais é do que a capacidade de materialização da Fé de alguém, encarnado ou não, para a realização de algo.

Resolvi citar casos que vivenciei e outros que recorri a conhecidos dos anos de caminhada religiosa. São eventos reais e, nos casos específicos, atribuídos apenas aos Guias de Luz atuantes na Linha dos Pretos Velhos:

Fogo Selvagem

Em sua tese de mestrado, a teóloga Lucilia Laura Pinheiro Lopes entrevistou várias detentas em diversos presídios da capital paulista para identificar as opções religiosas. Uma das entrevistadas, identificada como P.S, relatou que frequentava o Centro de Umbanda Caboclo Sete Flechas, em Atibaia (interior de São Paulo). Quando ela tinha 16 anos levou uma amiga e sua filha, que sofria de pênfigo foliáceo (doença comumente conhecida como Fogo Selvagem) para conhecer o terreiro. A menina havia se consultado em vários médicos especialistas em São Paulo e não conseguia ser curada. Chegando no terreiro, foi atendida por uma Preta Velha que a benzeu e passou um banho simples de Erva de Bicho. Dias depois a criança sarou e nunca mais teve a doença.

A própria detenta diz que teve hepatite, mas após frequentar o terreiro a doença nunca mais se manifestou.


Cura e Abertura de Terreiro

Nivaldo Nicoliche foi levado por seu pai a um terreiro de Umbanda em Jacareí (interior de São Paulo, por coincidência cidade no qual atualmente exerço meus trabalhos na Umbanda) para que fizesse uma operação espiritual em sua garganta. O pai de Nivaldo já havia feito uma cirurgia espiritual no coração anos antes e usou aquilo como referência.

Nivaldo relutou mas fez a operação, a qual foi muito bem sucedida e os males que tinha na garganta simplesmente desapareceram. Se ele e seu pai precisavam de alguma prova do trabalho da Espiritualidade, essa prova foi tão forte que fundaram um Terreiro de Umbanda, o qual existe há mais de 25 anos.


Banhos da Preta Velha – e um AVISO IMPORTANTE

José (prefere não se identificar) presenciou o tratamento de uma doença na pele de uma amiga. Ela tinha manchas que coçavam muito ao ponto de ficar em carne viva. Buscou vários dermatologistas e tomava comprimidos, passava óleos, cremes e tudo mais. Quando estava desistindo de obter a cura, visitou um terreiro e foi atendida por uma Preta Velha, a qual fez um tratamento completo de cura e passou vários banhos diferentes. Em menos de um mês a mulher estava completamente curada.

Ela disse que não foram os remédios pois depois de sua consulta com a Preta Velha, ela jogou fora seus remédios. Este é o aviso importante: nunca, sob qualquer hipótese, abra mão dos tratamentos convencionais que estão sendo feitos com médicos. Deus deu a possibilidade do conhecimento a esses profissionais, portanto é de uma irresponsabilidade muito grande abrir mão do tratamento convencional. O tratamento espiritual deve ser um complemento sempre.


Endireita Essa Coluna

Uma trabalhadora que conheço dos terreiros de Umbanda que frequentei nasceu com um desvio na coluna muito acentuado. Era comum ela não poder participar das giras devido as dores que via de regra surgiam devido a sua condição. Os médicos diziam que a única solução seria uma operação, porém como era em local bastante sensível qualquer problema na condução da cirurgia poderia acarretar em paraplegia. Pelo risco inerente decidiu não operar e conviver com a dor.

Sendo uma pessoa de fé imaculada na Espiritualidade, pediu auxílio aos Pretos Velhos do terreiro que trabalhava. Em apenas uma seção de cura, os Guias da casa realinharam toda a energia da moça e, de forma milagrosa, simplesmente eliminaram o desvio em sua coluna. Logicamente voltou ao médico para conferir se realmente estava curada e, quando teve a confirmação, a equipe médica não conseguiu entender o que tinha ocorrido, pedindo nova bateria de exames, os quais comprovaram a cura.

Atualmente é trabalhadora e dá passividade aos Guias de Luz, pela Caridade e para Deus.