quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Pode Colocar a Mão na Cabeça do Umbandista?

O texto abaixo foi retirado do livro Magias e Rituais da Umbanda Volume 3 e é de autoria de Padrinho Juruá. Achei bastante interessante por se trata de assunto que muitas vezes já se diz consolidado. Como não goto muito desse lance de "verdades absolutas", resolvi estudar. Me acompanhem:

A QUESTÃO DE SE COLOCAR A MÃO NA CABEÇA

Esse assunto é delicado, pelo fato de que uma grande maioria de umbandistas crê e recebeu essa informação passada através dos anos, vindo dos cultos afros que já medravam em época da fundação da Umbanda. Segundo a “Escola Iniciática Umbanda Crística”, vamos discorrer sobre essa questão, e convido a todos a raciocinarem conosco, usando a razão e o bom senso, e não somente se apegar em mitos, estorietas ou mesmo achismos de um ou de outro. Primeiramente vamos, resumidamente, elucidar a questão do tão propalado Ori, (um dogma) e sua importância e implicações para os cultos afros (e não para a Umbanda; como já explamanos amplamente, a Umbanda não é afro-descendente). Após daremos nossas considerações sobre a questão. Vamos lá:

ORI

Ori é o deus portador da individualidade de cada ser humano. Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização para cada pessoa. Ori mora dentro das cabeças humanas, tornando cada um aquilo que é. Como ao morrer, a cabeça de uma pessoa não é separada para o enterro, Ori é conhecido como aquele que pode fazer a grande viagem sem retorno, pois os outros Orixás, mesmo quando morrem seus filhos, são libertados da cabeça (Ori) e retornam ao Orun (Céu, ou mundo exterior). À cerimónia de equilíbrio do Ori dá-se o nome de Bori (bo = oferenda, ori = cabeça => dar oferenda para a cabeça, fortalece-la). Não se deve, no entanto, confundir Bori com iniciação. O Bori pode ser feito em qualquer momento e não implica qualquer vínculo com o Orixá ou com a Casa. Durante o processo iniciático a primeira entidade a ser equilibrada é justamente o Ori, a individualidade pessoal, para que a pessoa não se transforme num mero espelho do Orixá. 

Um dos mitos sobre Ori diz que ele pode depois de enterrado voltar ao Orum, levado por Nanã ou Ewá. Diz este mito que um dia Ori percebeu que era o momento de nascer outra vez e foi falar com Olorum, o Universo, solicitando permissão para nascer na mesma família em que havia nascido antes. Olorum permitiu, com a condição de que apenas ele, Olorum, pudesse conhecer o dia de sua morte, sem que Ori pudesse opinar sobre esta questão e que o destino de Ori só pudesse ser mudado quando Ifá fosse consultado. Este Orixá não tem características estéticas, pois, não incorpora. Apenas é cultuado juntamente com os Orixás, possuindo um número no jogo de búzios onde “fala”. 

Fonte: (https://ocandomble.com/2012/04/27/ori/)

AXÉ E ORI – ENERGIAS POSITIVAS E NEGATIVAS

Energias que podem causar a destruição, o azar, a doença, o feitiço, a morte e o desequilíbrio do ser humano, Existe uma força mágica e mística chamada axé, sem a qual não pode haver rito.

O axé pode ser tanto bom, quanto mau.

O bom é proveniente das divindades (Orixá) e dos antepassados (Òkun Òrun), isso não quer dizer que os deuses e os antepassados não fiquem zangados com as pessoas, quando elas não andam corretas, daí se fazer consulta para se ter notícia disso, sua causa e o que fazer para acalmá-los. Na sua essência eles não fazem senão proteger as pessoas. 

O mal axé é dividido em dois tipos:


  1. O primeiro é representado pelos Ajogun, que são considerados energias terríveis e destruidoras dos seres humanos, sendo eles: Iku (a morte), Arun (a doença), Ófó (o dano, o prejuízo, a perda), Égbá (a paralisia), Óran (o aborrecimento, o transtorno, a desgraça), Epe (a praga, a maldição, a desgraça), Ewon (a prisão, a detenção) e Ese, (diversas coisas ruins que perseguem as pessoas).
  2. O segundo, representado pelos Aje, a destruição total do ser humano. 

Os ritos são feitos em cima dessas duas forças, os quais podem começar logo após o nascimento, a depender de como a criança vem ao mundo ou as circunstâncias em que isso ocorreu.

Por exemplo: Uma criança de sexo feminino nascer com o ventre para baixo, todo o cuidado deverá ser pouco, pois a mesma estará sob a influência de Iya Mapo e logo os ebós deverão ser feitos em função dessa divindade para acalmá-las. 

Pode nascer Abiku (o que nasce para a morte), então os ritos começam logo com o primeiro banho e a água do mesmo. 

Também, dependendo de outras circunstâncias, os ritos podem começar com a coisa mais importante e vital do ser humano que é o Ori.

Ori quer dizer cabeça, porém dentro do conceito Yorubá, é a divindade que constitui a cabeça. O Ori de cada pessoa tem potenciais antagônicos, tais como: a felicidade e a desgraça, o sucesso e o fracasso, daí se ter sempre a necessidade de fazer Bori, ritual de alimentar à cabeça com a finalidade de fortalecê-la e agradá-la, que vai desde um simples Omi Tutu (água fria), que consta de um obi e uso de ervas litúrgicas, ao Bori propriamente dito, mais complexo, utilizando-se, inclusive, de sacrifícios de animais e de outros tipos de oferendas, a serem identificados, anteriormente, através do jogo.

O Ori é a parte mais importante existente em nosso Ara (corpo). A nossa sobrevivência depende dele, por este motivo a necessidade de ter uma grande cautela ao procurarmos alguém para fazer uma obrigação em nosso Ori, pois este alguém poderá nos matar ou até desgraçar nossa vida para sempre, por pura perversidade, vingança, inveja ou mesmo inconscientemente, bastando para tanto, que tenha mão de Aje ou de Iku. 

Somente uma pessoa deve mexer em nosso Ori, isso depois da própria divindade dizer se aceita, através do transe em nossa cabeça ou pela prática divinatória. 

Só existe um único caso em que ninguém pode colocar a mão no Ori de outra pessoa, para fazer qualquer coisa e muito menos “fazer o santo”; é quando a pessoa é Olori Merin, isto é, a pessoa tem a cabeça pertencente a quatro donos, em pé de igualdade. Esses quatro Orixás juntos formam um só Orixá e a pessoa é chamada Olori Merin, mesmo assim eles mantém sua individualidade. Se se pudesse fazer alguma coisa, teria que ser feita para cada um isoladamente. As divindades que formam o Olori Merin são Xangô, Ifá, Oxalá, Oduduwá. Os preceitos do Olori Merin são muito complexos e cheios de fundamentos.

Fonte: (https://pt-br.facebook.com/xelisimplesassim/posts/268713709930700)

BORI

Da fusão da palavra Bó, que em Ioruba significa oferenda, com Ori, que quer dizer cabeça, surge o termo Bori, que literalmente traduzido significa “Oferenda à Cabeça”.

Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode-se afirmar que o Bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu Bori é (Lésè òrìsà).

Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu Ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido as suas próprias potencialidades. Odú é o caminho pelo qual se chega à plena realização de Orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas dos outros. Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande no seu próprio caminho, pois, embora se escolha o Orí antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida

Exú, por exemplo, mostra-nos a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajetória mais adequada é a tarefa que cabe a cada Orí, por isso, o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por intermédio do Bori que tudo é adquirido.

Os mais antigos souberam que Ajalá é o Orixá Funfun responsável pela criação de Orí. Desta forma, ensinaram-nos que Oxalá deve ser sempre evocado na cerimónia de Bori. Iemanjá é a mãe da individualidade, e por essa razão está diretamente relacionada com Orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.

A própria cabeça é a síntese dos caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabam, muitas vezes, configurando-se como sinônimos) começam no Orí, que ao mesmo tempo aponta para as quatro direções.


  1. Ojuori – A testa
  2. Icoco Ori – A nuca
  3. Opa Otum – O lado direito
  4. Opa Ossi – O lado esquerdo

Desta mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, este e oeste; o centro é a referencia, logo, todas as pessoas se devem colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os quatro pontos cardeais: os caminhos a escolher e a seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.

Em África, Orí é considerado um Deus, aliás, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, juntamente com o sopro da vida (Emi) e o organismo (Ese), um conceito fundamental para compreender os rituais relacionados com a vida, como o Axexê (asesé). Nota-se a importância destes elementos, sobretudo o Orí, pelos Orikis com que são invocados. O Bori prepara a cabeça para que o Orixá se possa manifestar plenamente. Entre as oferendas que são feitas ao Orí algumas merecem menção especial.

É o caso da galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém no Candomblé; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é Adoxu (Adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orixá. Ela já nasce com Exú, por isso se relaciona com o começo e com o fim, com a vida e a morte, por isso está no Bori e no Axexê.

O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinada, simbolizam a fartura e a riqueza.

O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a Ori; é a boa semente que se planta e se espera que dê bons frutos.

Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranquilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao Orí de cada um eleger as prioridades e, uma vez cultuado como deve ser, proporciona-as aos seus filhos.

Nunca se esqueça: Orixá começa com Orí

Fonte: (https://ocandomble.com/2008/05/26/bori/)

MÃO DE VUMBE

“Mão de Vumbe” ou “Mão de Nvumbe” ou tirar mão de Vumbi, “Maku Nvumbi”, significa fazer a cerimónia para tirar a mão do falecido, e é realizada um ano após o Ntambi (a cerimónia fúnebre).

Esta cerimónia é necessária e apenas realizada nas pessoas que foram iniciadas pela pessoa que morreu, ou seja, na prática é tirar a mão do morto. É importante notar que não se aplica, portanto, a simples frequentadores, ou Abiãs da Casa.

Quando uma pessoa é iniciada por um pai ou mãe-de-santo, passa a ter um vínculo espiritual, a mão da pessoa em sua cabeça, a mão que transmitiu o axé.

Assim, quando o pai ou mãe-de-santo morre é necessário tirar a mão do morto. Essa cerimónia é feita por outro pai ou mãe-de-santo escolhido pela pessoa.

A realização desta cerimónia é importante, pois permite que o iniciado possa assumir em pleno e dar continuidade à sua evolução em outra Casa de Santo.

A palavra Vumbe é usada no Candomblé Bantu de nações Angola e Congo, o significado é o mesmo que tirar a mão do Egum usada no Candomblé Ketu.

(https://ocandomble.com/2012/05/10/mao-de-vumbe/)

Pautados erroneamente na tradição afro, muitos umbandistas passaram a usar seus preceitos, só pelo “ouvi falar”, os achismos. Com o passar dos anos, ouvimos muitas teorias quanto à importância da cabeça para o médium umbandista, Vamos as mais conhecidas:

O ATO DE COBRIR A CABEÇA

o Pai Quintino, em 1924, chefe de uma Macumba, na Rua Araújo Leitão, no Engenho Novo, Rio de Janeiro, usando o “gorro” característico da Cabula, chamado “Camolele” (do kimbundo “mulele”, pano, através da forma diminutiva; ka-mulele), de influência dos “Malês”, que eram muçulmano








o “gorro” islâmico, chamado de “taqiyah”. Usam-no somente por motivos consuetudinários (hábito, costume). Observem a semelhança com camolele cabulista e os usados hoje, por vários médiuns, em Terreiros de Umbanda. Também tem o “Filá”, que também é um Camolele, porém, bem mais baixo que este (cerca de um terço da altura deste).
Esse é um "kipá". O significado da palavra kipá é “arco”, que fica compreensível quando pensamos em seu formato. A kipá é um lembrete constante da presença de Deus. Relembra o homem de que existe alguém acima dele, de que há Alguém Maior que o está acompanhando em todos os lugares e está sempre o protegendo, como o arco, e o guiando. Onde quer que vá, o judeu estará sempre acompanhado de Deus. Nossos sábios afirmam que cobrir a cabeça também está associado à humildade, pois nos lembra que existe algo acima de nossa cabeça (nosso intelecto): Deus. A kipá deve estar sempre sobre a cabeça, lembrando que há alguém acima de nós observando todos nossos atos. Isso faz com que reflitamos mais sobre nosso comportamento e nossas ações. Simplesmente um objeto místico, simbólico, e nada mais
“Gele” ou “Gèlé” é uma palavra Yorùbá para um envoltório usado na cabeça das mulheres, ou seja, uma espécie de indumentária feminina.

As mulheres Yorùbá são conhecidas por usá-los incrivelmente bem encaixadas, fixadas em suas cabeças, e apesar de ser apenas um apetrecho, pode ser encontrado em quase todas as culturas Africanas.

No Candomblé, o Gele ou torço ganhou quase que um culto e até mesmo itan para justificá-los?

Gèlé é mais do que apenas uma cabeça coberta, é uma forma de arte. Um grande pano retangular amarrado na cabeça da mulher em uma variedade de modas, cores e estampas.

O material usado para fazer o Gèlé é geralmente duro, mas flexível, por exemplo, Aso-oke (o verdadeiro feito em tear e de seda), Brocado (algodão) e Damasco. Estes materiais vêm em uma ampla variedade de cores, padrões e texturas.

Quanto maior o pano (e maior a habilidade) mais elaborado aparenta e até confere certo status. É quando a mulher negra se torna a rainha em toda sua plenitude e beleza.


De todos os barretes, gorros, capelos, capuz, chapéus, turbantes, geles, torço, pano de cabeça, filás, etc., utilizados por religiosos, todos, sem exceção, são simplesmente simbólicos, representativos, meros costumes, enfeites. Alguns são simplesmente indumentária feminina, para beleza. 

Portanto, não há o porquê de se utilizar na Umbanda qualquer tipo de cobertura na cabeça por motivos místicos e/ou religiosos. Aliás, nem se pode falar que usa-se uma cobertura na cabeça por tradição, pois em Umbanda Original do Caboclo das Sete Encruzilhadas, não havia e não há esse tipo de procedimento simbólico.
Em “Escola Iniciática Umbanda Crística” aceitamos o uso de turbantes simples, de algodão, brancos, por todos os médiuns, somente nos rituais privativos onde tem a presença de Amaci, para segurar ervas no topo da cabeça dos médiuns; acabou o ritual, retira-se o turbante, higienize-o, e guarde para quando tiver outro ritual do Amaci. É somente esse o seu uso.

Por estarmos discorrendo sobre o uso de cobertura na cabeça por parte dos umbandistas, aproveitando o ensejo, queremos esclarecer aos leitores sobre a problemática de se usar qualquer peça de couro em vestuário, principalmente chapéus, em trabalhos espirituais, tanto por médiuns como por assistidos.

Prâna, do sânscrito; de “pra”, para fora, e de “na”, respirar; viver; textualmente quer dizer: “Sopro da Vida”. Em todas as manifestações de vida no Planeta, ali existe Prâna. Em todos os planos de existência, tanto material quanto espiritual, o Prâna é a vida manifestada. “Prâna”, cuja energia em potencial é responsável por todas as manifestações de vida na Terra. O prâna vem do Sol. Recebemos prâna vital nos momentos do passe, o prâna das ervas nas mãos dos guias eu em banhos ritualísticos, etc.

Uma propriedade intrigante e muito interessante do couro (de um animal morto) é que ele absorve o prâna vital e não o deixa passar para nada. Não importa quanto prâna descarregue; se passar por uma peça de couro comum não será capaz de transmitir esse prâna para uma pessoa, pois ficará no couro. O prâna vital tem como instinto criar vida; ao passar pelo couro, vai identificar que alí está um ser “doente” que necessita vida. Assim, vai ficar tentando fazer o couro voltar à vida, e não irá para onde desejaríamos. O prâna provém do Sol; se estivermos utilizando qualquer vestuário ou chapeu de couro, esse prâna ficará no couro e não será absorvido pelos chacras que estiverem cobertos por esse material.

Portanto, devemos evitar o uso de vestuários e chapeus de couro, bem como orientar aos que vão passar por uma consulta espiritual, e, consequentemente receberem um passe, que retirem qualquer peça de couro que possa cobrir os chacras.

As fibras sintéticas, como por exemplo o poliéster, o nylon, a borracha, bloqueiam o prâna, bem como podem fazer diminuir a quantidade do fluxo de prâna. Então, sugerimos que as pessoas usem o algodão, lã ou seda.

Também devemos tomar o devido cuidado para não trajarmos roupas com tecidos muito escuros, pois os mesmos, em seus tingimentos, estão carregados de metais pesados, e isso pode interferir nas emanações de prâna

Entenderam porque os Guias Espirituais sempre pediram para que, nos momentos de atendimentos, os assistidos retirassem as roupas de couro e tecidos sintéticos, bem como sempre os orientaram a não virem para os trabalhos espirituais, com roupas escuras, e nunca o preto.

Porque nós, médiuns, então, insistimos em usar indumentárias coloridas em trabalhos espirituais???

Relembrando: Em “Escola Iniciática Umbanda Crística”, não se aceita roupagens coloridas, balandraus, rendas e lamês, ou qualquer tipo de adornos ou adereços regionais externos, tipo: cocares de penas, capacetes, chapéus, coroas, espadas, arcos, tacapes, fuzis, maquiagens, tridentes, capas, cartolas, ternos, smoking, bijuterias, etc. Esses tipos de coisas não pertencem a Umbanda. O vestuário utilizado, tanto para homens como para mulheres, é composto de tecido modesto e simples (algodão), somente brancos; Em Umbanda não existe roupas sacerdotais, mas, somente uniformes. Os calçados são de pano grosso (lona), com solado de corda (tipo Alpargata Rueda) ou descalço.

Capacetes, espadas, adornos, vestimentas de cores, rendas e lamês não são aceitos nos Templos que seguem a sua orientação (nota do autor: Caboclo das Sete Encruzilhadas). O uniforme é branco, de tecido simples” (Zélio de Moraes). “Aqui, em meu Terreiro, se usa roupa simples de algodão e sapato de corda ou descalço. Não tem seda e nem luxo” (Zélio de Moraes).


 Os excessos aparatosos nos vestuários e adereços regionais é tão somente da vontade do médium. Os únicos apetrechos que observamos serem utilizados pelos Espíritos em suas representações arquetípicas são, a modesta bengala utilizada por alguns Pretos-Velhos (não todos), e a saia branca simples, sem rendas, sem enfeites, utilizadas pelas Pretas-Velhas, por caracterizar a presença de anciãs recatadas. Hoje, pela praticidade, as saias das Pretas-Velhas estão sendo substituídas pelo uso de um pano branco longo por sobre as pernas do médium incorporado, ou por um avental branco longo, que o médium prende à cintura um pouco antes do processo de mediunização.

Agora, um Espírito que se intitula Guia Espiritual, somente deve ser aceito como tal, se pautar toda sua doutrina, orientações e vivências, calcados nos ensinamentos crísticos. Guia Espiritual não pauta suas orientações na materialidade ilusória; Guia Espiritual não tem vaidade; Guia Espiritual não tem vícios; Guia Espiritual liberta, ama, perdoa, orienta, evangeliza.

Espíritos da Luz não tem vaidade, não ingerem bebidas alcoólicas para se refestelarem, não fumam (não inalam a fumaça para os pulmões), não procedem a brincadeiras descabidas, não proferem palavras de baixo calão, não se portam de maneira inconveniente, não promovem e nem aceitam festas em suas homenagens, não são libertinos, não ficam sambando, etc.

A CABEÇA

A Cabeça é o símbolo de conhecimento, de comando, de aprendizado e elevação do pensamento, de aproximação com a Inteligência Suprema, em outras palavras, Deus.

Em nossa vida terrena, somos somente depositários de tudo o que temos, inclusive nosso corpo, nada sendo de nossa propriedade. Somos tão somente Espíritos passando por uma vivenciação humana; para uns aqui é um reformatório; para outros é uma escola. Somos a materialização, a cópia do nosso Perispírito. Nosso Espírito não é a nossa cabeça e muito menos o nosso cérebro. Nossa cabeça/cérebro é a materialização necessária para receber a nossa mente (Espírito), que não está na presa ao cérebro, mas, somente está em sintonia.

Dizem que pelo fato de em nossa “coroa”, existir o sétimo Chacra, o Coronário (Sahasrara), que segundo a tradição indiana é através dele que recebemos a iluminação divina, e que também é o responsável por regular toda a nossa energia.

Quando a existência da emanação do Chacra Coronário, fisicamente, aproximadamente localizado no alto da cabeça, entre os lobos parietais, é de fato verdadeiro. Agora, devemos atentar que os Chacras estão localizados no Perispírito, irradiando-se para o Duplo-Etérico, que emana para o Corpo Físico. Os Chacras não estão no Corpo Físico. O que regula ou desregula os Chacras são a nossa moral (A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus), o conjunto das nossas virtudes. 

Podemos auxiliar um nosso irmão, atuando na irradiação dos Chacras no Corpo Físico, de forma positiva através de passes, ervas, pedras, etc., mas, com certeza, não será impondo suas mãos ou mesmo atuando negativamente ou positivamente no Chacra Coronário (ou qualquer outro) que este irá se desregular ou se regular. Isso nunca. A negatividade em todos os sentidos somente nos achega através da nossa inobservância das virtudes, das orientações crísticas, e nunca por simples capricho de alguém que quer nos prejudicar, ou mesmo de alguém que está negativado em sua vida. 

As manipulações efetuadas num passe, num Amaci com ervas, numa benção de um Guia Espiritual, na “coroa” de alguém, simplesmente são transferidos os magnetismos e o prâna disso tudo para o Campo de Repercussão Mental, e não para o Chacra Coronário e nem para o cérebro físico. 

Muitos pensam que num desenvolvimento, um Guia Espiritual quando coloca a mão na cabeça de um médium é para “puxar”, ou “fazer uma puxada”, de um Espírito, fazendo o médium entrar em transe. Não é isso que acontece. Simplesmente, o Guia Espiritual sabedor das dificuldades de um médium, ao colocar a mão sobre a coroa do mesmo para facilitar uma manifestação mediúnica, nada mais está fazendo que, nesse exato momento, emitir energias vivificadoras para o Campo de Repercussão Mental, inundando-o de magnetismos positivos, retirando toda “sujeira” agregada nesse campo, que atrapalha a sintonização médium/entidade.

O mesmo acontece com algum assistido/médium quando vai se consultar, e, o Guia Espiritual ao se achegar ou mesmo colocar sua mão sobre a “coroa” do assistido, este entra em atividade mediúnica. 

Não é cobrindo a cabeça com um simples pano, de qualquer cor, que irá “proteger” o seu “Ori”, o seu Chacra Coronário de energias negativas; crer nisso seria insensato.  

TOCAR NA CABEÇA COM AS MÃOS

Dizem que: Por representar o ponto de contato entre a nós e o astral, o “Ori” (maneira pela qual os seguidores dos cultos-afros nominam a “coroa” na cabeça) deve ser preservado, evitando-se que quaisquer pessoas não autorizadas o toquem, independentemente de sua religião ou intenção.

Discordamos totalmente de tal dissertativa.

Primeiramente, a sede da vida e do poder mental de uma pessoa, reside no seu Espírito imortal, e não na cabeça física da atual encarnação. Cabeça não é “morada” de Orixá. A morada do princípio Divino, os Poderes Reinantes Orixás do Divino Criador é em nosso Espírito somente.

O ponto de contato entre médiuns e o plano astral superior é a moral, a santidade das intenções e a mente ilibada. Jamais esse ponto de contato é o cérebro/cabeça físicos.

Já explicamos acima o conceito de Ori (que é um dogma para os seguidores dos cultos afros), crido por eles, que nada tem há ver com a doutrina de Umbanda. Pode até ser aceita pelos Terreiros umbandistas que pautam sua doutrina pelos cultos afros, mas, jamais pela doutrina umbandista preconizada pelo seu anunciador, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Muitos se pautam pelo fato de recebermos energias pela “coroa”, e que se alguém tocá-la pode ser infestada por energias negativas. Em primeiro lugar, se formos infestados por energias negativas, isso quer dizer que estamos totalmente desequilibrados em nossa mente e em nossos corações. Se somos presas fáceis de energias negativas e de Espíritos perturbadores, com certezas estamos entrando em contato com tudo isso, por simbiose, por afinidades. Portanto, estamos mais impuros que as energias impuras, pois se as atraímos por afinidades, é por estarmos pior que elas.

Afinal, não precisa colocar a mão na cabeça para “pegar” nada. Basta à aproximação de alguém com más intenções que, se você estiver impuro, captará facilmente as energias enfermiças. Isso é fato. É da lei. Os afins se atraem.

Observemos que a mediunidade, que é um atributo biológico, acontece pelo funcionamento da Glândula Pineal, que capta o Campo Eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere, e não é manipulada pelo simples toque da mão de um encarnado.

Se crermos que energias negativas emanadas de criaturas humanas irão nos prejudicar pelo simples toque em nossas cabeças, desestabilizando nosso emocional, espiritual e físico, fatalmente iremos nos transformar em psicóticos, com auto-obsessão, fanatizados por falsas crenças, muitas advindas de primarismo religioso com dogmas, mas sem explicações calcadas na razão e no bom senso.

Ficou essa falsa crença tão arraigada entre umbandistas, que alguns chegam ao cúmulo de não permitirem um cabelereiro, o marido, a mulher, os pais, tias, filhos, encostarem a mãos em suas “coroas”, a não ser o dirigente do seu Terreiro. 

Somente orientamos aos médiuns que não coloquem a mão na cabeça de ninguém, pelo fato de existirem pessoas que se incomodam com isso. Aliás, orientamos que não se coloque as mãos em absolutamente nenhuma parte do corpo de um assistido, em atendimentos fraternos

O ritual principal da Umbanda quando existe uma manipulação nos centros neurorreceptivos da cabeça, atuando incisivamente no Campo de Repercussão Mental, é o Amaci, onde existe a transferência do prâna vital de ervas específicas, para esses locais. O Amaci é aplicado pelo dirigente do Terreiro, obviamente com as mãos. Mas, esse ato, nada tem a ver com transferência de energia do dirigente para o médium, como creem os seguidores dos cultos afros. Não temos rituais de consagração de médiuns a Orixás. Trabalhamos por afinidades fluídicas com as Corporações Orixás, mas não somos “filhos” de Orixás. Somos filhos de Deus.

O ato de “colocar a mão na cabeça”, na Umbanda, não configura que o médium tenha um compromisso espiritual com o dirigente. O compromisso será sempre com o plano espiritual superior. O que terá de ter com o dirigente é tão somente o respeito, o comprometimento e a gratidão, e vice-versa.

Se um médium umbandista sair de um Terreiro para ir trabalhar em outro, vai ter que seguir os ditames do novo Terreiro, inclusive com as aplicações dos Amacis que deverão ser efetuados na cabeça. Não tem nada há ver com o que você já fez. Se positivo, só vem complementar.

Em Umbanda, não existe ter que tirar a mão do outro dirigente da sua cabeça (nem na morte deste). Não existe mão de ninguém, e nem energia de ninguém plantada em nossa cabeça a não ser a ”mão de Deus”.

Em Umbanda não existe “plantar” Orixá na cabeça de ninguém. Isso é coisa de cultos afros. Respeitamos, mas, não é doutrina umbandista. Cada coisa em seu lugar. Cada religião com a sua doutrina.

Muitos umbandistas se apropriam de rituais/doutrina/liturgias dos cultos-afros, ressignificam e maquiam tudo, para posteriormente colocarem como fundamento da Umbanda. Tristes frutos irão colher. Cada coisa no seu lugar. Cada doutrina/ritual/liturgia na sua religião. Misturar é não fazer nada direito, e, pior ainda, inverter a polaridade da coisa, prejudicando alguém.


E aí pessoal, concordam com o texto? São pontos de vista bastante diferentes e interessantes. Confesso que concordo em partes.

Dicas para o próximo texto? Comentem aqui.



terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Não Existe Santo Encarnado

Ok, eu sei que muitas pessoas que vivem entre nós são praticamente santos e outros que já desencarnaram (como Chico Xavier) realmente eram algo parecido com isso, mas achei prudente colocar um título mais impactante para chamar atenção para um assunto que tenho ouvido bastante esses dias, sobre os espiritualistas (kardecistas, Umbandistas, etc) estarem acima de qualquer suspeita.

Infelizmente estamos acompanhando pelos noticiários que o famoso médium João de Deus está sendo acusado por pelo menos 78 mulheres (dizem que pode chegar a 200 casos) de terem sido violentadas sexualmente por ele durante seus atendimentos mediúnicos. Os absurdos se acumulam neste caso, de todos os lados. Eu li em algum lugar (sinceramente não me recordo a fonte) uma pessoa dizendo que essas mulheres estão todas macumunadas, mentindo para arrancar dinheiro do médium. Outra declaração a respeito de João de Deus veio de Renan Calheiros (sim, o Senador da República), que disse que "João de Deus é um patrimônio da Espiritualidade".

Ao nobre senador, basta dizer que não existe algo como um patrimônio da Espiritualidade. A Espiritualidade é composta de pessoas, encarnadas ou não, que agem se visar o lucro ou a fama, apenas pregando o bem a quem quer que seja.

À pessoa que alega que as mulheres estão agindo em conluio, não quero julgar ninguém de forma antecipada (e nem em qualquer momento, afinal de contas não nos cabe isso), mas essas 78 mulheres estão se tornando 200 (em investigação pelo Ministério Público). Poxa vida, será que todas essas mulheres conseguiram se reunir e, nenhuma delas caindo em contradição até agora, fizeram um dos maiores esquemas recentes? Sinceramente não acredito nisso.

No meio deste amontoado de acusações e defesas insólitas, vejo que pessoas relativamente influentes falando que isso tudo aconteceu porque ele nunca foi kardecista ou "espírita de verdade". A própria Federação Espírita Brasileira ao falar sobre o assunto, se limitou a dizer que não tem culpa de nada, querendo se distanciar do problema. Claro que a FEB deve, sim, explicar como funcionam os seus tratamentos de cura espiritual (em contraponto ao que João de Deus fazia), mas o peso de seu nome deveria servir como um doa balizadores para uma discussão ampla sobre esse assunto. A FEB não poderia sob hipótese alguma, ver tudo como mera espectadora. O peso de sua história deveria ser utilizada nesse tipo de momento como protagonista de uma mudança no pensamento das pessoas.

E a mudança que me refiro é exatamente fazer com que a população entenda que não existe ninguém que não possa ser corrompido pelos excessos da carne. De Chico Xavier a Divaldo Franco passando por Rubens Saraceni e até mesmo nosso amado Zélio Fernandino, todos passaram pelas tentações e quem pode garantir que em determinado momento não cederam a elas? Logicamente não como João de Deus deva ter agido, mas a santidade dessas pessoas só existe porque nós acreditamos mais no instrumento do que em quem o opera. Ou seja, nos impostamos mais com o médium do que com o Guia de Luz. E quando isso acontece, existe uma grade possibilidade de ficarmos míopes à realidade e muitas vezes, muitas vezes MESMO, aquele médium acaba se deixando corromper pelo ego.

Eu trabalhei durante alguns anos em Itupeva, interior de São Paulo, e no início de 2016 um famoso pai de santo da cidade foi preso acusado de estuprar uma menina de 14 anos, a qual ficou grávida. O sacerdote dizia que recebia dois guias (Zé Boiadeiro e João Caveira) e eles mantinham relações sexuais com a menor para ajudá-la a curar de algum mal que sofria. Esse exemplo pontual mostra que nós umbandistas não somos santos, independente do cargo que exerça num terreiro, e a contrapartida tem que ser verdadeira: também não somos todos espelhos desses casos que desgraçam nossa sociedade.

Quando eu digo que não devemos julgar as pessoas, me sinto um pouco hipócrita, porque é exatamente isso que todos fazemos o tempo todo. Nós temos a clara noção do que é certo e do que é errado, então quando alguém faz algo que vai contra esses princípios, a primeira coisa que fazemos é criticar. Podemos até não verbalizar aquilo, mas que julgamos em nosso pensamento, isso é fato. Ponderado isso, digo que devemos nos vigiar a todo dia para que não apenas não julguemos as pessoas, mas também para que possamos ajudá-las, tentando entender tudo aquilo que elas passaram para chegar naquela determinada situação claramente errada. Minha namorada é terapeuta hipnóloga e comenta comigo que estatisticamente falando a quantidade de pessoas que a procuram com problemas graves de ordem moral (traição, excesso de violência, compulsões, etc) apresentaram algum tipo de abuso na infância. Isso me fez pensar que todos somos reflexo de tudo aquilo que passamos na vida, desde nossa concepção. Sendo assim, precisamos ajudar ao próximo escutando seus problemas e dando o carinho que as vezes faltou na infância e, décadas depois, fez com que aquela ferida escondida se transformasse em um "desvio" na personalidade da pessoa e como consequência agora a sociedade enfrenta esses problemas que vemos aos montes.

Não existe pessoa santa, mas podemos ser cada vez mais pessoas melhores, vigiando nossos passos e pensamentos e também nos colocando à disposição de todos para serem ouvidos. João de Deus pode ser uma triste sequela da falta de carinho, da falta de amor e do excesso de ego.

Finalizo dizendo que se for culpado, deve cumprir a pena que lhe cabe com todo o rigor da lei, sem que pese o fato dele ser mais ou menos famoso ou influente. Se errou, que pague pelo erro.

Axé!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Holopensene

Ontem compartilhei um texto da Tatiana Tieme e fui questionado sobre o termo "holopensene". Como realmente se trata de um nome pouco conhecido e de um tema em sempre abordado nos portais de Umbanda, achei interessante falar um pouco a respeito.

É comum escutarmos que aquilo que pensamos tem o poder de realizar. Se desejamos tanto que uma coisa aconteça, não apenas nossa fé, mas nossos pensamentos, geram uma energia positiva que acaba envolvendo aquela situação e nos ajuda, sim, a sermos atendidos. A contrapartida também é verdadeira; quantas e quantas vezes não vemos (ou nós mesmo agimos desta forma) pessoas que são tão negativas com tudo, que esse negativismo emanado acaba transformando a vida da pessoa em uma sequencia de cabeçadas uma atrás da outra.


Agora coloquemos essas situações não de forma isolada, mas fazendo parte de sociedades inteiras vibrando da mesma forma sobre alguma coisa durante anos e até séculos. A energia emanada é tanta, que é criada uma espécia de bolha energética sobre determinada situação, e essa bolha é tão forte e cheia de energia, que aquele sentimento ou pensamento coletivo acaba "se tornando verdade". Eu coloquei entre aspas pois é necessário entendermos algumas coisas bem importantes para a análise deste assunto. Comecemos pelo significado da palavra: "Holopensene" quer dizer holo + pen + sen + ene = conjunto (holo) de pensamentos (pen) que gera um sentimento (sen), o qual por sua vez gera uma respectiva energia (ene). 

Um pensene é um pensamento decorrente de um sentimento, o qual, por sua vez, produz uma energia, moldada pela qualidade do pensamento que a concebeu. Um conjunto de pensenes gera esta bolha energética maior, que é o Holopensene, que pode ser positivo ou negativo.

Assim como nós temos nossa aura, os planetas possuem uma psicoesfera, que nada mais é que um volume energético de todas as corretes de pensamento, sentimentos e energias, desde os tempos mais remotos até o que vivenciamos e geramos atualmente, sejam sentimentos e energias voltadas para o bem ou para o mal; do elevado ao primitivo; do relevante a fútil. Todos esses pensamentos e sentimentos foram as mais diversas formas de holopensenes.

Todas as egrégoras são formadas de holopensenes elevadíssimos, consolidados ao longo de séculos e até milênios que formam a parte mais sadia da psicoesfera. Essas egrégoras (grupos de espíritos com a mesma afinidade positiva), são a parte positiva da balança, e são energizadas através dos bons pensamentos, a partir de uma vontade determinada.

Egrégoras são apenas formadas por bons pensamentos e sentimentos, então é errado dizer que existe uma "egrégora negativa" ou algo que o valha, sendo que o termo correto para se determinar um conjunto de pensamentos e sentimentos negativos é a "negrégora" que representa um holopensene negativo já consolidado.

Existem seis tipos de holopensene *positivos e negativos), e podemos identificá-los como sendo graus de intensidade desses pensamentos e sentimentos. Os três tipos são:


  • Holopensene Positivo Fugaz: é algo pontual gerado em situações ocasionais. Dois amigos que se encontram e falam bem de uma terceira pessoa, que não está presente;
  • Holopensene Positivo Semiconsolidado: geralmente comunidades que pensam da mesma forma (positiva) e geram, devido a isso, um sentimento compartilhado que envolve a todos de uma forma positiva e fica entre essas pessoas. Um exemplo: as primeiras comunidades cristãs no Império Romano;
  • Holopensene Positivo Consolidado: são as egrégoras. Pensamentos e representações que há séculos e séculos se consolidam como foco de energia positiva. Um exemplo: a imagem de Jesus, o pentagrama a imagem de Buda, etc.
  • Holopensene Negativo Fulgaz: é algo pontual gerado em situações ocasionais. Dois amigos que se encontram e falam mal de uma terceira pessoa, que não está presente;
  • Holopensene Negativo Semiconsolidado: grupo de amigos que se reúnem há décadas em bares ou afins e nessas ocasiões falam mal de outras pessoas.
  • Holopensene Negativo Consolidado: pensamentos e sentimentos que há séculos são associados à magia negra, à violência, à criminalidade, etc. A suástica nazista gera um holopensene negativo já consolidado.

Quando trazemos este conceito para nossa religião, conseguimos entender o que é aquilo que chamo de Magnetismo da Fé. O terço do Preto Velho não é apenas um crucifixo como qualquer outro. Ele é um crucifixo que, para os umbandistas, significa um elemento de fé daquela entidade. Quando um Preto Velho faz alguma oração para um assistido segurando seu terço, existe, além da anergia positiva da oração em si, também a energia positiva dispensada naquele ritual e por aquela entidade específica. O Universo entende aquele ritual e já está impresso na Egrégora de Umbanda, então o assistido acreditando ou não, ou o médium estando ou não "firme" com o Guia, aquele ritual será realizado dentro de uma egrégora já determinada. Existindo uma firmeza do médium aliado com a fé naquele ritual por parte do assistido, aquele ritual é potencializado e fica, a cada atendimento, um pouco mais consolidado junto ao Plano Astral.

Outro exemplo bastante interessante, são as ervas consagradas a determinado Orixá. Para um ateu, por exemplo, uma Espada de São Jorge nada mais é do que uma erva com propriedades determinadas em sua ciência. Dentro da egrégora de Umbanda, no entanto, os rituais de consagração da Espada de Jorge para Ogum é tão grande, que aquilo deixou de ser apenas uma erva e passou a ser uma Erva de Ogum, justamente pelos pensamentos e sentimento dos Umbandistas e outros crentes naquilo, durante anos. É um magnetismo que nossa fé coloca em determinado objeto ou ritual, e acaba sendo consagrado.

Na postagem anterior, vimos que a Tatiana Tieme falava sobre o receio que alguns umbandistas têm em adentrar um cemitério, com receio de que ali se encontram espíritos desencarnados que podem fazer mal para a pessoa. Para o não umbandista, existe, sim, uma negrégora criada em relação aos cemitérios, afinal de contas ali é o local da última morada das pessoas e existem as tantas almas penadas que vão assombrar todo mundo. Esse pensamento já está enraizado, então gera uma energia naquele lugar que acaba sendo consagrado para espíritos de baixa vibração. 

Quando falamos, no entanto, sobre um umbandista entrar em um cemitério, temos que tirar o medo e entender que ali existe o ponto de força do Orixá Obaluaê, que irradia sua energia junto aos Pretos Velhos e aos Exus e Pombagiras da linha dos Caveiras, por exemplo. O umbandista corre um grande risco de esquecer desses fundamentos e, aí si, sair da egrégora da Umbanda e acabar entrando na negrégora mundana. Ora, não é de conhecimento de todos que estamos cercados de irmãos espirituais por onde que r que vamos? Quando estamos em um bar ou dentro de um ônibus, por exemplo, dividimos nossa energia com irmãos desencarnados, muitos deles de baixa vibração, e não e por esta razão que passamos mal todos os dias.

O que o umbandista deve fazer é sempre, independente de onde for, seja num cemitério ou em um supermercado, estar em vigília espiritual, mas sob hipótese alguma ter medo de algum alinhamento energético que possa acontecer com outro espírito. E se acontecer, não é porque a pessoa está em um lugar ou outro, mas porque seus pensamentos e certezas relacionadas à fé não estão fortes o suficiente.

Holopensene ou Inconsciente Coletivo... não importa qual termo resolvam usar. O importante é sempre ter bons pensamentos para não apenas atrair pra si uma energia similar, mas também para ajudar nosso planeta e a todos que nele vivem, a ser um lugar cada vez melhor. Se rituais de magia negra evocam energias de baixa vibração já consagradas no Plano Astral, então que possamos aumentar como nossos rituais e com nossa Fé em Deus, nos Orixás e em toda Espiritualidade, a energia que nos cerca.

Que Oxalá nos abençoe.

Sergio
























terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Do Profano Para o Divino - Do Outro Lado da Cova

Essa semana devido à correria da Festa em Homenagem a Iemanjá, o qual o terreiro que trabalho participará, em Caraguatatuba/SP, resolvi colocar alguns textos de outros autores que acredito possam ser interessantes para quem acompanha este blog.

O texto a seguir é de autoria da Tatiana Tieme Yano (que possui lindos textos sobre a temática de Umbanda). Espero que gostem:


"O cemitério traz um grande paradigma para as pessoas, por ser um local onde os corpos sem vida são depositados. Talvez o medo, mal estar de estar ou ir ao cemitério refere-se ao conjunto de pensamentos e sentimentos negativos que as pessoas vibram ao dirigir-se e estar no local. Isso acaba gerando um holopensene (vejam explicação no final do texto) de tristeza, devido ao parente/amigo que morreu na visão da maioria. Toma-se uma sensação de melancolia pela falta de crença ou esclarecimento, acreditando que houve realmente a morte eterna e que nunca mais se encontrarão.
Por tal motivo o cemitério em uma visão profana é sinônimo de um recinto “pesado” energeticamente, triste e habitado por almas penadas, espíritos sofredores e perdidos.
Esse contexto está presente em muitas mentes umbandistas com certo grau de esclarecimento sobre espíritos ou o próprio ponto de força. Quantas vezes não ouvimos dizer que ir ao cemitério pode ser perigoso para o médium, pois é um atrator natural de cargas e lá há muitos espíritos sofredores que se ligarão. Claro que se ligarão à aqueles que se colocarem no campo santo de uma forma profana ou com sentimentos e pensamentos negativos, afinal os afins sempre se atraem.
Mas para aquele umbandista, esclarecido, que no seu terreiro cultua o Pai Obaluaê e o Pai Omolu deveria encarar a ida ao campo santo como um ato religioso divino,pois ao entrar está pisando em solo sagrado, em mais um divino ponto de força do nosso amado divino Criador, assim como o mar, a cachoeira, as matas, pedreiras, etc.
O cemitério é o ponto de força natural do querido Papai Obaluaê e Papai Omolu.
Pai Obaluaê, senhor das passagens, transmutador de tudo na vida. Da morte do corpo físico para o corpo espiritual, assim vice-versa. Sr. das passagens, da doença para a cura, do ódio para o amor, da busca de dias melhores, etc. Na Umbanda chamado como Sr. das almas, traz a todos uma enorme calmaria, um bem estar e bastante estabilidade. E postando-se de uma forma e atitude sagrada, quando aquietamo-nos no cemitério sentimos essa mesma sensação, silenciosa e calma. É nítida a semelhança do local (ponto de força) com o Orixá, pois os dois são unos e se completam.
Há também a força do Orixá Omolu, Sr. da morte, paralisador de tudo que chegou ao ponto determinado perante a Lei Maior. Sua qualidade paralisante é um meio de “parar” tudo e todos que estiverem criando e gerando em caminho inverso, oposto e desvirtuado ao Divino Todo. Omolu corta nossa ligação material para espiritual (desencarne), pune aqueles que atentaram e desvirtuaram-se na vida, Orixá guardião divino dos espíritos caídos. Um paizão que também nos ajuda a dar o fim aos nossos vícios, a morte à ignorância, morte ao ego e a vaidade.
Por todos esses motivos não devemos temer esse local sagrado e os Orixás regentes desse magnífico ponto de força. Uma oferenda, oração realizada desencadeia um processo extremamente positivo para todos que se colocarem em respeito e principalmente de coração aberto e puro para receber a bênção.
Ao entrar no campo santo, cruzem o solo em reverência às forças do alto, embaixo, esquerda, direita, e que o lado sagrado abra-se para você naquele momento. Peça licença aos Srs. Orixás Obaluaê, Omolu, Iansã das almas e Ogum Megê. Também aos senhores exus e pombagiras da porteira.
Façam aquilo que tiver que fazer, com amor, dedicação e respeito. E sintam-se agradecidos por serem umbandistas, por ter essa oportunidade maravilhosa que é de louvar nossos pais e mães orixás em seus pontos sagrados. E tristeza, pra que no cemitério? Afinal nunca morremos, apenas passamos de um estágio para o outro.
Nota do texto: Holopensene é a atmosfera psíquica do ambiente, resultado da somatória dos pensamentos e energia das pessoas que o frequentam. É a “aura coletiva” do lugar em questão. Esse tipo de designação é muito utilizada na conscienciologia e na projeciologia".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

As Mandalas na Umbanda

O texto abaixo também faz parte do Curso de Teologia de Umbanda e é a contribuição do saudoso Mestre Rubens Saraceni:

"As mandalas são símbolos sagrados riscados no solo ou em objetos e visam criar todo um pólo magnético, cuja vibração afiniza-se imediatamente com o símbolo identificador de uma divindade, de um campo eletromagnético ou de um ponto de forças.
Toda divindade possui seu símbolo identificador que a distingue de todas as outras, porque seu mistério vibra numa faixa ou nível só seu que constitui seu campo de ação e atuação.
Muitos símbolos são parecidos, mas pequenos sinais criam diferenciações que são fundamentais, ainda que escapem à nossa percepção humana. Aos estudiosos da simbologia, um signo dentro de um símbolo maior pode significar muito e alterar toda a sua leitura e interpretação.
Saibam que na raiz de toda mandala, símbolo ou signo, está o magnetismo que está dando sustentação a eles.
Um átomo tem um magnetismo e cada um tem um só seu, que dá sustentação à sua estrutura atômica e o torna diferente de todos os outros átomos da tabela periódica. E o mesmo ocorre com um planeta ou estrela, pois não existe dois com o mesmo magnetismo.
Dentro do nosso sistema solar cada planeta que orbita em torno do sol possui seu magnetismo próprio, que o torna diferente de todos os outros.
O mesmo ocorre com os elétrons de um átomo. Cada um possui seu magnetismo, e este determina sua órbita em torno do núcleo atômico, que o mantém em contínuo movimento.
Esta forma dos átomos se repete em todo o universo e todos os planetas giram em torno de sóis ou estrelas, que são os núcleos dos macro-sistemas atômicos.
A formação “atômica” é criação divina e está fundamentada no magnetismo.
O magnetismo é a chave ou base fundamental de tudo o que existe. E se o entendermos como o recurso divino que ordenou a criação, então temos nele a chave de interpretação dos símbolos, dos signos, da cabala e das mandalas.
Os chacras do nosso corpo energético são vórtices energéticos ou pontos de emissão e captação de essências, elementos e energias, mais conhecidos como fluido universal ou “prana”.
Em sânscrito, prana significa o fluido universal que permeia tudo e é absorvido pelos seres.
Nós temos em nosso corpo energético sete vórtices ou chacras principais e muitos outros secundários, além de milhares de micro-chacras espalhados ao redor deles.
Cada um executa uma função e formam um conjunto captador e emissor de energias, que dá sustentação ao nosso espírito.
Mas se quisermos levar a bom termo nosso comentário, temos que nos centrar nos chacras fundamentais e a partir deles estabelecer um quadro de correspondências ou analogias, pois só assim poderão ter uma base sólida e científica que fundamentará as mandalas dos Orixás.
Nós temos sete chacras principais que são:

Coronário        Coroa – Fé – Cristalino (Oxalá)
Frontal             Testa – Conhecimento – Vegetal (Oxossi)
Laríngeo          Garganta – Ordenação - Eólico (Ogum)
Cardíaco          Coração – Amor – Mineral (Oxum)
Umbilical          Umbigo – Fogo – Equilibrio (Xangô)
Esplênico         Baço – Terra – Evolução (Obaluayê)
Básico              Kundalíneo – Água – Geração (Iemanjá)

Saibam que estes sete chacras estão em sintonia vibratória com os chacras planetários multidimensionais, com as sete vibrações divinas, com as sete irradiações energéticas, com os sete tipos ou graus de magnetismos e com os sete Tronos de Deus, que regem nossa vida e nossa evolução."

Este segunda parte da matéria é um texto da jornalista Janaina Campoy:


"Elas estão presentes em toda parte: em uma flor, no sol, no desenho que se forma com uma pedra atirada na água. Expressões naturais do universo, as mandalas são ferramentas que ajudam no auto conhecimento. Símbolos circulares expressos em diversas culturas e religiões em quase toda a História, as mandalas são ricas em significados. Nem sempre fáceis de explicar, elas são utilizadas e criadas de diferentes maneiras.



Para quem não se contenta apenas em admirá-las e sentir a vibração que emanam, elas podem ser traduzidas das mais variadas formas: sob o ponto de vista do budismo tibetano, do psicólogo suíço Carl Gustav Jung, do norte-americano Joseph Campbell (autor do livro "O Poder do Mito" e considerado o maior estudioso de mitologia do mundo) ou sob a ótica espiritualista. Sempre agradáveis de se ver, elas são caracterizadas por ter a forma de um círculo, que é, inclusive a tradução da palavra mandala em sânscrito, antiga língua indiana. Dentro dessa circunferência, formas se organizam sempre a partir do centro, mesmo que ele não esteja visível.

Representações Simbólicas "As mandalas são estruturadas da seguinte forma: partem de um núcleo central e irradiam ondas, que criam outros campos ao redor", afirma a terapeuta vibracional Maria Aparecida de Oliveira. "Tudo no universo está organizado assim. Do redondo depende a vida", completa o psicólogo junguiano Janos Andreas Geocze. E se ainda assim a explicação não for satisfatória, não se preocupe. "Mandalas estão além de conceitos e justamente por isso são representações simbólicas", resume a psicoterapeuta Bel César.

Emissoras e receptoras de energia, as mandalas, analisadas de acordo com a linha espiritualista, podem enviar vibrações de cura, facilitar a meditação, acalmar, energizar ou até trazer a prosperidade.

Seguindo esse mesmo sistema, são estudadas as formas, desenhadas ou pintadas, e as cores que, juntas, têm função terapêutica. "Elas atuam no inconsciente, possibilitando que a pessoa encontre algo que já conhece, como um estado de saúde perfeito, o amor ou a prosperidade", explica Maria Aparecida. As  tonalidades, segundo ela, estariam relacionadas às cores correspondentes aos chackras (centros de energia do corpo, decodificados pelos hindus, que também são representados por mandalas). É assim, por exemplo, que o azul pintado em uma mandala teria ligação com a comunicação, o vermelho estaria relacionado às coisas materiais e o cor-de-rosa, ao amor espiritualizado.

Já na análise do psicólogo Carl Jung, as mandalas retratam o self, a essência de quem a desenhou. "Isso quer dizer que por mais desestruturada que uma pessoa possa parecer, existe dentro dela um ponto irretocável de harmonia e coerência", enfatiza Janos, que trabalha com mandalas humanas. "De mãos dadas, em círculo, um grupo de pessoas perde por um momento a sua individualidade e ganha o sentimento do todo. Nessa hora, todo mundo é igual e tem, inclusive, a mesma distância do centro", diz ele. Visão "Mandálica" do Universo De acordo com Janos, além de retratar a essência das pessoas, esses círculos sagrados trazem uma importante contribuição para a humanidade. "É hora de resgatar a visão 'mandálica' do universo, segundo a qual tudo o que existe está ligado em um grande círculo, cujo centro é a morada da essência, a inteligência superior", afirma.

Budista, Bel Cesar, a mãe de Lama Michel, o jovem monge de 18 anos, que se dedica a espalhar a paz pelo planeta, conta que para o Budismo tibetano o mundo é estruturado na forma de uma mandala e, dentro desse conceito ela seria sinônimo de visão, da forma como se encara a realidade. "Existe o mandala relativo, que é a visão pessoal das coisas, o seu ponto de vista, e o mandala absoluto, em que tudo está interligado e é impermanente", diz Bel. Segundo ela, viver no padrão do mandala relativo, como acontece com a maioria das pessoas hoje em dia, que tem uma visão fragmentada sobre a realidade, gera o sofrimento. "É preciso aproximar os dois mandalas, ou as duas visões, e começar a enxergar que nada existe à toa ou sozinho. Tudo está interligado e ouvir a realidade do outro pode ajudar a entender melhor a vida, diminuindo o sofrimento", ensina. Outra maneira interessante pela qual a mandala vem ganhando espaço é nas artes plásticas. Quadros ou esculturas, apesar de muito bonitos, para a artista plástica mineira Maria Lúcia de Almeida e Silva, não são apenas objetos de decoração. "A mandala atua no sentido de  concretizar os valores que simboliza", diz ela."

Gostaram dos texto? Eu curti pra caramba.... é sempre bom aprender coisas novas.

Forte abraço

Axé