quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Responsabilidade de Ser Umbandista

Olá pessoal. Li um texto muito interessante da Mãe de Santo Valéria Siqueira, de Atibaia, sobre a responsabilidade de ser umbandista. O texto me fez refletir bastante sobre não apenas o papel nosso perante a Espiritualidade, mas também perante a sociedade e nossos irmãos de santo.

Oportunamente colocarei um texto de minha autoria sobre o assunto, mas enquanto isso fiquemos com a cirúrgica contribuição desta pessoa tão iluminada.

"Em minha experiência como Dirigente Espiritual, tenho constatado que não apenas as pessoas de fora que têm uma visão deturpada da Umbanda; muitos médiuns atuantes também têm. Estar à frente de um terreiro é um verdadeiro desafio, e não pela parte espiritual, pois trabalhar com os Orixás e guias é simples e maravilhoso;difícil é lidar com os seres humanos.
Sei que é comum em terreiros dizerem ao consulente que ele precisa “desenvolver”, senão sua vida não irá pra frente, mas nunca vi ninguém explicar desenvolver o que, pra que, porque e pra quem…
Se tornar um Umbandista é assumir um compromisso perante a espiritualidade, mas principalmente com sua própria evolução. As pessoas têm que saber que ser médium é responsabilidade, dedicação, abnegação, firmeza. E por falar em firmeza, o que se faz fora do terreiro também faz parte do pacote; sim, porque se é Umbandista 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 dias por mês, 365 dias por ano.
Os médiuns têm que saber que responderão por cada palavra e gesto que praticarem em nome de seus guias, e isso é muito sério.
Guias espirituais não vêm em terra pra beber, fumar e dançar; eles vêm trabalhar, e não têm tempo a perder. Muitos acham que ser Umbandista é chegar no terreiro, encontrar tudo pronto, incorporar (mesmo que não faça atendimento), pedir bebida, cigarro, dançar, desincorporar e ir pra casa; e acreditem, acham que fizeram muito.
Ninguém quer saber do trabalho que se têm pra manter tudo limpo (fisicamente e energeticamente falando), dos gastos, do tempo empregado, cada um só quer saber dos seus próprios problemas.
Eu tenho certeza de que muitos dirigentes sabem do que eu estou falando: você está correndo há dias, organizando tudo, arrumando flores, fazendo a comida, fazendo firmezas, lutando pra que tudo corra bem, e chega um filho querendo te contar um sonho que ele teve…realmente eu não sei o que algumas pessoas estão fazendo na Umbanda.
Não dá pra ser quase Umbandista, nem mais ou menos Umbandista, isso é impossível. Quem não tiver seriedade, amor, respeito suficiente, não perca seu tempo nem o dos Guias; você não nasceu pra isso.
Quando é que as pessoas vão entender que o terreiro é um local sagrado como qualquer outro templo religioso?
Que lá não é lugar de conversar, pensar nos problemas, no namorado, nos filhos, não é lugar pra picuinhas, ciúme, competição entre quem aparece mais, quem sabe mais ou quem manda mais?
Quando é que a Umbanda vai ser tratada com todo o respeito e seriedade que ela merece?
Quando é que as pessoas vão entender que é uma honra ter um Orixá no terreiro, ter um Guia Espiritual pra nos orientar, enxugar nossas lágrimas, nos aconselhar, enfim, nos ajudar em nossa caminhada evolutiva?
Poucos se dão conta disso, mas o terreiro é a casa dos seus Orixás e guias, é a casa onde eles se manifestam, e cada um que ali pisa tem a obrigação de zelar por ele.
Muitos zelam muito mais pelo seu próprio carro do que pelo seu terreiro; outros morrem de medo de perder o emprego, perder o namorado, perder a balada, mas não temem que seu guia se canse e vá embora,afinal, ele já faz muito de ir ao terreiro de vez em quando.
Inclusive, para muitos, ficar batendo de terreiro em terreiro e “dar passagem” de vez em quando aos guias é mais do que suficiente…sinceramente, tenho pena de pessoas assim,porque os guias não precisam delas, é exatamente o contrário.
Acho que os que se dizem Umbandistas deveriam fazer uma profunda reflexão sobre suas escolhas;muitos entraram pra a Umbanda, mas a Umbanda não entrou neles…
Dizer que é Umbandista da boca pra fora é muito fácil, mas lembrem-se: pode-se enganar poucas pessoas por muito tempo,muitas pessoas por pouco tempo, mas não se pode enganar todo mundo o tempo todo.
O que dizemos e fazemos em nosso próprio nome tem um peso; no nome deles a proporção é outra. Um dia encontraremos esses guias frente a frente, e deveríamos viver de forma a ser motivo de orgulho pra eles quando esse dia chegar.
De certa forma, nós remamos contra a maré; porque temos que lidar com o preconceito contra a nossa religião, contra os nossos guias “atrasados”, contra a visão errada que muitos têm de nós. Mas quem tem Mamãe Iemanjá vencerá qualquer tempestade, não é?
É tão natural pra nós ter um guia em terra, que muitos se esquecem do quanto isso é importante;tê-los por perto é benção, alegria, honra, sustentação, é a resposta as nossas dúvidas, é alento aos nossos corações, é a manifestação do amor e preocupação que Pai Olorum tem conosco.
Na nossa pequenez podemos ser tão grandes, e na nossa grandeza podemos ser tão pequenos aos olhos deles, só depende de nós, das nossas atitudes, pensamentos, vibrações.
Nós, Umbandistas, fazemos parte de algo tão grande; tanta coisa acontece num trabalho espiritual, tantos irmãos são ajudados, sejam eles encarnados ou desencarnados, a caridade se manifesta na forma mais pura.
Não perca a chance de participar ativamente disso, não perca a chance de lutar pela causa deles, que é a de dar um sentido às nossas vidas, evoluir e nos ajudar a evoluir também.
Se a Umbanda nos chamou é porque tem um propósito pra nós; não desperdicem o que foi dado a vocês enquanto outros não tiveram a mesma sorte.
Se queremos que a nossa querida Umbanda Sagrada seja vista com outros olhos, comecemos por nós mesmos…Axé"


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Estudo Sobre a Esquerda - Parte 5


AS FALANGES DA ESQUERDA

Exu e Pomba Gira atuam na Espiritualidade de forma muito similar em sua organização que as demais linhas de trabalho, sendo divididos em falanges, que nada mais são do que grupos de trabalhos divididos em uma hierarquia determinada. Por inúmeras vezes tive a oportunidade de conversar com alguns Guias que me explicaram que o nosso conceito de hierarquia é muito limitado, e eles se dividem em grupos, sim, mas não da forma que imaginamos. Determinar uma atuação hierárquica em forma de uma pirâmide de trabalho como conhecemos, é levar para a Espiritualidade uma simplicidade intelectual muito acentuada.

Nós, porém, ainda somos muito limitados, então eu vou recorrer ao modo comum de explicar como existem as “divisões” dentro de uma falange de Exu ou Pomba Gira. Lembrando que a quantidade de novas falanges (ou “nomes”) dentro das linhas de trabalho da Umbanda é muito grande, então certamente faltarão algumas. Tentarei colocar pelo menos duas falanges por atuação de Orixá ou ponto de força.
Já que falei de ponto de força, vou especificar os mais conhecidos nas Linhas de Exu e Pomba Gira na Umbanda.

O ponto de força das Linhas de Esquerda (ou seja, de todos os Exus e Pomba Gira) é a Encruzilhada. Se uma pessoa quer agradar uma entidade e não sabe qual é seu ponto de força específico, então vá para a encruzilhada que ali reside a força das Linhas de Esquerda. Alguns guias, no entanto, atuam em outros pontos de força além da encruzilhada, conforme segue:

Encruzilhada: são Guias que servem a Orixás diversos. Não são brincalhões como os da estrada, mas também não são tão fechados como os do cemitério. Gostam de da consulta e também participam em obrigações, trabalhos e descarregos.

Encruzilhada das Matas: são guias que irradiam junto ao Orixá Oxóssi Diferente dos Guias das encruzilhadas de terra (ou seja, a mais comum), são Guias mais brincalhões. Via de regra atuam em conjunto com Guias do Cemitério.

Estrada: São os mais “brincalhões”. Suas consultas são sempre recheadas de boas gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim estas “brincadeiras” devem partir SEMPRE do guia e nunca do consulente. São os guias que mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e também falam bastante, alguns chegam a dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo.

Cemitério: são sérios, reservados e discretos, podem eventualmente trabalhar dando passes de limpeza (descarregando) o consulente. Alguns não dão consulta, se apresentando somente em obrigações, trabalhos e descarregos.




Esses 72 falangeiros foram os primeiros a se manifestarem na Umbanda, sendo que alguns continuam atuando encarnados em médiuns, enquanto outros realizam seus trabalhos ou em outras Linhas ou apenas no Plano Espiritual. Inicialmente cada falangeiro tinha a incumbência de doutrinar outros sete espíritos resgatados para trabalhar na Umbanda (inclusive incorporados), e cada um desses sete espíritos teria a incumbência, conforme fossem evoluindo seus trabalhos, também doutrinar outros 7 espíritos, que fariam a mesma coisa sem uma quantidade específica (ao contrário do que alguns dizem que isso se repetiria por até sete vezes).

Sobre essa repetição em uma hierarquia com sete degraus, ocorre que a cada trabalho realizado esses Guias chegavam perto de sua missão pessoal dentro da Umbanda, sendo que, conforme já vimos, era dada a possibilidade deles continuarem seu trabalho na Linha dos Exus ou Pomba Gira, porém desta vez sendo um falangeiro, portanto adotando um novo nome. Esse tempo em que o Exu mais antigo da falange (abaixo do falangeiro) demora para “pagar” seu carma e cumprir sua missão individual é de aproximadamente sete ciclos, por isso criou-se esta ideia pré-estabelecida de, que nada mais é do que uma visão distorcida do que realmente ocorre.

Hoje em dia, com a Umbanda mais enraizada na população e com muitos outros falangeiros atuando, não existe um número específico de entidades por falange para determinar os ciclos. A necessidade dos múltiplos de sete ocorreu justamente no início da religião, quando a Espiritualidade necessitava criar um volume interessante de guias atuando para a Umbanda.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

PEL - Projeto Ensinamentos de Luz

Olá povo lindo. Em 2015 iniciei uma série de estudos, tendo como premissa temas pré determinados, os quais eu elencava e questionava a respeito entidades de atuam não apenas na Umbanda, mas manifestadas em outras religiões. Eu gravei os depoimentos e fiz um estudo baseado nas respostas. 

A partir de hoje colocarei esses estudos para que os leitores deste blog possam ter acesso ao que as Entidades de Luz falam sobre os temas em específicos. 

Voltarei a gravar esses diálogos com as entidades, então quem tiver alguma dica de assunto a ser abordado, ou quiser indicar algum médium para que possamos conversar, eu agradeço imensamente. Então vamos lá:


PEL PROJETO ENSINAMENTOS DE LUZ

A Nova Era Espiritual

Quando vemos que no mundo inteiro, apenas cerca de 7% das pessoas se consideram ateus, vemos a importância natural que as religiões exercem na sociedade mundial. As pessoas vivem, no entanto, realidades distintas e essas realidades são refletidas nos anseios pessoais de cada grupo de indivíduos, e justamente por isso em momento algum da história do mundo como a conhecemos existiu uma única religião.

Estima-se que até hoje existiram cerca de 10.000 religiões diferentes no mundo. Esta pluralidade indica claramente que até hoje nenhum dogma religioso foi plenamente satisfatório para a humanidade. Logicamente as religiões completamente opostas uma a outra (cristianismo e o islamismo, por exemplo) possuem uma grande dificuldade em encontrar pontos em comum, além do amor ao próximo (algo que é inerente à maioria das religiões), porém no próprio cristianismo existem milhares de denominações distintas. David Barret, pesquisador de missiometria da Universidade Regent, diz que atualmente existem cerca de 35.000 denominações cristãs no mundo. Vale ressaltar neste ponto que o cristianismo (com todas as suas ramificações juntas) responde por pouco mais de um terço da população religiosa mundial, algo que vai no encontro da realidade brasileira, onde trata-se da maioria esmagadora.

Nunca na história da humanidade existiu tantas novas religiões visando misturar elementos da fé de religiões completamente distintas, como cristianismo, budismo, islamismo, entre outras. Na década de 1900 eram cerca de 1.000 religiões (ou seitas, como boa parte se denominam), hoje são aproximadamente 10.500. É um crescimento expressivo e mostra que a humanidade cada vez mais visa unificar o que acha de melhor em cada uma das diversas religiões, principalmente nas religiões com maior número de fiéis, como as já citadas, o que notadamente gera um maior conhecimento social.

Chegamos ao ponto, então, de perguntar algo que parece óbvio e que, certamente, muitos já não apenas se perguntaram, mas já deram a resposta antes da pergunta ser dita: qual religião é a certa? Os cristãos respondem que seguir os ensinamentos de Jesus Cristo é o único caminho à verdade, enquanto os islamistas dizem que o Alcorão é o grande norte a ser seguido. Se levarmos a ferro e fogo o que cada religião prega, então temos algumas bilhões de pessoas sendo enganadas ou que não terão a sua Salvação (ou algo que o valha), por ser diferente da religião que o outro professa. Realmente será que é assim que funciona? Não existe a possibilidade desses mais de 10 mil religiosos que buscam unificar elementos doutrinários distintos diminuírem e se tornarem cada vez mais um grupo homogêneo e maior, realmente criando uma religião que representa apenas a essência de tudo o que de melhor as demais religiões pregam?
Aliás, uma das grandes perguntas que nos fazemos é sobre a real necessidade de uma religião, visto que as maiores religiões do planeta historicamente entraram, ou infelizmente continuam entrando, em conflito umas com as outras, não por rixa pessoal de seus fiéis, mas pela má interpretação de seus líderes. Existir uma religião ou uma comunhão entre as pessoas? Qual a melhor situação para a humanidade? Ou será que existe alguma outra alternativa para este caso?

Antes de discorrermos mais afundo sobre esse assunto, vale citar a passagem bíblica, Coríntios 12, 4-6, onde é dito que “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”.

A ideia do texto acima foi repassada às Entidades de Luz que cordialmente nos auxiliaram nesse estudo. Tivemos o privilégio de contar com a participação de Entidades das mais diversas linhas, desde os Pretos Velhos e Exus da Umbanda, até guias do Kardecismo. Agradecemos a Deus pela oportunidade e a nossos guardiões pela proteção neste trabalho.

Vovó Ana de Angola, entidade de luz que trabalha na linha dos Pretos Velhos na Umbanda, diz ao ser questionada sobre a falta da prática das coisas certas pelo homem atualmente que,Independe de religião; se tem religião ou se não tem, todos vocês, fio, têm o intuito das coisas corretas, do que se deve ou não fazer. Não importa a religião, sendo no Católico, sendo no Evangélico, todos estão ali, meu fio, pra fazer o bem pro próximo, pra fazer o bem maior”. Antes mesmo de ser sequer citado qualquer tema religioso, Vovó Ana ressalta que o aspecto religioso pouco importa quando se trata de fazer aquilo que está no cerne de nossa alma, que são as “coisas corretas”. Vovó Ana completa seu raciocínio sobre fazer o bem: “O bem, meu filho, é feito sem esperar nada em troca. Quantos irmãos já vieram na Terra fazer o bem e não ganharam nada em troca? Muitos foram apedrejados, não é mesmo? Que Lei é essa, meu filho, que você não pode fazer o bem por causa de uma hierarquia inventada pelos homens, meu filho? Claro, precisa sim ter hierarquia, precisa ter ordem pras coisas não fugir do controle, mas não pro amor, meu filho. Quantos irmãos nem religião têm, meu filho, e fazem muito mais que os que têm? Tá na hora de vocês fazerem o bem, meu filho, sem esperar um obrigado, sem esperar nada em troca e apenas sentir o coração transbordar de amor”.

Na simplicidade de Vovó Ana vemos de forma tranquila dois conceitos: primeiramente não existe a necessidade de uma religião específica, ou de qualquer uma, pelo que se entende deste trecho, para se aplicar o segundo e, talvez, mais claro conceito, que é o amor. Amor, este, que se torna presente em todas as religiões conhecidas. Amar ao próximo, amar a Deus, amar seus pais, amar as crianças. Enfim, colocar em prática o amor que Deus, seja Ele como quiserem chamar, nos pede desde sempre.

Quando Vovó Ana fala da hierarquia, ela diz claramente que se faz necessária para manter a ordem, o que inevitavelmente combate o caos, e manter um controle, porém no âmbito social, quase que administrativo do dia a dia que vivemos, porém ela rechaça veementemente uma hierarquia na prática do amor, e novamente cita a falta de necessidade em se ter uma religião para praticar o bem. Aliás, conseguimos entender que a religião não representa nada de importante nesse sentido, tanto que muitos que não possuem uma religião fazem mais que muitos que possuem. A última frase, onde Vovó Ana diz que temos que fazer o bem sem esperar sequer um obrigado, nos leva à uma pergunta que inevitavelmente surgiria nesse estudo: o amor e a caridade realmente são as bases para uma nova religião, ou para uma nova condição espiritual?

Para responder esta questão, conversamos com algumas entidade de luz. O que Pai Joaquim de Aruanda, que trabalha na linha dos Pretos Velhos, nos diz é: “Todas as religiões afirmam que um novo mundo, uma nova era, nascerá no planeta. Dizem que este novo tempo será caracterizado através de uma transformação no planeta que trará paz, felicidade e harmonia para os seres humanizados. As religiões cristãs afirmam que este novo tempo surgirá com o retorno de Cristo, outras falam em diversas mudanças que ocorrerão no planeta. No entanto, apesar da variedade de visões que determinam à chegada do 'novo mundo', todas as religiões são categóricas em afirmar que ela será marcada por fenômenos externos que promoverão a mudança do antigo para o novo. No entanto, somente quando cada um conhece seu interior, é que se aprende que a paz, a harmonia e a felicidade formam um estado de espírito e que a mudança para esse estado de espírito não pode ser alcançada por mudanças externas, mas apenas com a reforma interior de cada um. Os sentimentos com os quais o espírito encarnado vivencia os acontecimentos da vida carnal é decisão dele mesmo. Eles surgem diante de algum acontecimento de forma não padronizada, ou seja, cada um tem o direito de escolher o que quiser para sentir-se frente a cada momento da sua existência. Este é o livre arbítrio que Deus deu aos Seus filhos. Desta forma, se o 'novo mundo' promoverá uma mudança sentimental na forma de viver dos seres humanizados (trocar o conflito pela paz; a guerra pela harmonia; o sofrimento pela felicidade), como ensinam todos os mestres, ele não poderá ser alcançado por fatores externos, mas apenas com a mudança interior de cada um.

Portanto, não será a 'volta' de Cristo que poderá trazer a paz para o planeta, mas isto acontecerá quando cada um alterar seu íntimo passando a sentir paz e não mais nutrir os sentimentos que geram conflitos. Não será com a retirada dos "ímpios" do planeta que a harmonia surgirá, mas quando cada um abandonar o desejo de guerrear com os seus irmãos para subjugá-los. A felicidade só chegará quando o ser humanizado optar por ela e não pela 'escolha' de sentimentos que tragam sofrimentos.

Mas, como deixar de guerrear ou sofrer? Como deixar de optar pelos sentimentos que levam o ser a viver num estado de beligerância com o próximo trazendo infelicidade para si e para os outros? Abandonando o individualismo, o egoísmo, o querer para si mesmo. Somente quando o ser humanizado libertar-se da busca individual durante a encarnação poderá encontrar a paz, a harmonia e a felicidade para si. O individualismo é o 'mal' da humanidade e precisa ser extirpado para que o ser humanizado volte a viver a sua essência espiritual fundido ao Todo, o universalismo. Isso porque o egoísmo fere frontalmente o amor ensinado por Cristo, que é amar ao próximo como a si mesmo, e a máxima que caracteriza a caridade: 'dar ao outro o que deseja para si mesmo'. Para que o individualismo exista, no entanto, é necessário que o ser humanizado possua 'paixões'. Só quando o espírito encarnado nutre uma 'paixão' (gosta de determinada coisa, acredita em determinada verdade) é que surge nele o desejo de satisfazer suas paixões (viver o que quer, o que gosta e repudiar o que não quer, o que não gosta). As paixões do ser humanizado são caracterizadas por 'escalas dualistas' que geram as 'paixões positivas' (querer, gostar) e negativas (não querer, não gostar).

Ou seja, o individualismo é motivado pelas escalas de 'bom' e 'mal', de 'certo' e 'errado', de 'bonito' e feio' que cada ser humanizado possui. É deles que surge o desejo (individualismo) de que o 'certo' aconteça e que o 'errado' não venha a acontecer. Mas, porque o conhecimento de cada um sobre o 'bem' e o 'mal' acaba com a paz e a harmonia com o próximo que leva à felicidade de todos? Porque estes valores são individuais. O 'certo' e o 'errado', o 'bem' e o 'mal', o 'bonito' e o 'feio' são concepções individuais que cada um possui e quando se pretende impô-las ao próximo caracteriza-se o individualismo, o querer a 'verdade' para si em detrimento do desejo do próximo. Portanto, para que a paz e a harmonia que levam à felicidade reinem sobre o planeta será necessário que cada um deixe de ter padrões de 'certo' e 'errado'. Abolindo-os o individualismo (egoísmo) não terá onde se fundamentar e, com isso, extingue-se. Por isso dissemos no início que o 'novo tempo' não poderá surgir a partir de fatores externos, mas apenas com uma reforma íntima: deixar de guiar-se pelos padrões de 'bom' e 'mal' e vivenciar o amor ao próximo como a si mesmo praticando a caridade (conferir aos outros os mesmos direitos que quer para si)”.
O amor e a caridade são os principais vetores de mudança da atual condição da humanidade para aquela mais evoluída, porém, segundo Pai Joaquim de Aruanda, não deve existir o individualismo e, com isso, o conhecimento individual do bem e do mal deve ser deixado de lado e a humanidade deve passar a vivenciar o amor e a caridade de uma forma real e comunitário, sem se ater ao que cada um acha que é certo e errado.

A quantidade de humanos encarnados é muito grande, então nos levamos a questionar como uma mudança realmente drástica como essa pode acontecer, já que as bilhões de pessoas existentes no planeta possuem realidades distintas e, dentro dessa realidade, cada uma tem, sim, o seu conceito do que é certo e errado. A mudança aconteceria de qual forma? Pai Joaquim de Aruanda complementa: “Os acontecimentos do mundo não se alterarão para que comece o novo mundo. Os "beligerantes", em todos os níveis, continuarão a existir, mas os outros seres lhes concederão o direito de agir da forma que quiserem, sem julgá-los ou criticá-los, buscando a felicidade universal para cumprir a lei de Deus. Será através da fé no Pai Justo, Inteligente e Amoroso que se eliminará o temor em transformar-se em vítima do conflito gerado por outros. Este é o novo mundo: um mundo igual ao que existe hoje, mas visto com outros olhos, sentido com outros sentimentos.

Esta nova forma de ver e sentir os acontecimentos, como já dito, é pessoal, ou seja, será alcançada por cada um ao seu tempo. Portanto, afirmo que não haverá uma mudança coletiva do dia para a noite na forma de sentir da totalidade da humanidade, mas, gradativamente, cada um se modificará promovendo a sua reforma e, desta forma, entrará no novo mundo. O mundo novo onde reine a paz, a harmonia e a felicidade, não é um 'direito adquirido' do ser humanizado, mas trata-se de uma conquista, um merecimento. Apenas aqueles que promoverem a sua reforma íntima, abandonando a visão "ser humano", conseguirão adentrar neste reino. Para participar dessa paz, felicidade e harmonia não existem horas nem dias certos: tudo dependerá do esforço de cada um. Existem seres humanizados que conseguiram alcançar o 'novo mundo' há muito tempo: São Francisco de Assis, Santo Agostinho e outros que, apesar de viverem uma existência humana no século passado, já vivenciaram suas 'vidas' dentro daquilo que ainda hoje esperamos: o 'novo mundo'. Mais recentemente, Chico Xavier, irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e tantos outros espíritos anônimos conseguiram viver a vida carnal sem que paz e harmonia interior fossem afetadas, alcançando, assim, a felicidade universal. Conseguiram isto vivendo no mesmo mundo, vivenciando os mesmos acontecimentos, que vocês.

As guerras, a miséria, a fome, os conflitos foram os mesmos que vocês viveram e vivem no mundo, ou seja, que lhes tiram a paz, harmonia e felicidade. Eles, porém, não perderam este estado de espírito. Portanto, você também pode realizar isso, sem que para tanto o 'mundo' precise alterar-se, que os acontecimentos atuais deixem de existir. Mas, como fazer viver assim? Em que é preciso acreditar para poder entender o mundo como estes seres encarnados entenderam e alcançaram, assim, o 'novo mundo'? Em primeiro lugar é preciso eliminar de vez com a auto visão 'ser humano' que cada um tem de si. Não existe ser humano, mas espírito encarnado. Portanto, somos todos espíritos, encarnados ou não, e não seres humanos. Chico Xavier, Irmão Dulce e tantos outros sabiam que eram 'filhos de Deus' elementos universais. Eles não acreditavam que eram as personalidades transitórias que cada um vivencia durante a sua encarnação. Eles sabiam-se elementos eternos e universais e por isso não acreditavam no individualismo que lhes vinha à mente para compreender a vida (dar realidades a ela).

E por causa dessa visão que tinham de si mesmo, também não acreditavam na matéria, no mundo material. Eles compreendiam que, apesar de aparentemente viverem condições diferentes daquelas que chamamos espirituais (o corpo, os objetos, etc.) que tudo isso era apenas uma miragem do que é Real: o Universo. Pelas máximas espirituais (amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, desejar para o próximo o que quer para si, etc.) ao invés de acreditar nos padrões humanos de satisfação. Para eles, que viveram o 'novo mundo' no mesmo 'lugar' onde outros viviam a o velho, nenhum dos apelos humanos (privilegiar o seu bem estar, a sua vontade) eram importantes. Somente a busca de manter-se sintonizado às coisas espirituais e em perfeita harmonia amorosa com Deus e com a irmandade espiritual guiavam sua forma de 'ver' o mundo. A partir destas crenças (que não há ser humano nem mundo material, mas apenas o espírito vivendo no Universo) eles buscaram entender porque estavam vivenciando esse 'período' de sua existência eterna ligado a uma personalidade transitória e descobriram que tudo isso trata-se apenas de provações ou missões para o espírito realizar.

Portanto, não importa se você é veado ou leão, 'certo' ou 'errado', 'bonito' ou 'feio', cristão ou muçulmano, oriental ou ocidental, espírita ou não, quando os primeiros raios do sol surgirem, levante-se e comece a correr no sentido de estabelecer esta relação amorosa com Deus. Só assim você poderá entrar no 'novo mundo”.


OS RELIGIOSOS HOJE E AS MUDANÇAS PROPOSTAS

No final de 2011, em São Paulo, durante o congresso Pró-Vida,da Human Life International, representantes da ONU – Organização das Nações Unidas, levantaram a hipótese de se criar uma Religião Universal, para que alguns itens que são amplamente discutidos entre as religiões e que nunca tiveram um consenso, passassem a ter. A legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foram os itens mais contundentes, o que levou muitos religiosos a contestarem aposição da ONU.

Não discutiremos nesse instante esses assuntos pontuais, porém vejamos o que um representante da Igreja Católica, Monsenhor Juan Cláudio Sanahuja, doutor em teologia pela Universidade de Navarra (Espanha) diz sobre isso: “Hoje se fala do politicamente correto, um pensamento único comum às pessoas de muitas nações. Esse projeto é um conjunto de medidas para implementar um conjunto de regras de como pensar, do que falar e fazer. A religião universal também pode ser conhecida como um novo código ético universal. Este código ético impõe valores relativos e, conforme dizia João Paulo II, o relativismo se converte em um totalitarismo, o relativismo unido à democracia se converte em um totalitarismo visível ou encoberto”.

A parte do discurso a ser analisada mais afundo é: “Isso dá pé para essa nova ordem mundial para perseguir a Igreja e a todos que tenham convicções imutáveis. É necessário resgatar a família humana fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, a defesa da vida humana desde sua concepção até seu fim natural e o direito do pais à educação dos filhos”. Um representante da Igreja Católica discursa a respeito de manter não a essência (amor e caridade), mas as convicções dogmáticas imutáveis. Ou seja, a Igreja Católica, uma das maiores do planeta, se nega a mudar alguns dogmas baseados em textos milenares. O sacerdote não fala sobre o que entende como certo e errado no casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo. Ele se atém a se contra a ideia de pensar a respeito de algo diferente daquilo. É o discurso do “não faço isso porque não faço e pronto!”.

Baseado no texto do Monsenhor Juan Cláudio, perguntamos às entidades de luz se é possível e, em caso positivo, como seria possível mudar as convicções dos líderes religiosos das maiores igrejas. “É certo que tudo que existe nesse mundo que vocês habitam pode exercer influência de mudança sobre tudo. Ou seja, tudo pode mudar tudo. Uma brisa que sopra no rosto de uma pessoa pode fazer com que essa pessoa mude seu humor naquele dia e quem sabe essa mudança de humor não pode influenciar outras mudanças naquele dia e que vai se refletir no dia seguinte, no outro dia e assim por diante. Se esta mesma pessoa ao sentir a brisa da manhã resolver fechar sua janela, vai impedir qualquer efeito que aquela brisa possa trazer pra ele. Então da mesma forma que tudo neste mundo de vocês está ligado, tudo exerce alguma força, maior ou menor, sobre tudo que existe. Esses líderes das religiões são rodeados de pessoas que os colocam junto aos santos ou ao Deus que eles representam, então tudo que esses líderes falarem vai ter um forte peso em seus fiéis, em seus seguidores. Se um Papa diz que o aborto é proibido então quem abortar ou quem apoiar o aborto ficará contra o Papa e ficando contra o Papa ficará contra a sua igreja. Se um pastor disser que a partir de hoje é proibido comer carne de porco, a maioria dos seus fiéis seguidores nunca mais comerão carne de porco e ficarão contra quem comer.

Por outro lado se os fiéis de qualquer igreja acharem melhor tomar algum tipo de atitude, essa união vai não só incomodar, mas vai fazer com que o líder espiritual daquela igreja mude a forma de ver a situação que fez com que seus fiéis tomassem a atitude. Com o tempo, sendo alguma coisa boa para todos, aquela atitude que começou com um grupo e foi crescendo, acaba se tornando parte da lei daquela igreja. Isso me faz ter a certeza de que para que um líder religioso mude, que nem você propõe, é preciso que os fiéis que ele representa queiram essa mudança. Como eu disse, os fiéis podem ser a brisa que bate no rosto do líder religioso toda a manhã. Que seja pela insistência, mas algum dia ele abre a porta pra sentir essa brisa. Se você pensar direito, vai perceber que muita coisa mudou em todas as religiões. Quando eu andava nesse mundo de vocês, era muito próximo da Igreja Católica e posso dizer que muita coisa que se fala nos dias atuais seriam tratadas como se fossem verdadeiras atrocidades em minha época encarnado. É claro que ainda muita coisa tem que mudar porque o ódio e a mesquinharia continua dominando a essência de muitos líderes religiosos católicos, mas hoje vocês pelo menos conseguem ter suas opiniões sem irem pra forca. E esse tipo de conquista não foi feito por benevolência da Igreja; foi feito por que os fiéis católicos buscaram aquilo que melhor os representava”.

O Sr.Tatá Caveira, cuja experiência carnal foi cercada de muita sabedoria, nos emprestou sua valiosa colaboração e ponderou de forma contundente que, sim, é possível mudar, porém a mudança não é interna das igrejas, mas externa, dos seguidores daquelas religiões. Um Papa Católico, por exemplo, pode ter suas convicções pessoais alteradas e, de certa forma, mudar as doutrinas da Igreja Católica, por exemplo. Basta, para isso, termos um levante popular sobre determinado assunto.

Atualmente a Igreja Católica é representada pelo Papa Francisco, líder religioso muito simples, que ao que percebemos até agora se importa menos com as pompas cerimoniais e mais com os verdadeiros anseios de seus fiéis. Dito isso, ressalto que no início de 2014 ele redigiu uma carta às comunidades pentecostais dos Estados Unidos, falando sobre a unificação das igrejas cristãs, deixando de lado suas diferenças para que pudessem se tornar uma única comunidade religiosa. Segundo o religioso, a segregação entre os cristãos são fruto de um legado de pecado comum a todos. Para ilustrar seu ponto de vista, Para Francisco citou a história de José, filho de Jacó, vendido por seus irmãos como escravo e que acabou trabalhando como no Egito para o Faraó:
Eles tinham dinheiro, mas não podiam comer o dinheiro. Foram ao Egito comprar comida, mas encontraram mais que comida, encontraram o irmão. Nós também temos dinheiro, o dinheiro da cultura, o dinheiro da nossa história, tantas riquezas culturais, riquezas religiosas, e temos diversas tradições. Mas temos de nos encontrar como irmãos. Temos de chorar juntos, como fez José. Estas lágrimas unir-nos-ão, as lágrimas do amor. Nunca vi Deus iniciar um milagre que não concluísse bem”.

No ano seguinte o mesmo Papa Francisco clamou pela união de toas as religiões, cristãs ou não, e até mesmo daqueles que não seguem qualquer religião, para o bem da Humanidade: “A Igreja (Católica) não rejeita nada que seja verdadeiro e santo nessas religiões (todas as demais). O mundo olha para os fiéis pedindo respostas efetivas a inúmeros temas. De inimigos e estranhos, nos tornamos amigos e irmãos. O Concílio apontou o caminho: ‘sim’ ao redescobrimento das raízes hebraicas do cristianismo e ‘não’ a toda forma de antissemitismo e condenação de toda de toda injúria, discriminação e perseguição”.

Sobre as práticas terroristas, especialmente as praticadas pelo Islã, o líder católico não fugiu do assunto e tão pouco acirrou os já costumeiros embates entre as duas religiões, tão distintas entre si pelos seus dogmas. Segundo o Papa, nenhuma religião está imune ao risco do fundamentalismo e do extremismo, porém com os líderes islamistas não fundamentalistas, é necessário um diálogo aberto e respeitoso. Ao final, sua frase mais emblemática e que refletiu fortemente na comunidade religiosa: “Todos os crentes, de todas as religiões. Juntos podemos adorar ao criador por ter nos dado o jardim que é esse mundo. Todos façamos uma oração, conforme sua própria tradição religiosa”.

Essas situações mostram que é possível que os líderes religiosos adotem posições menos ortodoxas e mais condizentes com aquilo que a sociedade clama, sendo esta sociedade formada pelos seus fiéis ou não. Independente dos pontos isolados de cada dogma religiosos, é fato que o grosso de todas as religiões existentes pregam o amor. Quando o líder da Igreja Católica, uma das mais representativas do mundo, se coloca na posição de que é necessária a união de todos os povos para viverem em paz, surge um alerta não apenas para os demais líderes religiosos, mas, principalmente, para os seguidores destas outras religiões. E é justamente este alerta nos fiéis que pode ser o vetor inicial de mudança em seus líderes e, consequentemente, na forma como aquela determinada religião vê a unificação (ou, que seja inicialmente, a colaboração para o bem comum) de todas.

Mas esses conceitos são todos baseados em posicionamentos de espíritos encarnados que, com maior ou menor evolução e conhecimento, ainda sim se atém aquilo que vivenciam. Recorramos novamente aos nossos caridosos Espíritos de Luz: “Tentar mudar o mundo sozinho, tio, é difícil. Acho que não dá certo, não. Só que dá pra conversar com a pessoa que tá do seu lado pra deixar ela mais feliz, porque essa felicidade, tio, é boa e todo mundo gosta de coisa boa, né. Ao invés de falar coisa feia, tem que falar coisa bonita, e se quiser que esses homens que são os paizões de vocês escutem vocês, todo mundo tem que falar bastante alto, e todo mundo juntinho, porque se falar um tio só, ninguém escuta né. Porque é que nem falar no canto de uma salona bem grande e querer que o tio que tá lá do outro lado escute. Não dá certo, não. E eu vou te contar um segredo: toda pessoa quer ser boa e quer fazer o bem, mas tem umas coisas ruins que acontecem que faz o tio sair do caminho dele, daí ele acaba fazendo coisa errada. Se todos os tios falarem coisa boa pra esse outro tio, então ele vai fazer essas coisas boas que falam pra ele. Daí quando o tempo passar, ninguém mais vai precisar ficar falando nada, porque todo mundo vai fazer as coisas boas”.
A entidade de luz que presta seus serviços na linha dos Erês, reforça o que fora dito anteriormente que a mudança pode ocorrer, sim, porém virá não de dentro para fora, com o líder religioso tento uma epifania espiritual, mas como consequência natural do sentimento de mudança para algo melhor de seus fiéis. Temos que dar atenção à frase “toda pessoa quer ser boa e quer fazer o bem, mas tem umas coisas ruins que acontecem que faz o tio sair do caminho dele”. Esse trecho encaminha a ideia que todo ser humano tem em sua natureza o bem, tudo aquilo que é bom, e o que acontece são desvios desse caminho. Podemos entender que as escolhas que a pessoa faz na vida (dadas pela dádiva do livre arbítrio) a conduzem para os vários caminhos que ela pode escolher, então tendo esse fato como absoluto e incontestável, chegamos ao ponto de que o ambiente pode ajudar na escolha desses caminhos, pois alguém só toma decisão sobre algo quando conhece aquilo.

Se uma pessoa é criada em um ambiente com determinada característica, naturalmente seu crescimento será lastreado pelas situações que o cercam e suas escolhas, sejam quais forem, sempre estarão de certa forma ligadas aquele ambiente no qual o sujeito está inserido. Qualquer líder religioso, especialmente os que representam as maiores religiões existentes, nasce em uma família que via de regra professa sua fé naquela religião, então a pessoa que eventualmente se tornará um líder religiosos tem, além da doutrina oficial de sua religião, o sentimento daqueles que o cercam sobre aqueles dogmas, portanto ele terá um preparo teórico para praticar o sacerdócio, mas também poderá recorrer à bagagem prática que traz consigo da célula mais importante de qualquer religião, que é a Família.

Se a necessidade de mudança ocorrer de forma natural e, como disseram as caridosas entidades de luz, de fora para dentro, então possivelmente o novo sacerdote já terá chego à liderança de sua igreja com aquele sentimento de mudança, então ele poderá ser o porta-voz de uma eventual mudança, de uma forma bastante natural, batendo de frente com a instituição, porém acompanhando os anseios dos milhões e até bilhões fiéis que o veem como representante daquela religião.


OCORRERÃO AS MUDANÇAS?

Tudo aquilo que deve acontecer, em algum momento se tornará realidade. Se o destino de um rio é desaguar no mar, então pode demorar, mas é no mar que ele vai terminar. Se tiver muitas rochas em seu caminho, aos poucos, lua após lua, as rochas cederão à vontade do rio em desaguar no mar, porque se é o que tem que acontecer, é o que vai acontecer. A mudança nas religiões é uma coisa que precisa acontecer. Pode demorar, mas as mudanças vão acontecer. O que vocês, homens brancos de carne, devem fazer, é fazer com que essa mudança aconteça. Vocês têm a obrigação de buscar o crescimento espiritual, e se for preciso lutarem contra o que está errado, então lutem. Se for para brigar, que seja por algo que mereça. Se for para cair, que seja para levantar e ver um mundo melhor. Brigar, cair e levantar e ver as mesmas coisas que te fizeram cair é errado. Saibam lutar a luta boa. Nisso que precisa ser mudado, vocês devem ensinar o toque do tambor para quem não sabe, e vocês devem estar com o coração aberto para aprender a tocar outros instrumentos. Seu tambor não é melhor que a flauta do outro, mas também não é pior. Para que Tupã dance vocês precisam tocar os instrumentos todos juntos. Precisam juntar quem segue todas as religiões e tocar pra Tupã. E Tupã gosta de música com amor”.

Para esta entidade de Luz que presta seus serviços na linha dos Caboclos de Oxossi na Umbanda, tudo o que deve acontecer, assim será, tendo a velocidade dos acontecimentos baseada, acreditamos, na intensidade que nós nos entregamos àquela determinada situação. A entidade diz que a mudança nas religiões precisa acontecer, e como tudo o que precisa acontecer efetivamente acontecerá, nós temos que entender que somos os vetores desta mudança.

A analogia feita com os instrumentos remete à fé de cada um. Todos os instrumentos (religiões) não só podem como devem tocar em uníssono (coexistir), para chegar até Deus, seja lá como Ele seja tratado ou nomeado em cada religião, desde que seja uma “música com amor”, ou desde que todas essas religiões celebrem não seus dogmas, mas simplesmente o amor.

Sobre isso, recebemos a breve, mas cirúrgica, contribuição da Entidade de Luz Dr.Camilo, que presta seus serviços nas linhas espiritualistas Kardecistas e Umbandistas. Diz nosso amigo que: “Não existe religião maior que o amor. Onde há amor, amor de verdade, desinteressado, amor incondicional, tem todo o resto para que as demais coisas funcionem, inclusive a caridade. Quando os seres humanos olharem um para o outro como iguais, não será preciso religião; o amor entre irmãos, entre iguais será o suficiente. Isso é uma situação que independe da espiritualidade, porque o próprio Cristo já pregava isso e até hoje seus irmãos na Terra ainda não entenderam”.

A Entidade de Luz, Dr.André, que presta seus serviços de cura espiritual nos centros espíritas Kardecistas e Umbandistas, diz que: “Deus deu ao homem o privilégio de ser, na face da Terra, o único ser que pensa, e por este fato foi dado ao homem o poder de dominar tudo que existe. O domínio da natureza, dos animais e todo o resto. A natureza é muito mais forte que o ser humano, e os animais em sua maioria são mais fortes e poderosos que o ser humano. O propósito de ser o único ser vivo racional no mundo é deturpado, pois ao mesmo tempo que essa inteligência é utilizada para o bem, ela também é utilizada para práticas condenáveis.

A inteligência que consegue criar o fogo, é a mesma que conseguiu criar a pólvora, colocando a guerra entre os homens em um novo patamar de destruição. Isso acontece também com a religião. Temos vários profetas enviados por Deus para passar Sua mensagem para os homens, e nenhum deles quis fundar uma religião. Maomé, Jesus, Abraão, entre outros, vieram para passar uma palavra para a Comunhão dos homens com Deus. Uma palavra de paz e de evolução espiritual. Em momento algum eles determinaram que haveria a necessidade de se criar uma religião. O homem deturpou esses ensinamentos, utilizando aquela inteligência que Deus lhes concedeu, para transformar a religião em política e desta forma fazer com que a religião deixe de ser algo bom, deixe de ser algo voltado exclusivamente para a paz e para a caridade.

A cada tempo que passa vemos que as religiões ficam cada vez mais profissionais. Cada vez mais impregnadas nos governos e cada vez menos com cunho espiritual, e isso é complicado pois quando se tem um político que determina o andamentos das ações de uma sociedade e você tem um líder religioso que ao invés de falar da parte espiritual, ele respalda aquilo que aquele político está falando, a religião deixa de ter uma finalidade espiritual e passa a ter cunho exclusivamente político. A religião existe apenas no papel, pois na prática renega tudo aquilo que, quem serviu de inspiração para a criação dessas igrejas, os Profetas, pretendiam deixar como legado. Jesus Cristo e Maomé nunca pediram, em momento algum, a guerra entre nações ou entre suas religiões. Muito pelo contrário; ambos pediram a união dos povos, visando o louvor a Deus.

É claro que a linguagem em que tudo isso foi escrito é antiga, afinal de contas os textos sagrados possuem centenas ou milhares de anos, então naturalmente o discurso desses seres abençoados, desses porta voz de Deus, tinha que ser um discurso para que as pessoas daquelas épocas entendessem, Só que em determinado momento as pessoas que ouviram e sucederam esses profetas deturparam aquilo que foi dito, criaram um ambiente político em torno do que havia sido profetizado e passaram a esquecer e não ouviram mais os novos profetas. Os profetas nada mais são que médiuns extremamente evoluídos que vieram para cá com o intuito de mostrar a verdade para as pessoas. São inúmeras as pessoas de extrema luz que vieram em sua última passagem na Terra para tentar proporcionar a evolução dos homens, só que a deturpação das religiões foi feita de tal forma que essas pessoas iluminadas não são reconhecidas como grandes mentes religiosas, mesmo sendo. E essa situação é complicada pois quando acontece, percebe-se que os líderes religiosos negam novos líderes espirituais. Os líderes religiosos continuam sendo políticos e renegam a essência da religião, que é a evolução espiritual. Renegam os líderes espirituais. O que deve ocorrer para mudar esta situação é uma união espiritual dos homens de tal forma que todos estejam em um nível de elevação espiritual, para que todos se tornem um único ser pensante e vibrando a energia que pode contaminar os líderes religiosos e políticos”.

Complementando a mensagem enviada por André, temos a seguinte (de outro Guia de Luz): Esse mundo que vocês vivem e que nós trabalhamos muda de tempos em tempos devido o descaso de seus habitantes. Grandes montanhas são furadas para que o homem possa passar por dentro delas ao invés de contorná-las. Árvores são arrancadas de seus lugares e destruídas para dar um conforto um pouco melhor para os homens, que não se prestam para plantar novamente aquilo que destroem. O ar, puro em sua essência, fica cada vez mais cinza. As águas do mar e dos rios, que antes jorravam vida, aos poucos sangram. Aquele Ser Superior, o Criador, que nos acolhe para trabalhar criou todos vocês, e nós também, com a mesma pureza de um corvo.

A ganância, a miséria espiritual e a maldade cultivada nas eras de existência da humanidade transformaram vocês, e muitos de nós, em estéreis. A incapacidade de amar é espantosa. O amor que vocês têm é um amor egoísta, onde vocês não se entregam para o próximo, mas amam para serem amados. É mais certo dizer que vocês, arrogantes, transformaram amor em vaidade, deixando de sentir e pensando demais. Se existe algo que aprendi deste lado, onde há grandiosidade nos sentimentos e, desse jeito, há sinceridade no que se diz, é que quando alguma coisa está errada, o Criador acaba com o que existe e começa novamente. Pela necessidade de evolução de toda a raça humana, não acredito que esse mundo de vocês acabe, mas ou vocês usam o Livre Arbítrio para se unirem e evoluir, ou serão todos obrigados a aprenderem a viver em comunhão. Se essa mudança ocorrer, não será apenas física e política, mas deverá trazer a realidade da existência para cada homem e mulher que vive nesse mundo, e eu acredito na mudança da humanidade apenas com esse tipo de situação.

Não vejo os chefes das religiões mudando suas formas de agir como se muda de roupa, pelo contrário. Acredito que com um mundo envenenado, esses religiosos devem deixar de existir ou sucumbirão cada vez mais às mazelas do que os cercam. A mudança espiritual vinda dos seguidores é a ideal, mas tem que ser constante. Não adianta reclamar de assuntos triviais e não se opôr ao principal. Quando cristãos, muçulmanos, judeus, budistas, umbandistas e toda sorte de representantes religiosos andarem de mãos dadas visando apenas a evolução espiritual de todos que os cercam, sem tentar entender ou forçar o entendimento de quem está certo e de quem está errado, somente desta forma existe uma esperança da mudança espiritual que este mundo precisa. Mas, claro, eu sou a mais humana das entidades, então sou pessimista de berço e caixão”.

A nossa amiga e protetora, Sra.Rosa Negra, possui um entendimento mais maquiavélico em relação a esses assuntos, e acredita que algum acontecimento divino, possivelmente alguma catástrofe, poderia unir os povos, ou simplesmente zerar o que conhecemos como sociedade para que haja um novo início. Difícil afirmar que é uma falta de esperança, porém como as entidades na linha das Pombas Gira atuam na mesma faixa vibracional que nós, seus entendimentos e, principalmente, percepções são mais calcados na realidade dos fatos.

De uma forma mais tranquila ou de uma forma mais contundente, o que trazemos de ensinamento desse breve estudo é que as religiões como existem são um desserviço para o desenvolvimento espiritual das pessoas. Não temos como entender como algo ligeiramente perto da coerência associarmos guerras à religião e isso ser correto. Religião é uma instância política e as mudanças ocorrerão apenas quando os fiéis dessas religiões entenderem que há a necessidade de mudança, e assim realizarem.

Devemos transformar as atrocidades religiosas (sejam elas com morte ou “apenas” contra os conceitos de seu cerne) com atos de amor, porque é apenas o amor incondicional, sem esperar nada em troca, que será catalisador dessas mudanças. Temos que amar tudo aquilo que Deus nos concedeu, sem querer separar o entendimento de que o “nosso” Deus é melhor que o Deus “deles”. Tudo é Sagrado e devemos comungar com a Luz Divina todos os dias, de uma forma natural, sem a necessidade de dogmas políticos-religiosos.

Finalizamos este estudo com as contribuições especiais de algumas entidades que, em momentos distintos, falaram sobre a importância do Amor: “Caros irmãos, observem os insetos que voejam em volta das lâmpadas de suas casas. Tudo é atraído para a luz! As plantas, elas também buscam os raios do sol. Elas sempre serviram para encontrar a sua face dourada. Observem os homens! Vejam como os que vivem ao sol são positivos, alegres e cheios de energia! Observem novamente os homens! Notem como os que vivem sob luzes espirituais, sob a bênção do trabalho honesto, sob a paz de um lar harmônico, como trazem rostos suaves, expressões sadias e uma aura de paz. Por que a inveja? Por que a irritação? Por que a angústia, se Deus é um infinito manancial de bênçãos? Por que a miséria moral se toda a natureza clama a perfeição e a plenitude divinas? Sejam paz, amor e simpatia, mesmo que com o coração ulcerado pela dor ou pelo remorso. Assim, cairá sobre vocês grande quantidade de eflúvios regenerativos. Amigos surgirão, bem como novas oportunidades, sorrisos sinceros e gratidão do fundo d’alma. Nada vale a lágrima de tristeza, o sorriso não expresso ou a falta de candura na voz. Tudo vale um aperto de mão, um abraço verdadeiro, o desejar bem. Quando estiverem acostumados a assim proceder, enxergarão, surpresos, em torno de si mesmos, que não encontrarão mais angústias, esgares de dor ou o medo paralisante. O Amor é o lubrificante para todas as engrenagens enferrujadas da vida. É o remédio para todas as doenças.

O Amor é o agente agregante das infinitas partículas que formam o universo manifestado. É a força que atrai o elétron ao núcleo atômico, tanto quanto mantém os planetas ao redor dos múltiplos sóis que flutuam no cosmos. Sustenta o inseto ínfimo, como também alimenta o Anjo protetor. É o combustível que move os seres elementais em seu silencioso trabalho e é a potência que flui através dos arcanjos siderais. O Amor é a centelha divina que dorme nas pedras, sonha nos vegetais, se exercita nos animais e desabrocha no homem. Cabe a cada um de vocês usar o dom do Amor com abundância. Dar e receber! Dar de graça o que sempre de graça receberam! Fluir no grande rio da evolução através do Amor, porque mesmo que prefiram caminhar por entre espinheiros, volta e meia dar-se-ão com a face augusta do Amor. Então, toda máscara cairá por terra. Toda ilusão esvanecer-se-á. Só restará a essência que a tudo anima: o Amor Divino”. - Entidade de Luz conhecida por Glória, em texto psicografado (médium anônimo) em junho de 1996. “O Amor Divino se reflete na Terra de múltiplas formas. É desde o fruto que alimenta até o amor maternal. É desde a água que dessedenta até o braço paterno que ampara. É a palavra que consola e o grito de alerta. Está nas flores e suas essências, nos pastos que alimentam os animais, no solo que sustenta a vida vegetal. Habita nos rios e mares que são espelho para a luz do sol e em vós, seres humanos, que são cálices deste mesmo Amor. Sustentem-no em vós e distribuam-no a tudo que está a vossa volta. Não economizem no amor que possam dar, pois, na Matemática Divina, quanto mais se divide o amor com o semelhante, mais ele se multiplica.

Cantem como os pássaros, que voam livres sob o fundo azul do céu. Sejam livres como os pássaros na escolha de seus caminhos, mas não guardem em vossos peitos o tesouro dado pelo Pai. ‘Dai de graça o que de graça recebestes’. E com o tempo, o Amor Divino doado a vós, e transformado por vós em amor humano limitado, tornar-se-á novamente a luz pura original. Que a Paz do Senhor esteja convosco para todo o sempre”. Entidade de Luz João, em texto psicografado (médium anônimo) em março de 1996.

O amor, fiozinho, é a única força capaz de mudar o mundo pra melhor” - Pai Tonico de Aruanda.

Agradecemos às Entidades de Luz que prestigiaram este estudo. 
Que Deus as abençoem.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Estudo Sobre a Esquerda - Parte 4


OS ORIXÁS E A ESQUERDA NA UMBANDA

Toda linha de trabalho na Umbanda é regida por um Orixá, o que quer dizer que a força que aquele Orixá representa está presente na atuação dos Guias. Iansã rege a linha dos Boiadeiros; Iemanjá rege a linha dos Marinheiros; Oxóssi rege a linha dos Caboclos, e assim por diante. Com os guias da Esquerda, a regência existe não apenas na linha em si, mas também de uma forma de afinidade energética com o local de atuação desses guias.

Ogum é o Orixá que rege a linha da Esquerda, então quer dizer que todo Exu e toda Pomba Gira seguem a retidão da Lei de Ogum, respondendo a ele por tudo que é feito. Essa regência é vista de forma bastante comum nas firmezas e assentamentos dos Guias, sendo quase que padrão a utilização das ervas de Ogum, por exemplo, em trabalhos da Esquerda. A presença de Ogum, no entanto, é muito mais forte na Esquerda do que outros Orixás com as demais linhas de trabalho, isso porque cabe a Ogum reger e irradiar sua força na camada (ou faixa vibracional) mais próxima à nossa, o que faz com que a presença deste Orixá seja ainda maior, portanto não existe espaço para falhas na atuação desses guias e com esses guias.

Cada Orixá é responsável pela regência de pelo menos uma falange de Exu ou Pomba Gira, além de Ogum (que rege a linha da Esquerda em si). Assim como acontece na linha dos Caboclos, pode existir uma falange de trabalho com vibração do mesmo Orixá (Ogum) que rege a linha da Esquerda, então temos uma falange de Ogum dentro da linha de Esquerda (que já é irradiada por este Orixá).

Toda linha de Esquerda possui uma atuação ampla, que é a promoção do equilíbrio através da execução do carma. Todas as linhas trabalham com desobsessão e saúde, porém existem algumas atuações específicas que estão diretamente ligadas à atuação do Orixá em específico que rege aquela determinada falange. Obaluaê/Omulu tem forte atuação em tudo que é inerente à saúde, então as falanges que atuam sob a regência deste Orixá terão Guias com maior facilidade para lidar com situações que envolvem problemas de saúde. Esse é apenas um exemplo. Vejamos a característica das linhas pela regência de cada Orixá:

Oxalá: atuam de forma muito forte com assuntos de desobsessão, em especial com kiumbas que tentam o encarnado para que desvie da Fé e da Espiritualidade. Sendo uma das falanges mais antigas na Umbanda, são grandes doutrinadores de seus médiuns. O primeiro Exu desta linha é o Exu Das Sete Encruzilhadas.

Xangô: são Exus que, como podemos imaginar, atuam com tudo que é relacionado à Justiça. A eles foi dada a possibilidade de atuar com a manipulação da energia de “elementos de ataque” (veremos posteriormente do que se tratam, mas posso resumir que são elementos consagrados pela Espiritualidade para agir de forma proativa em alguma situação específica), sendo consideradas as falanges que mais conseguem reverter assuntos pendentes de ordem judicial e também executar o carma para que a pessoa que atue de forma a causar o desequilíbrio da Justiça, seja severamente punido. O primeiro Exu a se manifestar nesta linha é Exu Gira Mundo.

Ogum: são Exus que atuam de uma forma cirúrgica em todo tipo de questão que seja referente a abertura de caminhos causado por desequilíbrio energético ou algum tipo de obsessão espiritual. Por estarem próximos a Ogum não apenas energeticamente, mas pela irradiação das falanges, são Exus com grande poder de proteção. O primeiro Exu a se manifestar nesta linha é Seu Tranca Ruas.

Oxossi: grandes manipuladores de energia para atuação em qualquer situação que envolva abertura de caminhos materiais (emprego, por exemplo). Também lhes cabe a possibilidade de doutrinar os médiuns pelo conhecimento. Dificilmente um Exu irradiado por Oxóssi se nega a compartilhar aquilo que sabe. O primeiro Exu a se manifestar nesta linha é Exu Marabô.

Obaluaê/Omulu: os Exus e Pomba Gira que atuam sob essa regência, são grandes manipuladores de energia para atuação em tudo que tange à saúde e doença. Os Guias dessa linha também possuem grande facilidade para desfazer trabalhos arriados em cemitério. O primeiro Exu a se manifestar nesta linha é Exu Caveira.

Iemanjá: as Pomba Gira que atuam sob a regência de Iemanjá possuem a capacidade dada pela Espiritualidade de atuar em questões do passado que impedem de alguma forma o início de novos ciclos. São entidades extrovertidas, porém quando precisam cobrar seriedade, o fazem de uma forma muito assertiva sendo até mesmo ríspidas. A primeira Pomba Gira a se manifestar nessa linha é Maria Padilha.

Oxum: as entidades de Esquerda irradiadas por Oxum são os Exu Mirins. Curiosidade atribuída a essas entidades, é que quem os doutrina é Exu Tiriri.

Iansã: os Exus e Pomba Gira que atuam sob a regência de Iansã, são entidades com atuação similar às irradiadas por Ogum, com forte atuação na manipulação de energia para quebra de demanda e proteção (inclusive de terreiros). São entidades que cobram lealdade de seus médiuns, não apenas firmeza de caráter (como todos os demais). O primeiro Exu a se manifestar nessa linha foi Exu Ventania.

Nanã: são entidades raras de serem encontradas. Possuem atuação forte em tudo que tange ao equilíbrio emocional de alguém (seja encarnado ou não). Atua de forma bastante assertiva no doutrinamento de kiumbas. Via de regra são guias mais sérios e tem como padrão (logicamente sempre existindo as exceções) incorporarem inicialmente de forma arcada (ou até mesmo no chão) e em algumas vezes atendem sentados. O primeiro guia a se manifestar nesta linha foi Exu do Lodo.

sábado, 6 de outubro de 2018

Diálogo com os Espíritos

Vamos dar uma pausa rápida nos estudos sobre a Esquerda para falar sobre o que? Sobre Exu rsrsrs... aliás, deixemos que o próprio Guia fale.

Segue abaixo vídeo do diálogo Nº601, feito pelo amigo e grande nome da Umbanda, Jefferson Viscardi, que está a frente de um do maiores projetos de estudo da Espiritualidade que temos conhecimento. O Diálogo com os Espíritos é um projeto onde Guias Espirituais, incorporados em médiuns experientes, Brasil afora, são "entrevistados" e através disso passam suas mensagens para que nós possamos interpretá-las e, com isso, evoluir. Prestigiem o DcE... é realmente muito bom.

O vídeo abaixo é com o Guia Exi Tranca Ruas da Encruzilhada:




sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Estudos Sobre a Esquerda - Parte 3


MAGIA NEGRA

Há muito tempo o uso da magia negra em algumas vertentes da Umbanda é associado aos Exus e Pomba Gira, causando uma das maiores controvérsias existentes em nossa religião: as entidades da Esquerda obedecem a Deus e aos Orixás? Se a resposta for sim, então como justificar que eles trabalham com o uso de magia que prejudique as pessoas de alguma forma?

É sempre bom lembrar e frisar que o mesmo Livre Arbítrio que nós temos, todos os guias também possuem. Não existe nenhuma forma de forçar que um guia aja desta ou daquela forma, senão pela sua própria vontade em fazê-lo. Existem Exus que utilizaram de seu conhecimento para prejudicar alguém? Sim, existe. Isso é comum? Não, de forma alguma. Não há uma estudo percentual sobre isso, mas a avassaladora maioria de todos os guias dificilmente caem em tal tentação, ao ponto de interromperem o bom cumprimento de seu carma e sua natural evolução.

O uso do que chamam de Magia Negra (ou Goécia) é comum, mas não tem relação necessariamente com maldade. Esse termo foi condicionado à uma suposta maldade, ou algo diabólico, pela Igreja Católica. Magia Negra nada mais é do que o uso do conhecimento de manipulação de energia que podemos aprender, manifestando nossas vontades mais pessoais, nosso lado obscuro (por isso o termo “negra”). Quando um Preto Velho dá um passe em um assistido, e consegue causar uma leveza ou algo parecido, ele nada mais está fazendo do que magia (manipulando energias), porém ele não precisa recorrer a qualquer tipo de lado obscuro para isso. Via de regra o Preto Velho utiliza seus conhecimentos de magia para realinhar as energias do assistido, pois junto com os conselhos, é esta parte de sua missão. Um Exu quando recebe um pedido para ajudar em alguma situação mais pontual, que envolve algumas vezes outros espíritos desencarnados que atuam para as trevas ou que manipularam a energia da pessoa a tal ponto que um simples passe pouco resolve, tem que utilizar de todo o conhecimento que possui para desfazer algo de ruim que foi feito, incluindo acessar todo tipo de Magia Negra que tenha conhecimento, não para prejudicar alguém, mas para combater “fogo com fogo”.

MORAL E ÉTICA DA ESQUERDA

Antes de qualquer coisa, precisamos entender de forma sucinta, mas assertiva, a diferença entre Ética e Moral. Ética tem relação ao conjunto de regras de uma sociedade sendo, basicamente, as leis de um lugar (uma cidade, um país, uma associação, um grupo de pessoas, etc). Moral tem relação ao conjunto de regras pessoais de cada indivíduo, não necessariamente compartilhando o que uma Lei, por exemplo, determina. Moral indica o crescimento pessoal do indivíduo.

A Umbanda possui uma série de códigos os quais temos conhecimento de uma pequena parte (a que nos cabe e a que conseguimos entender e praticar). Esses códigos fazem parte da Ética de Umbanda e todos os trabalhadores espirituais devem segui-los. Não seguir essas Leis, seriam utilizar seu Livre Arbítrio (é sempre bom reforçar que os Guias também têm o Livre Arbítrio), porém essa tomada de decisão pode impactar diretamente seu trabalho na Umbanda e, especialmente, seu crescimento enquanto indivíduo.
Sempre que agimos de forma antiética, sofremos cedo ou tarde as consequências de nossos atos. Se cometemos um crime, a tendência natural é que sejamos presos e condenados mediante o que diz a lei local. Quando um Guia fere as regras impostas para seu trabalho, ele receberá as consequências que a Espiritualidade entender ser a melhor para que, além de pagar pelo que fez, consiga refletir de forma a evitar novos erros. Dito isso, vale sempre a pena frisar que essa situação é bastante pontual, sendo raros seus relatos.

Tudo que qualquer Guia que trabalha na Umbanda faz, é com a permissão Divina. Quem faz o que quer sem questionar, pelo fato de ter atingido o ápice do que chegamos perto de um vislumbre de entendimento moral e ético, é Deus e apenas Ele. Só por isso, o argumento de que Exu não tem moral e faz o que quer, já vai por água abaixo. Exu tem moral, sim, e segue regras impostas a ele, sim. Pensar diferente disso é ir contra os fundamentos de nossa religião. O que acontece, porém, é que Exu e Pomba Gira são trabalhadores que aceitam todo pedido que lhes são feitos. Se o pedido é prudente e se enquadra no que entendem como o correto a ser realizado, eles os fazem com a permissão Divina. Se for algo que não deve ser feito, eles não interferem de forma alguma e, se algum espírito menos desenvolvido quiser fazer aquele ato que é errado, assim será. O uso do Libre Arbítrio é amplo e irrestrito e ao Guia da Esquerda não cabe questionar, apenas deixar que aconteça e lá na frente, se a ele for dada essa incumbência, fará com que quem fez o pedido “errado” pague pelo seu erro, gerando o equilíbrio que tanto falamos.
Vejamos um exemplo:

João vai a um terreiro e conversa com um Exu pedindo que ele intervenha em determinada situação. O Exu naquele momento não sabe o que está acontecendo, se é certo ou errado, e diz que vai trabalhar naquilo. Ao voltar ao Plano Espiritual, ele percebe que o pedido está errado por ferir algum princípio ético. Ele decide não fazer nada, mas um espírito de baixa vibração, com pouco desenvolvimento decida fazer aquilo que foi pedido e é errado. Como é algo errado, pode dar certo no começo, mas com o tempo a situação específica deixa de existir. Quando isso acontece, o Exu que se negou a fazer procura o encarnado que fez aquele pedido e, de alguma forma, faz com que ele colha aquilo que plantou (ou seja, terá uma consequência ruim pelo seu pedido errado). Neste momento cabe uma reflexão de quem pediu e, sendo o caso, evoluir.

Ou seja, todos os envolvidos utilizaram o seu Libre Arbítrio. O assistido decidiu ir a um terreiro e decidiu fazer um pedido. O Exu decidiu trabalhar nesse pedido e, vendo que não era o certo, decidiu não fazer nada. Um kiumba decidiu realizar o que o Exu não quis. Depois de um tempo o Exu decidiu o que faria com o assistido. No final do ciclo, o assistido reflete e decide o que fará dali em diante.

Vejam que não se trata de não ter moral ou ética (muito pelo contrário), mas garantir que o Livre Arbítrio exista e que, através de suas consequências, haja Equilíbrio em toda existência, que é a grande função de Exu e Pomba Gira.