Olá irmãos em Oxalá. Quando iniciei esse blog, minha ideia era falar um pouco sobre os Orixás e sobre as linhas de trabalho da Umbanda em si (Caboclos, Pretos Velhos, Boiadeiros, etc), mas recentemente algumas pessoas me procuraram pedindo para falar sobre alguns guias em específico. Eu nunca gostei da ideia de saber história de guia, porque acho que o trabalho da entidade em si, após doutrinado para trabalhar na Umbanda, é muito mais importante que sua história enquanto encarnado, mas querendo ou não acabei escutando os guias falarem. Eu peguei essas histórias e juntei com a forma de trabalho dos guias e iniciei esse pequeno estudo, para que possamos conhecer não apenas a história desses guias enquanto encarnados (a maior parte dessas histórias remetem ao falangeiro) mas sua forma de atuação específica e algumas curiosidades.
Para começar, pensei em falar sobre Pai Joaquim de Angola ou talvez do Cacique Tibiriçá. Baiano Zé do Coco foi uma das minhas opções pelo amor e respeito que tenho por ele, mas achei que seria bom começar com aquele que é um ícone dentro da religião e, até mesmo quem não gira na Umbanda conhece seu nome: Tranca Ruas!
Logo após a Umbanda ser anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas através da mediunidade de Zélio Fernandino, em 1908, surgiu a primeira manifestação de um guia espiritual com atuação na Esquerda. Apesar de não se denominar como Exu, Orixá Malê, que se apresentava como Caboclo, era na verdade um trabalhador da Esquerda que, para evitar maiores preconceitos na época, não mostrava a qual linha pertencia de verdade.
Portanto, ao contrário do que muitas pessoas falam, Exu trabalha na Umbanda desde seu anúncio. No início, porém, o culto aos Exus era bastante diferente de como vemos hoje. Os trabalhos eram feitos basicamente para desobsessão, e os rituais muito simples. Exu sequer usava velas e as poucas tronqueiras existentes nos terreiros eram altares de devoção a Santo Antônio, com paredes brancas e muitas flores. O culto aos Exus realente era similar aos Caboclos. Lá pela década 1930 as primeiras linhas de Exu começaram a se manifestar, sendo que algumas delas sequer trabalham hoje. Seu Sete Encruzilhadas era o mais comum nos terreiros, pois atuava sob a regência de Oxalá e, me desculpem o termo, "assustava menos". Era um guia calmo e acolhedor.
Tínhamos a incorporação de Sete Encruzilhadas na linha de Oxalá, Exu Marabô na linha de Oxossi, Gira Mundo na linha de Xangô, Exu Caveira na linha de Obaluaiê, Exu do Lodo na linha de nanã, mas não existia nenhum guia que atuava na linha de Ogum que, já naquela época, era sabido que "comandava" a linha de todos os Exus. Na década de 1940, porém, de forma massificada (vários terreiros espalhados pelo Brasil todo de uma só vez) surgiu o primeiro Exu que atuava sob a regência de Ogum e, de forma bastante escancarada, trazia aos terreiros o trabalho de manipulação de Magia. Esta linha se denominava Tranca Ruas.
A apresentação de Tranca Ruas é um verdadeiro marco na história da Umbanda, pois chamou a atenção para seus trabalhos realmente incomuns na época, o que fazia com que os médiuns tivessem que estudar para aprender aquilo que estava sendo realizado. E esses rituais, que eram diversos, surgiam por Tranca Ruas, mas com a autorização do Plano Espiritual para tal. A vinda de Tranca Ruas e sua forma de trabalhar indicava que os médiuns estariam (ou deveriam estar) preparados para realizar trabalhos mais pesados, além das desobsessões já comuns à época. Foi com Tranca Ruas que o elemento fogo passou a ser utilizado durante os atendimentos aos assistidos e um ritual bastante utilizado até hoje foi criado, que é a Roda de Fogo. Sabe aquele assistido que precisa de um descarrego mais forte, e é colocado no meio de uma roda cercada de pólvora (fundanga)? Então, foi Tranca Ruas que nos apresentou esta prática, FUNDAMENTADA dentro da Lei Maior.
Por trabalhar sob a regência de Ogum, Tranca Ruas é conhecido como Senhor dos Caminhos e por isso quando ele surgiu também veio a informação de que o ponto de energia dos Exus é a encruzilhada. Tendo esse novo conhecimento, as oferendas feitas aos Exus passaram a ser realizadas nas encruzilhadas, por orientação de Tranca Ruas. É justamente por este motivo que vários médiuns ainda hoje quando arriam algum trabalho em Encruzilhada, fazem 3 firmezas: uma para o Exu que receberá a energia da oferenda; outra para o que chamamos de "dono da encruza", que é o Exu responsável para garantir que a entrega que for firmada com segurança não seja atacada por kiumbas; e Tranca Ruas, por ser ele quem apresentou a encruzilhada como ponto de força na Umbanda.
Mesmo sendo regido por Ogum, cada Tranca Ruas tem um campo de atuação específico. Na maioria das vezes essa designação sequer é conhecido pelo médium, mas quando acontece conseguimos identificar qual é sua especialidade, por assim dizer: Tranca Rua das Almas, por exemplo, atua na ordem (Ogum) com atuação no trono da Evolução (almas = Obaluaiê, que rege a evolução do ser). Tranca Rua das Almas, portanto, é um Exu de Lei que tem como foco direcionar a pessoa para a sua evolução (reforma íntima), seja qual for o meio que precise utilizar para conseguir.
A Umbanda sempre foi perseguida pela Igreja Católica e pelos evangélicos. Apesar de hoje estar mais abrandada essa fúria, há algumas décadas o preconceito era tamanho que os umbandistas eram associados ao demônio. Quando Tranca Ruas surge trazendo rituais de Magia dentro da religião, aí foi o prato cheio para os preconceituosos se inflamarem ainda mais. Foi justamente por conta disso que as imagens dos Exus deformados (sem pés, vermelhos, alguns nus, com chifres, etc) se tornaram comuns. Tranca Ruas, mesmo fazendo um lindo trabalho sob a Lei de Ogum e com a autorização de nosso Pai Maior, passou a ser considerado pelos religiosos de outras denominações, como a personificação do mal que a Umbanda causaria. Esta afronta ao trabalho maravilhosos de Tranca Ruas e de todos os Exus é tão grande, que infelizmente é comum mistificadores nas igrejas evangélicas utilizarem o nome "Tranca Ruas" como referência a espíritos demoníacos.
A importância de Tranca Ruas é tão importante na Umbanda que, ainda hoje, todo e qualquer terreiro de Umbanda possui alguma entidade designada pela Espiritualidade, atuante na falange de Tranca Ruas. Pode ser que ele nunca se manifeste incorporado em algum médium (e dificilmente esse Exu responsável pelo terreiro incorpora), mas sua energia está presente, especialmente nos terreiros que possuem a prática da Roda de Fogo, ou da queima da fundanga (seja qual for o nome dado no terreiro). Desta forma, é prudente e respeitoso sempre saudarmos a força de Tranca Ruas, independente de conhecermos ou não aquele guia em específico.
Para terminar, uma curiosidade sobre esta linda linha é que, diferente de outros falangeiros, que se apresentam como antigos poderosos que precisam evoluir (quem aqui não conhece a história do Exu da Meia Noite, antigo barão do café de Santos, passe a conhecer porque é linda), Tranca Ruas é a força do homem simples, do homem do povo, daquele que andava entre os pobres e comuns quando encarnado, e é isso que me deixa mais maravilhado dentro da nossa religião. A humildade do Preto Velho e do Caboclo se mantém com Tranca Ruas, que é o protetor de todos na Umbanda.
Agora vamos falar como agradar Tranca Ruas? Então vamos lá.
Antes de tudo é bom lembrar que um ritual de firmeza para qualquer guia (de Exu a Preto Velho) deve ser feito com muita seriedade, com total dedicação da pessoa (não fazer nada por fazer, de forma automática) e principalmente com as devidas proteções. Portanto os rituais abaixo são direcionados para pessoas com certa experiência. Se o leitor que está vendo isso quiser agradar Exu Tranca Ruas mas não tiver certo se está apto, peça ajuda ao terreiro que você frequenta e confia. Certamente o Pai ou Mãe de Santo te ajudará de coração. Bom, vamos lá:
FIRMEZA DE TRANCA RUAS (este ritual serva para qualquer tipo de agradecimento ou pedido de comunhão com Tranca Ruas)
1 Alguidar médio
Farinha amarela (milho)
7 pimentas vermelhas
Dendê
Cachaça
1 Charuto
1 vela vermelha
1 vela preta
1 vela branca
Firme a vela branca próximo ao local onde será feito a manipulação dos ingredientes, dedicando aquela vela a Tranca Ruas.
Fazer o padê misturando a farinha com metade da cachaça + dendê (o suficiente para que a farofa fique bastante úmida). Essa mistura deve ser feita com as mãos, preferencialmente sem o auxílio de nenhum outro objeto. Isso é necessário para que a sua energia seja transmitida ao padê e desta forma haja uma maior sintonia entre você e a oferenda. Neste momento a pessoa deve firmar seu pensamento a Tranca Ruas, agradecendo a possibilidade de estar comungando com ele e, principalmente, agradecendo sua proteção.
Coloque o padê no alguidar (eu disse o médio para poder acomodar bem os ingredientes, mas pode ser do grande também).
Enfeitar o alguidar com as sete pimentas, pedindo que Seu Tranca Ruas, que atua sob autorização de Ogum possa te dar caminho.
Na hora de entregar o padê (ou arriar a entrega, como dizemos na Umbanda), coloque cachaça em um copo (pode ser pequeno), dedicando aquele elemento a Tranca Ruas, pedindo que ele te limpe na condução dos caminhos abertos. Esse copo deverá ficar ao lado do alguidar.
Firme as velas (preta e a vermelha) consagrando a Tranca Ruas.
Regue o padê com mais um pouco de dendê.
Acenda o charuto e bafore 7 vezes sobre o padê, pedindo proteção. Após isso, coloque em frente ao alguidar ou, respeitosamente, sob o padê.
Faça um círculo em torno do padê arriado com o que restar da cachaça, pedindo que aquele elemento volátil (álcool) possa impedir que eguns se aproximem daquela entrega.
Pronto, sendo feito de coração e com firmeza, sua entrega foi bem sucedida e você entrará em comunhão com Tranca Ruas.
Você pode despachar os itens utilizadas (menos o alguidar, que pode e deve ser reutilizado) em mata, água corrente ou na estrada. Os itens não perecíveis (resto de velas) DEVEM ser descartados de forma a preservar o meio ambiente, portanto sob hipótese alguma na natureza.
Axé irmãos
Laroyê Exu Tranca Ruas
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Assédio nos Terreiros
Boa tarde irmãos em Oxalá. Recentemente falamos sobre alguns casos polêmicos relacionados a "santidade" dentro dos terreiros e afins, inclusive citando o caso de João e Deus e suas inúmeras acusações de assédio. A pedido de alguns conhecidos, resolvemos falar especificamente sobre casos que ocorrem dentro de algumas RARAS casas (sempre bom lembrar que é a exceção, não a regra), que envolvem o assédio a assistidos ou até mesmo trabalhadores, feito por médiuns da corrente.
Como identificar isso e, principalmente, o que fazer em relação a essas situações? Vamos tentar ajudar a esclarecer um pouco:
Já comentei certa vez um caso ocorrido na cidade de Itupeva (interior de São Paulo), onde um pai de santo foi acusado de assediar sexualmente uma assistida menor de idade. Vou citar este caso pois a justiça já determinou sua culpa, então não correrei no erro de ser injusto. O tal pai de santo se dizia receber um Exu Tranca Ruas (sim, ele usou o nome do Seu Tranca!!!) e um Boiadeiro e, com esses supostos guias, realizava trabalhos de desobsessão com a Assistência, sendo que em alguns casos esse trabalho era realizado em um quarto fechado, apenas o médium e o assistido.
Uma menos de idade (16 anos na época) foi "tratada" pelo médium que a convenceu de que para que ele fosse curada dos obsessores que estavam com ela, teria que fazer sexo com o Exu. Fato é que ela manteve relação sexual com o médium (que fingia estar incorporado com Exu e Boiadeiro) através de constrangimento e fraude (é o termo jurídico pra aquela palavrão que todos conhecemos) e acabou engravidando. Não vou entrar no mérito se era óbvio que aquilo era uma grande marmotagem do médium, pelo simples fato da pessoa ser menor de idade e não ter conhecimento sobre os procedimentos ritualísticos. E, irmãos e irmãs, a culpa NUNCA será de quem é violentado, mas de quem violenta, e isso pra mim é bastante claro.
Existem outros casos em que o médium tem tal nível de animismo que cruza a tênue linha existente e acaba mistificando, fazendo uma "consulta" com entidade (geralmente escolhem Exu ou Pomba Gira) na qual as vontades pessoais do médium se sobressaem. Tivemos relatos de pessoas que se sentiram incomodadas com o atendimento de um determinado Guia e resolvemos estudar a fundo o que aconteceu. Fizemos isso não com uma, mas com pelo menos uma dúzia de casos e conseguimos identificar um padrão de comportamento desses médiuns que envergonham nossa religião. Fiquem atentos ao esses padrões (são INDÍCIOS, ok, não PROVA de nada, portanto não julguem o médium antes de ir para o segundo passo que mostraremos aqui):
Esses são alguns exemplos pontuais de situações que ocorrem e todo mundo deve ficar bastante atento, e quando digo todo mundo, é TODO MUNDO... de assistência até Pai ou Mãe de Santo, afinal de contas o errado é errado quando temos conhecimento dos fatos e não fazer nada nos torna cúmplices (e isso é um conceito jurídico, não achismo pessoal).
Mas vamos lá... surge uma situação dessas. O que devemos fazer?
Lembrem-se que 2019 é o ano de Ogum, então quem sabe quem é Ogum e vira as costas para as situações erradas, está virando as costas para Aquele que aplica a Lei de Deus.
Por uma Umbanda mais consciente e por uma sociedade melhor, espero que possamos acabar com esse tipo de situação.
Axé.
Ogunhê!
Como identificar isso e, principalmente, o que fazer em relação a essas situações? Vamos tentar ajudar a esclarecer um pouco:
Já comentei certa vez um caso ocorrido na cidade de Itupeva (interior de São Paulo), onde um pai de santo foi acusado de assediar sexualmente uma assistida menor de idade. Vou citar este caso pois a justiça já determinou sua culpa, então não correrei no erro de ser injusto. O tal pai de santo se dizia receber um Exu Tranca Ruas (sim, ele usou o nome do Seu Tranca!!!) e um Boiadeiro e, com esses supostos guias, realizava trabalhos de desobsessão com a Assistência, sendo que em alguns casos esse trabalho era realizado em um quarto fechado, apenas o médium e o assistido.
Uma menos de idade (16 anos na época) foi "tratada" pelo médium que a convenceu de que para que ele fosse curada dos obsessores que estavam com ela, teria que fazer sexo com o Exu. Fato é que ela manteve relação sexual com o médium (que fingia estar incorporado com Exu e Boiadeiro) através de constrangimento e fraude (é o termo jurídico pra aquela palavrão que todos conhecemos) e acabou engravidando. Não vou entrar no mérito se era óbvio que aquilo era uma grande marmotagem do médium, pelo simples fato da pessoa ser menor de idade e não ter conhecimento sobre os procedimentos ritualísticos. E, irmãos e irmãs, a culpa NUNCA será de quem é violentado, mas de quem violenta, e isso pra mim é bastante claro.
Existem outros casos em que o médium tem tal nível de animismo que cruza a tênue linha existente e acaba mistificando, fazendo uma "consulta" com entidade (geralmente escolhem Exu ou Pomba Gira) na qual as vontades pessoais do médium se sobressaem. Tivemos relatos de pessoas que se sentiram incomodadas com o atendimento de um determinado Guia e resolvemos estudar a fundo o que aconteceu. Fizemos isso não com uma, mas com pelo menos uma dúzia de casos e conseguimos identificar um padrão de comportamento desses médiuns que envergonham nossa religião. Fiquem atentos ao esses padrões (são INDÍCIOS, ok, não PROVA de nada, portanto não julguem o médium antes de ir para o segundo passo que mostraremos aqui):
- Médium que atende exclusivamente com Exu, ou que em todo "trabalho fechado" traz Exu ou Pomba Gira para tratar o assistido;
- Médium bebe mais do que o normal (já sabemos que o Guia precisa de uma quantidade pequena de álcool para trabalhar, portanto quando um guia exagera, deixa de estar ali e a mente do médium se vê presente, inclusive atraindo obsessores);
- Os passes feito pelos Guias geram muitos toques nos assistidos (principalmente quando é um médium homem atendendo mulher ou vice-versa). Os chapéus e demais objetos dos guias servem para evitar que haja um excesso de toque;
- O "guia" fala muito sobre a vida sexual do assistido, mesmo sem que ele ele (o/a assistido/a) tenha sequer aventado aquele assunto. Se nós, meros mortais, temos o mínimo de noção para não fazer esse tipo de comentário, qualquer outra linha de trabalho da Umbanda tem MUITO MAIS noção do que nós, então se fala bobagem não é Guia, é médium;
- Atendimento feito em local fechado NÃO EXISTE!!! Umbanda não é uma religião com rituais desconhecidos, completamente obscuros ao ponto de precisar que seja feito sem que ninguém veja. Todo ritual deve ser acompanhado pelo menos por 2 outros trabalhadores da casa (além do médium que atenderá com o Guia incorporado), preferencialmente de gêneros distintos, e que não seja amigos pessoais do médium que fará o atendimento;
- Quando um guia destaca os atributos físicos de forma corriqueira dos assistidos e/ou trabalhadores, é um indício de que o animismo está mais forte e é o médium que dita as palavras, não necessariamente a força presente. Uma pomba Gira incorporada em um médium homem não precisa chamar de "gostosa" ou "peituda" alguém, ao ponto de constranger essa pessoa. Um Exu incorporado em médium mulher não precisa chamar um assistido homem de gostoso ou algo parecido. Novamente digo: se temos a noção de respeito ao próximo, a Espiritualidade tem ainda mais.
- Quando um guia fala mal do cônjuge ou namorado(a) de quem está atendendo, especialmente em relação à vida sexual dele ("sua esposa é frígida" ou "seu marido é impotente" - sim, aconteceu isso) então aí é mais provável ainda que esteja ocorrendo uma grande mistificação, o que é inaceitável na Umbanda.
Esses são alguns exemplos pontuais de situações que ocorrem e todo mundo deve ficar bastante atento, e quando digo todo mundo, é TODO MUNDO... de assistência até Pai ou Mãe de Santo, afinal de contas o errado é errado quando temos conhecimento dos fatos e não fazer nada nos torna cúmplices (e isso é um conceito jurídico, não achismo pessoal).
Mas vamos lá... surge uma situação dessas. O que devemos fazer?
- A primeira coisa a ser feita é conversar com o dirigente do Terreiro. Muitas vezes quem toma aquela atitude é um médium da corrente, não necessariamente fazendo parte do que chamamos de "Linha de Frente". Se a explicação for MUITO convincente, mas muito mesmo, daquelas que não deixa nenhum tipo de dúvida, então EXIJA que o(a) dirigente fale com o(a) médium arrolado para que preste esclarecimento. Se mesmo assim a explicação não convencer ou não exista essa conversa, o assistido deve procurar uma Delegacia de Polícia para realizar abertura de Boletim de Ocorrência;
- Se a explicação não for nada razoável, então o assistido deverá procurar a Delegacia de Polícia imediatamente. Vale lembrar que mesmo sendo uma instituição religiosa, não estamos de qualquer forma acima da Lei do homem e todos os atos errados devem ser investigados e punidos de acordo;
- Reparem que no item acima eu disse "investigado", então o fato será INVESTIGADO pelo Ministério Público Estadual que, baseado em investigações e evidências, decidirá se abre processo contra os responsáveis ou não. Então sabia que o responsável por qualquer consequência NÃO É VOCÊ e você NÃO SOFRERÁ MAL ALGUM DA ESPIRITUALIDADE. Exu não vai te derrubar porque você denunciou uma prática errada do médium, muito pelo contrário.
- Denuncie nos órgãos federativos que ajudam na regulamentação dos terreiros. Apesar dessas federações serem mais ausentes do que deveriam, quando são acionadas em relação a esse tipo de situação, acabam se envolvendo mais.
- Associação Brasileira de Religiosos de Umbanda, Candomblé e Jurema - ABRATU - www.abratu.com.br (11 3895-1778 / 11 94779-0822 WhatsApp).
- Federação Brasileira de Umbanda - FBU - www.fbu.com.br (21 2289-3399 / 21 2593-9156 - fbu@fbu.com.br).
- Federação de Umbanda do Brasil - FUB - www.fub.org.br (11 2722-4534 / 11 2253-9377 - info@fub.org.br)
- Ministério Público - LINK PARA DENÚNCIA.
Lembrem-se que 2019 é o ano de Ogum, então quem sabe quem é Ogum e vira as costas para as situações erradas, está virando as costas para Aquele que aplica a Lei de Deus.
Por uma Umbanda mais consciente e por uma sociedade melhor, espero que possamos acabar com esse tipo de situação.
Axé.
Ogunhê!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Búzios NÃO determina Orixá de ninguém
Se tem uma pergunta que a maioria dos umbandistas se faz quando inicia na religião é "quem é meu Orixá?". O questionamento é bastante normal por diversos motivos, desde uma mera curiosidade até mesmo em questões mais importantes, como saber a forma de cuidar de um Orixá por exemplo.
Quando iniciei na religião não era tão comum as pessoas terem esse interesse. Exceção feita aos dirigentes dos terreiros que precisavam, sim, saber quais orixás regiam suas coroas, os demais filhos de santo raramente sabiam. O que existe hoje mais latente em vários terreiros, que é o culto aos Tronos da Umbanda, já existia de forma prática. Por exemplo, se um umbandista precisava de uma auxílio inerente a justiça, ele recorria a Xangô. Se fosse algo inerente a lei, era a Ogum que ele solicitava ajuda. A relação entre médium e orixás era algo bastante leve, sem a obrigatoriedade de fazer isso ou aquilo ou agir desta ou daquela forma porque a coroa da pessoa respondia a determinado Orixá.
Com o passar do tempos, Umbanda e Candomblé se aproximaram mais e o culto aos orixás, que é algo muito importante dentro de toda liturgia candomblecista, passou a ficar mais enraizado nos terreiros de Umbanda. Assim os umbandistas passaram a focar mais nos Orixás que regem suas coroas. Como essa aproximação com nossos irmãos do Candomblé que gerou essa vontade, muitos umbandistas recorreram ao oráculo divinatório utilizado pelos babalorixás: jogo de búzios.
Eu respeito quem utiliza os búzios para descobrir seus orixás (eu mesmo joguei umas 3 vezes só pra confirmar que sou filho de Oxóssi), mas precisamos entender que são práticas completamente distintas e pode acontecer o que chamamos de ruído nas informações. Esse ruído ocorre porque a pessoa que joga os búzios está toda fundamentada no Candomblé (como tem que ser), mas a ela é solicitado verificar a coroa espiritual de alguém que está professando sua fé em outra religião, então se a pessoa que joga não for muito bem firme em verificar que se trata de um atendimento para um umbandista, a jogada não tem qualquer valia.
Eu já presenciei inúmeros casos (vários mesmo) que foi feita uma jogada de búzios com a mão no Candomblé para que pudesse ser descoberto o orixá de um umbandista. Um dos casos que gosto de citar é de um antigo conhecido que após sua tirada de búzios, descobriu que sua coroa era regida por Oxumaré. No terreiro que esse amigo trabalhava não existia culto a Oxumaré simplesmente pelo fato de não ser um Orixá cultuado na Umbanda (Oxumaré dá suporte no Trono do Amor à Oxum). Ele ficou sem saber como cuidar daquele orixá que o acompanharia para o resto da vida. Buscava vários terreiros, mas nenhum cultuava Oxumaré. Ele só conseguiu acalmar o coração quando fez o que deveria ter feito desde o começo: confiar nos guias chefes do terreiro que trabalhava e, acima de tudo, confiar no que os guias que trabalhavam com ele diziam. No final das contas ele era filho de Oxóssi, não de Oxumaré.
Se uma simples curiosidade causou um desequilíbrio em uma pessoa que tinha relativo conhecimento, imaginem o que não poderia acontecer em alguém que acreditasse cegamente no que os búzios falam? Não podendo cultuar um Orixá que não é firmado na Umbanda, a pessoa pode se afastar da religião ou, pior ainda, cultuar o que não conhece de uma forma irresponsável, mexendo com energias que certamente não consegue lidar.
Algumas pessoas me perguntam o porque no jogo de búzios sai uma informação errada. Na verdade, não existe resposta errada, o que existe são perguntas erradas. No exemplo que eu citei acima, se esse amigo algum dia se afastar da Umbanda e for aceito no Candomblé, então sua coroa será de Oxumaré. Esse que é o grande problema da situação: ver a coroa de uma pessoa em uma religião enquanto ela pratica outra.
Outra questão que preciso esclarecer é que não existe esse negócio de "definir Orixá nos búzios". Quando alguém encarna e decide ser umbandista, a sua coroa já está definida e não há búzios ou qualquer outro tipo de oráculo que vai mudar isso. Tanto no Candomblé quanto na Umbanda, o jogo de búzios apenas informa aquilo que já está consagrado pela Espiritualidade.
Um umbandista não precisa recorrer aos nosso irmãos do Candomblé para saber qual é o exu que vai trabalhar com ele. Há algo mais bonito do que deixar que o Guia se manifeste e através disso converse com o médium e se apresente para começarem a trabalhar? Agora imagine só se uma pessoa tem o acompanhando a força de Exú Marabô, por exemplo, mas no jogo de búzios apareceu que é Exu Tiriri. O médium estará completamente induzido a trabalhar com uma força achando que é outra, o que não é algo interessante para acontecer, porque podem ser linhas completamente distintas.
Eu acho que muito umbandista tem o famoso "complexo de vira-lata" em relação ao Candomblé, achando que tudo o que vem de nossos irmãos candomblecistas é regra para todos. Não é! Candomblé dita as regras para os trabalhadores do Candomblé, e a Umbanda para os trabalhadores da umbanda. Reconhecer isso não é faltar com o respeito, mas saber nos colocar enquanto religião puramente brasileira e linda em suas distinções com outras religiões. Eu acredito que devemos cada vez mais firmar nossos rituais dentro dos conceitos e premissas umbandistas para deixarmos de lado essa inferioridade que parte dos irmãos em Oxalá ainda sentem.
Axé
Quando iniciei na religião não era tão comum as pessoas terem esse interesse. Exceção feita aos dirigentes dos terreiros que precisavam, sim, saber quais orixás regiam suas coroas, os demais filhos de santo raramente sabiam. O que existe hoje mais latente em vários terreiros, que é o culto aos Tronos da Umbanda, já existia de forma prática. Por exemplo, se um umbandista precisava de uma auxílio inerente a justiça, ele recorria a Xangô. Se fosse algo inerente a lei, era a Ogum que ele solicitava ajuda. A relação entre médium e orixás era algo bastante leve, sem a obrigatoriedade de fazer isso ou aquilo ou agir desta ou daquela forma porque a coroa da pessoa respondia a determinado Orixá.
Com o passar do tempos, Umbanda e Candomblé se aproximaram mais e o culto aos orixás, que é algo muito importante dentro de toda liturgia candomblecista, passou a ficar mais enraizado nos terreiros de Umbanda. Assim os umbandistas passaram a focar mais nos Orixás que regem suas coroas. Como essa aproximação com nossos irmãos do Candomblé que gerou essa vontade, muitos umbandistas recorreram ao oráculo divinatório utilizado pelos babalorixás: jogo de búzios.
Eu respeito quem utiliza os búzios para descobrir seus orixás (eu mesmo joguei umas 3 vezes só pra confirmar que sou filho de Oxóssi), mas precisamos entender que são práticas completamente distintas e pode acontecer o que chamamos de ruído nas informações. Esse ruído ocorre porque a pessoa que joga os búzios está toda fundamentada no Candomblé (como tem que ser), mas a ela é solicitado verificar a coroa espiritual de alguém que está professando sua fé em outra religião, então se a pessoa que joga não for muito bem firme em verificar que se trata de um atendimento para um umbandista, a jogada não tem qualquer valia.
Eu já presenciei inúmeros casos (vários mesmo) que foi feita uma jogada de búzios com a mão no Candomblé para que pudesse ser descoberto o orixá de um umbandista. Um dos casos que gosto de citar é de um antigo conhecido que após sua tirada de búzios, descobriu que sua coroa era regida por Oxumaré. No terreiro que esse amigo trabalhava não existia culto a Oxumaré simplesmente pelo fato de não ser um Orixá cultuado na Umbanda (Oxumaré dá suporte no Trono do Amor à Oxum). Ele ficou sem saber como cuidar daquele orixá que o acompanharia para o resto da vida. Buscava vários terreiros, mas nenhum cultuava Oxumaré. Ele só conseguiu acalmar o coração quando fez o que deveria ter feito desde o começo: confiar nos guias chefes do terreiro que trabalhava e, acima de tudo, confiar no que os guias que trabalhavam com ele diziam. No final das contas ele era filho de Oxóssi, não de Oxumaré.
Se uma simples curiosidade causou um desequilíbrio em uma pessoa que tinha relativo conhecimento, imaginem o que não poderia acontecer em alguém que acreditasse cegamente no que os búzios falam? Não podendo cultuar um Orixá que não é firmado na Umbanda, a pessoa pode se afastar da religião ou, pior ainda, cultuar o que não conhece de uma forma irresponsável, mexendo com energias que certamente não consegue lidar.
Algumas pessoas me perguntam o porque no jogo de búzios sai uma informação errada. Na verdade, não existe resposta errada, o que existe são perguntas erradas. No exemplo que eu citei acima, se esse amigo algum dia se afastar da Umbanda e for aceito no Candomblé, então sua coroa será de Oxumaré. Esse que é o grande problema da situação: ver a coroa de uma pessoa em uma religião enquanto ela pratica outra.
Outra questão que preciso esclarecer é que não existe esse negócio de "definir Orixá nos búzios". Quando alguém encarna e decide ser umbandista, a sua coroa já está definida e não há búzios ou qualquer outro tipo de oráculo que vai mudar isso. Tanto no Candomblé quanto na Umbanda, o jogo de búzios apenas informa aquilo que já está consagrado pela Espiritualidade.
Um umbandista não precisa recorrer aos nosso irmãos do Candomblé para saber qual é o exu que vai trabalhar com ele. Há algo mais bonito do que deixar que o Guia se manifeste e através disso converse com o médium e se apresente para começarem a trabalhar? Agora imagine só se uma pessoa tem o acompanhando a força de Exú Marabô, por exemplo, mas no jogo de búzios apareceu que é Exu Tiriri. O médium estará completamente induzido a trabalhar com uma força achando que é outra, o que não é algo interessante para acontecer, porque podem ser linhas completamente distintas.
Eu acho que muito umbandista tem o famoso "complexo de vira-lata" em relação ao Candomblé, achando que tudo o que vem de nossos irmãos candomblecistas é regra para todos. Não é! Candomblé dita as regras para os trabalhadores do Candomblé, e a Umbanda para os trabalhadores da umbanda. Reconhecer isso não é faltar com o respeito, mas saber nos colocar enquanto religião puramente brasileira e linda em suas distinções com outras religiões. Eu acredito que devemos cada vez mais firmar nossos rituais dentro dos conceitos e premissas umbandistas para deixarmos de lado essa inferioridade que parte dos irmãos em Oxalá ainda sentem.
Axé
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Ovóides e a Umbanda
Recentemente tenho escutado muitas pessoas completamente diferentes falando sobre os "ovóides". O meu conhecimento sobre o assunto era muito limitado, pois tinha escutado de um ou outro Guia da Umbanda falando a respeito e minha mãe (a de sangue mesmo, não a de Santo), sendo kardecista estudiosa, havia comentado algo sobre espíritos que "regridem" à forma embrionária (por isso o nome). Estudando a respeito, descobri alguns fatos interessantes, os quais decidi compartilhar com os caros leitores deste blog.
Para falarmos a respeito dos ovóides, precisamos entender alguns conceitos fundamentais relacionados à evolução dos espíritos e seu Livre Arbítrio, além da atração por afinidade energética que esses espíritos mais ou menso evoluídos proporcionam. Como todos sabemos, cabe aos espíritos a evolução, e isso ocorrerá eventualmente; alguns indivíduos possuem o conhecimento sobre a necessidade de sempre realizar coisas que proporcionem sua evolução moral e intelectual, então esses espíritos, entendedores de sua missão, acabam se tornando indivíduos melhores, desta forma evoluindo "mais rápido". A contrapartida disso são espíritos que, utilizando o Livre Arbítrio dado por Deus, decidem de forma deliberada seguir por outros caminhos que não o da evolução moral, e para isso realizam trabalhos de obsessão contra outros espíritos (encarnados ou não), para que impeçam as suas evoluções. Esses espíritos obsessores que atuam de forma deliberada praticando o mau, na Umbanda chamamos de Kiumbas.
Existem, no entanto, espíritos que são obsessores não por uma escolha que denote fazer a maldade, mas por situações que até esse momento eles não entendem e, por não entenderem, não conseguem trabalhar para resolver. Os exemplos são vários: uma pessoa que desencarna em um acidente de automóvel em que estava dormindo, quando "acorda", se vê preso em um corpo mas as pessoas não o escutam. Ele se encosta em alguém por medo, e assim fica até ser resgatado pela Espiritualidade. Uma pessoa que fora viciada em vida, quando desencarna continua sentindo os efeitos das drogas e se recusa a seguir seu caminho espiritual, ficando no Plano Terreno acompanhando outros viciados, não para fazer mal, mas para estar nos ambientes de uso de drogas, que é um local que ele possui afinidade. Os exemplos são os mais variados possíveis e remetem à indivíduos que precisam de uma grande ajuda para não serem, eles também, obsediados pelos Kiumbas e convencidos a trabalhar para esses espíritos de baixa moral.
Algum desses espíritos quando conseguem ter a noção que estão desencarnados, ao invés de seguirem em frente com sua evolução, ficam aficionados por alguma ideia e se tornam verdadeiros paranoicos. Quando isso acontece, mesmo não sendo sua intenção, eles acabam vibrando uma energia muito baixa, na mesma sintonia de um Kiumba, o que os tornam energeticamente perigosos. A Espiritualidade Amiga trabalha intensamente para ajudar a reverter esta situação, mas muitas vezes a vontade (lembremos do Livre Arbítrio) é tão grande que pouco efeito tem. Quando isso acontece de uma forma mais forte, aquele indivíduo se volta para seus pensamentos paranoicos a tal ponto que vai se definhando e fica com a aparência (sim, no Plano Espiritual temos uma forma "física") completamente deformada. Em alguns casos, isso acontece de tal forma que o espírito aparenta ter a forma de um ovo (ou "ovóide").
Essa situação é muito perigosa em vários sentidos. Imaginemos que uma pessoa desencarna e tem a obsessão possessiva por alguém que ainda está encarnado. Se esse espírito se tornar um ovóide, poderá se ligar de forma parasitária a pessoa encarnada, causando uma obsessão constante. Esse tipo de obsessão é muito mais complicada de ser trabalhada pelos Guias da Umbanda, porque o único "culpado" pela situação é um indivíduo que muitas vezes sequer tem maldade naquilo que faz, e está em um momento sem consciência alguma, sendo algo parecido com um mero parasita (um "carrapato" acoplado ao espírito de alguém).
Quando existe um Kiumba acompanhando alguém, conforme o merecimento da pessoa os Exus podem atuar de uma forma incisiva, desobsediando o encarnado e levando para tratamento o tal kiumba (claro que mediante não apenas o merecimento, mas sua vontade). Aceitando ser tratado, pode ser conduzido por algum outro guia (Preto Velho, Caboclo, Boiadeiro, etc). Quando a obsessão é feita por um espírito ovóide, não há que um Exu possa fazer além de ajudar na proteção do encarnado, afinal de contas ter se tornado um ovóide já é consequência das atitudes "erradas" do indivíduo, então não cabe a Exu questionar isso. Quando isso ocorre, via de regra alguma entidade que atua na Direita realiza algum trabalho para isolar as energias do assistido (através de banhos, defumações e até mesmo manipulação energética com velas ou outros objetos magísticos) e cortar a ligação daquele ovóide com a pessoa. Não é um trabalho simples, mas via de regra quando identificado o problema, ele é resolvido.
O caso mais grave que ocorre é quando algum desses ovóides está sendo manipulado por algum kiumba. Quando isso acontece, aquele ovóide é colocado junto a algum encarnado (pode acontecer até mesmo durante sua gestação) para que a energia daquele ser (o ovóide) impregne na pessoa e ela sirva como uma verdadeira incubadora de energia negativa. Isso acontece geralmente em pessoas que possuem a missão de serem grandes referências ou que, já encarnadas, estejam cercadas de pessoas e tenha algum tipo de poder de influência sobre elas. Quando essa situação é identificada o problema para solucionar, dentro da Umbanda (é sempre bom lembrar que cada religião tem sua forma de atuação, se diferenciado entre elas), a missão recai sobre mais de uma Linha de trabalho, mas sempre tendo Exu tomando a frente, e isso acontece porque quando a situação é descoberta, o kiumba (Magos Negros, geralmente) se irritam e começam a investir pesadamente contra o assistido, contra o médium que atua na incorporação com aquele Exu e, na maioria das vezes, contra toda a corrente mediúnica do Terreiro, especialmente seus dirigentes. O intuito desses ataques é enfraquecer a egrégora que certamente tratará aquele assistido. Como todo Exu é mais forte que qualquer kiumba, então o alvo acabam sendo as pessoas que estão em um processo inferior de evolução (ou seja, todos nós encarnados).
Enquanto Exu afasta os kiumbas, cabe ao Preto Velho, por exemplo, dar caminho a eles e, se estiver devidamente firmado pelo médium ou egrégora, acalmar o assistido enquanto o trabalho todo é realizado. E não é um trabalho rápido; remetendo a memória, lembro de um caso que acredito que tenha sido causado por esse tipo de trabalho trevoso, e durou mais de um ano para ser concluído.
No texto sobre o aborto eu falei um pouco sobre algumas mulheres que possuem a missão de servirem como receptáculos de alguns espíritos que necessitam passar por alguns pouco meses no Plano Material para concluírem alguma etapa de sua evolução. Isso também acontece com alguns ovóides que precisam desse carinho materno para saírem desta condição; o caso mais conhecido é o de Santos Dumont, que desencarnou de forma trágica (suicídio) e depois que teve conhecimento da Espiritualidade, ficou tão amargurado por sua maior invenção estar sendo usada para o mal (aviões de guerra) que se fechou até ficar na forma ovóide. A Espiritualidade tinha consciência que aquele indivíduo, por mais que estivesse em uma situação moral bastante crítica, serviria para grandes propósitos de Deus, então fez com que aquele ovóide reencarnasse no ventre de uma mulher que destinara seu corpo para aquilo. Foram quatro meses necessários para que ele pudesse sentir o amor do ser humano e se desfazer daquele ódio que o consumia. Após ser abortado de forma espontânea), voltou ao Plano Espiritual para dar sequência em sua obra.
Não há nenhuma receita mágica, portanto, para nos livrarmos da possibilidade de sermos obsediados. O que temos que entender é que existe uma afinidade energética em tudo e não há como escapar dela. Se uma pessoa tem pensamentos odiosos, atrairá energias e espíritos que estão com a mesma vibração daqueles pensamentos. Se uma pessoa é amável (de verdade, nas atitudes e pensamentos, e não apenas nas palavras) atrairá energias e espíritos naquela vibração. Portanto a melhor forma que temos para evitar qualquer surpresa desagradável é orar e vigiar todos os nossos passos. Sermos indivíduos melhores não é apenas uma obrigação de nossa moral, mas nos serve como amparo para que não ocorra algo muito difícil de ser revertido.
Axé
Para falarmos a respeito dos ovóides, precisamos entender alguns conceitos fundamentais relacionados à evolução dos espíritos e seu Livre Arbítrio, além da atração por afinidade energética que esses espíritos mais ou menso evoluídos proporcionam. Como todos sabemos, cabe aos espíritos a evolução, e isso ocorrerá eventualmente; alguns indivíduos possuem o conhecimento sobre a necessidade de sempre realizar coisas que proporcionem sua evolução moral e intelectual, então esses espíritos, entendedores de sua missão, acabam se tornando indivíduos melhores, desta forma evoluindo "mais rápido". A contrapartida disso são espíritos que, utilizando o Livre Arbítrio dado por Deus, decidem de forma deliberada seguir por outros caminhos que não o da evolução moral, e para isso realizam trabalhos de obsessão contra outros espíritos (encarnados ou não), para que impeçam as suas evoluções. Esses espíritos obsessores que atuam de forma deliberada praticando o mau, na Umbanda chamamos de Kiumbas.
Existem, no entanto, espíritos que são obsessores não por uma escolha que denote fazer a maldade, mas por situações que até esse momento eles não entendem e, por não entenderem, não conseguem trabalhar para resolver. Os exemplos são vários: uma pessoa que desencarna em um acidente de automóvel em que estava dormindo, quando "acorda", se vê preso em um corpo mas as pessoas não o escutam. Ele se encosta em alguém por medo, e assim fica até ser resgatado pela Espiritualidade. Uma pessoa que fora viciada em vida, quando desencarna continua sentindo os efeitos das drogas e se recusa a seguir seu caminho espiritual, ficando no Plano Terreno acompanhando outros viciados, não para fazer mal, mas para estar nos ambientes de uso de drogas, que é um local que ele possui afinidade. Os exemplos são os mais variados possíveis e remetem à indivíduos que precisam de uma grande ajuda para não serem, eles também, obsediados pelos Kiumbas e convencidos a trabalhar para esses espíritos de baixa moral.
Algum desses espíritos quando conseguem ter a noção que estão desencarnados, ao invés de seguirem em frente com sua evolução, ficam aficionados por alguma ideia e se tornam verdadeiros paranoicos. Quando isso acontece, mesmo não sendo sua intenção, eles acabam vibrando uma energia muito baixa, na mesma sintonia de um Kiumba, o que os tornam energeticamente perigosos. A Espiritualidade Amiga trabalha intensamente para ajudar a reverter esta situação, mas muitas vezes a vontade (lembremos do Livre Arbítrio) é tão grande que pouco efeito tem. Quando isso acontece de uma forma mais forte, aquele indivíduo se volta para seus pensamentos paranoicos a tal ponto que vai se definhando e fica com a aparência (sim, no Plano Espiritual temos uma forma "física") completamente deformada. Em alguns casos, isso acontece de tal forma que o espírito aparenta ter a forma de um ovo (ou "ovóide").
Essa situação é muito perigosa em vários sentidos. Imaginemos que uma pessoa desencarna e tem a obsessão possessiva por alguém que ainda está encarnado. Se esse espírito se tornar um ovóide, poderá se ligar de forma parasitária a pessoa encarnada, causando uma obsessão constante. Esse tipo de obsessão é muito mais complicada de ser trabalhada pelos Guias da Umbanda, porque o único "culpado" pela situação é um indivíduo que muitas vezes sequer tem maldade naquilo que faz, e está em um momento sem consciência alguma, sendo algo parecido com um mero parasita (um "carrapato" acoplado ao espírito de alguém).
Quando existe um Kiumba acompanhando alguém, conforme o merecimento da pessoa os Exus podem atuar de uma forma incisiva, desobsediando o encarnado e levando para tratamento o tal kiumba (claro que mediante não apenas o merecimento, mas sua vontade). Aceitando ser tratado, pode ser conduzido por algum outro guia (Preto Velho, Caboclo, Boiadeiro, etc). Quando a obsessão é feita por um espírito ovóide, não há que um Exu possa fazer além de ajudar na proteção do encarnado, afinal de contas ter se tornado um ovóide já é consequência das atitudes "erradas" do indivíduo, então não cabe a Exu questionar isso. Quando isso ocorre, via de regra alguma entidade que atua na Direita realiza algum trabalho para isolar as energias do assistido (através de banhos, defumações e até mesmo manipulação energética com velas ou outros objetos magísticos) e cortar a ligação daquele ovóide com a pessoa. Não é um trabalho simples, mas via de regra quando identificado o problema, ele é resolvido.
O caso mais grave que ocorre é quando algum desses ovóides está sendo manipulado por algum kiumba. Quando isso acontece, aquele ovóide é colocado junto a algum encarnado (pode acontecer até mesmo durante sua gestação) para que a energia daquele ser (o ovóide) impregne na pessoa e ela sirva como uma verdadeira incubadora de energia negativa. Isso acontece geralmente em pessoas que possuem a missão de serem grandes referências ou que, já encarnadas, estejam cercadas de pessoas e tenha algum tipo de poder de influência sobre elas. Quando essa situação é identificada o problema para solucionar, dentro da Umbanda (é sempre bom lembrar que cada religião tem sua forma de atuação, se diferenciado entre elas), a missão recai sobre mais de uma Linha de trabalho, mas sempre tendo Exu tomando a frente, e isso acontece porque quando a situação é descoberta, o kiumba (Magos Negros, geralmente) se irritam e começam a investir pesadamente contra o assistido, contra o médium que atua na incorporação com aquele Exu e, na maioria das vezes, contra toda a corrente mediúnica do Terreiro, especialmente seus dirigentes. O intuito desses ataques é enfraquecer a egrégora que certamente tratará aquele assistido. Como todo Exu é mais forte que qualquer kiumba, então o alvo acabam sendo as pessoas que estão em um processo inferior de evolução (ou seja, todos nós encarnados).
Enquanto Exu afasta os kiumbas, cabe ao Preto Velho, por exemplo, dar caminho a eles e, se estiver devidamente firmado pelo médium ou egrégora, acalmar o assistido enquanto o trabalho todo é realizado. E não é um trabalho rápido; remetendo a memória, lembro de um caso que acredito que tenha sido causado por esse tipo de trabalho trevoso, e durou mais de um ano para ser concluído.
No texto sobre o aborto eu falei um pouco sobre algumas mulheres que possuem a missão de servirem como receptáculos de alguns espíritos que necessitam passar por alguns pouco meses no Plano Material para concluírem alguma etapa de sua evolução. Isso também acontece com alguns ovóides que precisam desse carinho materno para saírem desta condição; o caso mais conhecido é o de Santos Dumont, que desencarnou de forma trágica (suicídio) e depois que teve conhecimento da Espiritualidade, ficou tão amargurado por sua maior invenção estar sendo usada para o mal (aviões de guerra) que se fechou até ficar na forma ovóide. A Espiritualidade tinha consciência que aquele indivíduo, por mais que estivesse em uma situação moral bastante crítica, serviria para grandes propósitos de Deus, então fez com que aquele ovóide reencarnasse no ventre de uma mulher que destinara seu corpo para aquilo. Foram quatro meses necessários para que ele pudesse sentir o amor do ser humano e se desfazer daquele ódio que o consumia. Após ser abortado de forma espontânea), voltou ao Plano Espiritual para dar sequência em sua obra.
Não há nenhuma receita mágica, portanto, para nos livrarmos da possibilidade de sermos obsediados. O que temos que entender é que existe uma afinidade energética em tudo e não há como escapar dela. Se uma pessoa tem pensamentos odiosos, atrairá energias e espíritos que estão com a mesma vibração daqueles pensamentos. Se uma pessoa é amável (de verdade, nas atitudes e pensamentos, e não apenas nas palavras) atrairá energias e espíritos naquela vibração. Portanto a melhor forma que temos para evitar qualquer surpresa desagradável é orar e vigiar todos os nossos passos. Sermos indivíduos melhores não é apenas uma obrigação de nossa moral, mas nos serve como amparo para que não ocorra algo muito difícil de ser revertido.
Axé
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Aborto - Visão Umbandista
Aborto é um assunto polêmico por excelência. Cada pessoa tem uma opinião a respeito e justamente por essas divergências, sempre existe bastante discussões em torno. Eu mesmo tenho pelo menos duas opiniões que entram em embate sempre: a pessoal diz que não deve ser feito, mas a social e política (a qual, na minha opinião, deve nortear o assunto em termos de Legislação) diz que é um assunto de Saúde pública, então deve, sim, ser legalizado dentro de parâmetros muito mais abrangentes do que uma opinião estritamente pessoal e religiosa.
Dito isso, devo dizer que abordarei a questão de uma forma religiosa voltada para parâmetros espiritualistas (sem necessariamente refletir a minha opinião sobre legalização ou não).
Antes de tudo, vamos entender o que é a concepção de uma vida. Segundo o entendimento comum kardecista, antes de encarnar, o indivíduo escolhe quem será sua família e, principalmente, quem será sua mãe. Quando chega a hora de reencarnar, aquele indivíduo tem suas memórias "resetadas" e é fecundado no ventre daquela pessoa que escolheu COM A AUTORIZAÇÃO DA ESPIRITUALIDADE, ser filho(a). A vida daquele ser já existe quando o espermatozoide é fecundado no óvulo, portanto de forma contrária do que diz alguns pensamentos científico, quando o feto existe em seus primeiros instantes, ali já existe um espírito.
Quando um aborto acontece, seja de forma involuntária ou voluntária, o fato é que existe a morte do invólucro material que todo espírito precisa para fazer sua expiação no Plano Material. Os abortos espontâneos acontecem com a manifestação da Espiritualidade para corrigir algumas situações de encarnações anteriores: uma pessoa que sabe que vai desencarnar daqui alguns meses por conta de alguma doença terminal, decide tirar sua vida e interrompe um ciclo natural da vida; sua próxima reencarnação pode ser de alguns meses no ventre materno, não para que ele aprenda nada (não há o que se aprender no útero que desenvolva a moral do indivíduo), mas para que cumpra um ciclo erroneamente interrompido. Nesse tipo de aborto, não existe qualquer consequência kármica para a mãe que aborta, além do fato de como ela vai lidar com essa situação e como seguirá em frente com sua vida.
Quando um aborto acontece de forma voluntária (ou seja, quando a mãe decide abortar) as consequências são bastante impactantes para ela em vários aspectos, especialmente em relação ao seu karma. Isso acontece independente da causa daquele aborto: seja uma gravidez indesejada ocorrida pelo famoso "descuido" do casal (e, sim, vale sempre lembrar que a mãe não faz filho sozinha, viu papais!!!), seja devido uma gravidez causada em uma mulher vítima de estupro. Se abortou ou se decidiu ter o bebê, a consequência virá de qualquer forma, como é tudo em nossa vida. Qualquer ação que tivermos, qualquer escolha que fazemos, gera uma consequência de maior ou menor importância. Quando falamos sobre a decisão de impedir que venha à provação NECESSÁRIA PARA O CRESCIMENTO uma pessoa, então temos que ter a consciência que não se trata de uma decisão sobre tema banal.
Antes de dar sequência, é importante dizer que a Espiritualidade com toda sua sabedoria, consegue identificar e segmentar todas as ações tomadas por alguém. Um casal que decide não ter um filho simplesmente pelo fato de terem se descuidado em uma noite de bebedeira, SABENDO QUE EXISTEM MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, nunca será olhado da mesma forma que uma mulher menor de idade que fora estuprada e, deste ato violento e extremamente grave, ficou grávida e teve que abortar. Ou quando existe uma gravidez de risco e a mãe é OBRIGADA a abortar. Se nós, com todos nossos erros e limitações morais, temos consciência disso, a Espiritualidade Amiga que nos ampara sempre, tem entendimento muito próximo e já mais evoluído.
Sabendo que a Espiritualidade tem esse entendimento diferenciado sobre as diversas causas que geram a decisão sobre um aborto, as consequências que o indivíduo levará para sua evolução são também diferenciadas. Vou usar como exemplo o caso ocorrido em Taguatinga/TO ano passado. Um homem de 24 anos de forma voluntária embriagou uma menor de 12 anos e a estuprou. Deste ato, a menor engravidou. Pelo nosso entendimento, quem estaria errado? A menor estuprada que decidiu abortar, ou o homem que, ciente de seus atos, a embebedou e a estuprou? Se a resposta é bastante clara para nós, para a Espiritualidade é ainda mais.
A consequência que esta mulher estuprada teria por ter abortado, seria o fato de ter tirado de seu ventre um ser vivo. Quando ela crescer e se tornar mulher e quiser ser mãe, poderá pensar em como seria se não tivesse abortado. A consequência, portanto, é puramente reflexiva e não recai sobre a sua evolução enquanto espírito encarnado.
A consequência que uma pessoa tem quando aborta pela simples vontade de abortar, especialmente tendo o conhecimento das mais diversas doutrinas espiritualistas, é crítica. Não há um padrão para dizer o que vai acontecer, mas existem inúmeros relatos que a Espiritualidade nos apresenta de consequências para essas pessoas (novamente lembro que são PESSOAS, no plural mesmo, pois quem abota não é a mãe, mas o pai também, além de todos que incentivam). Algumas pessoas reencarnam de forma quase vegetativa, sendo obrigadas a serem tratadas como bebês durante sua jornada carnal. Outras pessoas reencarnam com defeitos genéticos que as impossibilitarão de serem mães ou pais na atual encarnação, mesmo tendo muita vontade para tal.
Existe, no entanto, uma situação específica que cabe reflexão a respeito, sobre como a Espiritualidade Amiga trabalha de forma maravilhosa. Acabei de citar que algumas mães não conseguem engravidar e muitas outras engravidam, mas sofrem aborto espontâneo antes do parto. São situações de sofrimento realmente grande, mas se olharmos por um prisma espírita, vamos descobrir que essas mães com histórico de abortos espontâneos recorrentes, servem como invólucros para trabalho de ovoides. Um exemplo bastante conhecido, relatado no livro Ícaro Redimido, é o de Santos Dumont.
O Pai da Aviação, como todos sabemos, cometeu suicídio. Ele relata que ao chegar no Vale dos Suicidas, se sentiu tão desesperado que acabou definhando até voltar a a forma de ovoide (falaremos sobre o que é isso oportunamente). Santos Dumont era um ser de grande inteligência e com trabalho extremamente relevante para a Espiritualidade, então os mentores do Plano Astral utilizaram o espírito encarnado de uma mulher que teria como missão tentar ser mãe mas não conseguir (sim, por mais estranho que possa parecer, esta é uma missão Divina) para fecundar este ovoide durante 4 meses. Esses 4 meses de contato com o amor de uma mãe era o que aquele espírito precisava para conseguir sair da condição de ovoide e voltar a evoluir.
No caso acima, a mãe reencarnada que anteriormente realizara aborto, passou a se tornar um importante instrumento de trabalho para a Espiritualidade. E, apesar de todo o sofrimento, vale lembrar que ela aceitou esta condição antes de reencarnar.
Se o kardecismo possui os livros de Kardec como um norte, na Umbanda a situação é diferente. Sendo nossa sociedade uma eterna mutante em vários aspectos e a Umbanda uma religião moderna, não poderíamos nos apegar exclusivamente a o que livros com 200 anos diziam. A referência moral está lá e deve ser seguida, mas a dinâmica social tem que acompanhar as pessoas na atualidade e suas demandas. Sendo assim, a Umbanda vê o aborto de uma forma muito tranquila entendo que é, sim, uma mazela social que deve ser evitada em seu nascedouro (combater as situações que leva ao estupro e não condenar a estuprada - roupa curta NÃO É convite para assédio), mas não pode de forma alguma ser visto como um norte moral dentro da religião.
Logicamente a mulher que sofre um aborto (seja por qual motivo for) deverá ter um acompanhamento diferenciado e, sendo uma médium de trabalho, poderá ser afastada até que aquela condição esteja muito bem resolvida com ela mesma. Porém, não há como entendermos minimamente justo qualquer Pai ou Mãe de Santo julgar seus filhos que abortam os afastando dos trabalhos ou dando a entender que fizeram algo abominável. Será que justamente por estar em uma situação fragilizada (que seja por iniciativa pontual de uma falha moral) não seria a hora que fortalecer essas pessoas dentro da religião? Talvez uma conversa séria com preto Velho ou as instruções de um Caboclo possam ajudar a pessoa a entender tudo o que acontece relacionado àquela situação.
Não julguemos nossas irmãs que abortam, independente do motivo. Sejamos francos em nossas opiniões SE FORMOS QUESTIONADOS, mas, principalmente, sejamos fiéis a um dos principais fundamentos da Umbanda, que é o amor ao próximo. Especialmente quando o próximo precisa de ajuda.
Muto Axé para todos.
Dito isso, devo dizer que abordarei a questão de uma forma religiosa voltada para parâmetros espiritualistas (sem necessariamente refletir a minha opinião sobre legalização ou não).
Antes de tudo, vamos entender o que é a concepção de uma vida. Segundo o entendimento comum kardecista, antes de encarnar, o indivíduo escolhe quem será sua família e, principalmente, quem será sua mãe. Quando chega a hora de reencarnar, aquele indivíduo tem suas memórias "resetadas" e é fecundado no ventre daquela pessoa que escolheu COM A AUTORIZAÇÃO DA ESPIRITUALIDADE, ser filho(a). A vida daquele ser já existe quando o espermatozoide é fecundado no óvulo, portanto de forma contrária do que diz alguns pensamentos científico, quando o feto existe em seus primeiros instantes, ali já existe um espírito.
Quando um aborto acontece, seja de forma involuntária ou voluntária, o fato é que existe a morte do invólucro material que todo espírito precisa para fazer sua expiação no Plano Material. Os abortos espontâneos acontecem com a manifestação da Espiritualidade para corrigir algumas situações de encarnações anteriores: uma pessoa que sabe que vai desencarnar daqui alguns meses por conta de alguma doença terminal, decide tirar sua vida e interrompe um ciclo natural da vida; sua próxima reencarnação pode ser de alguns meses no ventre materno, não para que ele aprenda nada (não há o que se aprender no útero que desenvolva a moral do indivíduo), mas para que cumpra um ciclo erroneamente interrompido. Nesse tipo de aborto, não existe qualquer consequência kármica para a mãe que aborta, além do fato de como ela vai lidar com essa situação e como seguirá em frente com sua vida.
Quando um aborto acontece de forma voluntária (ou seja, quando a mãe decide abortar) as consequências são bastante impactantes para ela em vários aspectos, especialmente em relação ao seu karma. Isso acontece independente da causa daquele aborto: seja uma gravidez indesejada ocorrida pelo famoso "descuido" do casal (e, sim, vale sempre lembrar que a mãe não faz filho sozinha, viu papais!!!), seja devido uma gravidez causada em uma mulher vítima de estupro. Se abortou ou se decidiu ter o bebê, a consequência virá de qualquer forma, como é tudo em nossa vida. Qualquer ação que tivermos, qualquer escolha que fazemos, gera uma consequência de maior ou menor importância. Quando falamos sobre a decisão de impedir que venha à provação NECESSÁRIA PARA O CRESCIMENTO uma pessoa, então temos que ter a consciência que não se trata de uma decisão sobre tema banal.
Antes de dar sequência, é importante dizer que a Espiritualidade com toda sua sabedoria, consegue identificar e segmentar todas as ações tomadas por alguém. Um casal que decide não ter um filho simplesmente pelo fato de terem se descuidado em uma noite de bebedeira, SABENDO QUE EXISTEM MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, nunca será olhado da mesma forma que uma mulher menor de idade que fora estuprada e, deste ato violento e extremamente grave, ficou grávida e teve que abortar. Ou quando existe uma gravidez de risco e a mãe é OBRIGADA a abortar. Se nós, com todos nossos erros e limitações morais, temos consciência disso, a Espiritualidade Amiga que nos ampara sempre, tem entendimento muito próximo e já mais evoluído.
Sabendo que a Espiritualidade tem esse entendimento diferenciado sobre as diversas causas que geram a decisão sobre um aborto, as consequências que o indivíduo levará para sua evolução são também diferenciadas. Vou usar como exemplo o caso ocorrido em Taguatinga/TO ano passado. Um homem de 24 anos de forma voluntária embriagou uma menor de 12 anos e a estuprou. Deste ato, a menor engravidou. Pelo nosso entendimento, quem estaria errado? A menor estuprada que decidiu abortar, ou o homem que, ciente de seus atos, a embebedou e a estuprou? Se a resposta é bastante clara para nós, para a Espiritualidade é ainda mais.
A consequência que esta mulher estuprada teria por ter abortado, seria o fato de ter tirado de seu ventre um ser vivo. Quando ela crescer e se tornar mulher e quiser ser mãe, poderá pensar em como seria se não tivesse abortado. A consequência, portanto, é puramente reflexiva e não recai sobre a sua evolução enquanto espírito encarnado.
A consequência que uma pessoa tem quando aborta pela simples vontade de abortar, especialmente tendo o conhecimento das mais diversas doutrinas espiritualistas, é crítica. Não há um padrão para dizer o que vai acontecer, mas existem inúmeros relatos que a Espiritualidade nos apresenta de consequências para essas pessoas (novamente lembro que são PESSOAS, no plural mesmo, pois quem abota não é a mãe, mas o pai também, além de todos que incentivam). Algumas pessoas reencarnam de forma quase vegetativa, sendo obrigadas a serem tratadas como bebês durante sua jornada carnal. Outras pessoas reencarnam com defeitos genéticos que as impossibilitarão de serem mães ou pais na atual encarnação, mesmo tendo muita vontade para tal.
Existe, no entanto, uma situação específica que cabe reflexão a respeito, sobre como a Espiritualidade Amiga trabalha de forma maravilhosa. Acabei de citar que algumas mães não conseguem engravidar e muitas outras engravidam, mas sofrem aborto espontâneo antes do parto. São situações de sofrimento realmente grande, mas se olharmos por um prisma espírita, vamos descobrir que essas mães com histórico de abortos espontâneos recorrentes, servem como invólucros para trabalho de ovoides. Um exemplo bastante conhecido, relatado no livro Ícaro Redimido, é o de Santos Dumont.
O Pai da Aviação, como todos sabemos, cometeu suicídio. Ele relata que ao chegar no Vale dos Suicidas, se sentiu tão desesperado que acabou definhando até voltar a a forma de ovoide (falaremos sobre o que é isso oportunamente). Santos Dumont era um ser de grande inteligência e com trabalho extremamente relevante para a Espiritualidade, então os mentores do Plano Astral utilizaram o espírito encarnado de uma mulher que teria como missão tentar ser mãe mas não conseguir (sim, por mais estranho que possa parecer, esta é uma missão Divina) para fecundar este ovoide durante 4 meses. Esses 4 meses de contato com o amor de uma mãe era o que aquele espírito precisava para conseguir sair da condição de ovoide e voltar a evoluir.
No caso acima, a mãe reencarnada que anteriormente realizara aborto, passou a se tornar um importante instrumento de trabalho para a Espiritualidade. E, apesar de todo o sofrimento, vale lembrar que ela aceitou esta condição antes de reencarnar.
Se o kardecismo possui os livros de Kardec como um norte, na Umbanda a situação é diferente. Sendo nossa sociedade uma eterna mutante em vários aspectos e a Umbanda uma religião moderna, não poderíamos nos apegar exclusivamente a o que livros com 200 anos diziam. A referência moral está lá e deve ser seguida, mas a dinâmica social tem que acompanhar as pessoas na atualidade e suas demandas. Sendo assim, a Umbanda vê o aborto de uma forma muito tranquila entendo que é, sim, uma mazela social que deve ser evitada em seu nascedouro (combater as situações que leva ao estupro e não condenar a estuprada - roupa curta NÃO É convite para assédio), mas não pode de forma alguma ser visto como um norte moral dentro da religião.
Logicamente a mulher que sofre um aborto (seja por qual motivo for) deverá ter um acompanhamento diferenciado e, sendo uma médium de trabalho, poderá ser afastada até que aquela condição esteja muito bem resolvida com ela mesma. Porém, não há como entendermos minimamente justo qualquer Pai ou Mãe de Santo julgar seus filhos que abortam os afastando dos trabalhos ou dando a entender que fizeram algo abominável. Será que justamente por estar em uma situação fragilizada (que seja por iniciativa pontual de uma falha moral) não seria a hora que fortalecer essas pessoas dentro da religião? Talvez uma conversa séria com preto Velho ou as instruções de um Caboclo possam ajudar a pessoa a entender tudo o que acontece relacionado àquela situação.
Não julguemos nossas irmãs que abortam, independente do motivo. Sejamos francos em nossas opiniões SE FORMOS QUESTIONADOS, mas, principalmente, sejamos fiéis a um dos principais fundamentos da Umbanda, que é o amor ao próximo. Especialmente quando o próximo precisa de ajuda.
Muto Axé para todos.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Homossexualidade na Umbanda
Li há pouco um texto de um Pai de Santo falando sobre a homossexualidade na Umbanda. O ponto de vista, logicamente, era de que não devemos condenar ninguém e todos devem ser vistos da mesma forma, inclusive podendo trabalhar no terreiro sem qualquer tipo de olhar diferenciado. O que me chamou a atenção, no entanto, era que segundo seu entendimento, o homossexual é alguém que luta contra seus instintos naturais de evolução. Eu achei um posicionamento estranho ao que aprendi e fui buscar auxílio com outras fontes e me deparei com um texto muito bem escrito, ao qual focarei no trecho específico:
"Mas as pessoas vão perguntar: Porém, a homossexualidade existe no plano físico e as entidades não tem um parecer à respeito?
"Mas as pessoas vão perguntar: Porém, a homossexualidade existe no plano físico e as entidades não tem um parecer à respeito?
Sim, eles nos trazem a informação que a homossexualidade nada mais é do que uma mudança de planos, uma resistência "disciplinar", que o espírito assume assim que tem o ganho consciente de sua sexualidade no físico".
Eu fiquei intrigado com duas opiniões parecidas e tão frontalmente contra aquilo que eu acho que seja o certo (claro que a minha visão sobre o que é certo é a MINHA e de forma alguma quero ser o dono da verdade, então respeito qualquer ponto de vista contrário ao meu). Segundo uma das teorias, um espírito que passou suas últimas encarnações sendo mulher acabou sofrendo nas mãos de um homem e na sua última encarnação não conseguiu se librar do sentimento de raiva dos homens; por isso, na atual reencarnação foi dada a ela a oportunidade de encarnar como homem para entender como os homens agem. Indo contra esta "missão" de Deus, aquele espírito volta às suas impressões anteriores e passa a ser um espírito feminino em corpo masculino.
Sobre esse trecho, devo admitir que discordo em tudo. Primeiro porque parece que "reencarnar para ver como é ser homem" é a mesma coisa que generalizar as pessoas. O que faz um homem ser referência é sua orientação sexual ou suas atitudes? Os homens não são todos iguais simplesmente porque as pessoas são completamente diferentes uma das outras, então não tem como "saber o que é ser homem" simplesmente por ter nascido com um pênis. Hitler era homem e Jesus também. O pensamento é simples, mas eficaz.
Outro motivo de minha respeitosa discordância é afirmar que existe uma resistência disciplinar do espírito que foi programado para nascer homem ou mulher. Ora, ser homossexual é falta de disciplina Pensar nisso é disfarçar uma forma de preconceito com palavras bonitas, porque disciplina é fazer tudo aquilo que é certo, é evoluir como pessoa através das atitudes, e não se enxergar como homem estando no corpo de uma mulher, por exemplo. E se formos levar a ferro e fogo que realmente ser homossexual é uma forma de indisciplina, então aceitar um homossexual seria errado, pois qual é o Pai ou Mãe de Santo que se sente bem em aceitar quem é indisciplinado o tempo todo? Não vejo como entender tal afirmativa como verdade, independente do prisma a ser observado.
Recorrendo a Allan Kardec, em seu Livro dos Espíritos, é dito que Deus não criou dois tipos de espírito: homem e mulher. Deus criou o espírito do indivíduo, e a forma como é visto sua manifestação sexual (e até de gênero) é algo estritamente mundano, não tendo qualquer influência espiritual.
Emmanuel, também no Livro dos Espíritos, é categórico: "A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação".
Como sempre digo, a Umbanda é uma religião que sempre acompanha as mudanças da sociedade, por isso é moderna como deve ser. Não há como nos apegarmos a tendências pessoais antigas que vieram esculpidas pelos preconceitos de nossos antepassados e replicar nos dias atuais sem questionar. Vale lembrar que até pouco tempo a escravidão era permitida no Brasil e que em muitos lugares do mundo a mulher não podia votar. Hoje ninguém mais acha que isso era certo e que deva voltar a existir, então porque admitir que ser homossexual é algo que impede a evolução da pessoa?
Não apenas a homossexualidade, mas a Ideologia de Gênero estão presentes em nossa sociedade, e devemos respeitar todos nossos irmãos e irmãs como eles se veem e se entendem enquanto pessoas. Além de não podermos aceitar qualquer tipo de preconceito, temos o dever de lutar contra essas situações. Somos umbandistas trabalhando para Deus sob a regência de nosso Pai Oxalá, e é isso que realmente importa.
Axé meus irmãos e irmãs.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
2019 é ano de Ogum e Nanã. Ok, mas e aí?
Olá irmãos em Oxalá. Espero que todos tenham tido uma ótima passagem de ano e, desde já, desejo que 2019 seja um ano cheio de prosperidade.
E já que estamos falando de 2019, vamos começar falando sobre os orixás que regerão este importante ano para os brasileiros: Ogum e Nanã.
Antes de tudo, eu preciso deixar bastante claro que não sou 100% adepto ao fato de focar exclusivamente em um ou outro Orixá, porque quando fazemos isso entendo que ficamos "mancos" em nossa evolução. Porém, conforme já vimos em estudo anterior, quando um grande número de pessoas colocam o pensamento sob o mesmo tema, acreditando em algo, aquilo se envolve com uma energia tão grande que se torna verdade.
Sendo assim, como a vasta maioria dos umbandistas acredita na regência de pelo menos 2 Orixás, esse pensamento acaba energizando os tronos a qual cada um desses Orixás rege ou atua. Se em 2018 Xangô foi o o regente, então não apenas a Justiça reinou, mas o Trono da Justiça, a qual trabalham dois Orixás: Egunitá e Xangô. Já vimos que existem 7 tronos na Umbanda (Fé, Amor, Conhecimento, Geração, Justiça, Lei e Evolução) e em cada um desses tronos, existem dois orixás que atuam de forma ativa e passiva na vibração dessas energias. Vamos relembrar quais são:
Fé: Oxalá e Logunã
Amor: Oxum e Oxumaré
Conhecimento: Oxossi e Obá
geração: Iemanjá e Omulu
Justiça: Xangô e Egunitá
Lei: Ogum e Iansã
Evolução: Obaluaiê e Nanã
Por uma incrível coincidência, algo extremamente raro acontecerá em 2019. Pela primeira vez em muitos anos, existirá a regência de 2 Orixás que atuam em tronos distintos da Umbanda, mas que possuem outro Orixá cultuado na Umbanda. Reparem que apenas os tronso da Lei e da Evolução são regidos por 4 Orixás cultuados em nossa religião. Em 2019, portanto, não teremos apenas a regência de Ogum e Nanã, mas a vibração ainda mais forte dos tronos da Lei e da Evolução.
Quando falamos nos tronos, queremos dizer que um Orixá atua de forma passiva (acolhendo à pessoa que anda alinhada com aquela conceito) e um Orixá na forma ativa (se alguém está em desequilíbrio, é outro Orixá que toma conta). Ogum é o orixá passivo no Trono da Lei, portanto quem anda de forma correta, praticando a Lei da Umbanda, será abençoado pelas forças do Ogum. Nanã é a Orixá passivo no Trono da Evolução, portanto aquela pessoa que não estiver praticando a reforma íntima, será acompanhada pelas energias de Nanã.
Dito isso, eu preciso comentar algo que um grande amigo me falou ontem e eu concordo em partes, mas, respeitosamente, discordo em alguns termos. Segundo ele, sendo regido por Ogum, as pessoas devem temer 2019. Eu não acredito na punição de Orixá, especialmente na Umbanda, onde não falamos de divindades, mas sim da energia emanada por elas. Ogum é Lei, é a retidão que a pessoa tem que ter em sua caminhada, então se a pessoa é alguém correta não há o que temer, muito pelo contrário; deve agradecer a proteção de nosso Pai Ogum.
O que acontece, porém, é que não podemos esquecer que, justamente para nosso crescimento enquanto pessoas, nós precisamos sempre colher aquilo que plantamos. Minha Mãe de Santo, Mara Calegari, me explicava que 2018 foi o ano de Xangô, que rege a Justiça na Umbanda, então não há como virar as costas para o que se faz nas forças de nosso Pai Xangô, então quando acaba sua regência no plantio, está na hora de colhermos com a espada da Lei de Ogum; então se tivermos agido de forma justa em 2018, Ogum nos fará colher os bons frutos daquele que é justo no caminhar, porém para cada coisa injusta/errada que fizemos, Ogum garantirá que recebamos as consequências de nossos atos. E iss, meus irmãos, nada mais é do que o maior e mais forte sinal de amor que a Espiritualidade Divina pode nos oferecer, porque com isso estamos evoluindo (olha Nanã e Obaluaiê aí gente) e, evoluindo, conseguimos ser pessoas cada vez melhores.
Minha dica para 2019 é: sejam sempre corretos, andando pelos caminhos que a vida proporcionar, sempre de cabeça erguida e, independente do obstáculo, não se desvirtue. Não deixe para depois tudo aquilo de bom que pode e deve ser feito agora. A Lei da Umbanda prega a Caridade, então estenda a mão para o próximo, mas seja firme quando estiver certo. Não aceite situações erradas, porque se aceitar você fará parte dela. Busque conhecer a si mesmo para conseguir entender ao próximo. Seja caridoso, mas seja firme.
Vale lembrar que quem estiver em desequilíbrio na Lei da Umbanda, será acompanhado por Iansã.
Que 2019 seja um grande ano para todos.
Salve meu Pai Ogum
Salve minha Mãe Nanã
Salve minha Mãe Iansã
Salve meu Pai Obaluaiê
Axé
E já que estamos falando de 2019, vamos começar falando sobre os orixás que regerão este importante ano para os brasileiros: Ogum e Nanã. Antes de tudo, eu preciso deixar bastante claro que não sou 100% adepto ao fato de focar exclusivamente em um ou outro Orixá, porque quando fazemos isso entendo que ficamos "mancos" em nossa evolução. Porém, conforme já vimos em estudo anterior, quando um grande número de pessoas colocam o pensamento sob o mesmo tema, acreditando em algo, aquilo se envolve com uma energia tão grande que se torna verdade.
Sendo assim, como a vasta maioria dos umbandistas acredita na regência de pelo menos 2 Orixás, esse pensamento acaba energizando os tronos a qual cada um desses Orixás rege ou atua. Se em 2018 Xangô foi o o regente, então não apenas a Justiça reinou, mas o Trono da Justiça, a qual trabalham dois Orixás: Egunitá e Xangô. Já vimos que existem 7 tronos na Umbanda (Fé, Amor, Conhecimento, Geração, Justiça, Lei e Evolução) e em cada um desses tronos, existem dois orixás que atuam de forma ativa e passiva na vibração dessas energias. Vamos relembrar quais são:
Fé: Oxalá e Logunã
Amor: Oxum e Oxumaré
Conhecimento: Oxossi e Obá
geração: Iemanjá e Omulu
Justiça: Xangô e Egunitá
Lei: Ogum e Iansã
Evolução: Obaluaiê e Nanã
Por uma incrível coincidência, algo extremamente raro acontecerá em 2019. Pela primeira vez em muitos anos, existirá a regência de 2 Orixás que atuam em tronos distintos da Umbanda, mas que possuem outro Orixá cultuado na Umbanda. Reparem que apenas os tronso da Lei e da Evolução são regidos por 4 Orixás cultuados em nossa religião. Em 2019, portanto, não teremos apenas a regência de Ogum e Nanã, mas a vibração ainda mais forte dos tronos da Lei e da Evolução.
Quando falamos nos tronos, queremos dizer que um Orixá atua de forma passiva (acolhendo à pessoa que anda alinhada com aquela conceito) e um Orixá na forma ativa (se alguém está em desequilíbrio, é outro Orixá que toma conta). Ogum é o orixá passivo no Trono da Lei, portanto quem anda de forma correta, praticando a Lei da Umbanda, será abençoado pelas forças do Ogum. Nanã é a Orixá passivo no Trono da Evolução, portanto aquela pessoa que não estiver praticando a reforma íntima, será acompanhada pelas energias de Nanã.
Dito isso, eu preciso comentar algo que um grande amigo me falou ontem e eu concordo em partes, mas, respeitosamente, discordo em alguns termos. Segundo ele, sendo regido por Ogum, as pessoas devem temer 2019. Eu não acredito na punição de Orixá, especialmente na Umbanda, onde não falamos de divindades, mas sim da energia emanada por elas. Ogum é Lei, é a retidão que a pessoa tem que ter em sua caminhada, então se a pessoa é alguém correta não há o que temer, muito pelo contrário; deve agradecer a proteção de nosso Pai Ogum.
O que acontece, porém, é que não podemos esquecer que, justamente para nosso crescimento enquanto pessoas, nós precisamos sempre colher aquilo que plantamos. Minha Mãe de Santo, Mara Calegari, me explicava que 2018 foi o ano de Xangô, que rege a Justiça na Umbanda, então não há como virar as costas para o que se faz nas forças de nosso Pai Xangô, então quando acaba sua regência no plantio, está na hora de colhermos com a espada da Lei de Ogum; então se tivermos agido de forma justa em 2018, Ogum nos fará colher os bons frutos daquele que é justo no caminhar, porém para cada coisa injusta/errada que fizemos, Ogum garantirá que recebamos as consequências de nossos atos. E iss, meus irmãos, nada mais é do que o maior e mais forte sinal de amor que a Espiritualidade Divina pode nos oferecer, porque com isso estamos evoluindo (olha Nanã e Obaluaiê aí gente) e, evoluindo, conseguimos ser pessoas cada vez melhores.
Minha dica para 2019 é: sejam sempre corretos, andando pelos caminhos que a vida proporcionar, sempre de cabeça erguida e, independente do obstáculo, não se desvirtue. Não deixe para depois tudo aquilo de bom que pode e deve ser feito agora. A Lei da Umbanda prega a Caridade, então estenda a mão para o próximo, mas seja firme quando estiver certo. Não aceite situações erradas, porque se aceitar você fará parte dela. Busque conhecer a si mesmo para conseguir entender ao próximo. Seja caridoso, mas seja firme.
Vale lembrar que quem estiver em desequilíbrio na Lei da Umbanda, será acompanhado por Iansã.
Que 2019 seja um grande ano para todos.
Salve meu Pai Ogum
Salve minha Mãe Nanã
Salve minha Mãe Iansã
Salve meu Pai Obaluaiê
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