Querem tema polêmico? Então, toooomaaaa polêmica.
Em quase todo terreiro que tive o prazer de conhecer ou trabalhar existe uma regra que é mais ou menos a seguinte: parente não atende parente e parente não cambona parente. Acredito que isso deve ser uma orientação nos terreiros da maioria dos leitores, mas vamso tentar entender o porque isso acontece.
Primeiramente precisamos entender que NÃO EXISTE mais médium inconsciente. Os raríssimos médiuns 100% inconscientes que existem são aqueles que iniciaram seu trabalho na Umbanda há mais de 60 anos. Os médiuns mais novos são semiconscientes. Isso não quer dizer que o médium sabe de tudo que está acontecendo durante o atendimento e que consiga lembrar de tudo. Nesse tipo de mediunidade (que é a mais comum), a pessoa consegue receber os recados que o Guia precisa que ele escute, mas não faz com que o médium tenha acesso às informações do atendimento em si. Sabe os trejeitos dos Guias quando incorporam? Então, eles ficam mais brandos no médium semiconsciente (se vocês acham que falar grosso é a principal característica de um Exu incorporado no médium inconsciente, então revejam seus conceitos).
A palavra "semiconsciente" na Umbanda denota, também, que as informações ficarão no subconsciente do médium, o que permite a contrapartida, ou seja, informações do subconsciente do médium "interferirem" no atendimento ao assistido. Logicamente não há problema no atendimento de pessoas que o médium conheça e não tenha uma ligação mais íntima, até porque é comum em alguns terreiros os assistidos acabarem conhecendo e conversando com os médiuns. Aliás, como o trabalho é sempre em conjunto entre médium e Guia, nada mais justo do que o Guia utilizar algum tipo de conhecimento do médium para ajudar a solucionar alguma situação do assistido. Isso é o que faz nossa Umbanda ainda mais linda: união entre todos, inclusive médium e Guia.
No entanto, quando existe o atendimento a uma pessoa íntima do médium, não apenas o conhecimento de alguma situação é colocada à tona, mas pode existir o direcionamento do atendimento pelo médium. Mas como assim, Sergio? Quer dizer que o médium pode influenciar o Guia? A resposta pode assustar, mas ela é bem direta: SIM, PODE!!!! A Umbanda trabalha baseada no Livre Arbítrio, então o Guia não pode impedir que seu médium "passe na frente" durante um atendimento. O que ocorre depois é uma consequência imposta pela Espiritualidade junto ao médium, mas aí o estrago pode já ter sido feito. É sempre bom ressaltar que quando o médium "passa na frente" do Guia, não existe necessariamente uma mistificação, mas o animismo fica mais forte e o Guia, mesmo estando ali presente, fica com menos força na incorporação que o médium.
Vamos imaginar uma situação hipotética: um assistido vai no terreiro querer saber sobre abertura de caminhos em seu trabalho. Quem atende é o seu cônjuge. O Guia de Luz pretende falar para a apessoa ir pelo caminho A e fazer tal e tal coisa, mas o médium quer que seu cônjuge faça outra coisa e de uma forma diferente. De forma inconsciente ele vai mandar essa informação para o Guia, que vai passar a informação "errada" para o assistido. É nesse momento que a situação que está ruim tende a piorar. Se fosse para o assistido saber o que seu cônjuge quer falar, que pergunte direto pra ele. Simples assim!
Todos nós, sem NENHUMA exceção, somos dotados de um terrível problema: ego inflado. A cada dia temos que vigiar para não permitir que nosso ego infle ainda mais e nos dê rasteiras, e quando colocamos a mediunidade no meio, a queda via de regra é muito mais dolorida. Para evitar isso os terreiros adotam a prática de não deixar que parentes interajam com os Guias. Não é chatice, é preservação da harmonia.
Bom, vamos para a parte divertida que é identificar os tipos de situações que ocorrem quando temos Guias e conhecidos juntos:
O ÓBVIÃO
Trabalhei em um terreiro em 2013 que existia um determinado médium (muito bom, por acaso) que sempre que recebia seus guias, chamava sua filha para conversar. Ele falava tudo que estava acontecendo na vida da menina, mas coisas que o médium tinha conhecimento. Ou seja, perdíamos pelo menos 5 minutos toda gira esperando que ele falasse com a guria, aquilo que era óbvio, do tipo "hey moça, hoje de manha você tomou água né? Hhhhhmmmm, sei viu"... ou seja, o "obvião"!
BABÁ
Esse aí é o caso mais comum de todos e via de regra envolve marido e mulher ou pais e filhos. A médium recebe seu guia e começa a trabalhar. Seu marido, que foi incumbido de cambonar outra entidade ou até mesmo fazer qualquer outra coisa na gira, presta mais atenção em seu marido do que no trabalho que está acontecendo, o que gera um desequilíbrio gritante na gira.
Se a médium fizer alguma coisa fora do normal, então, aí só Oxalá na causa. A pessoa só falta ter um ataque cardíaco e sair correndo rsrsrs é ou não e verdade, irmãos?
CHICO XAVIER
Calma, não vou falar do nosso amado e saudoso Chico Xavier (o qual devemos muito respeito e admiração), mas sobre a impressão que algumas pessoas têm sobre seus parentes médiuns. Eu já trabalhei em um terreiro e existia um médium que era novo na religião, mas tinha um histórico muito grande de médiuns em sua família, então ele sabiamente entrou na religião para desenvolver, e acabou fazendo isso de uma forma bastante rápida e precisa (é um médium realente muito bom). O único "detalhe" era sua noiva, que o tratava como se fosse o novo Chico Xavier, dizendo que ele tinha essa e aquela capacidade, e que as outras pessoas que trabalhavam no terreiro não tinham a capacidade ajudá-lo.
E, logicamente, ele era um médium comum como todos os demais, sem nada que o diferenciasse na parte espiritual e mediúnica. Demorou, mas a sua noiva aprendeu que aquele posicionamento dela era prejudicial, pois causava um constrangimento entre todos os trabalhadores (porque ninguém o considerava o "novo Chico") e atrapalhava o desenvolvimento do médium, que acabava acreditando que ele era algo além daquilo que realmente deveria ser.
Bom, esses são alguns exemplos mais comuns. Você conhece outros? Tem alguma experiência para compartilhar? Então comente aqui ou me mande um WhatsApp (11 99913-5474) para conversarmos melhor.
Que Oxalá abençoe a todos.
Axé
segunda-feira, 11 de março de 2019
quarta-feira, 6 de março de 2019
Fechamento de Corpo
Antes de começar com esse texto, quero convidar aos leitores de São José dos Campos, Jacareí e região a participarem do Curso Ensinamentos de Umbanda, que será realizado em jacareí todas as quartas a partir do dia 20/03. Me chamem no WhatsApp (11 99913-5474) para maiores informações.
Olá meus irmãos em Oxalá. Espero que todos tenham passado um ótimo Carnaval, com bastante alegria, diversão e respeito ao ori que carregam. Bom, já que o último texto foi sobre a Quaresma na Umbanda, achei legal trazer pra pauta um texto sobre outro ritual que é comumente realizado nos primeiros dias da Quaresma, que é o tão conhecido "Fechamento de Corpo".
Eu particularmente acho esse ritual um dos mais lindos que existe, pois apesar de não ser originário na Umbanda, ele remete à várias religiões que, de forma ecumênica, trouxeram para o Brasil esta prática. Lá no Século XV os portugueses saqueavam a África, com o intuito de comercializar os escravos (eu tenho nojo toda vez que sou obrigado a escrever isso, mas é a mais pura realidade). No alto da arrogância católica, eles tentavam converter os escravos, mas isso não acontecia da forma esperada. Nas viagens para o Brasil, alguns escravos ao invés de rezarem para os santos católicos, realizavam rituais religiosos voltados basicamente na cultura iorubá, onde eram benzidos e protegidos. No início esses rituais eram castigados pelos europeus, mas quando eles colocavam os pés em terras tupiniquim, sofriam de várias doenças por não estarem (eles, os homens brancos) acostumados. Como seus remédios eram escassos, acabavam recorrendo aos escravos e seus rituais.
Esta foi a semente do ritual de fechamento de corpo como conhecemos atualmente, mas houve uma série de mudanças. O ritual dos escravos eram bastante invasivo e entre as práticas, existia um corte que era feito na pessoa e naquela incisão era colocada as ervas consagradas para o Orixá que regia aquele indivíduo. Na Umbanda eu nunca ouvi falar de rituais que precisem cortar alguém, sendo geralmente feito manipulação de ervas, muito oração e confecção de patuás.
Antes mesmo da Umbanda se popularizar, o Sertanejo já realizava uma forma adaptada de fechamento de corpo, sendo que um dos maiores defensores desta prática era Virgulino Ferreira, mais conhecido como Lampião, líder do Cangaço, que praticamente obrigava seus companheiros de batalha a rezar de forma fervorosa todas as manhãs, pedindo proteção (inclusive para São Jorge, que na Umbanda é sincretizado com Ogum e é nosso protetor). Era muito comum os sertanejos andarem com pequenos patuás de proteção o tempo todo.
O Catimbó também é uma religião que utiliza o ritual de Fechamento de Corpo, sendo que nossos irmãos juremeiros realizavam inúmeras rezas específicas, além de "cruzar" a pessoa com pinga curtida com a casca da Jurema e muita defumação.
A Umbanda, sendo uma religião moderna como sempre foi, acabou "emprestando" um pouco de cada ritual e estabeleceu o seu próprio. Vale sempre a pena ressaltar que não existe uma forma única de se fazer algo dentro da Umbanda. O que existe é algo com ou algo sem fundamento. Se tem fundamento, pode e deve ser feito; se não tem, deve ser repensado. Eu vou citar alguns dos rituais que conheço para fechamento de corpo, mas lembrando que de forma alguma deve ser feito por pessoa inexperiente, ou substituir a forma como o terreiro que você trabalha ou frequenta atua. Confie no seu Pai ou na sua Mãe de Santo. Eles sabem como agir da forma correta com seus filhos.
Vamos aos rituais:
RITUAL 1
Ingredientes:
Um pote com azeite e dentes de alho;
1 vela palito cruzada preta e branca ou somente branca.
O azeite junto com os dentes de alho são benzidos pelos Pretos Velhos e ficam energizados pela vela firmada e consagrada a Obaluaiê.
Cada um dos médiuns tem o sinal da cruz feito na testa, no peito, nas mãos e nos pés (sempre com o óleo ungido). Este cruzamento pode ser feito pelo Sacerdote da casa ou, em alguns terreiros, ele é feito entre os filhos (são divididos em duplas e um cruza o outro), o que representa a união, harmonização e a capacidade de benzimento de todo médium umbandista.
No final do ritual, dá-se passagem aos Exus dos dirigentes do Terreiro (ou de médiuns de consulta), os quais realizam o fechamento do trabalho, imantando sua energia de proteção junto aos médiuns.
...
RITUAL 2
Ingredientes:
Um pote com azeite e dentes de alho;
1 vela palito cruzada preta e branca ou somente branca.
Pano preto (o quanto necessário);
Olho de Cabra (1 para cada médium);
O ritual de benzimento com o azeite e o óleo é o mesmo, porém junto ao azeite sendo energizado, também é colocado os olhos de cabra e o tecido. O tecido é costurado em volta do olho de cabra, e naquele momento é consagrado como patuá, e deverá ser usado pelo médium o tempo todo durante a Quaresma.
...
RITUAL 3 (de Tata Caveira)
Este é um ritual que aprendi com o amigo e mestre Tata Caveira, e conforme ele mesmo diz, "não é um daqueles rituais que devem ser escondidos".
Ingredientes:
1 vela palito preta;
1 vela palito branca;
1 vela palito vermelha;
1 fio de contas pequenas preto e pequeno (que caiba no bolso);
Barro ou argila;
Folha de mamona (bastante);
Defumação com as ervas de Omulu + casca de alho.
O Exu (incorporado ou irradiando sua energia no médium) deve consagrar as folhas de mamona. Sob essas folhas é colocado o barro (ou a argila). Em cima do barro os fios de conta (1 para cada médium) são colocados. As velas são dispostas em torno das folhas, sendo a preta do lado direito, a vermelha no direito e a branca no centro (parte de cima). Elas deverão ser firmadas e consagradas para Exu Tata Caveira e ficarão imantando tudo por pelo menos 30 minutos.
Cada uma das guias deverá ser retirada daquela firmeza pelo Guia incorporado e entregue individualmente para cada médium, que também receberá as bênçãos no passe de Seu Tata Caveira.
Todo o ritual deve ser realizado com a defumação queimando na porteira do terreiro.
O médium deverá usar o fio de contas cruzado o tempo todo, preferencialmente em local não visível (por isso pode ser pequeno).
O barro e as folhas de mamona deverão ser descarregadas no cemitério.
...
RITUAL 4 (dos Baianos)
Ingredientes:
1 vela palito branca para cada médium;
1 vela palito vermelha ou azul escuro;
1 vela palito branca;
1 pedaço de tecido vermelho ou azul escuro para cada médium;
1 medalha pequena de metal (o Guia Espiritual vai intuir de qual santo ou Orixá será usado);
Linha de costura;
Pemba ralada;
A pemba será ralada enquanto se canta ponto de Iansã, visando consagração.
O tecido vermelho ou azul (dependendo de qual cor seu terreiro cultua Ogum) ficará disposto, já cortado em tamanho pequeno, em alguma vasilha e será firmada uma vela vermelha ou azul (idem ao caso do tecido).
As medalhas ficarão em outra vasilha, imerso em água mineral, sendo consagrada aos Baianos com a vela branca;
As medalhas deverão ser costuradas no pedaço de pano. Cada médium confeccionará este amuleto para si.
Cada médium será cruzado com a pemba por um Baiano incorporado, que também consagrará o amuleto. No final cada médium receberá a vela palito (também consagrada na hora pelo Guia), a qual deverá ser firmada na frente do congá, em intenção a Ogum.
Esses são os rituais que mais conheço dentro da nossa amada religião. Você conhece algum outro e deseja compartilhar? Me mande uma mensagem.
Axé
Olá meus irmãos em Oxalá. Espero que todos tenham passado um ótimo Carnaval, com bastante alegria, diversão e respeito ao ori que carregam. Bom, já que o último texto foi sobre a Quaresma na Umbanda, achei legal trazer pra pauta um texto sobre outro ritual que é comumente realizado nos primeiros dias da Quaresma, que é o tão conhecido "Fechamento de Corpo".
Eu particularmente acho esse ritual um dos mais lindos que existe, pois apesar de não ser originário na Umbanda, ele remete à várias religiões que, de forma ecumênica, trouxeram para o Brasil esta prática. Lá no Século XV os portugueses saqueavam a África, com o intuito de comercializar os escravos (eu tenho nojo toda vez que sou obrigado a escrever isso, mas é a mais pura realidade). No alto da arrogância católica, eles tentavam converter os escravos, mas isso não acontecia da forma esperada. Nas viagens para o Brasil, alguns escravos ao invés de rezarem para os santos católicos, realizavam rituais religiosos voltados basicamente na cultura iorubá, onde eram benzidos e protegidos. No início esses rituais eram castigados pelos europeus, mas quando eles colocavam os pés em terras tupiniquim, sofriam de várias doenças por não estarem (eles, os homens brancos) acostumados. Como seus remédios eram escassos, acabavam recorrendo aos escravos e seus rituais.
Esta foi a semente do ritual de fechamento de corpo como conhecemos atualmente, mas houve uma série de mudanças. O ritual dos escravos eram bastante invasivo e entre as práticas, existia um corte que era feito na pessoa e naquela incisão era colocada as ervas consagradas para o Orixá que regia aquele indivíduo. Na Umbanda eu nunca ouvi falar de rituais que precisem cortar alguém, sendo geralmente feito manipulação de ervas, muito oração e confecção de patuás.
Antes mesmo da Umbanda se popularizar, o Sertanejo já realizava uma forma adaptada de fechamento de corpo, sendo que um dos maiores defensores desta prática era Virgulino Ferreira, mais conhecido como Lampião, líder do Cangaço, que praticamente obrigava seus companheiros de batalha a rezar de forma fervorosa todas as manhãs, pedindo proteção (inclusive para São Jorge, que na Umbanda é sincretizado com Ogum e é nosso protetor). Era muito comum os sertanejos andarem com pequenos patuás de proteção o tempo todo.
O Catimbó também é uma religião que utiliza o ritual de Fechamento de Corpo, sendo que nossos irmãos juremeiros realizavam inúmeras rezas específicas, além de "cruzar" a pessoa com pinga curtida com a casca da Jurema e muita defumação.
A Umbanda, sendo uma religião moderna como sempre foi, acabou "emprestando" um pouco de cada ritual e estabeleceu o seu próprio. Vale sempre a pena ressaltar que não existe uma forma única de se fazer algo dentro da Umbanda. O que existe é algo com ou algo sem fundamento. Se tem fundamento, pode e deve ser feito; se não tem, deve ser repensado. Eu vou citar alguns dos rituais que conheço para fechamento de corpo, mas lembrando que de forma alguma deve ser feito por pessoa inexperiente, ou substituir a forma como o terreiro que você trabalha ou frequenta atua. Confie no seu Pai ou na sua Mãe de Santo. Eles sabem como agir da forma correta com seus filhos.
Vamos aos rituais:
RITUAL 1
Ingredientes:
Um pote com azeite e dentes de alho;
1 vela palito cruzada preta e branca ou somente branca.
O azeite junto com os dentes de alho são benzidos pelos Pretos Velhos e ficam energizados pela vela firmada e consagrada a Obaluaiê.
Cada um dos médiuns tem o sinal da cruz feito na testa, no peito, nas mãos e nos pés (sempre com o óleo ungido). Este cruzamento pode ser feito pelo Sacerdote da casa ou, em alguns terreiros, ele é feito entre os filhos (são divididos em duplas e um cruza o outro), o que representa a união, harmonização e a capacidade de benzimento de todo médium umbandista.
No final do ritual, dá-se passagem aos Exus dos dirigentes do Terreiro (ou de médiuns de consulta), os quais realizam o fechamento do trabalho, imantando sua energia de proteção junto aos médiuns.
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RITUAL 2
Ingredientes:
Um pote com azeite e dentes de alho;
1 vela palito cruzada preta e branca ou somente branca.
Pano preto (o quanto necessário);
Olho de Cabra (1 para cada médium);
O ritual de benzimento com o azeite e o óleo é o mesmo, porém junto ao azeite sendo energizado, também é colocado os olhos de cabra e o tecido. O tecido é costurado em volta do olho de cabra, e naquele momento é consagrado como patuá, e deverá ser usado pelo médium o tempo todo durante a Quaresma.
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RITUAL 3 (de Tata Caveira)
Este é um ritual que aprendi com o amigo e mestre Tata Caveira, e conforme ele mesmo diz, "não é um daqueles rituais que devem ser escondidos".
Ingredientes:
1 vela palito preta;
1 vela palito branca;
1 vela palito vermelha;
1 fio de contas pequenas preto e pequeno (que caiba no bolso);
Barro ou argila;
Folha de mamona (bastante);
Defumação com as ervas de Omulu + casca de alho.
O Exu (incorporado ou irradiando sua energia no médium) deve consagrar as folhas de mamona. Sob essas folhas é colocado o barro (ou a argila). Em cima do barro os fios de conta (1 para cada médium) são colocados. As velas são dispostas em torno das folhas, sendo a preta do lado direito, a vermelha no direito e a branca no centro (parte de cima). Elas deverão ser firmadas e consagradas para Exu Tata Caveira e ficarão imantando tudo por pelo menos 30 minutos.
Cada uma das guias deverá ser retirada daquela firmeza pelo Guia incorporado e entregue individualmente para cada médium, que também receberá as bênçãos no passe de Seu Tata Caveira.
Todo o ritual deve ser realizado com a defumação queimando na porteira do terreiro.
O médium deverá usar o fio de contas cruzado o tempo todo, preferencialmente em local não visível (por isso pode ser pequeno).
O barro e as folhas de mamona deverão ser descarregadas no cemitério.
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RITUAL 4 (dos Baianos)
Ingredientes:
1 vela palito branca para cada médium;
1 vela palito vermelha ou azul escuro;
1 vela palito branca;
1 pedaço de tecido vermelho ou azul escuro para cada médium;
1 medalha pequena de metal (o Guia Espiritual vai intuir de qual santo ou Orixá será usado);
Linha de costura;
Pemba ralada;
A pemba será ralada enquanto se canta ponto de Iansã, visando consagração.
O tecido vermelho ou azul (dependendo de qual cor seu terreiro cultua Ogum) ficará disposto, já cortado em tamanho pequeno, em alguma vasilha e será firmada uma vela vermelha ou azul (idem ao caso do tecido).
As medalhas ficarão em outra vasilha, imerso em água mineral, sendo consagrada aos Baianos com a vela branca;
As medalhas deverão ser costuradas no pedaço de pano. Cada médium confeccionará este amuleto para si.
Cada médium será cruzado com a pemba por um Baiano incorporado, que também consagrará o amuleto. No final cada médium receberá a vela palito (também consagrada na hora pelo Guia), a qual deverá ser firmada na frente do congá, em intenção a Ogum.
Esses são os rituais que mais conheço dentro da nossa amada religião. Você conhece algum outro e deseja compartilhar? Me mande uma mensagem.
Axé
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
A Quaresma e a Umbanda
Olá irmãos em Oxalá. Tudo bem Espero que sim. Desculpem pela demora na atualização, mas passei os últimos dias dedicando meu tempinho diário de Umbanda para a criação do Curso Sabedoria de Umbanda, que será ministrado a partir do dia 13 de março na Tenda de Umbanda Ogum Beira Mar em Jacareí, SP.
O assunto que resolvi falar a respeito é, adivinhem só, polêmico, porque envolve uma série de achismos, mas muito interessante de ser estudado, porque é em si só religioso em vários aspectos. Já que estamos às vésperas do Carnaval, falaremos sobre a Quaresma na Umbanda. Temos que ter um cuidado maior? Usar contra egum? Tapar o umbigo? Pode ou não fazer gira no terreiro? Se puder, é melhor trabalhar com a Esquerda ou com a Direita?
Inicialmente é sempre bom lembrar que a Umbanda não é uma religião cartesiana, como o catolicismo, por exemplo, onde pegamos um livro sagrado e o seguimos conforme nossas interpretações. A Umbanda é uma religião moderna, portanto não existe um certo e um errado, o que existe é algo com e algo sem fundamento. Então se esse texto apresentar os fundamentos ideais para a crença de quem ler, ok, se não, Oxalá abençoe e que o fundamento daquilo que cada um segue consiga nortear da melhor forma possível seus passos na religião.
Quaresma é algo criado pela Igreja Católica que compreende o período entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa, e serve para o católico focar em duas coisas principais: piedade e caridade, através do jejum e da abstinência (Direito Canônico, Cân.129). Quem já pôde presenciar o ritual de início da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas sabe que é algo realmente muito bonito e envolto em uma série de mistérios. Como a Quaresma é algo que vem diretamente de interpretação bíblica (Daniel 9,3 e Mateus 11,21, por exemplo) seria natural que nossos irmãos evangélicos adotassem, à sua forma de interpretação, algo relacionado ao tema. O Doutor em Teologia, e pastor evangélico, Odalberto Domingos Casonatto, alega que a Quaresma compreendida apenas nos 40 dias entre Carnaval e Páscoa não se justifica, porque as práticas do jejum, esmola e oração devem ocorrer o ano inteiro.
Eu pesquisei bastante e descobri que não existe rigorosamente nada com consistência na literatura ou em qualquer prática cristã que fale sobre um período "mais pesado", onde o fiel será atentado pelos espíritos ou algo do tipo, ou, ainda, que exista uma provação maior ou menor ao católico. Então de onde veio a ideia que muito umbandista tem de que a Quaresma é um período de maior provação e, até mesmo, no qual espíritos obsessores são soltos par nos atentar o tempo todo? Será que a nossa Quaresma é diferente?
Para responder esta pergunta, temos que voltar a um assunto que já tratamos aqui no COCAR, que é o Holopensene, ou o famoso "Pensamento Coletivo". Se existe uma coisa que todo umbandista acredita é que o pensamento transforma para o bem e para o mal. Se uma pessoa com fé o suficiente consegue emanar pensamentos positivos de cura, então o que dizer sobre milhões de pessoas pensando a mesma coisa ao mesmo tempo, com um grande foco? Não tem dúvida: aquilo vai acontecer. E é exatamente essa a questão com a Quaresma e a Umbanda. Sabemos que a base de médiuns da Umbanda foi feita basicamente por kardecistas que se converteram; se os kardecistas ainda hoje possuem um forte vínculo com o catolicismo, na anunciação da Umbanda, décadas atrás, isso era ainda maior. É esse basicamente o motivo de adotarmos em nosso calendário, festividades e rituais católicos.
Acontece que a Umbanda é uma religião sem um direcionamento de um líder específico (não temos um Papa), então a Quaresma com o passar do tempo começou a ser vinculada em nossa religião com as provações pelo diabo que Jesus sofreu no deserto durante 40 dias. Um começou a falar isso, outro acreditou e passou pra frente e assim por diante até que passou a existir um pensamento coletivo em que isso passou a ser verdade. Só que como é que os espíritos obsessores ficaram "mais fortes" nesse período? Esse pensamento coletivo fez isso por si só? Não, esse tipo de coisa não acontece como mágica. O que pode, sim, acontecer é uma corrente de pensamento deixar o ambiente mais pesado ou mais leve e isso atrair um determinado tipo de espírito, mas não seria algo colossalmente grande como existe na Quaresma Umbandista.
A Espiritualidade Amiga sempre utilizará todos os meios necessários, respeitando o Livre Arbítrio existente, para ajudar a todos em nossa evolução. A partir do momento que essa Holopensene da Quaresma foi criada no Astral, nossos amigos no Plano Espiritual conseguiram utilizar isso para ajudar nós, umbandistas, em nossa Evolução Espiritual (ou a famosa Reforma Íntima), para isso, sob a supervisão dos Guias de Luz que atuam para nos proteger dentro de nossos passos corretos (já ouviram falar dos Exus? Então, olha eles aí novamente), autorizam que espíritos obsessores atuem perante nós para que não apenas nos atentem, mas principalmente tenham condições de serem resgatados. É isso mesmo, irmãos. Durante a Quaresma é a época em que existe a maior quantidade de resgates de obsessores para a Luz Divina. Mas como isso acontece? Simples.... com muita oração. Então, remetendo ao conceito inicial do que é a Quaresma, podemos dizer que o conceito é igual (prece e vigília) mas com um objetivo distinto (resgate de espíritos obsessores).
Quando oramos e vigiamos, conseguimos não apenas ajudar os nossos irmãos que precisam de luz para seguir sua caminhada, mas nós também nos ajudamos com a nossa evolução. A Quaresma, portanto, irmãos, é uma grande oportunidade de evoluirmos espiritualmente, através de um contato mais forte com Deus e praticando aquilo que o Caboclo das Sete Encruzilhadas orientou lá atrás, em 1908: CARIDADE.
Eu particularmente não pratico qualquer tipo de jejum, mas entendo quem utilize essa prática para se confortar espiritualmente na Quaresma. O que eu preciso aconselhar é que o jejum em si não representa rigorosamente NADA se não for acompanhado de vigília de seus atos e oração. E se fizer jejum, que seja algo íntimo, sem existir uma publicidade sobre isso (seu irmão de terreiro não precisa saber que você faz jejum).
Quero finalizar dizendo que, segundo o que acredito, existem os Tronos da Umbanda. Quando falamos de Evolução, quem rege é Obaluaê, então fiquem sempre em sintonia com a evolução deste Orixá, especialmente durante a Quaresma.
Bom, como somos umbandista e gostamos de rituais, simbora passar algumas instruções:
TAPAR O UMBIGO
Você já deve ter escutado isso de algumas pessoas e até mesmo de Guias. O fundamento de tapar o umbigo é bastante simples: o Chacra do Plexo Solar é o responsável pela captação de energia, e ele fica localizado exatamente na região do umbigo. Quando cobrimos o umbigo, em tese tapamos a entrada de energia negativa.
É claro que apenas se taparmos o umbigo não quer dizer nada (uma camiseta tapa o umbigo da mesma forma que um esparadrapo). O que deve ser feito é consagrar algum tipo de elemento da natureza que tenha a propriedade de captação de energia de baixa vibração. O elemento mais comum encontrado é no metal, então por isso podemos dizer que colocar uma moeda CONSAGRADA no umbigo pode ajudar bastante.
Para consagrar, basta colocar a moeda (ou o elemento de metal) em um local bastante limpo e firmar uma vela a Ogum (que é o Orixá Guerreiro, protetor, o qual vibra no metal). Depois disso, coloque a moeda consagrada no umbigo, com a ajuda de um esparadrapo.
PEDRA DE PROTEÇÃO
Existem várias pedras que possuem a propriedade de absorção de energias de baixa vibração. A mais conhecida pela sua efetividade é a Turmalina Negra. Apesar de ser extremamente forte em captar essas energias, a turmalina demora muito para descarregar essas energias, então não é aconselhado utilizá-la encostada ao corpo (colares por exemplo). A forma mais comum é utilizar dentro das bolsa ou no bolso da calça.
Recomenda-se toda semana "descarregar" a pedra, deixando no chão durante uma madrugada inteira, firmando uma vela a Obaluaê durante o processo. Se você não tem a disponibilidade de colocar a turmalina na terra, pode deixar imerso em água com sal grosso que também funciona.
CONTRA EGUM
Pronto, chegamos ao assunto polêmico. Sergio, você é doido? Ficar falando de prática do Candomblé em um texto de Umbanda? Ora irmãos, e não estamos falando de Quaresma, que é do Catolicismo? Então, vamos falar de contra egum SIM!
Brincadeiras a parte, eu não recomendo utilizar um contra egum se você não tem rigorosamente todo conhecimento do fundamento que envolve esta prática. O contra egum vem do Candomblé e logicamente não tem relação NENHUMA com o Candomblé.
O contra egum é uma trança de palha da costa e é utilizado amarrado (sem nós) no braço da pessoa. A palha da costa é consagrada a Obaluaê, e quando consagrada da forma correta e após os banhos para Obaluaê tem a capacidade de afastar os espíritos obsessores.
O seu uso para os umbandistas é recomendado apenas para os médiuns que trabalham em locais onde exista notadamente a concentração grande de desencarnados obsessores, como hospitais, bares, presídios, etc.
Lembrando novamente: FAÇA APENAS SE VOCÊ CONHECER E RESPEITAR TODOS OS FUNDAMENTOS DESTE RITUAL.
O assunto que resolvi falar a respeito é, adivinhem só, polêmico, porque envolve uma série de achismos, mas muito interessante de ser estudado, porque é em si só religioso em vários aspectos. Já que estamos às vésperas do Carnaval, falaremos sobre a Quaresma na Umbanda. Temos que ter um cuidado maior? Usar contra egum? Tapar o umbigo? Pode ou não fazer gira no terreiro? Se puder, é melhor trabalhar com a Esquerda ou com a Direita?
Inicialmente é sempre bom lembrar que a Umbanda não é uma religião cartesiana, como o catolicismo, por exemplo, onde pegamos um livro sagrado e o seguimos conforme nossas interpretações. A Umbanda é uma religião moderna, portanto não existe um certo e um errado, o que existe é algo com e algo sem fundamento. Então se esse texto apresentar os fundamentos ideais para a crença de quem ler, ok, se não, Oxalá abençoe e que o fundamento daquilo que cada um segue consiga nortear da melhor forma possível seus passos na religião.
Quaresma é algo criado pela Igreja Católica que compreende o período entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa, e serve para o católico focar em duas coisas principais: piedade e caridade, através do jejum e da abstinência (Direito Canônico, Cân.129). Quem já pôde presenciar o ritual de início da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas sabe que é algo realmente muito bonito e envolto em uma série de mistérios. Como a Quaresma é algo que vem diretamente de interpretação bíblica (Daniel 9,3 e Mateus 11,21, por exemplo) seria natural que nossos irmãos evangélicos adotassem, à sua forma de interpretação, algo relacionado ao tema. O Doutor em Teologia, e pastor evangélico, Odalberto Domingos Casonatto, alega que a Quaresma compreendida apenas nos 40 dias entre Carnaval e Páscoa não se justifica, porque as práticas do jejum, esmola e oração devem ocorrer o ano inteiro.
Eu pesquisei bastante e descobri que não existe rigorosamente nada com consistência na literatura ou em qualquer prática cristã que fale sobre um período "mais pesado", onde o fiel será atentado pelos espíritos ou algo do tipo, ou, ainda, que exista uma provação maior ou menor ao católico. Então de onde veio a ideia que muito umbandista tem de que a Quaresma é um período de maior provação e, até mesmo, no qual espíritos obsessores são soltos par nos atentar o tempo todo? Será que a nossa Quaresma é diferente?
Para responder esta pergunta, temos que voltar a um assunto que já tratamos aqui no COCAR, que é o Holopensene, ou o famoso "Pensamento Coletivo". Se existe uma coisa que todo umbandista acredita é que o pensamento transforma para o bem e para o mal. Se uma pessoa com fé o suficiente consegue emanar pensamentos positivos de cura, então o que dizer sobre milhões de pessoas pensando a mesma coisa ao mesmo tempo, com um grande foco? Não tem dúvida: aquilo vai acontecer. E é exatamente essa a questão com a Quaresma e a Umbanda. Sabemos que a base de médiuns da Umbanda foi feita basicamente por kardecistas que se converteram; se os kardecistas ainda hoje possuem um forte vínculo com o catolicismo, na anunciação da Umbanda, décadas atrás, isso era ainda maior. É esse basicamente o motivo de adotarmos em nosso calendário, festividades e rituais católicos.
Acontece que a Umbanda é uma religião sem um direcionamento de um líder específico (não temos um Papa), então a Quaresma com o passar do tempo começou a ser vinculada em nossa religião com as provações pelo diabo que Jesus sofreu no deserto durante 40 dias. Um começou a falar isso, outro acreditou e passou pra frente e assim por diante até que passou a existir um pensamento coletivo em que isso passou a ser verdade. Só que como é que os espíritos obsessores ficaram "mais fortes" nesse período? Esse pensamento coletivo fez isso por si só? Não, esse tipo de coisa não acontece como mágica. O que pode, sim, acontecer é uma corrente de pensamento deixar o ambiente mais pesado ou mais leve e isso atrair um determinado tipo de espírito, mas não seria algo colossalmente grande como existe na Quaresma Umbandista.
A Espiritualidade Amiga sempre utilizará todos os meios necessários, respeitando o Livre Arbítrio existente, para ajudar a todos em nossa evolução. A partir do momento que essa Holopensene da Quaresma foi criada no Astral, nossos amigos no Plano Espiritual conseguiram utilizar isso para ajudar nós, umbandistas, em nossa Evolução Espiritual (ou a famosa Reforma Íntima), para isso, sob a supervisão dos Guias de Luz que atuam para nos proteger dentro de nossos passos corretos (já ouviram falar dos Exus? Então, olha eles aí novamente), autorizam que espíritos obsessores atuem perante nós para que não apenas nos atentem, mas principalmente tenham condições de serem resgatados. É isso mesmo, irmãos. Durante a Quaresma é a época em que existe a maior quantidade de resgates de obsessores para a Luz Divina. Mas como isso acontece? Simples.... com muita oração. Então, remetendo ao conceito inicial do que é a Quaresma, podemos dizer que o conceito é igual (prece e vigília) mas com um objetivo distinto (resgate de espíritos obsessores).
Quando oramos e vigiamos, conseguimos não apenas ajudar os nossos irmãos que precisam de luz para seguir sua caminhada, mas nós também nos ajudamos com a nossa evolução. A Quaresma, portanto, irmãos, é uma grande oportunidade de evoluirmos espiritualmente, através de um contato mais forte com Deus e praticando aquilo que o Caboclo das Sete Encruzilhadas orientou lá atrás, em 1908: CARIDADE.
Eu particularmente não pratico qualquer tipo de jejum, mas entendo quem utilize essa prática para se confortar espiritualmente na Quaresma. O que eu preciso aconselhar é que o jejum em si não representa rigorosamente NADA se não for acompanhado de vigília de seus atos e oração. E se fizer jejum, que seja algo íntimo, sem existir uma publicidade sobre isso (seu irmão de terreiro não precisa saber que você faz jejum).
Quero finalizar dizendo que, segundo o que acredito, existem os Tronos da Umbanda. Quando falamos de Evolução, quem rege é Obaluaê, então fiquem sempre em sintonia com a evolução deste Orixá, especialmente durante a Quaresma.
Bom, como somos umbandista e gostamos de rituais, simbora passar algumas instruções:
TAPAR O UMBIGO
Você já deve ter escutado isso de algumas pessoas e até mesmo de Guias. O fundamento de tapar o umbigo é bastante simples: o Chacra do Plexo Solar é o responsável pela captação de energia, e ele fica localizado exatamente na região do umbigo. Quando cobrimos o umbigo, em tese tapamos a entrada de energia negativa.
É claro que apenas se taparmos o umbigo não quer dizer nada (uma camiseta tapa o umbigo da mesma forma que um esparadrapo). O que deve ser feito é consagrar algum tipo de elemento da natureza que tenha a propriedade de captação de energia de baixa vibração. O elemento mais comum encontrado é no metal, então por isso podemos dizer que colocar uma moeda CONSAGRADA no umbigo pode ajudar bastante.
Para consagrar, basta colocar a moeda (ou o elemento de metal) em um local bastante limpo e firmar uma vela a Ogum (que é o Orixá Guerreiro, protetor, o qual vibra no metal). Depois disso, coloque a moeda consagrada no umbigo, com a ajuda de um esparadrapo.
PEDRA DE PROTEÇÃO
Existem várias pedras que possuem a propriedade de absorção de energias de baixa vibração. A mais conhecida pela sua efetividade é a Turmalina Negra. Apesar de ser extremamente forte em captar essas energias, a turmalina demora muito para descarregar essas energias, então não é aconselhado utilizá-la encostada ao corpo (colares por exemplo). A forma mais comum é utilizar dentro das bolsa ou no bolso da calça.
Recomenda-se toda semana "descarregar" a pedra, deixando no chão durante uma madrugada inteira, firmando uma vela a Obaluaê durante o processo. Se você não tem a disponibilidade de colocar a turmalina na terra, pode deixar imerso em água com sal grosso que também funciona.
CONTRA EGUM
Pronto, chegamos ao assunto polêmico. Sergio, você é doido? Ficar falando de prática do Candomblé em um texto de Umbanda? Ora irmãos, e não estamos falando de Quaresma, que é do Catolicismo? Então, vamos falar de contra egum SIM!
Brincadeiras a parte, eu não recomendo utilizar um contra egum se você não tem rigorosamente todo conhecimento do fundamento que envolve esta prática. O contra egum vem do Candomblé e logicamente não tem relação NENHUMA com o Candomblé.
O contra egum é uma trança de palha da costa e é utilizado amarrado (sem nós) no braço da pessoa. A palha da costa é consagrada a Obaluaê, e quando consagrada da forma correta e após os banhos para Obaluaê tem a capacidade de afastar os espíritos obsessores.
O seu uso para os umbandistas é recomendado apenas para os médiuns que trabalham em locais onde exista notadamente a concentração grande de desencarnados obsessores, como hospitais, bares, presídios, etc.
Lembrando novamente: FAÇA APENAS SE VOCÊ CONHECER E RESPEITAR TODOS OS FUNDAMENTOS DESTE RITUAL.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Incorporação de Orixá
Olá povo lindo do Axé. O assunto de hoje causa sempre muita polêmica, porque diz respeito a algo que anda entre Umbanda e Candomblé, que apesar de serem religiões distintas, ainda existe uma estranha mania das pessoas acharem que um depende do outro, e boa parte dos umbandistas sofre do que eu chamo de "complexo do cachorro vira-lata" (salve Nelson Rodrigues), pois infelizmente pensam que o Candomblé é melhor ou "mais forte" que a Umbanda. Esse complexo, além de trazer coisas como descobrir o Orixá pelos búzios (que não, NÃO é um fundamento da Umbanda), gera em boa parte dos umbandistas uma necessidade de copiar os rituais do Candomblé.
Eu entendo que a Umbanda é uma religião moderna que traz para seu cerne vários conceitos de outras religiões, inclusive do Candomblé, mas tudo tem que ser feito com fundamento, e não apenas pegar parte de um ritual que tem seu fundamento em outra religião, e trazer para a Umbanda. É a mesma coisa que pegar um capítulo de um livro e baseado apenas neste capítulo querer resumir o livro todo e ainda se dizer especialista. Mas, Sergio, o que isso tem a ver com incorporar ou não incorporar Orixá na Umbanda? Simples, no Candomblé, conforme dita os conceitos daquela religião, os Orixás foram indivíduos dotados de características especiais que os diferenciavam e, já encarnados eram considerados divindades. Com o tempo, ascenderam ao Plano Espiritual, aonde vivem e comandam tudo até hoje.
Baseado nisso, pelo fundamento do Candomblé, existe a incorporação do Orixá em si em algumas casas e de representantes desses Orixás em outras. Então é crível que ali, sim, existe a manifestação de um Orixá propriamente dito. Na Umbanda, no entanto, não podemos dizer isso, simplesmente porque independente da vertente que o terreiro siga (alguns acreditam que os Orixás existiram encarnados e ascenderam e, ali, se tornaram divindades e outros acreditam que os Orixás são forças da natureza), sabemos que não há como um único indivíduo (Orixá) possa incorporar em mais do que uma pessoa ao mesmo tempo (Orixás seriam INDIVÍDUOS). O que existe na Umbanda não é a incorporação propriamente dita do Orixá, mas sim de um CABOCLO que atua na vibração daquele Orixá.
Neste ponto, vale a pena lembrar que existem vários níveis hierárquicos mesmo na Espiritualidade, sendo que os caboclos que atuam nos terreiros, incorporados e prestando atendimento, são os Guias que acompanham uma pessoa. Além deste caboclo, existem os capangueiros, que são representantes dos Orixás dentro de cada falange. Esses capangueiros são os responsáveis em trazer para o terreiro, através de um médium, a "força bruta" daquele Orixá que representa. É por este motivo, que na maioria das vezes eles dançam trazendo seu Axé e não falam absolutamente nada, pois não faz parte de sua missão fazer isso. Quando manifestado em um terreiro, o faz para energizar com a força daquele Orixá a casa, os médiuns e consulentes.
Vimos que na Umbanda não se manifesta Orixá, mas sim Caboclo. Isso é polêmico? Sim, certamente... mas vai ficar ainda mais. E se eu disser que na maioria das vezes não é nem Caboclo que incorpora no médium, mas o próprio médium? E, ainda por cima, não é animismo! É uma situação um pouco mais complicada de entender, mas ela vem para justamente respaldar alguns dos conceitos mais tradicionais da religião, que é o tal "pai ou mãe de coroa" de alguém. Vamos entender:
Todo mundo tem algo que chamamos de ori. Nosso ori serve basicamente para duas coisas: contato com o Plano Espiritual (quando existe incorporação, ela se inicia através de nosso ori, por isso é considerado algo sagrado) e armazenamento de todas as informações que recebemos do Plano Espiritual. Entre essas informações, está as informações que o médium recebe da vibrações de seu Orixá de Coroa (já vimos o que é isso). Vamos pegar meu caso como exemplo: eu sou filho de Oxóssi (quer dizer que Ele é meu Orixá de Coroa), então desde meu nascimento recebo as informações da força de Oxóssi e essas informações são armazenadas no meu inconsciente, o que faz com que eu tenha algumas das características deste Orixá.
Como esta informação está armazenada em meu inconsciente, de uma forma natural (e isso é científico, não se trata de especulação) o meu consciente é sempre "abastecido" por essas informações. Quando o médium de forma consciente se concentra para dar passividade ao Orixá, na maioria das vezes não é um guia que se aproxima, mas as informações do Orixá em si que estão impressas na mente do médium que se manifesta. Se eu puxar na memória, inúmeras vezes escutei de guias "salve sua coroa" ou algo parecido. Quando isso acontece, eles estão saudando o Orixá que carregamos em nosso coroa (ou em nosso ori). Então é certo dizer que todos nós carregamos a essência do Orixá e é natural e muito lindo quando há a manifestação desta energia junto ao médium.
Por essas e outras eu disse lá no começo do texto que este assunto é bastante polêmico. Nós não manifestamos o Orixá; nós manifestamos ou um Caboclo que atua na vibração daquele Orixá, ou manifestamos nosso inconsciente que está irradiado com a energia do Orixá. E tudo isso é muito lindo, pois esta complexidade que é voltada para o crescimento do indivíduo que fortalece nossa religião.
Salve todos os Orixás da Umbanda
Salve nosso Ori
Axé
Eu entendo que a Umbanda é uma religião moderna que traz para seu cerne vários conceitos de outras religiões, inclusive do Candomblé, mas tudo tem que ser feito com fundamento, e não apenas pegar parte de um ritual que tem seu fundamento em outra religião, e trazer para a Umbanda. É a mesma coisa que pegar um capítulo de um livro e baseado apenas neste capítulo querer resumir o livro todo e ainda se dizer especialista. Mas, Sergio, o que isso tem a ver com incorporar ou não incorporar Orixá na Umbanda? Simples, no Candomblé, conforme dita os conceitos daquela religião, os Orixás foram indivíduos dotados de características especiais que os diferenciavam e, já encarnados eram considerados divindades. Com o tempo, ascenderam ao Plano Espiritual, aonde vivem e comandam tudo até hoje.
Baseado nisso, pelo fundamento do Candomblé, existe a incorporação do Orixá em si em algumas casas e de representantes desses Orixás em outras. Então é crível que ali, sim, existe a manifestação de um Orixá propriamente dito. Na Umbanda, no entanto, não podemos dizer isso, simplesmente porque independente da vertente que o terreiro siga (alguns acreditam que os Orixás existiram encarnados e ascenderam e, ali, se tornaram divindades e outros acreditam que os Orixás são forças da natureza), sabemos que não há como um único indivíduo (Orixá) possa incorporar em mais do que uma pessoa ao mesmo tempo (Orixás seriam INDIVÍDUOS). O que existe na Umbanda não é a incorporação propriamente dita do Orixá, mas sim de um CABOCLO que atua na vibração daquele Orixá.
Neste ponto, vale a pena lembrar que existem vários níveis hierárquicos mesmo na Espiritualidade, sendo que os caboclos que atuam nos terreiros, incorporados e prestando atendimento, são os Guias que acompanham uma pessoa. Além deste caboclo, existem os capangueiros, que são representantes dos Orixás dentro de cada falange. Esses capangueiros são os responsáveis em trazer para o terreiro, através de um médium, a "força bruta" daquele Orixá que representa. É por este motivo, que na maioria das vezes eles dançam trazendo seu Axé e não falam absolutamente nada, pois não faz parte de sua missão fazer isso. Quando manifestado em um terreiro, o faz para energizar com a força daquele Orixá a casa, os médiuns e consulentes.
Vimos que na Umbanda não se manifesta Orixá, mas sim Caboclo. Isso é polêmico? Sim, certamente... mas vai ficar ainda mais. E se eu disser que na maioria das vezes não é nem Caboclo que incorpora no médium, mas o próprio médium? E, ainda por cima, não é animismo! É uma situação um pouco mais complicada de entender, mas ela vem para justamente respaldar alguns dos conceitos mais tradicionais da religião, que é o tal "pai ou mãe de coroa" de alguém. Vamos entender:
Todo mundo tem algo que chamamos de ori. Nosso ori serve basicamente para duas coisas: contato com o Plano Espiritual (quando existe incorporação, ela se inicia através de nosso ori, por isso é considerado algo sagrado) e armazenamento de todas as informações que recebemos do Plano Espiritual. Entre essas informações, está as informações que o médium recebe da vibrações de seu Orixá de Coroa (já vimos o que é isso). Vamos pegar meu caso como exemplo: eu sou filho de Oxóssi (quer dizer que Ele é meu Orixá de Coroa), então desde meu nascimento recebo as informações da força de Oxóssi e essas informações são armazenadas no meu inconsciente, o que faz com que eu tenha algumas das características deste Orixá.
Como esta informação está armazenada em meu inconsciente, de uma forma natural (e isso é científico, não se trata de especulação) o meu consciente é sempre "abastecido" por essas informações. Quando o médium de forma consciente se concentra para dar passividade ao Orixá, na maioria das vezes não é um guia que se aproxima, mas as informações do Orixá em si que estão impressas na mente do médium que se manifesta. Se eu puxar na memória, inúmeras vezes escutei de guias "salve sua coroa" ou algo parecido. Quando isso acontece, eles estão saudando o Orixá que carregamos em nosso coroa (ou em nosso ori). Então é certo dizer que todos nós carregamos a essência do Orixá e é natural e muito lindo quando há a manifestação desta energia junto ao médium.
Por essas e outras eu disse lá no começo do texto que este assunto é bastante polêmico. Nós não manifestamos o Orixá; nós manifestamos ou um Caboclo que atua na vibração daquele Orixá, ou manifestamos nosso inconsciente que está irradiado com a energia do Orixá. E tudo isso é muito lindo, pois esta complexidade que é voltada para o crescimento do indivíduo que fortalece nossa religião.
Salve todos os Orixás da Umbanda
Salve nosso Ori
Axé
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Tata Caveira
TATA
CAVEIRA
Eu
respeito todas as entidades que trabalham na Umbanda da mesma forma. Acredito
que todas são maravilhosas e se prestam à Caridade, então por si só isso já me
trona uma fã de carteirinha de nossa religião e dos trabalhadores que a
sustentam. Existem, porém, alguns guias que tenho maior afinidade e, por isso,
acabo me inteirando mais de suas histórias e conhecendo sua forma de pensar e
agir dentro da religião. Certamente uma dessas entidades é o Exu Tata Caveira,
o qual me acompanha e me dá a honra de ser seu aparelho para trabalhos nos
terreiros.
Quero
dizer que o que falarei aqui não se trata de uma regra de como são os Exus
desta linha, afinal de contas cada um desses guias tem a sua história e
trabalham com o nome do Falangeiro que o doutrinou dentro da religião. O Seu
Tata que trabalha comigo pode ser diferente daquele que trabalha com o leitor,
que pode ser diferente daquele que trabalha com o amigo do leitor. Existem,
sim, pontos em comum que falarei a respeito, mas esse texto específico será,
como editei o texto agora e consegui perceber, um verdadeiro desabafo deste
maravilhoso Guia.
Outro dia
conversava com Seu Tata a respeito de como eu deveria agir em uma situação
específica. Sua resposta foi bastante clara, como há muito ele não era (geralmente
eu sou intuído, mas desta vez eu escutava de forma bastante clara como se ele
estivesse ali). Ele me disse algo assim:
"Você
me conhece há tempo o suficiente para saber que não vou te colocar neste ou
naquele caminho. Você é inteligente para saber distinguir o certo do errado,
então basta fazer isso e tomar a decisão certa". Sim, eu já sabia
disso, mas mesmo assim queria uma dica, algo que pudesse me amparar. Foi então
que tive uma lição de humildade e pude entender um pouco de sua história. As palavras
dele me parecem ainda mais claras quando busco na memória recente:
"Seu
conhecimento me parece estar minguando a cada dia. Nós dois somos trabalhadores
da religião de Umbanda, com a única diferença que eu fui abraço pela
Espiritualidade e, depois de muito penar, abracei de volta. E você? Você
abraçou de verdade a Umbanda, ou gosta de falar que é umbandista? Se você tem o
conhecimento do que deve e do que pode fazer dentro dos ensinamentos que teve,
então faça. Se não tiver, quer dizer que seu desequilíbrio com Aquele que
carrega na coroa está maior do que eu pensava. Se tem o conhecimento e não
pratica, então te falta fé, e trabalhador da Espiritualidade sem fé, não é nada
além de uma carcaça a prejudicar os outros. E digo prejudicar porque você só consegue
dar aquilo que tem, então se alguém buscar conforto espiritual em você, não
terá nada de volta além de mais dúvidas."
A resposta
que eu tive foi quase um soco no estômago e me fez refletir muito a respeito de
quem eu sou dentro da religião e o que posso ser. Baseado nisso, perguntei a
Seu Tata se ele poderia me falar um pouco de sua história, não para que eu
seguisse à risca (lógico que não), mas para que pudesse entender um pouco mais
como se dá a evolução de um espírito (encarnado ou não) na Umbanda. Sua
resposta foi:
"Você
bem sabe que não gosto de contar histórias, porque na minha situação atual,
onde eu carrego o nome de meu Mestre, remeter ao meu passado e contar isso para
as pessoas pode me trazer de volta a vaidade que me fez cair. Eu vou te
explicar algumas das partes principais de quem fui e como me desenvolvi, para
que você perceba o como podemos ser iguais. Não entenda isso como minha
história pessoal, mas como uma lição.
Quando
encarnado cometi vários atos que eram errados sem sombra de dúvidas. Eu era
inteligente, tinha conhecimento do que era certo e do que era errado, e por
minha única vontade decidi fazer as coisas que eram erradas. Quando agimos de
forma correta, damos um pequeno passo para frente; quando agimos de forma errada,
corremos para trás. Minha caminhada errada me fez regredir muito, me tornando
tudo aquilo que eu não poderia ser: pensava apenas em mim e não me importava em
pisar nas outras pessoas, por qualquer motivo que fosse. Eu achava que era a
pessoa mais importante que existia, e aquilo me colocava em uma posição onde eu
precisava ser adorado pelos outros. Meu ego era cheio de volúpia enquanto vivo,
e quando desencarnei percebi que ninguém chorava por mim, então meu coração se
encheu de ódio.
Passei por
incontáveis anos fazendo o mal pela simples vontade de fazer. Ao contrário do
que muitos contam, existem espíritos obsessores que trabalham sozinhos e não
recebem nada em troca, além da angústia das outras pessoas. Em determinado
momento fui resgatado por aquele que se tornaria meu Mestre. Se passei décadas
praticando maldade, passei muitas outras mais aprendendo que aquilo era errado
e sendo doutrinado para trabalhar visando reverter tudo aquilo de errado que
tinha feito antes. Quando pude aprender o suficiente para trabalhar na Umbanda,
aprendi minha última e maior lição: meu Mestre Falangeiro, que havia me curado
a alma, tirou qualquer resquício de vaidade ao me tirar a pele, os músculos e
os órgãos. A partir daquele instante eu seria Caveira como ele se apresentava,
porque todos temos nossas caveiras no corpo, portanto seria minha aparência
esquelética o símbolo de que não há distinção física alguma entre os seres, e o
que importa é a evolução de cada um.
Quero que
você entenda que quando você sabe que algo é errado e mesmo assim faz aquilo,
está andando para trás; está se tornando uma pessoa má, e tudo aquilo que você
fizer nesta vida vai te acompanhar para sempre. Você não sabe o dia que vai
desencarnar, então não deve ficar com esta sua mania de achar que dará tempo
para arrumar tudo aquilo de errado que fez. Pode ser que não dê, e se isso
acontecer o que você vai fazer a respeito? Chorar a oportunidade que perdeu? Se
tornar um dos obsessores que tanto nos dá trabalho? Eu só conheci a Umbanda
depois de muito tempo após desencarnar, mas você não. Você tem a oportunidade
de seguir um caminho muito melhor do que eu segui, sabendo de coisas que eu não
sabia e tendo instrumentos para melhorar que eu não tive. Então abrace a
Umbanda como eu fiz. Não faça isso da boca para fora, porque falar que é
umbandista é fácil. Haja como umbandista."
Sabe quando você fica atônito por um
bom tempo, completamente sem reação? Pois bem, eu fiquei desta forma. Passei
alguns dias assimilando tudo o que foi dito e decidi rever alguns
posicionamentos em relação a coisas que eu fazia de uma forma automática, incluindo
a minha atuação dentro do terreiro que trabalhava. Existiam situações que não
cabem aqui expor, mas que não eram de meu agrado. Eu sempre consegui ter o
entendimento que os terreiros de Umbanda são diferentes um do outro e sei que
não existe um certo e um errado (religião não é matemática), mas sempre tive um
olhar crítico em demasia quando algo acontece de uma forma que eu não
concordava ou que eu tinha aprendido de forma diferente. Eu decidi perguntar a
Seu Tata o que ele entendia sobre esse assunto. Não pedi orientação, apenas sua
opinião:
“A forma certa de girar em um terreiro de
Umbanda é se melhorar a cada trabalho feito. Quando a assistência está cheia de
pessoas, quer dizer que o terreiro é bom, que ajudou alguém que convidou outra
pessoa. Se você acha que consegue fazer melhor que quem dirige a casa, então
abra um terreiro para comandar. Mas faça isso sabendo que para alguém a forma
que você vai decidir o que será feito e a forma como será feito estará errada. Eu
vou te acompanhar sempre em todos os lugares que você for porque me foi dada a
incumbência de te ajudar em sua evolução da mesma forma que você me ajuda, mas
a partir do momento que você fizer algo que eu considere errado dentro de um
terreiro que decida tomar a frente, farei você aprender da pior maneira o que é
humildade, e ser humilde passa por aprender com aqueles que vieram antes de
você. Se não te couber, aceite a diferença, não diga e nem pense que está
errado. Se fizer isso, quer dizer que tem um remédio que não existe para uma
doença que ninguém sabe qual é. Você precisa entender que não é melhor e nem
pior que qualquer pessoa.
Se uma casa não te agrada, peça o
afastamento como tem que ser: respeitando quem está à frente e todos os
trabalhadores. Procure uma casa que te agrade por completo e quando não
encontrar, volte humildemente pedindo perdão. ”
Essas conversas me mostram como sou
pequeno diante a Espiritualidade e o como ainda temos todos que evoluir para
termos o entendimento que esses Guias de Luz possuem. Agradeço sempre pela
oportunidade de ser amparado por todos esses Guias maravilhosos, em especial
Seu Tata Caveira, que me ajuda muito em tudo, inclusive quando me dá esse tipo
de bronca (aliás, acho que me ajuda mais ainda quando “come meu toco”).
Falado um pouco sobre a história
pessoal entre Seu Tata e eu, vamos explicar como atua a linha dos Caveira num
geral. Primeiramente precisamos esclarecer que a Linha dos Caveira, como são
conhecidos os Exus de Cemitério (ou Calunga Pequena), é formada por alguns
poucos falangeiros (lembram quem são, né?) que atuam rigorosamente da mesma
forma. A razão de existir mais de um falangeiro é porque esses indivíduos que
aceitaram a missão de trabalharem na Umbanda foram evoluindo e tiveram
afinidade com Obaluaiê, o Orixá que atua justamente na Calunga Pequena. Creio
que com o passar dos anos novas falanges na Linha dos Caveiras surgirão para
nos auxiliar na Umbanda.
Não consigo dizer ao certo quais são todos
os falangeiros na Linha dos Caveiras, mas certamente os mais conhecidos são:
Exu Caveira (o primeiro falangeiro desta Linha a se manifestar), João Caveira,
Sete Caveiras e Tata Caveira. Existem outros guias do Cemitério, mas não são da
Linha dos Caveira (Exu Sete Catacumbas, por exemplo).
Já vimos que Tata Caveira é regido por
Obaluaiê, então de uma forma natural uma de suas principais funções é atuar no
afastamento de doenças e males espirituais que possam somatizar na pessoa e causar
algum dano físico. Tendo essa missão de atuar na parte espiritual revertendo
ataques de espíritos obsessores que possam causar algum tipo de doença, a Tata
Caveira foi dado o conhecimento para entender e manipular qualquer tipo de
magia (seja de alta ou de baixa vibração). Esse conhecimento transformou Tata
Caveira em um verdadeiro Mestre da Magia, sendo uma das poucas linhas da
Umbanda a conseguir desfazer sozinha trabalhos de magia com o uso de sacrifícios
para os kiumbas.
Sabido de sua missão, é muito raro
encontrar algum Guia que atua na linha de Seu Tata Caveira que fala muito a
respeito do que faz, ou que se vangloria de seus feitos, isso porque o
falangeiro Tata Caveira exige humildade de seus subordinados, pois sabe que o
ego é traiçoeiro e pode derrubar quem quer que seja, inclusive algum Guia de
Luz.
Gostou de conhecer Sr.Exu Tata
Caveira? Bacana né? Vou ensinar abaixo como arriar uma oferenda de
AGRADECIMENTO (não peçam nada) para este guia maravilhoso:
Vocês precisarão de:
1 Alguidar (médio ou grande)
Farinha de milho branco
Farinha de milho amarelo
1 cebola roxa
7 pimentas vermelhas
3 bifes de fígado
Azeite de dendê
1 garrafa de cachaça
3 velas pretas
3 velas brancas
1 vela cruzada preta e vermelha
3 charutos
- No alguidar coloque primeiro a farinha branca e regue com bastante cachaça. Misture com as mãos, colocando todas as suas boas vibrações naquele ato.
- Repita com a farinha amarela.
- Coloque as duas farinhas no alguidar, dividindo um lado a branca e do outro lado a amarela.
- Frite no azeite de dendê os bifes (não muito, apenas para não sair mais sangue) e distribua em cima das farinhas.
- Corte a cebola em 7 rodelas e distribua uniformemente sob a farinha e os bifes.
- Enfeite com as pimentas.
- Regue o padê com uma boa quantidade de cachaça e depois com o dendê.
- No lado de fora do alguidar coloque a garrafa de cachaça
- Firme as velas, colocando na parte de cima a vela cruzada e de um lado as velas pretas e de outro as brancas.
- Acenda os charutos e para cada um deles, dê 7 baforadas no padê, pedindo que Seu Tata receba aquela oferenda de bom grado. Coloque os charutos ou na frente do alguidar (do lado de fora) ou de uma forma bonita e harmoniosa dentro do alguidar (com o lado da chama para fora).
Faça isso com muita FÉ e GRATIDÃO a
Tata Caveira, nosso amado Guardião.
Obs: se você já tiver uma boa firmeza,
peça orientação a seu sacerdote para arriar no cemitério. Se não, eu aconselho a
fazer esta firmeza no terreiro mesmo.
“Ninguém
é tão bom que incorpore Jesus Cristo e nem tão ruim que incorpore o Diabo” –
Tata Caveira.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Miasmas e Larvas Astrais
Ontem no terreiro que trabalho tivemos uma
aula muito interessante de nossa irmã Nelma (que, aliás, merece todas as
reverências pelo seu maravilhoso trabalho de levar o ensinamento de forma caridosa
a quem precisa) sobre miasmas e larvas astrais. Eu conhecia pouca coisa e
achava, sinceramente, que era tudo igual. Para mim miasma e larva eram sujeiras
que ficam no astral, mas descobri que é bem mais que isso.
A escritora Rhonda Byrne ficou famosa pelo seu
livro O Segredo, onde ajuda a descrever alguns conceitos que quem é umbandista
já deveria saber faz tempo: somos feitos de energia e emanamos energia o tempo
todo através de nossos pensamentos e atitudes; e tudo aquilo que jogamos para o
universo, volta para nós de alguma forma. Se temos bons pensamentos e bons sentimentos
na vida, recebemos de volta na mesma medida. Se nossos pensamentos e
sentimentos são ruins, pesados, então o que receberemos de volta algo parecido.
Seria uma espécie de Lei do Retorno associada de forma direta com as
consequências que devemos ter para nosso crescimento enquanto indivíduos
baseados no Livre Arbítrio.
Se tudo que existe, incluindo nós mesmos, é
composto de energia, então tudo aquilo que pensamos volta para nós não apenas
como uma mera consequência do carma que geramos (exemplo: quem um dia bate
outro dia vai apanhar), mas também como energia negativa ou positiva, e essa
energia acaba nos cercando e de certa forma impregnando em nossa aura.
Na medicina, quando há alguma sujeira no corpo
da pessoa, é utilizado o termo miasma. A espiritualidade emprestou este termo e
determinou que tudo aquilo que forma algum tipo de marca em nossa aura, seja
ruim ou até mesmo boa, é considerado um miasma. Quando esse miasma, formado por
energias geradas através de pensamentos negativos, fica impregnado em uma
pessoa, é denominado miasma deletério (que é o que, por padrão, chamamos de
miasma negativo).
Segundo Sthefany Nolasco, especialista no
assunto, os miasmas são uma espécie de “plastificação” de nossos atos e
pensamentos, tendo a capacidade de grudar em tudo que nos cerca, além de nós
mesmo. Quando uma pessoa está com grande quantidade de miasma deletério a seu
redor, é bastante comum que aquela energia negativa acabe somatizando e se
transforme em sintomas de doenças que a pessoa sequer tem. Dores de cabeça,
peso nas costas, incômodo estomacal, etc, podem ser consequência de uma
concentração grande de energia de baixa vibração. A contrapartida é verdadeira,
então ao ponto que dores podem ocorrer, é fato que alguém que se cerca de
energia positiva consegue sentir em seu corpo as boas consequências de seus
pensamentos, ficando mais leve e conseguindo afastar de si os sintomas de
desconforto causados por pensamentos negativos de outras pessoas.
Existe uma situação que acaba sendo bastante
perigosa, que é quando em algum ambiente fechado (casa, escola, trabalho,
carro, etc) o acúmulo de energia negativa é tão grande que os miasmas ficam
impregnados de tal forma nas paredes que acabam gerando aquilo que chamamos de
larvas espirituais (ou astrais), que nada mais são do que seres asquerosos sem
qualquer tipo de pensamento, que existem apenas para propagar aquele tipo de
pensamento de baixa vibração.
Essas larvas ficam grudadas nas paredes,
móveis e tudo mais que existe em um ambiente e elas agem de forma parasitária,
se nutrindo das energias negativas existentes e, para piorar a situação,
provocam incômodos nas pessoas que estão naquele ambiente que, invariavelmente,
por conta deste incômodo acabam brigando ou entrando em situações negativas e
gerando ainda mais energia de baixa vibração, o que alimenta essas larvas e faz
com que elas se propaguem cada vez mais. Ou seja, ter larva espiritual em um
ambiente á muito complicado e gera uma série de problemas de difícil solução.
Como o próprio nome diz, esses seres têm a
aparência de larvas nas cores verde musgo (bem escuto) e uma cor avermelhada
escura, parecendo sangue pisado. Além disso, em casos muito específicos, quando
o ambiente tem o acúmulo dessas larvas por um grande período de tempo, sendo
alimentadas, existe uma espécie de eclosão e elas tomam aparências distintas,
geralmente seres bestiais. Esses seres estão vinculados a algum tipo específico
de energia negativa liberada pelas pessoas e acompanham as pessoas nesses atos.
Vamos a alguns exemplos:
Dragões surgem em
ambientes ligados à luxúria, tais como prostíbulos e bordéis. Esses seres são
criados pelos pensamentos das pessoas que frequentam e o mal que causam é o
vício na luxúria, causando uma espécie de vício nas pessoas que são
sugestionáveis.
Os Íncubus
e Súcubos são um caso interessante,
pois são uma espécie de simbiose entre espíritos desencarnados que possuíam compulsão
pelo sexo e ainda não conseguiram se livrar dele, junto as larvas astrais. Esta
junção cria o Íncubus, que acompanha a mulher e o Súcubos que acompanha o
homem. A presença desses seres é extremamente perigosa pois ela existe única e
exclusivamente para acompanhar as pessoas durante a relação sexual, se
alimentando daquela energia e gerando uma compulsão cada vez maior pelo sexo,
de forma indiscriminada, o que pode acarretar em promiscuidade e o fim de
relacionamentos.
Vale ressaltar que não é porque alguém é
promíscuo (ou seja, tem mais de um parceiro sexual ao mesmo tempo, sem o consentimento
do outro) que está com um íncubus ou súcubos. Na maioria dos casos é falta de
caráter mesmo.
Os Fantasmatas
são circulam os cemitérios e são criados pela concentração de energia negativa
que acompanham as pessoas que enterram seus parentes, amigos, etc. Claramente
os sentimentos naquele momento são ruins e geram uma energia pesada. Como não existe
outra energia trazida pela maioria dos encarnados em um cemitério, além da dor
pela perda, a presença dos fantasmatas é bastante comum.
Esses seres tendem a acompanhar durante um
tempo pessoas receptivas a aquele sentimento, mas retornam ao cemitério pois
ali terão a certeza de serem alimentados pelas energias de baixa vibração contidas
nos pensamentos daqueles que enterram seus entes.
Sabe aquela frase antiga que diz “fulano está com Encosto”? Pois bem, esse tipo de ser existe e é gerado quando
um sentimento de inveja de uma pessoa para outra é contínuo e dura algum tempo.
As larvas astrais se juntam e nasce um ser completamente desforme que acompanha
o alvo da pessoa invejosa. O interessante sobre este ser é que quando ele é
destruído, acaba voltando para a pessoa que o gerou (ou seja, o invejoso).
Então quando dissemos que todo sentimento de inveja que vai, volta, é realmente
verdade.
Mas o que fazer se você está com miasma deletério
e, pior ainda, cercado dessas larvas astrais? Está tudo perdido? Claro que não.
Para rigorosamente todo problema há uma solução, e neste caso são várias, as
quais elenco para reflexão dos amigos leitores:
Bons Pensamentos: se os
maus pensamentos geram os miasmas deletérios, os bons pensamentos geram os
miasmas positivos. Quando no começo, se um miasma deletério for criado por
alguma situação pontual existente, um pensamento positivo de verdade, vindo do
coração, pode acabar com aquela energia negativa e transmuta-la em positiva.
Reforma
Íntima: esse assunto é muito mais complicado do que parece, e merece uma
análise bem mais aprofundada, mas basicamente fazer um exercício diários e
constante em melhorar tudo aquilo que você pensa e faz, vai gerar a tal reforma
íntima, que só existirá se for algo realmente feito de coração, não apenas da
boca para fora.
Evitar
Situações Negativas: eu sei que essa parte já é bem mais complicada,
pois muitas vezes somos colocados em situações que geram algum tipo de
negatividade, mesmo não querendo. O que podemos fazer, no entanto, é sempre manter
os pensamentos em alta vibração, ou seja, focado em coisas boas. Tentar não
focar no problema, mas buscar uma solução que seja harmoniosa.
Eu particularmente adoro uma cerveja gelada em
um boteco sexta de noite, mas o ideal mesmo é evitar qualquer tipo de lugar que
tenha acúmulo de energias negativas, e os bares invariavelmente são assim. Nós
umbandistas, após irmos a algum bar ou similar, devemos tomar banho de
descarrego para nos limpar daquelas energias. E, claro, é sempre bom lembrar
que não devemos abusar do álcool, cigarro e semelhantes. Como diz nossa
professora Nelma “quando bebemos, não
bebemos sozinhos”.
Rituais de
Limpeza de Ambiente e Pessoal: esqueceu de fazer tudo isso ou já estava
infestado de energia negativa? Então é o caso de providenciar uma limpeza não
apenas em você (através dos banhos de descarrego e proteção), mas
principalmente nos lugares onde há a presença das larvas.
Banhos
Vou citar os mais simples, mas é sempre bom
lembrar que existe uma infinidade de outras combinações de ervas que podem
gerar um efeito diferente e até melhor. Como não sei das condições de todos os
amigos leitores, vou usar os mais simples e conhecidos.
Banho de
sal grosso: 2 litros de água e 7 colheres de sopa de sal grosso.
Basta ferver a água por 2 minutos e tirar o
excesso de sal (as pedras que não derreteram). Espere esfriar ao ponto de não
queimar sua pele e, após tomar um banho normal, jogue o banho de sal grosso do
ombro para baixo.
Eu aprendi com alguns guias espirituais e
reforcei com o mestre Erveiro Adriano Camargo que devemos esperar algum tempo
até o banho fazer efeito (cerca de 10 respiradas profundas) e depois podemos
tomar outro banho, porque muitas vezes a presença do sal após secar incomoda
bastante. Se você vai tomar ou não outro banho, aí é decisão de cada um. Eu
particularmente tomo e me sinto bem do mesmo jeito.
Banho de
proteção: o sal grosso não protege, ele apenas descarrega as energias que
estão com a pessoa, promovendo uma limpeza. Se o banho de sal grosso for tomado
pela manhã, então na tarde do mesmo dia a pessoa pode tomar o banho de
proteção. Se o banho com sal grosso foi tomado de noite, a pessoa poderá tomar
o banho de ervas na manhã seguinte.
Para esse banho, precisamos de ervas quentes
que, inclusive, são direcionadas para a limpeza de sujeiras causadas por
miasmas e larvas astrais. As ervas são:
Guiné (é uma
erva que tem a propriedade de cortar qualquer tipo de ligação negativa, então a
energia emanada da guiné dificulta que energias negativas acoplem na pessoa);
Arruda (talvez a
mais conhecida erva de proteção que existe, é sempre eficaz num banho de defesa);
Eucalipto, Quebra Demanda
ou Pinhão Roxo (são ervas de proteção e ajudam na sustentação do trabalho das
demais);
Casca de Alho (além de
ser uma erva de proteção e descarrego de energias negativas, também promove o
afastamento de energias negativas geradas por espíritos obsessores que
eventualmente tenham afinidade energética com o ambiente carregado);
Cânfora (é uma
conhecida erva de cura que misturada com as demais, tem a função de alinhar a
energia da pessoa que eventualmente tenha se desgastado devido aos miasmas
deletérios ou larvas astrais).
A pessoa deve macerar as ervas em água morna,
rezando e pedindo proteção. O banho pode ser feito da cabeça aos pés, seguindo
a mesma ritualística do banho de sal grosso (tomar um banho normal antes e
outro depois, se assim quiser).
A partir de agora você estará limpinho,
bastando manter uma vida regrada e cheio de Deus no coração. Mas, contudo, no
entanto, todavia vocês vão falar “Sergio,
e minha casa cheia de larvas?”. Eu respondo: vamos defumar!
É basicamente isso mesmo. A pessoa estando
limpa e com a mente serena, focada em sua mudança, deve realizar a limpeza do
ambiente, que no caso de nós, umbandistas, está na defumação.
Eu aprendi com o amado Caboclo Jaguara e com
Seu Tempestade que toda erva utilizada em banho pode ser usada em defumação,
mas não o contrário. Sendo assim, defumar o ambiente com as mesmas ervas utilizadas
no banho (o mesmo tipo, por favor não usem literalmente a mesma erva molhada
heim) é uma solução fácil para esses casos.
A defumação deve sempre ser feita da parte de
trás para a frente da casa e de dentro para fora, com orações de limpeza ou
pontos de defumação. Esta defumação pode ser feita dia sim dia não, até que o
clima no lugar melhore (acredite, a diferença é bem grande).
Quando o ambiente está muito mais pesado que o
normal, a defumação pode demorar mais para fazer efeito, então nesses casos é
recomendado um dos rituais mais antigos da Umbanda, que é o bate folhas.
O bate folhas foi introduzido em nossa
religião pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, o qual amarrava uma quantidade de
ervas específicas e “batia” levemente com essas ervas no consulente, promovendo
sua limpeza. Com o passar do tempo, os médiuns aprenderam como consagrar
aquelas ervas e as utilizam para limpeza de ambientes.
Quando se faz necessária a utilização de um
bate folhas em casa, é fato que a situação é mais grave do que as cotidianas,
então podemos e devemos utilizar todo o conhecimento adquirido para tal, sendo
que por diversas vezes o médium que realiza o bate folhas na casa de alguém,
recebe a energia de algum guia para que o acompanhe. Esta energia em boa parte
dos casos decorre da aproximação de um Exu, o qual tem condições de manipular
toda e qualquer erva consagrada para utilização na Umbanda.
Se a pessoa que fizer o bate folhas não souber
se terá a companhia ou não de Exu, então é aconselhado fazer um ramo com as seguintes
ervas: arruda, guiné, quebra demanda, pinhão roxo, eucalipto e manjericão (a
única das ervas mornas, utilizada para regeneração do ambiente).
Se o médium que fizer o bate folhas tiver
conhecimento que será acompanhado por Exu, então pode utilizar as seguintes
ervas:
Amoreira: a folha
desta árvore tem a característica de armazenar as energias durante o dia e no
final da tarde descarregar. O uso desta erva, portanto, é bastante eficaz mas
tem que ser feito de forma consciente, pois se se o chumaço de folhas não for
descarregado da forma correta, pode trazer de volta as energias negativas;
Aroeira: além de
descarregar, tem a função de atuar especificamente em questões de compulsão sexual,
portanto é recomendado seu uso quando tiver a presença de íncubus e súcubos, ou
em rituais feitos em locais onde exista ou existiu atividade sexual constante e
desregrada (bordéis, por exemplo).
Arrebenta
Cavalo: tem função parecida com a aroeira, porém em menor escala. Sua
principal característica neste ritual é a de fixar a energia das demais ervas
por maior tempo no ambiente;
Arruda: olha ela
aí de novo. Arruda também é erva de Exu e serve como ótimo descarrego;
Bardana: não é
fácil ser encontrada, mas quando utilizada no bate folhas, além de ajudar no
descarrego do ambiente, ajuda na proteção do médium, evitando que ele receba
alguma carga energética negativa;
Cana de
Açúcar: consagrada a Iansã e Exu, é uma erva com fortíssimo poder de descarrego
de ambiente, inclusive quando existe a presença de obsessores;
Cardo
Santo: deve ser utilizado em rituais onde existam a presença de
animais;
Fedegoso
(ou Crista de Galo): além de descarregar e proteger, esta erva
tem a propriedade de energizar o ambiente e quebrando especificamente larvas que
atentam contra a saúde das pessoas;
Mamona: uma das
mais conhecidas e fortes ervas consagradas a Exu, não pode faltar num bom bate
folhas;
Mangueira: fácil de
ser encontrada, as folhas da mangueira limpam e protegem;
Pinhão
Roxo: também comum de ser encontrada, serve como descarrego de
ambiente.
Essas são as ervas que podem ser utilizadas em
um ritual de bate folhas com Exu, porém vale lembrar que o ritual pode ser
feito com pelo menos três dessas ervas, não necessitando todas elas.
Gostaram do assunto? Eu particularmente achei
muito legal e vou estudar mais a respeito, sempre tendo em mente que preciso
mudar e ser uma pessoa melhor a cada dia.
Axé
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