sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Estudo Sobre a Esquerda - Parte 1

De cada 10 pessoas, 11 me perguntam coisas sobre a linha dos Exus ou das Pombogiras. Por ser uma linha de trabalho mal compreendida, acabam surgindo dúvidas e mais dúvidas e essas dúvidas, quando mal explicadas acabam criando o que eu chamo de "achismo instituído" (que é quando algo que a pessoa acha acaba se tornando a "sua verdade" e isso é passado de boca em boca até virar uma pseudo-verdade). 

O pior de tudo é quando essas dúvidas mal esclarecidas ajudam a fomentar o preconceito. Eu já conheci várias pessoas que achavam que Exu era o diabo e foram perguntar para quem pouco conhece e acabaram tendo essa certeza. E, logicamente, o preconceito contra essa importante linha de trabalho acabou sendo aumentado.

Baseado nisso, decidi colocar de forma gradativa, um pouco por dia, um estudo mais detalhado sobre a atuação dos nossos amados Guardiões. Tentarei desmistificar ao máximo, sem recorrer aos preconceitos já existentes. Não será minha intenção de forma alguma questionar o conhecimento de outras pessoas ou estipular um marco a ser seguido (não tenho tais pretensões). Minha ideia é contribuir para os estudos de todos, colocando os pés um pouco mais no chão.

Como diria um cidadão óbvio, "comecemos do começo", fazendo um resumão da Linha:




"O Caboclo das Sete Encruzilhadas nos ensinou que Exú é um trabalhador como soldado para a polícia. O chefe da polícia nem o delegado prendem. Quem prende é o soldado. Exu é um espírito que se encosta à uma falange e aproveitam para fazer o bem, porque a cada passo para o bem que ele faz, vai aumentando sua Luz” - Zélio Fernandino de Morais, sobre os Exus.

Todo espírito quando desencarna deve fazer uma observação de tudo aquilo que fez de bom e de ruim enquanto encarnado e, a partir daí, definir sua evolução. Alguns reencarnam e levam consigo seus karmas e um objetivo de evolução. Em outros casos, o que aquele espírito fez foi moralmente tão grave, que precisaria de muitas e muitas encarnações para reverter. A esses espíritos foi dada a responsabilidade de trabalhar para a espiritualidade como nossos guardiões.

Antes de trabalhar, porém, o espírito passa por uma doutrinação daquela falange e, principalmente, uma doutrinação sobre como deve trabalhar para a Umbanda. Sendo assim, NENHUM EXU, SOB HIPÓTESE ALGUMA é um espírito menos evoluído. Exu (e nenhuma entidade) NUNCA será o reflexo de quando estava encarnado. Ele usa o que viveu para saber como lidar com as situações, mas quando trabalha na Umbanda, é um ser de alta evolução. 


O que faz uma pessoa cair nas tentações são os sentimentos mundanos. Sentimento de inveja, de raiva, de avareza, enfim. Quando um Exu passa pela doutrinação, além de ter a noção daquilo que fez de errado também aprende a se livrar desse tipo de sentimento puramente carnal. Então Exu sabe lidar com as emoções, mas não sucumbe a elas.


A FORMA DE EXU

Quando as primeiras imagens das entidades (não dos Orixás) começaram a ser confeccionadas, existia uma representação puramente artística dos guias. Como eram guias que utilizavam uma forma de comunicação mais direta, muitas vezes até mesmo grosseira, existia o conceito de que aqueles guias eram desformados ou tinham patas de animais, eram cochos, etc. Fato é que quando um espírito desencarnado tem consciência de quem é e do que precisa fazer, especialmente quando decide trabalhar para a Luz, acaba se livrando de qualquer imagem demoníaca que ele mesmo tenha colocado pra si.

Exceção feita a linha dos Caveira (Tata Caveira, Exu Caveira, João Caveira, etc) que realmente se apresentam como esqueletos, NENHUM outro Exu ou qualquer entidade é disforme. São seres elegantes e imponentes.

AS FALANGES POR ORIXÁ

Antes de falar sobre as falanges e os mais conhecidos falangeiros, é interessante ressaltar que o único ponto de força de Exu são as encruzilhadas. Mesmo se for um Exu da calunga pequena (cemitério), o ponto de força do Exu é na encruzilhada, mas do Orixá que rege aquela linha (Obaluaiê) é no cemitério. TODA FIRMEZA de Exu pode ser feita nas encruzilhadas, independente da linha de trabalho.

No plano espiritual, não existe linha mais importante que a outra, da mesma forma que não existe um Exu melhor ou pior que outro. Existe, sim, Exus que se manifestam há mais tempo que outros, porém isso nãos os torna superiores e tão pouco chefes ou líderes dos demais Exus. O conceito que nós temos de hierarquia não cabe no Plano Espiritual.

Os primeiros Exus a se manifestarem na Umbanda foram: Exu Malê (que se apresentava como um caboclo pela mediunidade de Zélio Fernandino – sua linha não trabalha mais incorporada aos médiuns). Exú das Sete Encruzilhadas (linha de Oxalá), Tranca Ruas (linha de Ogum), Marabô (linha de Oxóssi), Gira Mundo (Xangô), Pinga Fogo (Obaluayê) e Tiriri (linha de Ibeji que, apesar de não ser cultuado na Umbanda, no Plano Astral representa os Erês).

Esses Exus eram os únicos que inicialmente se manifestavam na Umbanda, porém no Plano Espiritual outras falanges de tremenda força já trabalhavam dando encaminhamento a todas as demandas levantadas por esses Exus. Por exemplo: Exu Tiriri dava início atendendo e Exu Tata Caveira finalizava. Os Exus trabalham em conjunto desde sempre.


Com o passar dos anos, com os médiuns tendo a firmeza suficiente para atuar, as outras linhas puderam se manifestar. Vejamos cada uma delas, dividida por vibração dos Orixás:



A cada novo ciclo outras linhas de trabalho são apresentadas, o que por muitas vezes pode confundir as pessoas menos experientes. Não devemos, portanto, nos focar em nome de entidade mas no trabalho que é realizado.

Apesar de cada Exu trabalhar na vibração de um determinado Orixá, todos são regidos por Ogum



EXU E AS FAIXAS VIBRACIONAIS

Existem 13 Faixas Vibracionais (seis superiores, uma neutra, duas de passagem e quatro inferiores). Nós estamos no Plano Terreno, que é a faixa neutra, e os Exus habitam o que chamamos de Plano Crostal e Plano Etérico, que são dimensões paralelas a nossa. Devido a esta proximidade de vibração com a nossa, e pelo fato de Exu emanar energia pura, nós sentimos a presença dos Exus de uma forma muito mais intensa.


Esta aproximação faz com que Exu trabalhe conosco não apenas na parte espiritual, mas principalmente na parte energética. Como a energia de Exu é muito forte e remete à vitalidade, quando estamos firmes com Exu, estamos nutrindo nossa energia vital. Nos sentimos mais fortes, mais seguros, mais viris, mais focados. 


Trabalhando nas faixas vibracionais mais próximas à nossa, cabe aos Exus atuar como primeira linha de defesa de seus filhos, é por isso que muitas vezes quem faz o descarrego ou o que chamamos de “puxada” é um Exu, mesmo quando o trabalho realizado é com outra linha. Exemplo: em gira de Boiadeiro quem faz puxada é Exu.

MAS O QUE FAZ EXU?

Além de ser nossos guardiões, os Exus são entidades que atuam no Astral para garantir que a Justiça de Xangô e a Lei de Ogum sejam aplicadas. Algumas pessoas dizem que Exu não é nem bom nem mal, mas possui uma neutralidade. Na verdade, Exu é bom sim, porém dentro de sua bondade não cabe o afago fraternal de um Preto Velho ou de um Caboclo, mas apenas o braço forte da vontade de Deus. Como Exu faz o que é certo, e muitas vezes o que é certo vai contra aquilo que a pessoa ACHA que deve acontecer, por isso tem a fama de ser mal.
Exu não apenas é a entidade vibracionalmente mais próxima de nós, o que os torna um pouco mais “humanizado”, mas e também a entidade que mais nos instiga a fazer o que é certo e que mais nos tenta a sermos pessoas melhores e que assumamos o peso de nossas responsabilidades. Isso quer dizer que, diferente de qualquer outra entidade da Umbanda, onde pode ser “prometido” um agrado ou alguma entrega e não cumprir, com Exu o que é prometido tem que ser cumprido. O Exu não vai trabalhar apenas se receber uma oferenda ou se o médium trabalhar com uma bebida de baixa qualidade, porém se for prometido algo a Exu, aquilo DEVE ser entregue para que ele saiba que ali existe um filho ou um protegido com responsabilidade. 

Como Exu não faz mal para quem pede, também de forma alguma fará mal a outra pessoa. Se alguém pede que algo seja feito para outra pessoa, Exu analisa a situação e se entender que o pedido é justo, faz com que a justiça seja feita. Por isso muitas vezes parece que Exu fez algo contra outra pessoa, mas na verdade sempre o mal é causado pela própria pessoa, por suas atitudes e suas consequências.


Os Exus são divididos hierarquicamente no Plano Espiritual. As principais divisões são:

Exu Coroado: são os chefes das falanges. Recebem ordens diretamente dos chefes das legiões da Umbanda. São os espíritos que criaram as linhas de trabalho. São eles que determinaram a forma de trabalho, inclusive o nome como seriam conhecidos. Só existe UM Exu Coroado e esse Exu não se manifesta em nenhum médium. São também conhecidos como “Orixás Menores”. 

Chefe de Legião: estão um grau abaixo do Exu Coroado. São os responsáveis por doutrinar os novos espíritos resgatados para aquela falange. Cada linha de trabalho possui aproximadamente 350 chefes de legião. São os chefes de Legião os responsáveis pela proteção dos Terreiros de Umbanda.

Exu Batizado: são os que se manifestam nos terreiros de Umbanda. A cada trabalho realizado, a cada alma resgatada, o Exu Batizado vai conseguindo sua evolução espiritual e galgando novas posições. O Exu Batizado algum dia consegue se tornar Chefe de Legião e quando tiver condições pode se tornar Exu Coroado, iniciando uma nova linha de Exu para trabalhar na Umbanda.

Exu Pagão: são os Exus que iniciam sua jornada para a Luz, porém ainda não têm a autorização de trabalhar nos terreiros. Muitos não têm a referência de bem e mal, ou ainda trazem consigo as suas referências enquanto encarnado, então se dispões a realizar qualquer tipo de trabalho. Quando realizam algo que não deveriam, são punidos e ensinados pelos Exus mais evoluídos.

Muitos perguntam o porque de um Exu Pagão aceitar determinado trabalho. Não são Exus? Não trabalham para a Luz? Sim, porém estão aprendendo, então é dado a eles a possibilidade de iniciarem seus trabalhos. Não apenas eles deveriam saber como agir, mas a pessoa que faz o pedido “errado” também deveria saber o que pedir. Então isso acontece como uma possibilidade para que a Espiritualidade veja como está a evolução daquele Exu e também do médium.


DESMISTIFICANDO OS EXUS

• Se Exu pede cartola, capa, bengala ou algum outro objeto e o médium não dá, ele consegue trabalhar DA MESMA FORMA.

• Exu não bebe e não fuma. Exu não se importa com marca de pinga, de uísque ou do charuto. Achar algo diferente disso é dar as costas para os fundamentos mais básicos de nossa religião.

• A pimenta é utilizada para trabalhos de proteção (Ogum) ou ataque (Xangô). Quando um Exu come pimenta, está fazendo por orientação do médium, já que não há fundamento para tal. Em alguns casos os Exus podem utilizar para mostrar ao médium que a sua energia realmente está ali, porém isso é raro e via de regra acontece quando o médium passo por algum momento de questionamento de sua fé na entidade. Ou, como dizemos sempre, acontece pelo ego do médium.

• Exu NUNCA bate no peito e diz que “Eu fiz isso” ou “se eu tomei conta, agora vai”, ou ainda “isso vai dar certo, porque é Exu XXX que está falando”. Exu é mais elevado que nós, então não lhes cabe esse tipo de comportamento. Quando acontece isso, é influência direta do médium.

• EXU NÃO AMEAÇA!!!!!! Exu entende o Livre Arbítrio, então ameaçar seria tentar impôr algo, o que não pode acontecer. Quando acontece, é influência do médium.

• Exu trabalha para Deus. Aliás, Exu é o braço de Deus nas trevas. Então quando Exu não quer falar o nome de Deus ou de Jesus, é influência do médium.

• Exu é guardião e pode ficar bravo, sim. Mas acima de tudo Exu é um grande amigo. Justo em todo o momento, mas não abandona seus filhos nunca.

• Quando termina sua evolução na linha dos Exus, a entidade pode escolher continuar seu trabalho se tornando chefe de falange, ou, se assim desejar e com a autorização do Divino, trabalhar em outras linhas. Por isso dizem que Exu algum dia pode virar Preto Velho.

• Podemos firmar Exu em qualquer lugar, dentro ou fora de casa. Quando firmamos fora, é porque Exu é protetor, então sua energia vibra melhor perto dos portões das casas. Lembremos do conceito da “porteira”.

• O padê de Exu serve como forma de reverência e pedido de proteção a determinado Exu. Preferencialmente é realizado utilizando as mãos para misturar a farinha com o dendê, pois existe a troca de energia. Nos terreiros é oferecido ao Exu guardião da casa, e é fundamental como forma de proteção.


PRONTO, esse foi o resumão... no Capítulo 2 eu vou começar a destrinchar ponto a ponto de tudo que falamos e tocaremos em outros assuntos dentro deste mesmo tema.












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