Aborto é um assunto polêmico por excelência. Cada pessoa tem uma opinião a respeito e justamente por essas divergências, sempre existe bastante discussões em torno. Eu mesmo tenho pelo menos duas opiniões que entram em embate sempre: a pessoal diz que não deve ser feito, mas a social e política (a qual, na minha opinião, deve nortear o assunto em termos de Legislação) diz que é um assunto de Saúde pública, então deve, sim, ser legalizado dentro de parâmetros muito mais abrangentes do que uma opinião estritamente pessoal e religiosa.
Dito isso, devo dizer que abordarei a questão de uma forma religiosa voltada para parâmetros espiritualistas (sem necessariamente refletir a minha opinião sobre legalização ou não).
Antes de tudo, vamos entender o que é a concepção de uma vida. Segundo o entendimento comum kardecista, antes de encarnar, o indivíduo escolhe quem será sua família e, principalmente, quem será sua mãe. Quando chega a hora de reencarnar, aquele indivíduo tem suas memórias "resetadas" e é fecundado no ventre daquela pessoa que escolheu COM A AUTORIZAÇÃO DA ESPIRITUALIDADE, ser filho(a). A vida daquele ser já existe quando o espermatozoide é fecundado no óvulo, portanto de forma contrária do que diz alguns pensamentos científico, quando o feto existe em seus primeiros instantes, ali já existe um espírito.
Quando um aborto acontece, seja de forma involuntária ou voluntária, o fato é que existe a morte do invólucro material que todo espírito precisa para fazer sua expiação no Plano Material. Os abortos espontâneos acontecem com a manifestação da Espiritualidade para corrigir algumas situações de encarnações anteriores: uma pessoa que sabe que vai desencarnar daqui alguns meses por conta de alguma doença terminal, decide tirar sua vida e interrompe um ciclo natural da vida; sua próxima reencarnação pode ser de alguns meses no ventre materno, não para que ele aprenda nada (não há o que se aprender no útero que desenvolva a moral do indivíduo), mas para que cumpra um ciclo erroneamente interrompido. Nesse tipo de aborto, não existe qualquer consequência kármica para a mãe que aborta, além do fato de como ela vai lidar com essa situação e como seguirá em frente com sua vida.
Quando um aborto acontece de forma voluntária (ou seja, quando a mãe decide abortar) as consequências são bastante impactantes para ela em vários aspectos, especialmente em relação ao seu karma. Isso acontece independente da causa daquele aborto: seja uma gravidez indesejada ocorrida pelo famoso "descuido" do casal (e, sim, vale sempre lembrar que a mãe não faz filho sozinha, viu papais!!!), seja devido uma gravidez causada em uma mulher vítima de estupro. Se abortou ou se decidiu ter o bebê, a consequência virá de qualquer forma, como é tudo em nossa vida. Qualquer ação que tivermos, qualquer escolha que fazemos, gera uma consequência de maior ou menor importância. Quando falamos sobre a decisão de impedir que venha à provação NECESSÁRIA PARA O CRESCIMENTO uma pessoa, então temos que ter a consciência que não se trata de uma decisão sobre tema banal.
Antes de dar sequência, é importante dizer que a Espiritualidade com toda sua sabedoria, consegue identificar e segmentar todas as ações tomadas por alguém. Um casal que decide não ter um filho simplesmente pelo fato de terem se descuidado em uma noite de bebedeira, SABENDO QUE EXISTEM MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, nunca será olhado da mesma forma que uma mulher menor de idade que fora estuprada e, deste ato violento e extremamente grave, ficou grávida e teve que abortar. Ou quando existe uma gravidez de risco e a mãe é OBRIGADA a abortar. Se nós, com todos nossos erros e limitações morais, temos consciência disso, a Espiritualidade Amiga que nos ampara sempre, tem entendimento muito próximo e já mais evoluído.
Sabendo que a Espiritualidade tem esse entendimento diferenciado sobre as diversas causas que geram a decisão sobre um aborto, as consequências que o indivíduo levará para sua evolução são também diferenciadas. Vou usar como exemplo o caso ocorrido em Taguatinga/TO ano passado. Um homem de 24 anos de forma voluntária embriagou uma menor de 12 anos e a estuprou. Deste ato, a menor engravidou. Pelo nosso entendimento, quem estaria errado? A menor estuprada que decidiu abortar, ou o homem que, ciente de seus atos, a embebedou e a estuprou? Se a resposta é bastante clara para nós, para a Espiritualidade é ainda mais.
A consequência que esta mulher estuprada teria por ter abortado, seria o fato de ter tirado de seu ventre um ser vivo. Quando ela crescer e se tornar mulher e quiser ser mãe, poderá pensar em como seria se não tivesse abortado. A consequência, portanto, é puramente reflexiva e não recai sobre a sua evolução enquanto espírito encarnado.
A consequência que uma pessoa tem quando aborta pela simples vontade de abortar, especialmente tendo o conhecimento das mais diversas doutrinas espiritualistas, é crítica. Não há um padrão para dizer o que vai acontecer, mas existem inúmeros relatos que a Espiritualidade nos apresenta de consequências para essas pessoas (novamente lembro que são PESSOAS, no plural mesmo, pois quem abota não é a mãe, mas o pai também, além de todos que incentivam). Algumas pessoas reencarnam de forma quase vegetativa, sendo obrigadas a serem tratadas como bebês durante sua jornada carnal. Outras pessoas reencarnam com defeitos genéticos que as impossibilitarão de serem mães ou pais na atual encarnação, mesmo tendo muita vontade para tal.
Existe, no entanto, uma situação específica que cabe reflexão a respeito, sobre como a Espiritualidade Amiga trabalha de forma maravilhosa. Acabei de citar que algumas mães não conseguem engravidar e muitas outras engravidam, mas sofrem aborto espontâneo antes do parto. São situações de sofrimento realmente grande, mas se olharmos por um prisma espírita, vamos descobrir que essas mães com histórico de abortos espontâneos recorrentes, servem como invólucros para trabalho de ovoides. Um exemplo bastante conhecido, relatado no livro Ícaro Redimido, é o de Santos Dumont.
O Pai da Aviação, como todos sabemos, cometeu suicídio. Ele relata que ao chegar no Vale dos Suicidas, se sentiu tão desesperado que acabou definhando até voltar a a forma de ovoide (falaremos sobre o que é isso oportunamente). Santos Dumont era um ser de grande inteligência e com trabalho extremamente relevante para a Espiritualidade, então os mentores do Plano Astral utilizaram o espírito encarnado de uma mulher que teria como missão tentar ser mãe mas não conseguir (sim, por mais estranho que possa parecer, esta é uma missão Divina) para fecundar este ovoide durante 4 meses. Esses 4 meses de contato com o amor de uma mãe era o que aquele espírito precisava para conseguir sair da condição de ovoide e voltar a evoluir.
No caso acima, a mãe reencarnada que anteriormente realizara aborto, passou a se tornar um importante instrumento de trabalho para a Espiritualidade. E, apesar de todo o sofrimento, vale lembrar que ela aceitou esta condição antes de reencarnar.
Se o kardecismo possui os livros de Kardec como um norte, na Umbanda a situação é diferente. Sendo nossa sociedade uma eterna mutante em vários aspectos e a Umbanda uma religião moderna, não poderíamos nos apegar exclusivamente a o que livros com 200 anos diziam. A referência moral está lá e deve ser seguida, mas a dinâmica social tem que acompanhar as pessoas na atualidade e suas demandas. Sendo assim, a Umbanda vê o aborto de uma forma muito tranquila entendo que é, sim, uma mazela social que deve ser evitada em seu nascedouro (combater as situações que leva ao estupro e não condenar a estuprada - roupa curta NÃO É convite para assédio), mas não pode de forma alguma ser visto como um norte moral dentro da religião.
Logicamente a mulher que sofre um aborto (seja por qual motivo for) deverá ter um acompanhamento diferenciado e, sendo uma médium de trabalho, poderá ser afastada até que aquela condição esteja muito bem resolvida com ela mesma. Porém, não há como entendermos minimamente justo qualquer Pai ou Mãe de Santo julgar seus filhos que abortam os afastando dos trabalhos ou dando a entender que fizeram algo abominável. Será que justamente por estar em uma situação fragilizada (que seja por iniciativa pontual de uma falha moral) não seria a hora que fortalecer essas pessoas dentro da religião? Talvez uma conversa séria com preto Velho ou as instruções de um Caboclo possam ajudar a pessoa a entender tudo o que acontece relacionado àquela situação.
Não julguemos nossas irmãs que abortam, independente do motivo. Sejamos francos em nossas opiniões SE FORMOS QUESTIONADOS, mas, principalmente, sejamos fiéis a um dos principais fundamentos da Umbanda, que é o amor ao próximo. Especialmente quando o próximo precisa de ajuda.
Muto Axé para todos.


Não pude segura as lágrimas ao ler seu texto meu irmão! Mesmo sabendo que não poderia fazer nada para mudar o que aconteceu a dor e saudades do que poderia ter sido e não foi me acompanhar todos os dias sei que preciso deixá-lo seguir sua evolução e segui a minha também seu texto me esclareceu muitas dúvidas gratidão que oxala nos abençoe axé
ResponderExcluirSem palavras, parabéns!!
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