Olá povo. Já falei sobre alguns assuntos inerentes à Umbanda em si, como os Orixás, algumas linhas de trabalho e etc. O assunto agora é um mais pessoal e tem relação com a forma de trabalhar do médium.
Não vou falar sobre a preparação mediúnica, sobre comportamento ou algo parecido (isso será tratado oportunamente em outra postagem), mas sobre a obrigação do médium conhecer a forma de trabalho dos guias que trabalham com ele.
Logicamente aos médiuns novos esse texto serve para ajudar no direcionamento de sua caminhada na religião (não dá para exigir nada de quem pouco conhece). A maior reflexão, porém, deve ser feita pelos médiuns mais experientes, aqueles que dão passividade aos Guias de Luz há algum tempo e que, via de regra, carregam pra si (mesmo que de forma involuntária) algumas responsabilidades que a Espiritualidade Amiga entende ser oportuna.
É comum quando um Guia está incorporado, dar alguns recados para "seu cavalo". Os recados variam de pedidos de objetos de trabalho (especificam se trabalham com essa ou aquela bebida, se usam esse ou aquele fumo, se o fio de contas é assim ou assado, etc) até mesmo alguns puxões de orelha. Esses recados fazem parte da conexão do Guia com o médium e também com a casa, e facilitam de forma interessante sua forma de trabalho.
O médium deve saber não apenas as cores e os objetos de trabalho para as consultas (que é informação relativamente simples), mas conhecer de forma realmente completa como aquele Guia atua]. Quando o médium tem esse conhecimento, consegue saber de antemão quais são os objetos que o Guia utilizará dentro de um ritual. É bastante comum os terreiros realizarem trabalhos de proteção com os Exus, por exemplo. Nessas ocasiões os médiuns dão passividade aos Guardiões, que naquele instante fazem os rituais que acham necessários para proteger a Casa ou o que for designado para fazer.
Se o médium tem conhecimento do que o Guia vai fazer e sabe quais são os objetos que ele utilizará, então no dia da realização do ritual, ele será feito de uma forma muito mais tranquila e assertivo. Imaginem a situação: um ritual de descarrego de Terreiro com Exu vai ser realizado por médiuns que não sabem o que o Guia vai utilizar. O Guia incorpora no médium e pede algo que o terreiro não tenha. Esse ritual ou será realizado de forma parcial (e pode ter seu êxito diminuído por conta disso) ou via de regra o ritual sequer acontece e é postergado para quando o médium se preparar e levar que precisa para concluir.
Como o Exu Tata Caveira (o qual tenho o privilégio de ter ao meu lado, me guiando, ensinando e protegendo) costuma dizer: "não é errado não ter conhecimento, mas é vergonhoso não ir atrás dele". Eu entendo essa frase como uma dica para que sempre busquemos o conhecimento que realmente utilizaremos no dia-a-dia dessa nossa caminhada nos terreiros com a Espiritualidade. Saber que a cor de Oxóssi é verde ou que Exu toma marafo é importante, mas saber como um Exu trabalha e com o que ele trabalha em cada tipo de necessidade, é o que realmente importa.
Então busquemos conversar mais com os Guias que trabalham conosco. Conhecer DE VERDADE esses Guias é se aproximar da Espiritualidade Amiga e ser um instrumento de trabalho cada vez mais afiado. Chegar em um trabalho sabendo o que será feito deve ser obrigação do médium com mais bagagem, já que se ele não tem esse conhecimento, então quem terá? Aquele irmão que entrou ontem na religião?
Que Oxalá nos abençoe e Exu nos guarde hoje e sempre.
Axé.
Sergio
Ótima colocacao sobre a obrigacao do médium falando de uma maneira simples mas com um grande conteudo
ResponderExcluirMuuuuito obrigado
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