segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Zé Pelintra - Parte 4

O CONSELHO DOS SETE E AS FALANGES DE ZÉ PELINTRA

Toda linha de trabalho da Umbanda, sem qualquer exceção, é divido em falanges. Cada falange possui um falangeiro, que é o primeiro espírito, o fundador daquela falange, e o responsável por recrutar mais e mais trabalhadores. Para exemplificar de forma rápida e clara: Pena Branca foi um índio brasileiro que quando desencarnou teve a possibilidade de resgatar espíritos que queriam a oportunidade de trabalhar para a Espiritualidade. Cada um desses espíritos que foram doutrinados e atuam nesta Linha/falange, são chamados Pena Branca; é por isso que podem existir em uma mesma gira dois ou mais caboclos chamados Pena Branca; na verdade são Guias de Luz que trabalham sob a supervisão daquele primeiro índico desencarnado que teve a missão de ser um falangeiro. O Falangeiro (Pena Branca "original") NUNCA vai incorporar em terreiro algum. 

Da mesma forma que exemplifiquei acima com uma linha de Caboclo, acontece com as linhas de Zé Pelintra. O grande diferencial desta linha é que no Plano Astral, muito antes de saber que iriam trabalhar na Umbanda, Seu Zé Pelintra, o primeiro de todos, o Mestre Juremeiro Zé Preto, ao desencarnar e iniciar seu trabalho na Espiritualidade, resolveu se unir a outros Espíritos de igual luz e formaram o Conselho dos Sete, que nada mais é do que um grupo com sete espíritos (incluindo Zé Pelintra) que deliberam sobre tudo o que acontece com aquele Linha de trabalho.

Quando Zé Pelintra iniciou seu trabalho na Umbanda, junto aos Malandros, os Guias foram dispostos em falanges da forma como já conhecemos, porém todas essas falanges respondem ao Conselho dos Sete. Pouca coisa se cabe sobre este Conselho, especialmente quem faz parte deles (algumas informações do Catimbó são bastante fechadas e não cabe o conhecimento de ninguém; o Conselho dos Sete foi criado justamente para amparar o trabalho de Zé Pelintra no Catimbó, então vem daí esta mística). O que sabemos, porém, é o seguinte:

Zé Pelintra (Mestre Zé Preto) foi o fundador;
Existe um Zé Pelintra que atua como representante da força da Esquerda no Conselho, e dizem que seria Zé Pelintra das Almas, antigo mestre juremeiro com forte poder de cura e alinhamento energético com os Exus;
Existe um dos guias que, apesar de atuar como Zé Pelintra (lembrando que TODOS os membros do Conselho representam uma "falange maior" de Zé Pelintra), é basicamente um Preto Velho.

Vamos aproveitar este momento para falar rapidamente sobre nossas amadas Malandras, que nada mais são do que Guias Espirituais de uma luz tremenda, a qual andam em sintonia energética com Zé Pelintra. Achei interessante apresentar as Malandras, pois há informações que a falangeira da linha de Maria Navalha (ou seja, a Maria Navalha "original") também faz parte do Conselho dos Sete.

As falanges mais conhecidas de Zé Pelintra e Malandros na Umbanda, todos sob as vistas do Conselho, são:


  • Zé Pelintra das Almas
  • Zé Pelintra do Morro
  • Zé Pelintra da Encruzilhada
  • Zé Pelintra da Praia
  • Zé da Noite (Malandro)
  • Zé do Cais (Malandro)
  • Zé do Monte (Malandro)
  • Camisa Vermelha (Malandro)
  • Zé da Lapa (Malandro)
  • Maria Navalha 
  • Maria da Lira
  • Risca de Giz 
  • Maria do Morro
  • Ritinha
  • Aninha
  • Dona Nêga


Curiosidade é que todas as entidades mulheres são consideradas Malandras, mas sempre que existir o nome "Maria" antes, indica que é uma linha com sua própria falange, mas controladas por Maria Navalha. Analogamente, é como se as "Marias" fossem Zé Pelintra e as demais fossem os Malandros. Algumas das Malandras atuavam também no Catimbó, como é o caso de Ritinha, que em vida foi uma grande Mestra do Catimbó e era apelidada de "Princesa do Juremá". Aninha, ou "Aninha do Angeló", foi Mestra Juremeira com grande capacidade na manipulação da Fumaça da Esquerda, herdando de seus ancestrais o conhecimento profundo da bruxaria.

Alguns dos Malandros, mesmo não trabalhando como Zé Pelintra, passaram sua vida carnal como mestres juremeiros. Mestre Pilão Deitado foi um dos primeiros mestres do Catimbó, padrinho de inúmeras casas e era um excelente rezados, com forte poder de cura. Quando se apresenta, muitas vezes, apesar de ser Malandro, trabalha sentado e sua fisionomia se assemelha a de um Preto Velho. Mestre Galo Preto vem na linha dos Malandros e seu atendimento se confunde com os Exus, mas em vida foi Mestre Juremeiro Galo Preto, grande rezador e bruxo.

Saravá Seu Zé Preto Pelintra
Saravá o Conselho dos Sete
Saravá Maria Navalha
Saravá todos os Malandros

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