sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Zé Pelintra - Parte 2



ZÉ PELINTRA É MALANDRO?



Segundo Marcel Oliveira, em seu excelente livro Zé Pelintra, a Revelação (o qual recomendo fortemente a leitura), diz que Zé Pelintra enquanto mestre juremeiro ostentava sua maior riqueza não em seus trajes, mas em seu sorriso, em sua alegria.

Ainda no Catimbó, encarnado e já como Mestre Zé Preto, era chamado por muitos de malandro, não de forma pejorativa, mas justamente por querer ajudar a todos com sorriso no rosto e conseguindo trabalhar da mesma forma, seja na fumaça da esquerda ou na fumaça da direita. 

Uma das grandes curiosidades sobre Mestre Zé Preto, o qual a partir deste ponto já chamaremos de Zé Pelintra, foi sua rápida passagem pelo Plano Espiritual antes de passar a trabalhar para a Espiritualidade, inicialmente nos próprios cultos do Catimbó. Se analisarmos a história de vários guia que atuam na Umbanda, por exemplo, seja de qual linha de trabalho for, o tempo de resgate daquele espírito para trabalhar na religião é realmente bastante demorado. Temos relatos de entidades que demoraram séculos até poderem trabalhar na Umbanda. Zé Pelintra, no entanto, passou pouquíssimo tempo se preparando para voltar a trabalhar, desta vez como Guia de Luz.

É sempre bom lembrar um conceito básico inerente ao trabalho espiritual de Entidades que passam a formar falanges, que nada mais são do que agrupamentos de espíritos com a mesma vibração: não existe a incorporação do falangeiro, ou, em outras palavras, do primeiro guia, o fundador da falange. Quando Zé Pelintra desencarnou, inicialmente ele trabalhava no mesmo Catimbó que frequentava enquanto encarnado. Quando passou se manifestar em outros cultos, não era o indivíduo  Mestre Zé Preto Pelintra, mas outros espíritos que eram ensinados por ele e atuavam com seu nome.

Com o passar dos anos, recebeu a autorização para se manifestar nas rodas do que eram conhecidas como Macumbas Cariocas, algo similar a nossa amada Umbanda. Desde suas primeiras aparições, os Guias que atuavam sob sua tutela vinham com a roupagem do malandro carioca, sujeito trajando vestimenta sempre bastante alinhada, muito chique e garboso, ostentador de tudo que é de bom gosto, porém bastante simples no falar e com uma ginga bastante singular. Sua figura principal é  a de um senhor de meia idade, moreno, usando terno branco, chapéu branco com fita vermelha, gravata vermelha, sapato bicolor vermelho e branco, com camisa branca. 


Marcel Oliveira nos diz que Zé Pelintra está longe de ser um marginal, e que representa todos aqueles que se sentem marginalizados por preconceitos, seja eles de qualquer origem. A figura do malandro carioca associado a Zé Pelintra se dá justamente por conta desta forma discreta de sincretismo. Quando teve a autorização de trabalhar na Umbanda, inicialmente vinham junto a linha dos Baianos e eram os mestres juremeiros de Seu Zé Pelintra, pela natural associação a religião do Catimbó, originária no Nordeste brasileiro. Por serem exímios manipuladores da fumaça de esquerda no Catimbó, puderam trabalhar de uma forma bastante tranquila nas Giras de Exu e Pombagira. Foi apenas após conseguirem a possibilidade de trabalhar com sua própria Linha de Trabalho na Umbanda, que os Malandros puderam se manifestar.

Dito isso, vale ressaltar que a Linha de Zé Pelintra é uma e a linha dos Malandros é outra diferente, com propósitos e formas de atuação distinta, porém ambas são regidas por Seu Zé Pelintra, aquele mesmo Mestre Zé Preto do Catimbó. Malandro é malandro, Zé é Zé, porém todo Malandro tem um pouco de Zé e todo Zé tem um pouco da malandragem. Sendo assim, são todos regidos por Oxalá e desempenham importante trabalho perante a Espiritualidade Amiga.

Nenhum comentário:

Postar um comentário